quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Dia Mundial das Zonas Húmidas e Ano Internacional das Florestas: que sentido fazem em Ovar?



As denominadas Zonas Húmidas formam por todo o planeta um grupo alargado de ecossistemas, nos quais a água no seu estado livre constitui o meio físico principal. Rios, lagos, albufeiras, estuários, marismas e praias, são algumas das Zonas Húmidas que, inclusivamente, existem no nosso país.  
As Zonas Húmidas contam-se entre as regiões do globo com maior bioprodutividade, pelo que, nelas se estabelecem importantes cadeias alimentares. De facto, desde os seres vivos mais pequenos, como o fitoplâncton e o zooplâncton até às espécies superiores, como aves, anfíbios, répteis, peixes e mamíferos, a biodiversidade das Zonas Húmidas só estará ausente se, sobre estas áreas, o homem interferir de forma negativa. Esse negativismo pode resultar de descargas poluentes, que sujam a água e matam a vida, da drenagem e enxugo de terrenos, que ficam sem o seu elemento vital, do abate indiscriminado das espécies que lá vivem, ou da criação de condições necessárias para as afugentar. 


É precisamente pelo perigo real destas ameaças, que resultam da ausência de uma gestão ou de uma efectiva gestão danosa, que existe o Dia Mundial das Zonas Húmidas, assinalado a 2 de Fevereiro.


As Zonas Húmidas apresentam geralmente na sua envolvência comunidades vegetais importantes, como bosques, arbustos e florestas. Entre esta massa vegetal destaca-se, como de especial importância, a vegetação ripícola, a qual invariavelmente abriga importantes comunidades bióticas. É também pela necessidade da conservação imperiosa destas galerias ripícolas, entre outras, que este ano é especial, pois é o Ano Internacional das Florestas.

Em Ovar dispomos de uma importante Zona Húmida, a Ria de Aveiro, que envolve os campos da parte sul do concelho. Muito já foi dito e escrito sobre a importância desta região, nomeadamente pela riqueza faunística e paisagística que apresenta. 
Mas parece que quem decide e/ou mostra interesse sobre intervenções nesta zona vareira ou é irresponsável ou não entende a diferença entre valorização e destruição. 
Quantos mais dois de Fevereiro serão precisos para estes decisores agirem de forma responsável no que respeita a esta Zona Húmida, conhecida na nossa terra por Ria de Ovar?



Também em Ovar dispomos de uma interessante zona urbana que se estende ao longo do rio Cáster e que até há bem pouco tempo correspondia a uma malha de terrenos privados, uns cultivados outros nem por isso. Esta zona há muito que se anuncia como o futuro Parque da Cidade. Além do projecto apresentado para o parque urbano de Ovar não ter revelado, como já o referi por diversas vezes, sagacidade para fazer a ligação de forma sustentada entre o centro urbano e a Ria, como seria possível e desejável, irá intervir sobre os bosques ribeirinhos existentes em torno do rio Cáster.

Estes bosques são pródigos nas tais cadeias tróficas que atrás referi. Aqui vivem corujas, mochos, genetas, doninhas, ouriços-cacheiros, passeriformes diversos, morcegos, borboletas…..aqui há vida natural, selvagem … que é preciso acautelar. E é pela importância da conservação das árvores e pelos riscos que as mesmas correm em serem cortadas, que há o Ano Internacional das Florestas. 

Vamos esperar que as ideias surgidas no âmbito do parque urbano sejam inteligentes, para que continuemos a ouvir o coaxar das rãs e o trinar das toutinegras e dos melros, para que possamos saborear o encontro fortuito com este ou aquele mamífero,  ou desfrutar da visão deste ou daquele sarapintado anfíbio, .... enfim, para que possamos continuar a sentir o bucolismo da natureza ovarense em pleno centro da cidade.



(este artigo foi publicado no jornal "João Semana", de 01/03/11)


domingo, 23 de janeiro de 2011

Alimentação artificial da praia do Furadouro: Finalmente!


Em meados de Dezembro de 2010 era possível ver na zona sul do Furadouro a placa que informava do início da empreitada de requalificação do cordão dunar.



No local já estavam, então, depositadas várias camionetas de areia....



denotando que finalmente (depois de há vários anos muito ter falado e escrito sobre o assunto!) se iriam trocar os blocos de granito por montes de areia.







Decorrido um mês, a movimentação de areias continua naquela zona da praia, com maquinaria pesada...



que vai alinhando primeiro a areia em "dunas" sobre o parque...



e em seguida a transporta para a praia, de modo a colmatar as brechas existentes no que restava do cordão dunar.





Finalmente, está-se a dar à praia do Furadouro aquilo que a ela tem sido tirado ao longo de décadas...a AREIA.


Mas, não se julgue que, com esta intervenção o problema da erosão do Furadouro (ou de qualquer outro sector litoral onde uma acção deste tipo fosse levada à prática) ficará resolvido. 

Este, é um primeiro passo, de um longo (estou convencido disso, infelizmente) processo que levará num futuro, à efectiva requalificação do litoral .... não só deste Furadouro mas de todos os «Furadouros» existentes por esse Portugal de areias litorais.

Este momento poderá, contudo, corresponder a um momento de mudança. Aquele em que finalmente "os generais cegos e orgulhosamente sós" (como era referido na nota de abertura do livro "A Praia dos Tubarões") conseguem ver alguma luz.

Creio também ter chegado o momento (porque não se pode esperar mais!) de, tal como escrevi no epílogo do mencionado livro "A Praia dos Tubarões", ir buscar peritos de além. É que o processo de alimentação artificial das praias não pode ficar por aqui! Simplesmente porque não é suficiente!


(este artigo foi publicado no jornal "João Semana", de 15/02/11)

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Eco-Urbanismo ovarense?

A 8 de Novembro assinalou-se mais uma daquelas datas memoráveis - o Dia Mundial do Urbanismo


Uma iniciativa nascida em 1949, em Buenos Aires (Argentina), para promover a troca de ideias em torno dos problemas urbanos, nomeadamente das técnicas e modelos a serem utilizados, de forma a que as cidades encontrem um equilíbrio arquitectónico integrado num desejável modelo de desenvolvimento urbano sustentável.


Não me pareceu que a data tivesse tido por parte dos media portugueses uma atenção significativa; tão pouco, aqui em Ovar. 


Contudo, parece-me ser o tema, demasiado importante para que passe a data sem um apontamento oportuno. Para o efeito proponho a observação cuidada de três imagens....urbanísticas....de forte impacto visual....




Primeira imagem:



Num primeiro impacto visual poder-se-á ficar com a sensação de que estamos perante uma daquelas funestas imagens, produzidas durante um qualquer conflito bélico ou de uma situação ruinosa do pós-guerra.


Segunda imagem:




A imediata sensação de que a imagem se reporta a uma qualquer via secundária, implantada talvez numa zona campestre ou pelo menos afastada de qualquer centro citadino, parece ser a conclusão óbvia a todo e qualquer observador. 




Terceira imagem:




Também esta parece ser uma imagem de subúrbio. De um daqueles sítios, bons para serem usados pelos cães ou para depósito selvagem de lixo....




Mas não! Estas imagens escondem outras realidades.


São imagens de urbanismo.... mas daquele que não parece encaixar bem no tal conceito de urbanismo sustentável, que a efeméride de 8 de Novembro proclama. Daquele urbanismo que não se preocupa com a qualidade de vida dos cidadãos. Daquele urbanismo que não é capaz de fazer crescer, dignamente, uma qualquer CIDADE.




Na realidade estas três imagens pertencem ao centro urbano de Ovar!!! 


Repare-se nelas, agora, com um olhar mais abrangente:




Primeiro cenário urbanístico:













Este local, a estação de caminhos-de-ferro, é o primeiro cartão de visitas da cidade de Ovar, para qualquer passageiro a viajar de comboio na linha do norte. Ruínas, ruínas e materiais amontoados... 




E como se não bastasse este decrépito cenário, a arquitectura envolvente à estação, embora com uma importante história local, encontra-se sem prestígio algum no momento actual.







 Porque não um pouquinho de brio com a estação de caminhos-de-ferro da nossa cidade? É que nem a esperada modernização da linha do norte é justificativo para tal desmazelo...




Segundo cenário urbanístico:









Afinal, não se trata de uma zona de campo...trata-se da Rua dos Precursores da República, que é, nem mais nem menos que, a rua frontal à estação dos Caminhos-de-Ferro....a primeira via a ser percorrida por quem se digne desembarcar do comboio na nossa terra. 

E porquê, há tantos anos, este cenário degradante nesta zona da cidade? Será que não há uma solução para este urbanismo tão descaracterizado, vai para décadas?


Terceiro cenário urbanístico:





Não. Também não se trata de um baldio situado em local isolado. Nada disso! Este "buraco" situa-se em plena Rua Conselheiro Arala Chaves, mesmo ao lado do Jardim Almeida Garrett. Tão somente na (segunda) via alternativa com destino ao centro da cidade, para quem chega de comboio a Ovar. 
Enfim, mais um "lindo" postal ilustrado da nossa cidade. 
Este espaço estará provavelmente à espera de melhores dias, para ser ocupado com algum bloco de apartamentos....mas até lá, será que não se arranja uma forma de conferir ao local a harmonia estética desejável? É que se vê este cuidado noutras terras; porque não nesta?


Bom. Poderão os leitores perguntarem a si mesmos, que relação terá este tema do urbanismo com as questões ambientais que este blog pretende abordar pela sua vocação. Tudo, mesmo tudo!

Urbanismo e Ambiente andam de mãos dadas. Cidades e campos tocam-se. Algumas vezes de forma positiva. A maioria das vezes, infelizmente, de forma negativa.

Desenvolvimento Sustentável passa por organizar a cidade e preservar o campo. 

Deixar crescer matos e ervas daninhas em pontos da cidade, como estes que aqui foram retratados, ou deixar em forma de destruição o património construído, como nestas fotos também ficou demonstrado, não é sinónimo de organização de uma cidade, nem aumenta a biodiversidade da mesma.

Por outro lado, levar o urbanismo (ou seus apêndices, como torres, trânsito e ruídos) para áreas sensíveis, como por exemplo, a Área da Foz do Cáster, não valoriza a cidade, e pelo contrário destrói os poucos rincões naturais que ainda a abraçam. Mesmo que esta estratégia idiota seja "abençoada" por um POLIS! 



(este artigo foi publicado no jornal "João Semana", de 15/12/10)

terça-feira, 16 de novembro de 2010

A propósito do Dia Nacional do Mar.

Comemora-se hoje em Portugal o Dia Nacional do Mar. Não sei de que forma nem com que abrangência.

Mas uma coisa é certa: há episódios da nossa história recente que, pela proximidade ao nosso território e à felicidade associada às condições climáticas e oceanográficas do momento nos fizeram escapar daquilo que seria um verdadeiro flagelo ambiental na costa portuguesa. A poluição da costa norte de Portugal.

É por esta razão que, neste dia comemorativo, convém recordar a necessidade de estar sempre alerta e dizer "Nunca mais" à poluição do mar!

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Avanço do mar intensifica debates e encontros.

[noname.jpg]O contínuo avanço do mar sobre a linha de costa, com reflexos acentuados no litoral norte e centro do país, tem pressionado o governo, através da sua ministra do Ambiente e de diferentes organismos da Administração, bem como, autarquias e associações locais de defesa do ambiente a promoverem sessões de debate.

Assim, no passado dia 10 de Novembro, esteve presente em Ovar, numa iniciativa dos Amigos do Cáster, a presidente da Administração Regional Hidrográfica do Centro, Professora Doutora Teresa Fidélis, para falar do Plano de acções para o Litoral no período 2007 a 2013 e de alternativas às acções até então implementadas.

No dia anterior, a Comissão de Ambiente e Urbanismo da Assembleia Municipal de Ovar reuniu tendo decidido sobre a necessidade de existir uma grande pressão por parte da Câmara Municipal de Ovar no sentido de fortes intervenções no litoral do concelho.

Também no próximo dia 26 de Novembro irá decorrer na Universidade de Aveiro um importante Encontro de investigadores, que irá reunir os maiores especialistas em Zonas Costeiras em Portugal, pelo que se espera que a curto prazo se possa ter uma nova visão de como intervir de forma consistente na faixa costeira portuguesa.

sábado, 6 de novembro de 2010

POLIS Ria de Aveiro - Reportagem no programa Biosfera


No passado dia 24 de Outubro o programa BIOSFERA (RTP 2) apresentou uma importante reportagem, na qual era lançado um alerta sobre os perigos que o Polis Ria de Aveiro poderá representar para a biodiversidade deste ecossistema, caso se venham a realizar intervenções ambientais sem nexo.
Para ficar por dentro desta questão clique aqui.                     

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Polis Litoral Ria de Aveiro - um instrumento de requalificação ou de delapidação?


Em Maio de 2010 foi lançado o Concurso Público, no âmbito da Intervenção da Polis Litoral Ria de Aveiro, para Concepção do “Projecto de Reordenamento e Qualificação da Frente Lagunar de Ovar: Cais da Ribeira, Foz do Rio Cáster e Praia do Areínho”.
Terminado o período de concepção de propostas e após a divulgação dos resultados da selecção dos concorrentes apanha-se o ‘grande choque´: a entidade que acabava de ganhar o concurso apresentava um projecto cheio de fragilidades, que passavam, entre outros, pelo desconhecimento da região, pela incapacidade demonstrada na avaliação dos recursos da zona e pelo menosprezo dos impactes ambientais decorrentes da concretização desse mesmo projecto.
Passemos então a analisar algumas das acções que os projectos deviam contemplar em cada uma das três zonas bem como as propostas saídas do projecto vencedor.


Praia do Areínho
No que respeita a esta praia era solicitada pela Polis, entre outras a: a) valorização das zonas verdes através da sua utilização como espaços de lazer (parques de merendas, campos de jogos); b) criação de percursos a interligar os espaços; c) construção de um cais de acostagem para pequenas embarcações de recreio. Tudo isto se pedia, sem perturbação das espécies e habitats naturais existentes no local.
Acontece que, para uma valorização real desta praia é absolutamente essencial aumentar a extensão e volumetria do areal da mesma. 



Sem o cumprimento deste pressuposto é difícil imaginar o sucesso de qualquer um daqueles objectivos. Ora, por um lado, o projecto seleccionado não contempla a reposição das areias e por outro lado, para a sociedade Polis, este tipo de reforço arenoso sai fora do orçamento do projecto. Cabe então perguntar. Que coerência de intervenção existe neste Polis da Ria? Mais, para a Polis é perfeitamente admissível que os percursos a delimitar na praia possam ficar submersos! Mas que disparate é este que obrigaria os passeantes a terem que se deslocar dentro de água ou então a esperarem pela descida da maré?



Cais da Ribeira
No que respeita à requalificação e valorização deste cais, a Polis Ria de Aveiro advogava, entre outras, a reabilitação das margens do cais e do acesso pelas embarcações.
Na verdade, a função principal de um cais é permitir a chegada e partida de embarcações, pela água. Facto, que no tempo actual e na Ribeira de Ovar é praticamente impossível sempre que o nível das águas começa a baixar. A grande amplitude das marés e o estado de elevado assoreamento do cais da Ribeira impossibilita a navegabilidade.
Assim sendo e como medida primária seria lógico esperar que, antes de qualquer outra acção de cosmética a realizar no cais, se começasse por resolver o principal problema do mesmo, ou seja proceder à sua dragagem bem como do canal de acesso ao mesmo. Mas nem o projecto vencedor contempla esta intervenção, nem tão pouco a Polis a engloba nas suas acções, «por ultrapassarem o âmbito deste programa e as suas disponibilidades financeiras». Mais uma vez se revela pertinente perguntar, que programa é este Polis e afinal que vantagens efectivas quer trazer à Ria de Aveiro?


Foz do Rio Cáster
Relativamente a esta zona húmida ovarense a Polis apontava, entre outras, as seguintes intervenções de requalificação: a) criação de um percurso ciclável ao longo do rio; b) limpeza das margens e requalificação da vegetação ao longo do caminho existente, com eventual erradicação de espécies infestantes e com a substituição destas últimas por espécies autóctones.
Desde logo a leitura dos Termos de Referência do concurso deixava antever o grande e perigoso desconhecimento por parte da equipa do Polis sobre a real distribuição dos recursos naturais do concelho de Ovar. Isto, porque fazia uma referência muito preocupada relativamente aos recursos muito sensíveis (quais?) existentes na praia do Areínho enquanto pelo contrário não demonstrava qualquer preocupação por aquela que efectivamente merece tais preocupações ambientais - a Foz do Cáster e áreas envolventes! Vejamos então.
O projecto vencedor, ao contrário de outro(s), não apresenta quaisquer medidas de intervenção no sentido de realizar o controlo de espécies arbóreas/arbustivas infestantes nem tão pouco a sua substituição por espécies autóctones. Mas ganhou!
Para uma zona de tão elevada sensibilidade, como a zona da Foz do Cáster, com espécies da avifauna muito vulneráveis, o projecto vencedor propõe não só levar a ciclovia mesmo até à Foz do rio (com todo o barulho e fortes perturbações daí decorrentes), como criar um parque de estacionamento na foz! Deve ser uma ideia linda e oportuna, para eles, mas seguramente destruidora para a natureza! E a Polis «abençoa» tal ideia dizendo que as aves não se encontram por lá e que o habitat presente (caniçal) até nem é importante! Confesso nunca ter ouvido tanto disparate junto.



Mais ainda. O projecto vencedor propõe, como forma de observar aves, levantar uma torre a meio do percurso. Uma torre naquele lugar? Para observar aves? Isto é uma ideia de loucos e de quem nunca experimentou tal ofício. Numa zona como aquela, para observar aves basta um par de binóculos, discrição e pouco mais! A implantar-se um posto de observação naquele local, este deveria ser de reduzida envergadura, posicionado lateralmente ao caminho e completamente enquadrado na cortina arbórea. Uma estrutura destacada, como uma torre, implantada naquela zona, além de constituir um elemento poluidor da paisagem constituirá mais um factor de grave perturbação para o meio envolvente.
Este projecto Polis Ria de Aveiro (pelo menos para o concelho de Ovar) mostra-se de uma tal aberrância que é forçoso lembrar algumas ideias: 1) as muitas asneiradas ambientais produzidas pelo país fora não o foram por cidadãos individuais, nem tão pouco por associações não governamentais; são sempre efectuadas por instituições governamentais ou por equipas por elas indigitadas, teoricamente idóneas, bem assessoradas tecnicamente e cheias de «profissionalismo». 2) as muitas asneiradas ambientais produzidas pelo país têm demonstrado que, da teoria à prática, vai frequentemente uma distância enorme, de uma dimensão proporcional à presunção dos decisores, frequentemente ricos de puro amadorismo nas abordagens realizadas; 3) Os recursos naturais de Ovar merecem ser cuidados e não desbaratados! Quando se desconhecem as matérias sobre as quais se tem que intervir ou quando não se conhece as realidades de um dado local, estude-se primeiro, antes de se opinar com uma mão cheia de bitaites.

(este artigo foi publicado no jornal "João Semana", de 01/11/10)



segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Oceano continua a ameaçar a Praia do Furadouro!

Indiferente às asneiras de (des)ordenamento que naquela praia têm sido permitidas, indiferente à irresponsabilidade de quem devia ao longo dos anos ter reclamado intervenções consistentes para defesa da costa.....o oceano aí está...mais uma vez a reclamar a sua vontade de avançar terra adentro. 

Chama-se a isto «transgressão marinha».



Ontem Domingo, ao fim da tarde ia acontecer mais uma preia-mar e as centenas de populares presentes na praia observavam as investidas do mar sobre a frente marginal.



Pelas ruas abaixo corria, à semelhança do que havia acontecido no dia anterior, a água marinha.




















Um cenário deprimente e de deixar em sobressalto quem tem assentamento na «linha da frente».




Afastada dos muitos olhos que observam a zona urbanizada do Furadouro está a praia a sul. Essa martirizada faixa que recua a um ritmo impressionante, como resultado da presença dos esporões do Furadouro, os quais servem únicamente para isto: destruir a faixa costeira a sul!





Como já alertei,* o «efeito de esporão» conjugado com o «efeito de enrocamento» originam uma tão grande violência no ataque da ondulação à costa que os galgamentos nesta faixa da costa, entre o Furadouro e o Torrão do Lameiro, têm-se intensificado cada vez mais.




Dado que o clima de agitação marítima ocorrido nestes dias não correspondeu a uma situação de temporal, é de esperar que outras situações bem mais graves possam vir a acontecer durante os meses de Inverno na praia do Furadouro.


* in "A Praia dos Tubarões" 

terça-feira, 5 de outubro de 2010

5 de Outubro de 2010: Manifestos ambientais por Portugal





Manifesto Negro

Nunca mais em Portugal, um assassinato brutal de um Chefe de Estado, como foi o de El-Rei D. Carlos (e de seu filho o Príncipe herdeiro, Infante D. Luís);

Nunca mais em Portugal, ter como bandeira os exemplos desse período negro (Revolução Francesa) falsamente identificado com a "Época das Luzes", e que sob a capa de uma imensa escuridão tem procurado esconder o "Grande Terror" (Maldade) então instituído em nome de outras conquistas (Liberdade, Igualdade, Fraternidade);

Nunca mais na época presente, eleger para governantes de Portugal, quer a nível nacional quer a nível local, indivíduos que em vez de suor transpiram ódio e querem assumir o Absolutismo nos seus modus vivendi, unicamente para estrangular o Povo e destruir o seu território.


Manifesto Verde

Gratidão pela visão sábia que há mais de oitocentos anos levou El-Rei D. Sancho I a povoar o interior do país;

Gratidão pela visão estratégica que há setecentos anos levou El-Rei D. Dinis I a florestar o país;

Gratidão pela visão inteligente que há seiscentos e cinquenta anos levou El-Rei D. Fernando I a proteger a nossa agricultura;

Gratidão pela visão científica que há mais de cem anos levou El-Rei D. Carlos I a promover o estudo do nosso mar.



Manifesto Branco





Pela  Restauração de Portugal:

Não do domínio Filipino,

Não da dependência militar ou económica do estrangeiro,

Mas do embrutecimento das ideologias políticas,

Das guerras intra e inter-partidárias,

Da castração imposta pela Constituição ao modo de Regime,

Da falta de bem querer, dos governantes, à terra portuguesa (na conservação dos solos, na protecção da floresta, na protecção e valorização das espécies da fauna e seus habitats, na promoção dos valores culturais e no desenvolvimento das regiões interiores do país).





Neste Centenário de 5 de Outubro:

Recorde-se, com amargura, o Rei brutalmente assassinado;

Saúde-se, com alegria, o Senhor Dom Duarte de Bragança, esperança de um Ambiente Sustentável e factor de estabilidade para uma Nação à deriva!

Viva o Rei!
Viva Portugal!


domingo, 3 de outubro de 2010

Dia Mundial do Habitat

Na primeira segunda-feira de Outubro de cada ano assinala-se o Dia Mundial do Habitat. Cada vez mais ameaçados, todo o esforço em prol da conservação dos mesmos é absolutamente imprescindível!


Brevemente neste mesmo sítio dar-se-à conta de verdadeiros absurdos no tratamento dos habitats!


Para já recorde-se notícias, infelizmente sempre actuais. Clique aqui.

Debate sobre Erosão Costeira: Conclusões

Tal como anunciado, decorreu no passado dia 23 de Setembro no auditório da Junta de Freguesia de Ovar, mais um debate em torno das abordagens técnicas a adoptar no concelho para minimização dos efeitos que a erosão marinha tem produzido no litoral.

Indiferente a estas preocupações esteve a Câmara Municipal de Ovar, ao não se fazer representar. Interessados por esta temática estiveram alguns deputados municipais e vários cidadãos ovarenses, presentes.

A professora Cristina Bernardes, investigadora do Departamento de Geociências da Universidade de Aveiro apresentou uma série de diapositivos onde abordava a questão da alimentação artificial das praias, corroborando a estratégia que, pessoalmente venho defendendo ao longo das últimas duas décadas e que tanto melindre e confusão criou em certas mentes....locais. 

Foi dado a conhecer pela referida investigadora um projecto com "diques de areia" pensado para recuperar a zona sul do Furadouro. Uma zona que, desde finais da década de 90 tenho vindo a alertar como sendo de altíssimo risco, pelos estudos por mim aí efectuados; por exemplo, no que respeita a certas zonas do cordão dunar que, em 1973 apresentavam 19 m de altura, em 1999, apresentavam apenas 7 m e hoje simplesmente não existem*

Este projecto faz todo o sentido, como primeira abordagem decente ao problema da erosão costeira no concelho e vem na sequência das conclusões dos trabalhos de monitorização da linha de costa que levei a cabo em 1998 com a supervisão da referida professora e que continuaram ao longo dos anos seguintes.  




Contudo, em minha opinião, não será esta a metodologia mais eficiente para um equilíbrio da linha de costa, como aliás já o referi no passado. Vale, apenas como um primeiro passo!


* ver "A Praia dos Tubarões" (cap. 13)



 

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Debate sobre Erosão Costeira

No próximo dia 23 de Setembro irá ser realizado em Ovar, conforme cartaz anexo, um debate que visa alertar a opinião pública e a autarquia vareira para os graves problemas que se têm acentuado na nossa costa, face à ausência de uma estratégia eficaz de ordenamento do litoral.


                                                 


Fica o convite à participação!