sexta-feira, 3 de março de 2017

A propósito do Dia Mundial da Vida Selvagem


A 3 de Março comemora-se o Dia Mundial da Vida Selvagem, proclamado pela Organização das Nações Unidas, em 2013. Este foi o dia em que foi assinada a Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Fauna e da Flora Selvagem Ameaçadas de Extinção (CITES).

Vida Selvagem pressupõe, antes de mais, assegurar a continuidade de ecossistemas naturais ou semi-naturais, como sejam as lagoas costeiras, importantíssimas na fixação de populações de mamíferos, répteis, anfíbios e sobretudo, pelos elevados números, aves. Este último grupo animal encontra nas lagoas costeiras, nomeadamente naquelas que se localizam sobre a faixa litoral, importantes locais de passagem, descanso, abrigo, nidificação e alimentação.


Foi assim durante muitos anos na Barrinha de Esmoriz .... mas, a curto prazo, a situação poderá mudar drasticamente caso a autarquia não consiga promover juntamente com a POLIS o equilíbrio entre a componente lúdico-turística e a componente da vida selvagem.


A este propósito e como curiosidade, a Câmara de Ovar eleita nas eleições desse 2013 em que foi assinada a convenção atrás referida, na pessoa do seu presidente, teve uma reunião técnica específica para a abordagem do tema da valorização dos espaços naturais do concelho e nomeadamente da Barrinha de Esmoriz. Tendo ficado de avaliar as propostas então apresentadas ...... até hoje ....  aguardemos pelos resultados!


quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Plataforma 2 : adrenalina on-top!

Há cerca de dois anos e meio escrevi sobre a estação de caminhos-de-ferro de Ovar, não só para chamar a atenção do aspecto dantesco que então ofereciam os escombros das antigas oficinas ferroviárias mas também e sobretudo pelo perigo que a plataforma 2 (que serve de apoio aos passageiros que viajam no sentido do sul), pela sua reduzida largura, representava para a segurança pública. Estas duas situações, em meu entender, requeriam soluções enquadradas num projecto de correcção do traçado da linha férrea ao passar pela cidade de Ovar. 

Desde há dois anos e meio que muita coisa mudou no mundo e por cá também...quanto mais não tivessem sido as cores e as caras dos "políticos da casa"! Mas a estação de caminhos-de-ferro de Ovar continua infelizmente na mesma, apesar de uns muros e umas chapas colocados na tentativa de esconder ingloriamente aquela trapalhada toda.  






Na verdade, a estação de Ovar continua desmazelada e perigosa! Nem a luz acobreada do sol nem os graffitis lhe valem. Será que é pelo facto dos políticos mudarem de cor mas lá no fundo continuarem a preocuparem-se sempre com o mesmo objectivo (realizarem apenas obras de curta duração e de show off para ganharem os votos de uma próxima eleição)?   


O facto da estação de Ovar se situar dentro de uma "barriga" da linha férrea é só por si motivo de grande preocupação pois a aproximação visual de comboios sem paragem na estação é repentina e perigosa. Tão pouco o som das campainhas das passagens de nível mais próximas é suficientemente audível em certos momentos (maior ruído ambiente, direcção do vento, ...).




Volto a insistir, como o fiz no passado, que é muito importante diligenciar junto do poder central no sentido de uma intervenção urgente na estação de Ovar, nomeadamente ao nível da linearização do traçado da via (linha a vermelho) e de alargamento da estação com passagens seguras entre plataformas (área limitada a amarelo).






Outra questão da maior importância tem a ver com a reduzida largura das plataformas.

A largura da plataforma 1 é de cerca de 2,5 metros mas quando as carruagens de mercadorias, que parecem não acabar, passam a alta velocidade.... é isto.....





Problema ainda de maior dimensão prende-se com a reduzida largura da plataforma 2 que serve as linhas 2 e 3. Em frente à estação a referida plataforma tem pouco mais de 2 metros! 






A reduzida dimensão da plataforma põe em perigo os utilizadores da mesma sobretudo aquando da passagem de comboios de alta velocidade (intercidades, alfas e comboios de mercadorias). 




À passagem destes comboios a deslocação do ar é de tal forma grande que pode facilmente provocar a perda de equilíbrio dos utentes que aguardam na plataforma 2 e consequentemente uma queda para a linha.  Resultado certo será assim o acidente mortal!





Sobretudo aos Domingos de tarde são inúmeras as famílias de Ovar e arredores que se despedem de filhos, outros familiares ou amigos que viajam nos comboios intercidades no sentido de Aveiro, Coimbra, Lisboa..... Há carruagens que só param para norte da passadeira que liga as plataformas 1 e 2....e então o problema da largura da plataforma 2 agudiza-se ainda mais, pois a sua largura passa para pouco mais de 1 metro ..... e entretanto o comboio sempre a travar ainda não parou.....é preciso coragem para estar especado nessa plataforma à espera que o comboio imobilize.....o melhor mesmo é malhar (saltar) para a linha 3 não vá o diabo (que alguns dizem que anda por aí) tecê-las.... um verdadeiro exercício de stand-up, pois é preciso voltar a subir a plataforma para embarcar....o comboio não espera muito tempo .... 

Pois é! Mas não é com "malhanços" destes que Ovar vê melhorada a segurança e a qualidade de vida dos seus cidadãos …. e não podemos continuar a confiar na sorte que até aqui tem evitado consequências mais graves!
Este grande barco que é a cidade sede do concelho precisa de quem, com  experiência, clarividência e rasgo, queira apostar no desenvolvimento de obras estratégicas, ao invés de intervenções avulsas, como que puxadas da cartola, meramente pró-voto! 


ps. este apontamento não é ficção. Como utilizador desta plataforma 2, nomeadamente ao domingo de tarde, informo que o texto só peca por não ser capaz de transmitir de forma ainda mais "viva" a sensação de insegurança e perigo experimentadas in loco. 



domingo, 1 de janeiro de 2017

2017 - Ano Internacional do Turismo Sustentável para o Desenvolvimento

A Organização das Nações Unidas (ONU) declarou 2017 como o Ano Internacional do Turismo Sustentável para o Desenvolvimento, como uma forma de reconhecimento da importância do turismo na aproximação dos povos, no intercâmbio de culturas e na preservação das heranças civilizacionais, de forma a fortalecer as relações entre as nações e a promover e estimular os esforços de paz no mundo.

Esta iniciativa, como aliás outras celebradas em anos anteriores, surgida da Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio + 20), representa uma oportunidade para as actividades turísticas nacional, regional e local se enquadrarem cada vez mais e melhor no desejável desenvolvimento social, económico e ambiental de cada região e do país.

Por cá, na nossa cidade de Ovar, adormecida no tempo pela inércia de alguns dos seus últimos governantes, estagnada há várias décadas do ponto de vista da sua dinamização comercial e ultrapassada na sua importância e influência territorial face a outros concelhos limítrofes, urge uma mudança. Uma mudança pela valorização dos seus recursos, não só do carnaval e do pão-de-ló, mas também e sobretudo, dos nossos recursos ambientais, como sejam as nossas paisagens campestres, florestais, a nossa ria e o nosso mar. Mas neste particular, valorizar a ria e a costa não pode passar, como tem sido um habitué nestas últimas Câmaras, por intervenções avulsas, desajustadas e sem lógica, muito mais reflexo de vaidades pessoais do que propriamente de projectos devidamente estudados e estruturados. 



2017 chegou, pedindo-nos mais e melhor para se conseguir avançar no nosso desenvolvimento, recorrendo para isso à prática de um turismo de qualidade. Promover o turismo sustentável para o desenvolvimento do concelho de Ovar terá obrigatoriamente que passar pela escolha cuidada dos seus dirigentes, de forma a garantir no futuro o desenvolvimento de todas as suas freguesias (e não apenas daquelas que dão mais votos!) nas suas diferentes vertentes, social, económica e ambiental.


E é assim que, neste início de Ano Novo, não há motivos para que haja lugar a foguetes e honrarias, porque há praticamente tudo para fazer e outro tanto para refazer…… 


(artigo publicado na Revista Reis, n.º 51, 2017)

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Ria de Aveiro: o homem e os bentos.

A Ria de Aveiro constitui uma das principais Zonas Húmidas portuguesas possuindo grandes extensões de vaza durante a baixa-mar. Este biótopo, de aspecto pouco atraente à vista, alberga uma multidão de espécies soterradas no lodo (os denominados bentos) que outras espécies de nível superior, procuram incessantemente como alimento.




Entre as espécies que vivem enterradas no lodo constam bactérias, protozoários, microalgas, bivalves, gastrópodes, vermes, larvas e juvenis de macrofauna. Sobre o lodo vivem outras espécies como os caranguejos e diversas larvas de insectos.

Entre as espécies que exploram este biótopo típico das zonas entre-marés constam grandes bandos de pilritos, borrelhos, maçaricos e de várias outras limícolas.




Contudo, o maior predador das espécies bentónicas na Ria de Aveiro é o homem, que diariamente e durante a baixa-mar remexe o fundo da laguna à procura dos tão apetecidos "petiscos"  numa actividade de ganha-pão.





terça-feira, 8 de novembro de 2016

8 de Novembro - Dia Mundial do Urbanismo

Decorridos seis anos sobre um apontamento, aqui registado, a propósito do estado de abandono de algumas infra-estruturas existentes na cidade de Ovar e que mereciam uma atenção cuidada por parte da autarquia vareira, .... tudo (ou quase tudo) continua igual. 

E é uma pena! 

Pois entre os "esquecidos e abandonados" consta, à semelhança do Cine-teatro de Ovar recentemente demolido pela insegurança que apresentava, uma peça arquitectónica correspondente à história industrial de Ovar.



Senhor presidente da Câmara Municipal de Ovar e senhor(es) vereador(es) responsáve(is)l pelo Urbanismo e Património convido-os um dia a saírem dos vossos gabinetes e a darem um passeio até ao local e a retirarem as vossas próprias conclusões.

Que acham? 


quinta-feira, 20 de outubro de 2016

BioRia: um caso (infeliz) de estudo!


www.bioria.com
Está na moda, e ainda bem, o conceito de turismo ambiental. Praticado há bastante tempo em vários países, por todo o mundo, este conceito começa a ser pensado e explorado em Portugal na continuidade de outras formas de turismo sustentável, nomeadamente do turismo rural.

O turismo ambiental, eco-turismo, turismo de natureza ou da vida selvagem procura proporcionar o usufruto de áreas naturais ou semi-naturais, com a valorização da biodiversidade e demais recursos naturais a elas associados. Eu próprio acalentei esta forma de turismo para a Ria de Aveiro, já em meados dos anos 80 do século passado, face à riqueza natural que esta Zona Húmida disponibilizava e que à data podia ter sido potenciada caso se investisse na conservação dos seus biótopos e das suas espécies.


www.bioria.com

Numa consulta ao site do BioRia, projecto da Câmara Municipal de Estarreja (http://bioria.com/apresentacao), verifica-se que entre os objectivos do mesmo, para os campos do Baixo-Vouga Lagunar, constam “a valorização do ecossistema natural….a conservação da natureza e da biodiversidade……a requalificação de zonas ambientalmente degradadas”. Em boa verdade, toda esta oratória está conforme as características de um turismo sustentável.

No entanto, uma nova leitura do site, agora direccionada ao plano de actividades do BioRia, permite constatar a ocorrência de diversos momentos lúdicos, quer nos trilhos (os antigos caminhos de acesso aos campos), quer nos esteiros. Estas actividades que passam invariavelmente pela concentração de pessoas a caminhar, a correr, a andar de bicicleta, de carro ou de kayak, em nada contribuem para os objectivos de conservação da biodiversidade do Baixo-Vouga Lagunar.

Mas, se estas actividades representam graves factores de perturbação para a fauna selvagem local, nomeadamente para diversas espécies nidificantes e para várias outras com estatuto de vulnerabilidade, o expoente máximo da agressão ambiental acontece, incongruentemente, com a BioRace Challenge - corrida de obstáculos, a qual reúne anualmente centenas de participantes neste oásis da Ria de Aveiro!

Nesta inadmissível prova, toda esta Zona Húmida se transforma num autêntico campo de treino militar. E a prová-lo está a descrição que a própria BioRia faz do evento (http://bioria.com/biorace)….“saltar, transpor fardos de palha, paliçadas e pneus, atravessar rolos de madeira e manilhas, rastejar na lama, atravessar lombas, transportar troncos de árvores…” Todos estes exercícios são bem conhecidos de quem cumpriu no passado o serviço militar obrigatório e de quem hoje continua a fazer parte das Forças Armadas. Mas a realidade é que o Baixo Vouga Lagunar não é nem pode ser um “campo militar”, em que uns quantos citadinos a troco do custo de uma inscrição têm permissão para escaqueirar a natureza da Ria de Aveiro!

www.bioria.com

www.bioria.com

www.bioria.com

www.bioria.com

www.bioria.com
www.bioria.com

Recorde-se que a Ria de Aveiro é uma ZPE (Zona de Protecção Especial) e que possui vários SIC (Sítios de Importância Comunitária), definidos ao abrigo de Directivas Comunitárias. Recorde-se também que o valor natural da referida zona está sobejamente identificado desde há várias décadas, nomeadamente pelos vários anos de trabalho realizado no local e divulgado em colóquios, jornadas e palestras durante a década de 80 e em livro (Ria de Aveiro – Memórias da Natureza, 1993). Nesta data e considerando todo o território nacional, o núcleo com maior número de casais reprodutores de águia-sapeira (Circus aeruginosus), assim como, a maior colónia de garça-vermelha (Ardea purpurea) localizavam-se precisamente nesta região.



artededebicar.blogspot.com

herdadedegambia.com



O que se passa actualmente no Baixo-Vouga Lagunar nada tem a ver com projectos conservacionistas ou com a valorização do património ambiental local. Aquilo que por lá se desenrola será, sem dúvida, um meio de promover um certo “turismo caseiro”, mas de características agressivas, que nada tem a ver com eco-turismo. Por esta razão o BioRia constitui um vector de destruição daquilo que diz defender.

Face ao exposto será conveniente que todas estas actividades com impacto ambiental negativo sejam proibidas nesta região, devendo ser deslocadas para outras áreas do concelho mais adequadas para o efeito, em prol do bom nome da Consciência Ambiental e dos compromissos assumidos pelo governo português neste domínio a nível internacional.

Basta de iniciativas destrutivas a coberto de projectos autárquicos. O Baixo Vouga Lagunar precisa de medidas de protecção. Não precisa deste projecto BioRia!


Ps. A proveniência das fotos incorporadas neste artigo testemunha o sentir de diferentes entidades em torno da riqueza da área, assim como, das actividades que lá se praticam. Podem ainda ser visualizados os vídeos promocionais do BioRia sobre a referida actividade outdoor:



            
(este artigo foi publicado no Diário de Aveiro, 16/10/16 e no jornal digital OvarNews, 13/11/16)

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

5 de Outubro - Dia da Implantação da República em Portugal

Para que nenhuma república acabe com as reais dinastias .... 


Dinastia aquática



Garça-real (Ardea cinerea)
fonte:pt.wikipedia.pt

Maçarico-real (Numenius arquata)
fonte: avesnest.com

Pato-real (Anas platyrhynchos)
fonte: floraefauna.wordpress.com


Dinastia terrestre



Águia-real (Aquila chrysaetus)
fonte:cienciasnatureza.com
Picanço-real (Lanius excubitor)
fonte:sierradeloja.com
Bufo-real (Bubo bubo)
fonte:pinterest

Chapim-real (Parus major)
fonte: youtube.com

Felosa-real (Acrocephalus melanopogon)
fonte: pt.wikipedia.pt

Andorinhão-real (Apus melba)
fonte:youtube.com
Milhafre-real (Milvus milvus)
fonte: pinterest



Viva, aos reis da Natureza!





sexta-feira, 30 de setembro de 2016

4 de Outubro - Dia Mundial do Animal




O Dia Mundial do Animal que se celebra todos os anos a 4 de Outubro, dia dedicado a S. Francisco de Assis, padroeiro dos animais, constitui uma oportunidade para os ovarenses, cidadãos e autarcas, reflectirem sobre a expansão crescente da população de pombos que vivem em pleno centro da cidade de Ovar.







Quando se fala de pombos, vem à ideia aquele cenário ternurento passado num parque ou numa praça onde uma ou mais crianças se deliciam, por entre corridinhas, a dar comida aos pombos, que se vão juntando cada vez em maior número. Creio que qualquer um de nós já fez parte deste postal ilustrado. De facto, os pombos são criaturas que estão associadas aos nossos afectos desde tenra idade.

        Os pombos da cidade, pombos domésticos como os demais que se encontram engaiolados para fins columbófilos ou simplesmente para consumo humano, descendem da espécie selvagem pombo-das-rochas (Columba livia). Por definição são aves granívoras, pois se alimentam de uma grande variedade de grãos e sementes, embora na realidade a sua dieta seja mais ampla. Por este facto podem facilmente reunir condições para uma reprodução profícua em número de indivíduos.

        A expansão do número de pombos numa cidade deve-se a um conjunto variado de circunstâncias isoladas, mas que quando conjugadas agravam exponencialmente o problema.
A facilidade de obtenção de alimento (frequentemente obtido, indevidamente, pela espontânea oferta das pessoas!), a falta de predadores naturais, a proliferação de locais para nidificação (entre os quais se incluem edifícios em mau estado de conservação e desabitados, torres de igrejas, telhados, beirais,…) e a permanente luminescência existente (favorecendo a alteração do seu ciclo biológico) promovem o crescimento populacional numa cidade e conduzem, se nada se fizer em contrário, para a alteração do equilíbrio ecológico e da convivência salutar com o homem.


       O antigo cine-teatro de Ovar foi uma casa grande noutros tempos, não só pela sua dimensão física mas porque teve um papel importante na cultura e diversão da sociedade da época, num período em que ainda não existiam discotecas nem centros comerciais. Uma casa por onde passaram e conviveram gerações de “pombinhos” mas que viu nos últimos tempos, por desleixo e abandono, voarem pelos seus salões variadíssimas gerações de pombos-domésticos. E de facto, a recente demolição do imóvel deixou a nú aquilo que já antes se vislumbrava pelo telhado derribado….o edifício constituía um gaiolão de pombos!






A sua demolição recente, verdadeiro espectáculo mediático na cidade, teve algumas implicações para além das que eram objecto da obra. Por um lado, lançou na atmosfera um cheiro característico proveniente dos excrementos acumulados no interior do imóvel, cujas partículas juntamente com a poeira e penas foram espalhadas em redor das habitações. Por outro lado, obrigou à dispersão das aves que por lá aninhavam e que agora o fazem sobre os telhados e parapeitos de janelas e terraços próximos, com as graves consequências que daí advêm para o estado de conservação das habitações. Por último referir que se intensificou a ocorrência na via pública das zonas de defecação de pombos, com os incómodos associados.







O aumento do número destas aves na cidade de Ovar torna-as mais próximas do homem e segundo os especialistas, este facto acarreta vários riscos para a saúde pública, quer pela transmissão de ácaros e de outros agentes patogénicos que as aves transportam nas penas, quer pela inalação e contacto com a pele de poeiras agregadas a partículas de fezes secas. Deste modo, é possível o aparecimento de diferentes patologias no homem (principalmente em pessoas vulneráveis, como crianças e idosos), tais como, problemas alérgicos respiratórios e de pele.




Face ao exposto e no sentido de promover um equilíbrio ecológico na cidade devem ser adoptadas adequadas medidas preventivas e correctivas. Entre estas devem constar:
- a redução de locais disponíveis para nidificação;
- a lavagem das áreas de defecação;
- acções de sensibilização dirigidas à população em geral (através de cartazes afixados pela cidade, divulgação na imprensa, rádio, site camarário, redes sociais, etc.) e às escolas em particular, no que respeita aos problemas colocados pela alimentação indevida de pombos em espaços públicos e pelo abandono de restos de comida ou ração em locais de fácil acessibilidade, seja nas ruas ou em apartamentos (janelas, terraços,….);
- diligências com outras autarquias, nomeadamente do Porto e Lisboa, onde este problema já foi abordado, estudado e tratado, no sentido de uma aprendizagem imprescindível e urgente.
Finalizo este apontamento chamando a atenção de que o desequilíbrio verificado na ecologia do pombo nas cidades não tem a ver com a ave em si mesma, mas antes com a única causa que provoca o desequilíbrio ecológico em muitas outras espécies selvagens. O homem e a sua má gestão com o mundo animal que o rodeia. A prová-lo estão números apontados por estudos veterinários que indicam que o pombo-doméstico fora dos grandes centros (sem a “ajudinha alimentar” do homem) vive em média quatro vezes mais que numa cidade onde essa ajuda parece constituir uma obrigação, um dever, uma boa acção!




Este artigo também pode ser lido no:

- Jornal João Semana, 01/10/2016

- Jornal digital Ovarnews, 26/09/2016