quinta-feira, 16 de junho de 2011

Grande atentado ambiental, em Ovar. Mais um!

Parque Urbano de Ovar



Parece incrível, mas é uma triste realidade! Não há dúvida (para quem ainda as tivesse!) que o município de Ovar não zela o ambiente do concelho, antes o agride de forma sistemática.








Depois de vários anos de "incubação", a concretização do projecto do Parque Urbano surge finalmente .... mas na pior época possível. A época da reproduçãoDiferentes grupos animais (entre os quais se destacam as aves) sempre dependeram da vegetação arbustiva que existia ao longo do rio Cáster, não só pela camuflagem oferecida mas também pela disponibilidade de nichos para criação. 


Acontece que em plena época de cria, e contrariando os mais elementares conceitos de gestão arbórea, assim como, todo um conjunto de disposições legais nacionais e comunitárias, um número incontável de ninhos, ovos e crias começaram a ser destruídos pelas máquinas que derrubam indiscriminadamente os arbustos, a mando da Câmara Municipal de Ovar. Este tipo de intervenção, além de confirmar, mais uma vez, a grande irresponsabilidade autárquica na gestão das questões ambientais, integra-se perfeitamente no grupo das " grandes barbaridades ambientais". 


15.06.11




Além das várias espécies de passeriformes que neste cordão arbustivo nidificam, também as aves de rapina nocturnas, borboletas e diversos mamíferos serão afectados de forma drástica com esta intervenção extemporânea sobre a vegetação ribeirinha do Cáster.


Chocado com esta barbárie, impensável de acontecer em plena época de cria, entrei de imediato em contacto, a 15 de Junho,  com a Câmara Municipal de Ovar, solicitando a necessidade urgente de abordar esta questão com o Presidente. Era preciso parar já com esta barbaridade. Por impossibilidade do mesmo foi garantido pela secretária da presidência, que logo que o senhor presidente acabasse a reunião me contactaria. 



Passaram-se 24 horas após o contacto e nada feito.... É quase certo a reunião já ter terminado ..... Protecção do Ambiente, de facto não é prioridade camarária em Ovar. 

O atentado ambiental ... esse sim, continua! Veja-se.





 16.06.11




 16.06.11




 16.06.11



quarta-feira, 15 de junho de 2011

Polis Litoral Ria de Aveiro - coerente ou irresponsável?

Em mais um 5 de Junho (Dia Mundial do Ambiente) soube-se pela  presidente do Conselho de Administração do Polis Litoral Ria de Aveiro que "o Polis da Ria não pode parar" até porque "o futuro não é só hoje mas também amanhã". 

Teresa Fidélis referiu ainda que "o Polis não vem resolver todos os problemas (na gestão da Ria) mas permite dar um contributo inquestionável para a sua valorização". De salientar a intenção da sociedade Polis estar pronta para implantar no terreno as 150 acções constantes no Plano Estratégico.

Entre os projectos anunciados destacam-se claramente dois deles, como urgentes e decididamente positivos, pelos benefícios que trazem para a valorização dos ecossistemas lagunares:

- a dragagem prevista para os canais principais da Ria (Ovar, Murtosa, Ílhavo e Mira);

- o reforço das margens da ria, com a recuperação das motas degradadas.

Claramente urgente mas enfermando de uma enorme limitação, pois deveria ser alargado a toda a zona litoral do concelho de Ovar, é o projecto de reforço do cordão dunar entre a Costa Nova e Mira.

Mas se estas acções não trazem preocupações quanto a possíveis impactes ambientais negativos, o mesmo não se poderá dizer relativamente ao projecto de desenvolvimento das vias cicláveis, contemplando as vertentes do desporto, lazer e turismo.

Senão vejamos dois casos concretos:

Primeiro caso: Campos de Salreu/Canelas (Baixo-Vouga Lagunar)

Estamos nos anos 70 e princípios de 80. Esta zona era, então, pouco frequentada, quase desconhecida da generalidade das pessoas, percorrida apenas por agricultores locais e caçadores. À Ria de Aveiro apenas se associava a ideia de poluição das suas águas e os maus cheiros da celulose. Quando a essa data iniciei os primeiros estudos sobre a biodiversidade local, toda esta região apresentava uma biodiversidade elevada, com populações importantes (no contexto nacional) para algumas espécies. Por esse facto, estas mesmas espécies serviriam como importantes bioindicadores (casos da garça-vermelha e da águia-sapeira). Já nessa data defendia que qualquer intervenção local deveria saber valorizar e proteger a zona e nunca promover o retrocesso da sua biodiversidade.


Actualmente e após a implantação do projecto Bioria (promotor de um aumento da pressão humana na área), ambas as espécies diminuíram os seus efectivos. 


Conclui-se, assim, que este projecto tem mais aspectos negativos (que urge corrigir!) do que positivos.




Segundo caso: Reordenamento e requalificação da Foz do Rio Cáster (Ovar)

                       Sobre este projecto veja-se o link




Conclusão: a falta de um debate aberto sobre o Polis Ria de Aveiro (prometido a 10 de Novembro de 2010, em Ovar, como estando previsto para breve) e o conhecimento de algumas das acções a desenvolver, deixam muitas dúvidas acerca da coerência e oportunidade das mesmas, bem como da importância do próprio Polis como instrumento de valorização ambiental.







domingo, 5 de junho de 2011

Novo ninho de cegonha-branca em Ovar



A 02/03/09 foi aqui noticiada a construção de um novo ninho de cegonha-branca no concelho de Ovar. Àquela data o referido ninho tinha a particularidade de ser o primeiro no concelho a ser construído em árvore. 




Volvidos dois anos a árvore em causa não apresenta indícios de nidificação, mas pelo contrário, umas ruínas próximas da mesma são o suporte de um novo ninho de cegonha-branca. 



No presente, o ninho possui crias já bastante desenvolvidas.





domingo, 15 de maio de 2011

Dia Mundial das Aves Migratórias na Ria de Aveiro


Como forma de assinalar o Dia Mundial das Aves Migratórias foi realizada uma saída de campo ao Baixo Vouga, junto do esteiro de Salreu.

Numa manhã quente, de Sol intenso e praticamente sem vento, os campos de Salreu apresentavam-se com a beleza própria de uma zona lagunar, rodeada por incontáveis ninhos de Cegonha-branca (Ciconia ciconia). 

Esta espécie, ausente da região de Aveiro durante décadas, regressou a ela quando pelos anos 80 a associação FAPAS começou a sua campanha de colocação de ninhos artificiais. Nos dias de hoje e apesar da espécie ser comum por toda a região lagunar, constitui sempre uma imagem surpreendente, observar uma cegonha de perto, quer seja avistada em voo quer quando se alimenta nos campos à nossa frente.

Pertinho do cais de Salreu foi possível observar um grande número de juvenis voadores de andorinha-das-chaminés (Hirundo rustica). Após  beberem em voos rasantes a água do esteiro, as aves pousavam perto, empoleiradas nos caniços pendentes.

Enquanto nos encantávamos com as acrobacias aéreas das andorinhas, esvoaçavam sobre os salgueiros três gaios (Garrulus glandarius). Acima deles, em curvas apertadas e rápidas voavam andorinhões-pretos (Apus apus). 

Mais alto ainda passou, em sentido contrário aos gaios, um solitário macho de pato-real (Anas platyrhynchos), que depois de ter descrito uma longa trajectória curvilínea acabou por descer sobre o sapal.


Do ar ouvia-se o característico e persistente canto da fuínha-dos-juncos (Cisticola juncidis), sendo necessário fazer algum esforço visual para localizar a ave no seu voo ondulado.

Camuflados nos caniçais, e por isso de esporádica observação, ouviram-se ao longo de toda a manhã rouxinóis-pequenos-dos-caniços (Acrocephalus scirpaceus) e rouxinóis-grandes-dos-caniços (Acrocephalus arundinaceus).

Geralmente em posição destacada sobre os arbustos, foram observados, com frequência, cartaxos-comuns (Saxicola torquata), umas vezes isolados, algumas vezes em casais. Por vezes e junto com aqueles encontravam-se as coloridas alvéolas-amarelas (Motacilla flava).

De repente, algo fez dirigir o nosso olhar para o solo: uma cobra-de-escada (Elaphe scalaris), estendida no trilho  absorvia a energia solar que naquele momento já era muito intensa. Assustado, o ofídeo fugiu e escondeu-se entre a vegetação rasteira do caminho.   
   
Os estilizados migradores primaveris que são os milhafres-pretos (Milvus migrans) observam-se com frequência balanceando a cauda nos seus voos de exploração sobre o sapal. Com grande probabilidade se pode ver nas garras destes indivíduos uma presa ou, como foi o caso, um caule de arbusto a ser transportado para robustecer a estrutura do ninho.

Em plena incubação, as águias-sapeiras (Circus aeruginosus), encontram-se escondidas no sapal. De longe a longe é observado um macho ou uma fêmea que acabou de ser rendido ou que, pelo contrário, irá render o seu companheiro naquela importante tarefa.  

De vez em quando, cruza o céu uma garça-vermelha (Ardea purpurea), como que perdida na vastidão dos campos … uma pálida imagem do que ocorria há cerca de duas décadas e meia, quando a zona apresentava uma importante colónia desta espécie e era possível observar a intensa movimentação de indivíduos entre a colónia e os locais onde buscavam alimento. A essa data não se observavam as hordas de ciclistas em entusiásticos e animados convívios pelo meio desta zona sensível e onde se fixavam as referidas colónias dos igualmente sensíveis ardeídeos... nessa data nos trilhos apenas circulavam agricultores, vacas marinhoas e alguns raros observadores de aves…

Qual a razão desta perda de biodiversidade? Custos de um marketing ambiental nocivo ou de um turismo ambiental mal estruturado?

Sigamos viagem…. Pois o tempo que nos resta para podermos permanecer no local está a terminar. E quando terminou, partimos.

Mas partimos com aquela angustiante sensação de incerteza sobre o futuro da área, sensação infelizmente já experimentada ao longo dos muitos anos no contacto com outras áreas, relevantes para a biodiversidade e que se perderam. 

Provavelmente a coexistência equilibrada do homem e da natureza no Baixo-Vouga não será difícil de ser encontrada. Bastará arranjar tempo para se reflectir sobre as acções que se vão tomando no local e suas reais consequências no meio envolvente.

Oxalá os campos de Salreu, para manterem os seus clientes de bike, trekking, electric car ou canoeing não percam a razão de ser de toda esta frenética actividade: a sua Biodiversidade. 

Oxalá que os futuros Dias Mundiais das Aves Migratórias, se comemorados nos campos de Salreu, o possam ser no verdadeiro respeito e equilíbrio com a natureza! 



terça-feira, 10 de maio de 2011

Dia Mundial das Aves Migratórias

No próximo fim-de-semana, assinala-se o Dia Mundial das Aves Migratórias.

Voando milhares de quilómetros todos os anos, as aves migratórias têm uma relação única com o planeta Terra, experimentando as mudanças dramáticas que cada vez mais ameaçam diversos ecossistemas do nosso planeta. Mudanças que directa ou indirectamente têm origem no homem, tais como, a crescente urbanização de áreas importantes para elas, a agricultura intensiva, a desflorestação, a exploração de minas, a poluição de cursos de água, o abate e a captura ilegais, etc.

É deste modo que nos últimos anos, o número de locais dos quais estas aves dependem nas suas viagens migratórias têm vindo a diminuir dramaticamente. 


Esta iniciativa anual pretende constituir uma campanha de sensibilização para a conservação das aves migratórias e dos seus habitats, educando  consciências.

Participe no Dia Mundial das Aves Migratórias! Dia 14 de Maio de 2011 venha até ao campo observar aves com o Núcleo Português de Estudo e Protecção da Vida Selvagem (NPEPVS)!

Contacte:      alvarommreis@gmail.com





quinta-feira, 14 de abril de 2011

Furadourohotel.com


Há cerca de trinta anos que o Hotel Mar e Sol, no Furadouro, a única unidade da hotelaria concelhia de então, cessou as suas funções. Inaugurado em 1946, a sumptuosidade deste edifício, de estilo sóbrio, era reforçada pela qualidade ambiental da própria praia.


Durante as décadas de 60 e 70 os problemas de erosão na praia do Furadouro já se faziam sentir, nomeadamente na zona frontal ao Hotel. Contudo, o areal ainda se apresentava suficientemente extenso, com um cordão dunar relativamente robusto, de tal forma que, durante o período de Verão era possível observar de norte a sul da praia, um colorido misto de barracas, guarda-sóis e veraneantes vindos de várias zonas do país e até do estrangeiro.

Finais de 70, início de 80. Numa época em que os viajantes de outros países da Europa eram frequentes na praia do Furadouro, esta tinha perdido o seu único hotel! Foi, então, preciso esperar por outro. Esperar muito. Esperar até que, o areal desaparecesse, a praia ficasse cada vez mais descaracterizada e os veraneantes “de fora” procurassem outros destinos mais apelativos. Mas valeu a espera, pois ele aí está, acabadinho de ser construído e na linha da costa. 

Para quem? Não interessa. O que importa é que já o temos. E embora o estado da praia tenha mudado para pior, há quem olhe a questão pelo lado positivo e faça deste positivismo uma bandeira de marketing. Por exemplo, enquanto no passado os utilizadores do Hotel Mar e Sol tinham que percorrer uns 75 metros de areal para irem a banhos, os novos utilizadores do Boutique Hotel Beach & Spa (é este o verdadeiro nome do actual hotel do Furadouro) só têm que atravessar a estrada pois o mar está mesmo ali.


Mas as boas surpresas deste novo hotel não ficam por aqui. Se formos à net e pesquisarmos o site furadourohotel.com deparamo-nos com o seguinte texto de apresentação, que caso não fosse acompanhado de imagens identificativas do local seríamos induzidos a pensar que se trataria de um outro Furadouro. 

Ora repare-se nesse texto: “A praia do Furadouro apresenta-se com um extenso areal e com toda uma zona envolvente de vegetação natural onde apenas sobressaem simpáticos passadiços de madeira que protegem a paisagem dunar. Os bons acessos e apoios de praia, fazem desta um dos destinos de Verão mais procurados.” 

Que dizer disto? Não há dúvida de que, quem isto escreveu, possui um acentuado espírito humorista, caso contrário teria redigido este outro lacónico texto: “ A praia do Furadouro apresenta-se com um areal diminuto e uma zona envolvente onde a vegetação natural está cada vez mais degradada e onde apenas sobressaem inestéticos pedregulhos pretensamente para protecção das antigas e das novíssimas construções, como este hotel. Por muito bons acessos e apoios de praia que lá existam, nada consegue fazer da praia do Furadouro um dos destinos de Verão mais procurados.”

Ora, é esta sistemática negação das realidades da costa ovarense, deste ordenamento que de forma alguma se entende, desta insistência em levar à prática intervenções nos locais mais inapropriados e em épocas desajustadas, que em nada têm contribuído para a correcção dos problemas ambientais da praia do Furadouro. Lamentavelmente.


(este artigo foi publicado no jornal "João Semana", de 15/06/11)

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

ORBITUR S.A., por aqui? (II parte)


Como reacção ao apontamento de ontem - ORBITUR SA, por aqui? - recebi um comentário (publicado na referida postagem) emitido pela empresa em causa, o qual pela sua celeridade e oportunidade é digno de louvor e de ser aqui divulgado. Eis, pois, o conteúdo principal da missiva recebida:



"A Orbitur é proprietária, desde o dia 8 de Março de 1962, de um lote de terreno com 40.000m2, situado na localização assinalada, não tendo actualmente qualquer projecto para a área descrita.
A colocação dos novos marcos, representados em fotografia, teve como objectivo substituir os originais, entretanto desaparecidos.
Trata-se de uma delimitação de propriedade que, por intempérie ou acção humana, tinha desaparecido do local."



Perante estas  informações cabe-me fazer alguns comentários: 


- Privatização de campos dunares foi possível no passado, jamais aceitável no presente, face à legislação existente actualmente que considera prioritária a conservação destes ecossistemas. 

- torna-se de difícil compreensão, aceitar a ideia de que nos tempos actuais (de forte transgressão marinha, de Directivas Comunitárias e de Legislação Nacional, como a REN, no sentido da protecção da orla costeira e da existência de Planos de Ordenamento da Orla Costeira e de outros instrumentos territoriais) se encontrem numa Zona de Risco, como o Furadouro, 40.000 m2 de campo dunar privados.

- Se em 1962 os problemas de erosão costeira não se colocavam na praia do Furadouro como hoje se colocam, e se eventualmente haveria à data ideias/projectos pensados para a valorização do povoado, nomeadamente através da implantação de infra-estruturas nos campos dunares, hoje esse aspecto é desprovido de sentido, não só pelo recuo da linha de costa que entretanto se verificou e que coloca a referida propriedade muito próxima da água, mas porque a função da faixa litoral é hoje completamente diferente e não permite a instalação de infra-estruturas fixas na mesma.




(este artigo foi publicado no jornal "João Semana", de 01/04/11)





terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

ORBITUR S. A., por aqui?











Uma visita à praia do Furadouro. Mais uma. Em dia de mar rijo, pois cheia vai a Lua e o vento sudoeste a ajudar também.






Na marginal, os efeitos dos galgamentos não passam despercebidos. A força 
do mar, desse “Golias invencível”, como a ele já me referi, é demolidora.





Ao longo da marginal urbanizada o rito não varia muito. A mesma gente, a mesma arte, numa azafamada “irmanação” de blocos rochosos.  Enrocar, é a palavra de ordem na zona frontal do Furadouro.



Olhando para a altura das vagas alterosas compreende-se bem a razão das marcas de maré lamberem o cordão dunar recentemente reforçado com areia. Aguentou-se!


As chuvadas recentes formaram charca na zona inter-dunar. É temporária mas proporciona um novo enquadramento ao sul do bairro piscatório.

Para quem vem de sul, por detrás das dunas, apercebe-se à distância, que uma estaca foi enterrada na areia. Habitualmente são troncos de eucalipto mas esta parece ser diferente na sua construção. 


De facto, não é madeira. Mas é um marco. E assinala dois sentidos, para nascente e para poente, tendo inscrito: ORBITUR S.A. 





ORBITUR S.A. é a designação de uma empresa líder do campismo em Portugal! E tem um lema: “Confie em nós para acampar em Portugal!”.

Agora, eu não posso acreditar que a ORBITUR esteja a pensar instalar naquele local da praia (o campo dunar) alguma infra-estrutura! Não pode ser.

Aquela estaca ou caiu ali por acidente ou é alguma brincadeira de Carnaval. Só pode ser mesmo!

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Dia Mundial das Zonas Húmidas e Ano Internacional das Florestas: que sentido fazem em Ovar?



As denominadas Zonas Húmidas formam por todo o planeta um grupo alargado de ecossistemas, nos quais a água no seu estado livre constitui o meio físico principal. Rios, lagos, albufeiras, estuários, marismas e praias, são algumas das Zonas Húmidas que, inclusivamente, existem no nosso país.  
As Zonas Húmidas contam-se entre as regiões do globo com maior bioprodutividade, pelo que, nelas se estabelecem importantes cadeias alimentares. De facto, desde os seres vivos mais pequenos, como o fitoplâncton e o zooplâncton até às espécies superiores, como aves, anfíbios, répteis, peixes e mamíferos, a biodiversidade das Zonas Húmidas só estará ausente se, sobre estas áreas, o homem interferir de forma negativa. Esse negativismo pode resultar de descargas poluentes, que sujam a água e matam a vida, da drenagem e enxugo de terrenos, que ficam sem o seu elemento vital, do abate indiscriminado das espécies que lá vivem, ou da criação de condições necessárias para as afugentar. 


É precisamente pelo perigo real destas ameaças, que resultam da ausência de uma gestão ou de uma efectiva gestão danosa, que existe o Dia Mundial das Zonas Húmidas, assinalado a 2 de Fevereiro.


As Zonas Húmidas apresentam geralmente na sua envolvência comunidades vegetais importantes, como bosques, arbustos e florestas. Entre esta massa vegetal destaca-se, como de especial importância, a vegetação ripícola, a qual invariavelmente abriga importantes comunidades bióticas. É também pela necessidade da conservação imperiosa destas galerias ripícolas, entre outras, que este ano é especial, pois é o Ano Internacional das Florestas.

Em Ovar dispomos de uma importante Zona Húmida, a Ria de Aveiro, que envolve os campos da parte sul do concelho. Muito já foi dito e escrito sobre a importância desta região, nomeadamente pela riqueza faunística e paisagística que apresenta. 
Mas parece que quem decide e/ou mostra interesse sobre intervenções nesta zona vareira ou é irresponsável ou não entende a diferença entre valorização e destruição. 
Quantos mais dois de Fevereiro serão precisos para estes decisores agirem de forma responsável no que respeita a esta Zona Húmida, conhecida na nossa terra por Ria de Ovar?



Também em Ovar dispomos de uma interessante zona urbana que se estende ao longo do rio Cáster e que até há bem pouco tempo correspondia a uma malha de terrenos privados, uns cultivados outros nem por isso. Esta zona há muito que se anuncia como o futuro Parque da Cidade. Além do projecto apresentado para o parque urbano de Ovar não ter revelado, como já o referi por diversas vezes, sagacidade para fazer a ligação de forma sustentada entre o centro urbano e a Ria, como seria possível e desejável, irá intervir sobre os bosques ribeirinhos existentes em torno do rio Cáster.

Estes bosques são pródigos nas tais cadeias tróficas que atrás referi. Aqui vivem corujas, mochos, genetas, doninhas, ouriços-cacheiros, passeriformes diversos, morcegos, borboletas…..aqui há vida natural, selvagem … que é preciso acautelar. E é pela importância da conservação das árvores e pelos riscos que as mesmas correm em serem cortadas, que há o Ano Internacional das Florestas. 

Vamos esperar que as ideias surgidas no âmbito do parque urbano sejam inteligentes, para que continuemos a ouvir o coaxar das rãs e o trinar das toutinegras e dos melros, para que possamos saborear o encontro fortuito com este ou aquele mamífero,  ou desfrutar da visão deste ou daquele sarapintado anfíbio, .... enfim, para que possamos continuar a sentir o bucolismo da natureza ovarense em pleno centro da cidade.



(este artigo foi publicado no jornal "João Semana", de 01/03/11)


domingo, 23 de janeiro de 2011

Alimentação artificial da praia do Furadouro: Finalmente!


Em meados de Dezembro de 2010 era possível ver na zona sul do Furadouro a placa que informava do início da empreitada de requalificação do cordão dunar.



No local já estavam, então, depositadas várias camionetas de areia....



denotando que finalmente (depois de há vários anos muito ter falado e escrito sobre o assunto!) se iriam trocar os blocos de granito por montes de areia.







Decorrido um mês, a movimentação de areias continua naquela zona da praia, com maquinaria pesada...



que vai alinhando primeiro a areia em "dunas" sobre o parque...



e em seguida a transporta para a praia, de modo a colmatar as brechas existentes no que restava do cordão dunar.





Finalmente, está-se a dar à praia do Furadouro aquilo que a ela tem sido tirado ao longo de décadas...a AREIA.


Mas, não se julgue que, com esta intervenção o problema da erosão do Furadouro (ou de qualquer outro sector litoral onde uma acção deste tipo fosse levada à prática) ficará resolvido. 

Este, é um primeiro passo, de um longo (estou convencido disso, infelizmente) processo que levará num futuro, à efectiva requalificação do litoral .... não só deste Furadouro mas de todos os «Furadouros» existentes por esse Portugal de areias litorais.

Este momento poderá, contudo, corresponder a um momento de mudança. Aquele em que finalmente "os generais cegos e orgulhosamente sós" (como era referido na nota de abertura do livro "A Praia dos Tubarões") conseguem ver alguma luz.

Creio também ter chegado o momento (porque não se pode esperar mais!) de, tal como escrevi no epílogo do mencionado livro "A Praia dos Tubarões", ir buscar peritos de além. É que o processo de alimentação artificial das praias não pode ficar por aqui! Simplesmente porque não é suficiente!


(este artigo foi publicado no jornal "João Semana", de 15/02/11)