sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Dia Mundial das Zonas Húmidas vs espírito BioRia



Hoje comemora-se o Dia Mundial das Zonas Húmidas, como forma de assinalar a adopção, em 1971, da Convenção de Ramsar, relativamente à qual o nosso país foi um dos signatários. Este diploma visava já, há quase meio século, despertar as consciências para a necessidade de proceder à conservação e à utilização sustentável deste tipo de ecossistemas.


O interesse pela gestão sustentável das Zonas Húmidas tem a ver com o facto destas se encontrarem entre os ecossistemas mais produtivos do planeta. Mais produtivos e simultâneamente mais ameaçados. Em todo o mundo são múltiplos os atentados cometidos contra as Zonas Húmidas. Lixos sólidos e efluentes não tratados são descarregados nos cursos e bolsas de água, principalmente rios, lagos, lagunas, lagoas, etc. Também a drenagem e enxugo de zonas aquáticas constituem outros factores muito importantes de degradação deste tipo de recursos naturais. 



Contudo, além destes factores nocivos derivados da incúria do homem nas suas práticas diárias acresce a irresponsabilidade dos decisores políticos ao permitirem que estas áreas sejam alvo de uma exploração desregrada.


Em 2018 a comemoração da efeméride procura chamar a atenção para as Zonas Húmidas que se localizam na envolvência de núcleos urbanos e que estiveram na base do desenvolvimento dos mesmos. A Ria de Aveiro é um exemplo perfeito deste tipo de Zona Húmida, pois em seu redor implantou-se um elevado número de aglomerados populacionais que se foram transformando em vilas e cidades ao longo dos tempos. A Ria de Aveiro representou desde o século XII uma importante fonte de água, de recursos pesqueiros, de algas, de sal, que permitiu ao homem evoluir em termos económicos e sociais.


O Baixo-Vouga Lagunar é, dentro do espaço lagunar da Ria de Aveiro, uma Zona Húmida de características muito peculiares pela diversidade de biótopos aí existentes. Aqui proliferou, até um passado recente, uma fauna selvagem diversificada adaptada às condições naturais da região, mesmo quando sobre esta pesava o enorme fardo da poluição do ar e da água provenientes da indústria pesada instalada em seu redor e quando a caça era demasiadas vezes praticada de forma ilegal. 




Actualmente, o Baixo-Vouga depara-se com outra ameaça à sua conservação. O denominado projecto BioRia, da iniciativa da Câmara Municipal de Estarreja, teoricamente criado para valorizar aquele espaço de Vida Selvagem, como aliás seria desejável e eu próprio preconizei desde o início da década de 80, constitui na prática um instrumento de delapidação dos recursos daquela Zona Húmida.


A passagem regular pelos trilhos de serventia aos campos agrícolas de praticantes de jogging, a realização de corridas e de provas outdoor de características paramilitares, como a infeliz iniciativa denominada BioRace Challenge, além de satisfazerem os interesses económicos de variadíssimas castas promovem o desaparecimento das espécies da fauna pela pressão que exercem sobre o meio ambiente (vem a propósito referir que estes comportamentos reforçam a minha ideia de que foi um erro gravíssimo ter acabado o serviço militar obrigatório em Portugal, pois o mesmo contribuiria para a satisfação integral destas necessidades físicas, mas então realizadas nos locais adequados, como seriam as unidades militares).



fonte: ambientemagazine.com

fonte: bioria.pt

fonte: cm-estarreja.pt 

fonte: cm-estarreja.pt

fonte:diarioaveiro.pt

fonte:metronews.com.pt 


É preciso respeitar a natureza no Baixo-Vouga lagunar, acabando com projectos falaciosos, que no papel dizem uma coisa e no terreno fazem outra completamente diferente. Exemplos de gestão autárquica dos espaços selvagens como aquela que é feita no Baixo-Vouga revelam a importância deste tipo de gestão voltar a ser feita por organismos centrais do Estado ou sob apertado controlo da parte destes. 


É preciso não fazer letra morta dos acordos internacionais assumidos, como aqueles que constam da Convenção de Ramsar.

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

4 de Outubro - Dia Mundial do Animal

Assinalar esta data poderia passar por uma abordagem aos animais nossos companheiros diários ou domésticos, como por exemplo, cães, gatos, coelhos, galinhas e pombos, bem como, ao próprio homem que deles usufrui. Mas hoje em vez dos cinco primeiros grupos citados tratarei de outras tantas espécies que se me afiguram mais pertinentes.

Com uma envergadura superior a 2,5 m, uma altura no garrote a rondar os 2 m e uma massa corporal próxima da tonelada (nos machos adultos), este bovídeo pertence à maior família de ungulados (mamíferos com cascos). Esta espécie outrora chegou a habitar, em grandes manadas, vastas regiões da Europa quando esta se encontrava coberta por extensas florestas caducifólias. 
Extinto do estado selvagem em 1919, o Bisonte-europeu (Bison bonasus) é actualmente uma espécie, com uma população de poucos milhares de indivíduos, que vivem em parques naturais, especialmente na Polónia, graças aos projectos de reintrodução a partir de animais provenientes de jardins zoológicos.




O gamo (Dama dama), parente do bisonte por ser também um ungulado e com um número par de dedos (ordem Artiodactyla) pertence, contudo, a uma outra família, a dos cervídeos, de menor envergadura e peso. Com uma pelagem acastanhada no Verão e acinzentada no Inverno, distinguem-se de outras espécies da família por apresentarem manchas brancas no dorso que lhe conferem um aspecto atraente. Os machos desta espécie possuem armações achatadas que se vão ramificando com a idade. De comportamento esquivo, necessitam de floresta mista ou caducifólia, com vegetação rasteira densa e clareiras adjacentes. 
Por todas estas características muito cedo desapareceram do estado selvagem na Europa, com excepção de pequenos núcleos muito localizados na bacia mediterrânica. Actualmente vivem e reproduzem-se em parques, como é o caso português, podendo ser alvo de reintroduções na natureza.




O Toirão (Mustela putorius) é um mustelídeo (grupo de carnívoros pequenos, frequentemente com menos de 1 Kg, corpo alongado e patas curtas sendo por isso muito ágeis e bons trepadores) que ocupa uma grande diversidade de habitats, vivendo em tocas escavadas ou em fendas de rochas. Predominantemente nocturno, caça ratos, coelhos, aves, lagartos e várias outras presas. Domesticado para a caça ao coelho deu origem ao furão (Mustela furo).
Devido ao hábito de matar para fazer reserva de alimentos e devido à sua dieta alimentar poder incidir, em caso de ausência de alimento natural, em animais domésticos é visto como uma espécie indesejada, sendo alvo de perseguições (armadilhagem, tiro, perseguição por cães). Animais feridos são frequentemente recuperados em parques se preparados para o efeito.




Correndo velozmente no solo ou trepando esquivo em torno dos troncos das árvores, o esquilo (Sciurus vulgaris), de pelagem arruivada é um roedor de hábitos diurnos cuja vida depende da existência de estratos arbóreos. Nos últimos anos apresentou uma expansão grande por toda a Europa colonizando novos territórios. Infelizmente, a elevada extensão de área florestal ardida em Portugal não permite que a espécie possa ter uma distribuição alargada no nosso país. Contudo, a existência de grandes parques com boas condições em termos alimentares e de habitats disponíveis, nomeadamente em centros urbanos, permite que os mesmos funcionem como núcleos de reprodução para a espécie e como pontos de dispersão para o meio ambiente natural.




O grou-comum (Grus grus) é uma ave, frequentemente ruidosa, de patas e pescoço compridos, bico direito e quando em voo assemelha-se às cegonhas voando, quer em círculos, quer em formações em V sobretudo durante as suas viagens migratórias, entre o norte da Europa, onde cria, até ao sul da Europa e norte de África, onde passa o inverno. Em Portugal a espécie pode ser observada nas planícies interiores alentejanas durante os meses de Inverno. Quando feridas e à semelhança de um grande número de outras aves de diferentes espécies podem ir parar a centros de recuperação de onde poderão sair em condições de voltar ao seu meio natural. 




Todas estas cinco espécies selvagens, aparentemente sem ligação entre si, inclusivamente porque a primeira não faz parte da fauna portuguesa, têm um denominador comum. O facto de há mais de três décadas beneficiarem no nosso país de um centro de recuperação notável, único no seu know-how técnico e merecedor do reconhecimento internacional. Este centro que sempre teve como principal objectivo o tratamento de animais feridos, capturados de forma ilegal e incapacitados,  para uma eventual e posterior libertação no meio natural, funcionou no Parque Biológico de Gaia.  

O Parque Biológico de Gaia, que bem soube estabelecer ao longo dos anos um conjunto de parcerias com outros parques do mundo e que bem soube conjugar nas suas instalações diferentes valências promotoras da conservação, educação e turismo ambientais, impôs-se como projecto de referência não só em Portugal  como noutros países do mundo. 

Recentemente de visita ao parque, após uma ausência de vários meses, fiquei surpreso com um certo estado de abandono revelado no mesmo. E porque estes sinais captados logo num contacto inicial normalmente indiciam algo de errado procurei informar-me. Surpreendentemente me disseram que o "director já não dirige". Como assim? É verdade. Ninguém sabe muito bem o que por ali se passa, mas o Parque já não é o que era. O Director está impedido de continuar a fazer o seu excelente trabalho!
Os meus receios pareciam confirmar-se. Pena minha, que vi crescer aquele parque e conhecia os projectos que o mesmo tinha para o futuro, sempre no sentido da promoção da biodiversidade em Gaia. 

E é aqui que entra a sexta espécie da minha lista. Muito mais complexo que as espécies anteriores, o homem, esse ser vivo social, deve ser um construtor do bem comum, enquanto ser inteligente e cônscio do seu dever de colocar todas as suas capacidades ao serviço da comunidade que o rodeia. Felizmente a maioria dos indivíduos desta espécie animal serão assim. Outras vezes, contudo, alguns indivíduos ao assumirem uma atitude míope, de menosprezo pelo bem comum, por não suportarem tudo aquilo que é belo, harmonioso e nobre, promovem a  destruição de forma gratuita e prepotente dos progressos alcançados. E simplesmente porque sim.  

Requiem pelo Parque Biológico de Gaia? 
Aguarde-se para ver.

segunda-feira, 5 de junho de 2017

5 de Junho - Dia Mundial do Ambiente

Aproveitemos o dia para celebrar o fim (pelo menos para já!) dos últimos atentados ambientais cometidos na nossa terra. A aproximação do início da época balnear veio pôr termo a uma "operação negra" de pretensa despoluição da Barrinha de Esmoriz.


Durante várias semanas a água sobrecarregada de resíduos tóxicos, químicos e orgânicos, foi bombeada através de tubagens desde a lagoa até ao esporão frontal à praia e  despejada directamente no oceano! 

É vulgar ouvir dizer que o oceano, de tão imenso que é, tem capacidade para "diluir" tudo ou quase tudo .... Mas será mesmo verdade? Claro que não! Mas por cá, para os nossos especialistas em intervenções litorais, o assunto não se revela problemático .... e assim há que poluir à vontade de consciência limpinha. 

E é assim que mais uma vez assuntos como poluição deliberada e intervenções sensacionalistas pré-eleitorais, são colocadas todas no mesmo saco. Um saco obscuro.....em que ninguém é "chamado à pedra" por estes crimes ambientais cometidos .....

E daqui a uns quatro meses como continuará este folhetim? Prosseguirá este crime ambiental de livre poluição do oceano? Continuará viva a ideia de enterrar dinheiro no areal de Esmoriz com a construção da segunda via do emblemático dique fusível? 

Na passagem de mais um 5 de Junho ficam dois alertas. Não se esqueçam (entidades responsáveis) que:

- mesmo no Inverno o oceano e as nossas praias têm o direito a estarem limpas! Com os diabos ... o lixo da Barrinha pode não ser lixo nuclear mas o que é nuclear é que um estado comprometido com tantas directivas europeias saiba ter intervenções ambientais sustentáveis!

- especialmente durante o Inverno o oceano não tem contemplações com projectos que não têm em conta a dinâmica litoral própria deste sector litoral.


Bom trabalho!

sábado, 22 de abril de 2017

Dia Mundial da Terra


Anualmente celebra-se nesta data o Dia Mundial da Terra, como forma de promover a preservação do planeta e a sustentabilidade ambiental, sendo o tema escolhido para este ano a "Instrução Ambiental e Climática", com o objectivo de debater temas como:

- aumento da temperatura global da Terra
- extinção de espécies animais
- aumento do nível dos oceanos
- escassez de água potável
- maior número de catástrofes naturais (tempestades, ondas de calor, secas,...)

Pois ao nosso nível local continua a ser necessária muita literacia ambiental para que os dirigentes ovarenses ponham em prática as recomendações dos organismos internacionais, que obviamente desconhecem. 

Acções nada consistentes com a preservação ambiental, como aquela que está a decorrer na Barrinha de Esmoriz, uma dúzia de anos após uma vergonhosa e similar intervenção, denotam mais uma vez total desprezo e irresponsabilidade pelos mais elementares princípios da conservação dos frágeis ecossistemas costeiros.








Recordemos as lições do passado de modo a evitar a repetição de erros no presente e deste modo salvaguardarmos, no futuro, não mais um postal ilustrado da vaidade política caseira mas antes o ecossistema costeiro conhecido por uns como Barrinha de Esmoriz e por outros como Lagoa de Paramos, mas indiscutivelmente uma importante Zona Húmida de Portugal.

sexta-feira, 3 de março de 2017

A propósito do Dia Mundial da Vida Selvagem


A 3 de Março comemora-se o Dia Mundial da Vida Selvagem, proclamado pela Organização das Nações Unidas, em 2013. Este foi o dia em que foi assinada a Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Fauna e da Flora Selvagem Ameaçadas de Extinção (CITES).

Vida Selvagem pressupõe, antes de mais, assegurar a continuidade de ecossistemas naturais ou semi-naturais, como sejam as lagoas costeiras, importantíssimas na fixação de populações de mamíferos, répteis, anfíbios e sobretudo, pelos elevados números, aves. Este último grupo animal encontra nas lagoas costeiras, nomeadamente naquelas que se localizam sobre a faixa litoral, importantes locais de passagem, descanso, abrigo, nidificação e alimentação.


Foi assim durante muitos anos na Barrinha de Esmoriz .... mas, a curto prazo, a situação poderá mudar drasticamente caso a autarquia não consiga promover juntamente com a POLIS o equilíbrio entre a componente lúdico-turística e a componente da vida selvagem.


A este propósito e como curiosidade, a Câmara de Ovar eleita nas eleições desse 2013 em que foi assinada a convenção atrás referida, na pessoa do seu presidente, teve uma reunião técnica específica para a abordagem do tema da valorização dos espaços naturais do concelho e nomeadamente da Barrinha de Esmoriz. Tendo ficado de avaliar as propostas então apresentadas ...... até hoje ....  aguardemos pelos resultados!


quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Plataforma 2 : adrenalina on-top!

Há cerca de dois anos e meio escrevi sobre a estação de caminhos-de-ferro de Ovar, não só para chamar a atenção do aspecto dantesco que então ofereciam os escombros das antigas oficinas ferroviárias mas também e sobretudo pelo perigo que a plataforma 2 (que serve de apoio aos passageiros que viajam no sentido do sul), pela sua reduzida largura, representava para a segurança pública. Estas duas situações, em meu entender, requeriam soluções enquadradas num projecto de correcção do traçado da linha férrea ao passar pela cidade de Ovar. 

Desde há dois anos e meio que muita coisa mudou no mundo e por cá também...quanto mais não tivessem sido as cores e as caras dos "políticos da casa"! Mas a estação de caminhos-de-ferro de Ovar continua infelizmente na mesma, apesar de uns muros e umas chapas colocados na tentativa de esconder ingloriamente aquela trapalhada toda.  






Na verdade, a estação de Ovar continua desmazelada e perigosa! Nem a luz acobreada do sol nem os graffitis lhe valem. Será que é pelo facto dos políticos mudarem de cor mas lá no fundo continuarem a preocuparem-se sempre com o mesmo objectivo (realizarem apenas obras de curta duração e de show off para ganharem os votos de uma próxima eleição)?   


O facto da estação de Ovar se situar dentro de uma "barriga" da linha férrea é só por si motivo de grande preocupação pois a aproximação visual de comboios sem paragem na estação é repentina e perigosa. Tão pouco o som das campainhas das passagens de nível mais próximas é suficientemente audível em certos momentos (maior ruído ambiente, direcção do vento, ...).




Volto a insistir, como o fiz no passado, que é muito importante diligenciar junto do poder central no sentido de uma intervenção urgente na estação de Ovar, nomeadamente ao nível da linearização do traçado da via (linha a vermelho) e de alargamento da estação com passagens seguras entre plataformas (área limitada a amarelo).






Outra questão da maior importância tem a ver com a reduzida largura das plataformas.

A largura da plataforma 1 é de cerca de 2,5 metros mas quando as carruagens de mercadorias, que parecem não acabar, passam a alta velocidade.... é isto.....





Problema ainda de maior dimensão prende-se com a reduzida largura da plataforma 2 que serve as linhas 2 e 3. Em frente à estação a referida plataforma tem pouco mais de 2 metros! 






A reduzida dimensão da plataforma põe em perigo os utilizadores da mesma sobretudo aquando da passagem de comboios de alta velocidade (intercidades, alfas e comboios de mercadorias). 




À passagem destes comboios a deslocação do ar é de tal forma grande que pode facilmente provocar a perda de equilíbrio dos utentes que aguardam na plataforma 2 e consequentemente uma queda para a linha.  Resultado certo será assim o acidente mortal!





Sobretudo aos Domingos de tarde são inúmeras as famílias de Ovar e arredores que se despedem de filhos, outros familiares ou amigos que viajam nos comboios intercidades no sentido de Aveiro, Coimbra, Lisboa..... Há carruagens que só param para norte da passadeira que liga as plataformas 1 e 2....e então o problema da largura da plataforma 2 agudiza-se ainda mais, pois a sua largura passa para pouco mais de 1 metro ..... e entretanto o comboio sempre a travar ainda não parou.....é preciso coragem para estar especado nessa plataforma à espera que o comboio imobilize.....o melhor mesmo é malhar (saltar) para a linha 3 não vá o diabo (que alguns dizem que anda por aí) tecê-las.... um verdadeiro exercício de stand-up, pois é preciso voltar a subir a plataforma para embarcar....o comboio não espera muito tempo .... 

Pois é! Mas não é com "malhanços" destes que Ovar vê melhorada a segurança e a qualidade de vida dos seus cidadãos …. e não podemos continuar a confiar na sorte que até aqui tem evitado consequências mais graves!
Este grande barco que é a cidade sede do concelho precisa de quem, com  experiência, clarividência e rasgo, queira apostar no desenvolvimento de obras estratégicas, ao invés de intervenções avulsas, como que puxadas da cartola, meramente pró-voto! 


ps. este apontamento não é ficção. Como utilizador desta plataforma 2, nomeadamente ao domingo de tarde, informo que o texto só peca por não ser capaz de transmitir de forma ainda mais "viva" a sensação de insegurança e perigo experimentadas in loco. 



domingo, 1 de janeiro de 2017

2017 - Ano Internacional do Turismo Sustentável para o Desenvolvimento

A Organização das Nações Unidas (ONU) declarou 2017 como o Ano Internacional do Turismo Sustentável para o Desenvolvimento, como uma forma de reconhecimento da importância do turismo na aproximação dos povos, no intercâmbio de culturas e na preservação das heranças civilizacionais, de forma a fortalecer as relações entre as nações e a promover e estimular os esforços de paz no mundo.

Esta iniciativa, como aliás outras celebradas em anos anteriores, surgida da Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio + 20), representa uma oportunidade para as actividades turísticas nacional, regional e local se enquadrarem cada vez mais e melhor no desejável desenvolvimento social, económico e ambiental de cada região e do país.

Por cá, na nossa cidade de Ovar, adormecida no tempo pela inércia de alguns dos seus últimos governantes, estagnada há várias décadas do ponto de vista da sua dinamização comercial e ultrapassada na sua importância e influência territorial face a outros concelhos limítrofes, urge uma mudança. Uma mudança pela valorização dos seus recursos, não só do carnaval e do pão-de-ló, mas também e sobretudo, dos nossos recursos ambientais, como sejam as nossas paisagens campestres, florestais, a nossa ria e o nosso mar. Mas neste particular, valorizar a ria e a costa não pode passar, como tem sido um habitué nestas últimas Câmaras, por intervenções avulsas, desajustadas e sem lógica, muito mais reflexo de vaidades pessoais do que propriamente de projectos devidamente estudados e estruturados. 



2017 chegou, pedindo-nos mais e melhor para se conseguir avançar no nosso desenvolvimento, recorrendo para isso à prática de um turismo de qualidade. Promover o turismo sustentável para o desenvolvimento do concelho de Ovar terá obrigatoriamente que passar pela escolha cuidada dos seus dirigentes, de forma a garantir no futuro o desenvolvimento de todas as suas freguesias (e não apenas daquelas que dão mais votos!) nas suas diferentes vertentes, social, económica e ambiental.


E é assim que, neste início de Ano Novo, não há motivos para que haja lugar a foguetes e honrarias, porque há praticamente tudo para fazer e outro tanto para refazer…… 


(artigo publicado na Revista Reis, n.º 51, 2017)

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Ria de Aveiro: o homem e os bentos.

A Ria de Aveiro constitui uma das principais Zonas Húmidas portuguesas possuindo grandes extensões de vaza durante a baixa-mar. Este biótopo, de aspecto pouco atraente à vista, alberga uma multidão de espécies soterradas no lodo (os denominados bentos) que outras espécies de nível superior, procuram incessantemente como alimento.




Entre as espécies que vivem enterradas no lodo constam bactérias, protozoários, microalgas, bivalves, gastrópodes, vermes, larvas e juvenis de macrofauna. Sobre o lodo vivem outras espécies como os caranguejos e diversas larvas de insectos.

Entre as espécies que exploram este biótopo típico das zonas entre-marés constam grandes bandos de pilritos, borrelhos, maçaricos e de várias outras limícolas.




Contudo, o maior predador das espécies bentónicas na Ria de Aveiro é o homem, que diariamente e durante a baixa-mar remexe o fundo da laguna à procura dos tão apetecidos "petiscos"  numa actividade de ganha-pão.





terça-feira, 8 de novembro de 2016

8 de Novembro - Dia Mundial do Urbanismo

Decorridos seis anos sobre um apontamento, aqui registado, a propósito do estado de abandono de algumas infra-estruturas existentes na cidade de Ovar e que mereciam uma atenção cuidada por parte da autarquia vareira, .... tudo (ou quase tudo) continua igual. 

E é uma pena! 

Pois entre os "esquecidos e abandonados" consta, à semelhança do Cine-teatro de Ovar recentemente demolido pela insegurança que apresentava, uma peça arquitectónica correspondente à história industrial de Ovar.



Senhor presidente da Câmara Municipal de Ovar e senhor(es) vereador(es) responsáve(is)l pelo Urbanismo e Património convido-os um dia a saírem dos vossos gabinetes e a darem um passeio até ao local e a retirarem as vossas próprias conclusões.

Que acham? 


quinta-feira, 20 de outubro de 2016

BioRia: um caso (infeliz) de estudo!


www.bioria.com
Está na moda, e ainda bem, o conceito de turismo ambiental. Praticado há bastante tempo em vários países, por todo o mundo, este conceito começa a ser pensado e explorado em Portugal na continuidade de outras formas de turismo sustentável, nomeadamente do turismo rural.

O turismo ambiental, eco-turismo, turismo de natureza ou da vida selvagem procura proporcionar o usufruto de áreas naturais ou semi-naturais, com a valorização da biodiversidade e demais recursos naturais a elas associados. Eu próprio acalentei esta forma de turismo para a Ria de Aveiro, já em meados dos anos 80 do século passado, face à riqueza natural que esta Zona Húmida disponibilizava e que à data podia ter sido potenciada caso se investisse na conservação dos seus biótopos e das suas espécies.


www.bioria.com

Numa consulta ao site do BioRia, projecto da Câmara Municipal de Estarreja (http://bioria.com/apresentacao), verifica-se que entre os objectivos do mesmo, para os campos do Baixo-Vouga Lagunar, constam “a valorização do ecossistema natural….a conservação da natureza e da biodiversidade……a requalificação de zonas ambientalmente degradadas”. Em boa verdade, toda esta oratória está conforme as características de um turismo sustentável.

No entanto, uma nova leitura do site, agora direccionada ao plano de actividades do BioRia, permite constatar a ocorrência de diversos momentos lúdicos, quer nos trilhos (os antigos caminhos de acesso aos campos), quer nos esteiros. Estas actividades que passam invariavelmente pela concentração de pessoas a caminhar, a correr, a andar de bicicleta, de carro ou de kayak, em nada contribuem para os objectivos de conservação da biodiversidade do Baixo-Vouga Lagunar.

Mas, se estas actividades representam graves factores de perturbação para a fauna selvagem local, nomeadamente para diversas espécies nidificantes e para várias outras com estatuto de vulnerabilidade, o expoente máximo da agressão ambiental acontece, incongruentemente, com a BioRace Challenge - corrida de obstáculos, a qual reúne anualmente centenas de participantes neste oásis da Ria de Aveiro!

Nesta inadmissível prova, toda esta Zona Húmida se transforma num autêntico campo de treino militar. E a prová-lo está a descrição que a própria BioRia faz do evento (http://bioria.com/biorace)….“saltar, transpor fardos de palha, paliçadas e pneus, atravessar rolos de madeira e manilhas, rastejar na lama, atravessar lombas, transportar troncos de árvores…” Todos estes exercícios são bem conhecidos de quem cumpriu no passado o serviço militar obrigatório e de quem hoje continua a fazer parte das Forças Armadas. Mas a realidade é que o Baixo Vouga Lagunar não é nem pode ser um “campo militar”, em que uns quantos citadinos a troco do custo de uma inscrição têm permissão para escaqueirar a natureza da Ria de Aveiro!

www.bioria.com

www.bioria.com

www.bioria.com

www.bioria.com

www.bioria.com
www.bioria.com

Recorde-se que a Ria de Aveiro é uma ZPE (Zona de Protecção Especial) e que possui vários SIC (Sítios de Importância Comunitária), definidos ao abrigo de Directivas Comunitárias. Recorde-se também que o valor natural da referida zona está sobejamente identificado desde há várias décadas, nomeadamente pelos vários anos de trabalho realizado no local e divulgado em colóquios, jornadas e palestras durante a década de 80 e em livro (Ria de Aveiro – Memórias da Natureza, 1993). Nesta data e considerando todo o território nacional, o núcleo com maior número de casais reprodutores de águia-sapeira (Circus aeruginosus), assim como, a maior colónia de garça-vermelha (Ardea purpurea) localizavam-se precisamente nesta região.



artededebicar.blogspot.com

herdadedegambia.com



O que se passa actualmente no Baixo-Vouga Lagunar nada tem a ver com projectos conservacionistas ou com a valorização do património ambiental local. Aquilo que por lá se desenrola será, sem dúvida, um meio de promover um certo “turismo caseiro”, mas de características agressivas, que nada tem a ver com eco-turismo. Por esta razão o BioRia constitui um vector de destruição daquilo que diz defender.

Face ao exposto será conveniente que todas estas actividades com impacto ambiental negativo sejam proibidas nesta região, devendo ser deslocadas para outras áreas do concelho mais adequadas para o efeito, em prol do bom nome da Consciência Ambiental e dos compromissos assumidos pelo governo português neste domínio a nível internacional.

Basta de iniciativas destrutivas a coberto de projectos autárquicos. O Baixo Vouga Lagunar precisa de medidas de protecção. Não precisa deste projecto BioRia!


Ps. A proveniência das fotos incorporadas neste artigo testemunha o sentir de diferentes entidades em torno da riqueza da área, assim como, das actividades que lá se praticam. Podem ainda ser visualizados os vídeos promocionais do BioRia sobre a referida actividade outdoor:



            
(este artigo foi publicado no Diário de Aveiro, 16/10/16 e no jornal digital OvarNews, 13/11/16)

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

5 de Outubro - Dia da Implantação da República em Portugal

Para que nenhuma república acabe com as reais dinastias .... 


Dinastia aquática



Garça-real (Ardea cinerea)
fonte:pt.wikipedia.pt

Maçarico-real (Numenius arquata)
fonte: avesnest.com

Pato-real (Anas platyrhynchos)
fonte: floraefauna.wordpress.com


Dinastia terrestre



Águia-real (Aquila chrysaetus)
fonte:cienciasnatureza.com
Picanço-real (Lanius excubitor)
fonte:sierradeloja.com
Bufo-real (Bubo bubo)
fonte:pinterest

Chapim-real (Parus major)
fonte: youtube.com

Felosa-real (Acrocephalus melanopogon)
fonte: pt.wikipedia.pt

Andorinhão-real (Apus melba)
fonte:youtube.com
Milhafre-real (Milvus milvus)
fonte: pinterest



Viva, aos reis da Natureza!