sábado, 25 de fevereiro de 2012

Num Inverno frio e sereno...







... como é o presente ... 


.....sem temporais ..... 


.... o Furadouro continua igual a si mesmo... 


... desprotegido!




Bastaram alguns momentos de marés vivas e aí estão demonstradas, mais uma vez, as fragilidades do sistema ....





.... de novo, os muretes destruídos!


Há que remediar com sacos de areia, para que as pedras não sejam arremessadas pelas vagas para a marginal, atingindo veículos e pessoas...





E assim vai a frente marginal do Furadouro, à espera que chegue o mar revolto de Inverno .....





domingo, 12 de fevereiro de 2012

Dia Mundial das Zonas Húmidas

No passado dia 2 de Fevereiro assinalou-se, de forma institucional, a importância das Zonas Húmidas em todo o mundo. 

De norte a sul, Portugal apresenta várias destas áreas. Umas, são de reduzidas dimensões, como sejam, algumas lagoas florestais (por exemplo, a pateira  da Reserva Natural das Dunas de S. Jacinto ou a lagoa da Salgueira); outras são de maiores dimensões, como os grandes estuários (por exemplo, o do rio Minho ou do rio Sado).

Destas áreas protegidas, umas apresentam uma importância local, como seja o caso da Reserva Natural da Foz do Rio Douro, outras apresentam uma importância nacional, como seja o caso da Reserva Natural de Castro Marim, e outras ainda apresentam uma importância internacional, como seja o caso da Reserva Natural do Paul do Boquilobo, a primeira Reserva da Biosfera em Portugal


Mas para além destas Zonas Húmidas portuguesas, que usufruem já de um estatuto legal de protecção, algumas outras mereciam igual tratamento. Uma delas é sem dúvida a Ria de Aveiro. 

Pese embora, a ausência de uma figura legal de Área Protegida para a Ria de Aveiro (embora considerada ZPE e IBA), a verdade é que esta região sempre se impôs a nível nacional pela sua biodiversidade. De facto, constitui uma das mais importantes Zonas Húmidas do país, albergando em anos recentes populações significativas de espécies nunca antes aí registadas, como sejam o Flamingo - comum (Phoenicopterus ruber), ou de espécies ausentes durante várias décadas, como a cegonha-branca (Ciconia ciconia).


Apesar da situação difícil em que o país se encontra vale a pena não perder de vista a efectiva protecção do património natural da Ria de Aveiro, conferindo rapidamente a esta zona um estatuto de zona protegida!





domingo, 22 de janeiro de 2012

A crise não é para todos!


Tal como já tenho referido, a construção de novos espaços verdes citadinos não tem que passar pela destruição dos espaços verdes já existentes, sobretudo quando estes constituem habitats de protecção prioritária, nomeadamente ao abrigo de Directivas Comunitárias.


É verdade, que em Portugal estamos já habituados a assistir à ocupação de território de Reserva Ecológica Nacional (REN), de Reserva Agrícola Nacional (RAN) ou de Domínio Público Hídrico, por infraestruturas de interesse ou oportunidade questionáveis. 

A actual intervenção para construção do Parque Urbano de Ovar enquadra-se exactamente nas referidas premissas. Senão vejamos:


Primeiro, porque corresponde a uma intervenção desajustada do ponto de vista ambiental, uma vez que não conseguiu adequar as características dos habitats ribeirinhos existentes, de protecção recomendada, com os objectivos do Parque Urbano a construir. 

Em segundo lugar, porque obteve pareceres favoráveis de diversas entidades, apesar de não ter sido efectuado um Estudo de Impacte Ambiental.

Além destes dois factos de cariz negativo, surge um terceiro que se avoluma de dia para dia: o gasto em pedra. 

É uma verdadeira fortuna aquela que se vai investindo neste recanto da cidade. Todos os terrenos particulares estão a ser murados com lajes de granito, além claro, daquelas edificações estranhas semeadas aqui e além. 





Construções, não sei bem se ao estilo "romano", "castrense", "romântico", ou ..... "ovarense", mais provavelmente. 




Numa altura em que a todos é pedido contenção de gastos .... as obras do Parque Urbano de Ovar teimam em contrariar a crise!



sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

2012: Energia Sustentável para todos?

2012 - Ano Internacional da Energia Sustentável para Todos

A Assembleia Geral das Nações Unidas decidiu proclamar 2012 como sendo o Ano Internacional da Energia Sustentável para Todos. Tal decisão está relacionada com o facto de, em todo o mundo, se estimar uma população de mais de 1.4 biliões de pessoas que ainda não tem acesso ao consumo de energia eléctrica.


Na sociedade actual, dos denominados países desenvolvidos, é quase impensável, chegar-se a casa depois de um dia de trabalho e não se poder acender as lâmpadas dos diferentes compartimentos, não se poder ligar a televisão, o fogão eléctrico, ou o computador. Para o nosso modo de viver o quotidiano, já não conseguimos dispensar o frigorífico, o micro-ondas, o telemóvel, a máquina de lavar roupa, e tantos outros aparelhos eléctricos. Não ter acesso à energia eléctrica significa nos dias de hoje, não ter acesso a razoáveis condições de vida, uma vez que a electricidade está na base do funcionamento da maior parte dos equipamentos domésticos e é o suporte do nosso modus vivendi.

Pelo contrário, em todo o mundo, mais de 3 biliões de pessoas (quase metade da população mundial) não podendo usufruir de electricidade, dependem da biomassa florestal e do carvão para as necessidades básicas do seu quotidiano (cozinhar e aquecimento), tal como acontecia na longínqua Pré-História. Dado que estas formas de energia fóssil constituem recursos finitos (não renováveis) e em vias de esgotamento, devem as mesmas ser poupadas e substituídas por formas de energia alternativas. Será que este cenário se concretizará no futuro?


Objectivos
O Ano Internacional da Energia Sustentável para Todos procura ser um meio de consciencialização para todos os Estados-membros da ONU, no sentido da sustentabilidade energética poder ser um objectivo atingível a curto/médio prazo.

O Ano Internacional da Energia Sustentável para Todos integra-se numa iniciativa mais abrangente da ONU denominada Energia Sustentável para Todos (Sustainable Energy for All). Esta iniciativa pretende realizar, até 2030, eventos que permitam alcançar três grandes objectivos:

- garantir que toda a população mundial tenha acesso à energia;
- reduzir em 40% o consumo global de energia;
- aumentar em 30% a utilização de energias renováveis.

Para que estes objectivos sejam alcançados, a ONU conta com a mobilização de todos, nomeadamente, governos, empresas, ONG’s e sociedade civil. O acesso a uma tecnologia energética a preços acessíveis é fundamental, sobretudo nos países em vias de desenvolvimento, para que se verifique crescimento económico, a redução da pobreza e a melhoria geral da qualidade de vida dos mesmos. Numa palavra, para que se caminhe definitivamente para o Desenvolvimento Sustentável.

O Desenvolvimento Sustentável passará, sem sombra de dúvida, pelo abandono da energia fóssil em detrimento de uma disponibilidade crescente de energias renováveis. Entre estas destacar-se-ão a biomassa, a energia eólica, a energia das marés, a energia geotérmica, etc.


Energia da Biomassa: uma realidade do presente, uma energia com futuro?

Entre as várias formas de energia renovável, como sejam a energia solar, a energia eólica, a energia geotérmica, entre outras, conta-se a energia da biomassa. Esta forma de energia baseia-se na transformação de produtos e resíduos provenientes da agricultura, da floresta e da fracção biodegradável dos resíduos industriais e urbanos.

Os recursos renováveis representam actualmente cerca de 20% do fornecimento total de energia no mundo, com cerca de 14% proveniente da biomassa.
A queima de biomassa (predominantemente sólida) pode ser aproveitada para produzir calor para o aquecimento de habitações e águas e/ou produzir electricidade.

A matéria-prima.
As fontes de biomassa sólida são muito diversas. A principal corresponde aos resíduos florestais. Outras fontes igualmente importantes são os resíduos das vinhas e da indústria do vinho, as podas das árvores, o bagaço da azeitona, as gramíneas, como o feno e a palha, etc …. Um hectare de palha, por exemplo, possui um teor de energia de 73 gigajoules, o equivalente aproximadamente a 2.000 litros de gasóleo de aquecimento.

Os resíduos da indústria da madeira, sempre que apresentam impurezas incorporadas não servem para a transformação em sub-produtos daquela mesma indústria, razão pela qual podem ser encaminhados para a reciclagem energética.

Os materiais em fim de vida, como mobiliário deteriorado e madeira velha também podem ser valorizados energeticamente, desde que a sua reciclagem cumpra com a legislação relativa a contaminações por substâncias tóxicas, tais como tintas e/ou outros componentes químicos.

Existem ainda outras fontes de resíduos de madeira como aqueles que são recolhidos durante as actividades de limpeza e manutenção, nomeadamente em estradas, parques e jardins. Estes resíduos são geralmente uma mistura de madeira, folhas, troncos e solo, nos quais poderão estar incorporadas algumas embalagens de cartão e plástico. Devido a estas características, a valorização energética deste tipo de material deve ser bem controlada de modo a evitar a libertação, em níveis elevados, de substâncias tóxicas para a atmosfera.

Biomassa e política energética em Portugal
A floresta portuguesa cobre cerca de 38% do território nacional originando 2.2 milhões de toneladas de resíduos florestais. Estes, constituem o potencial de biomassa florestal existente em Portugal, com capacidade para gerarem 6.6 milhões de MWh de energia.

Contudo, o estado de abandono da floresta portuguesa nos últimos anos, a não existência de uma política florestal eficiente, a falta de incentivos fiscais, a grande agressividade de sectores concorrentes, como o do gás, entre outros, não permitem a eficiente valorização da biomassa florestal no nosso país.

A política energética nacional tem-se baseado na Resolução do Conselho de Ministros nº 169/2005 de 24 de Outubro, que estabelece a Estratégia Nacional para a Energia. No que respeita à valorização da biomassa, o documento apontava à data da sua publicação, para a necessidade de aumentar a potência instalada, mediante a construção de novas centrais termoeléctricas a funcionarem com biomassa florestal, de modo a atingir-se uma potência global de 100MW.

É pois fundamental, no sentido de se atingirem as metas traçadas a nível mundial, e no que respeita ao acesso de todos os povos à energia, que Portugal dê o seu contributo, tomando parte neste esforço global, nomeadamente reforçando o seu investimento nas formas de energia renováveis. A biomassa é uma das opções possíveis! 



(este artigo foi publicado na revista "Reis", de 01/12)



sábado, 31 de dezembro de 2011

Notas de campo: Naturezas de Inverno


A maré-baixa na Ria, assoreada, impede a labuta ... o frio também dá uma ajuda.






O caniço seco e as árvores sem folhas aguardam pelo sol da Primavera.....mas continuam a servir de abrigo a variadíssimas espécies animais.



O rio Cáster corre veloz e castanho, arrastando consigo muita terra, antes fértil, agora inerte e perniciosa....



A água acumulada em pleno cordão dunar, origina charcas, que atraem algumas espécies animais e permitem o crescimento de outras vegetais



Maçaricos, garças, pilritos e demais limícolas enchem as vasas e os sapais  da Ria de Aveiro. São consumidores e contribuem decisivamente para a biodiversidade das Zonas Húmidas.


O mar furioso desgasta a arriba dunar. Menos arriba, menos floresta, menos diversidade biológica.


Os patos levantam voo sobre o sapal húmido, num alvorecer nebuloso, em plena Ria de Aveiro.




O anoitecer chega bem cedo, pois é Inverno! Mas não há mal nenhum nisso, pois os seres vivos estão bem ajustados ao fotoperíodo.





A natureza....as naturezas do Inverno, embora "silenciosas", também naturalmente promovem a Diversidade Biológica. Desde que não sofram agressões por parte do homem.

Por tal facto, o dia 29 de Dezembro de 2011, Dia Internacional da Diversidade Biológica, não poderia estar melhor colocado no nosso calendário! 


sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Notas de campo: verdes prados da Ria de Aveiro

Campos da Ria no Inverno
Se na Primavera e no Verão os campos se vestem de verde, com as culturas que o homem lá quer ver crescer, no Inverno, o verde húmido do pasto, resultado da chuva que já encharcou ou da geada da última noite, fornecem o cenário de fundo para alguns intervenientes pintarem a seu bel-prazer, mais uma agradável paisagem da beira-ria.

Empoleirada no cimo de um poste, a águia-d'asa-redonda (Buteo buteo), que neste período do ano se deixa ver por todo o lado e em número interessante, espera o tempo que for necessário para capturar o pequeno rato-do-campo (Pitymys duodecimcostatus) que atrevidamente sai da sua galeria subterrânea. Não muito afastada daquela rapace encontra-se outro indivíduo da mesma espécie, pousado sobre uma cancela, bastante mais próximo do solo. 

Garça-boieira



Indiferentes à presença das rapaces acham-se as garças-boeiras (Bubulcus ibis). São duas dezenas espalhadas pelo prado... catando os pequenos invertebrados que por ali abundam.

Bando de estorninhos na árvore e nos cabos
Ao fundo do prado, ora esvoaçando para o solo, ora para os cabos sobrelevados, ora para um arbusto próximo, ora novamente para outro sector dos cabos, está um bando de estorninhos-malhados (Sturnus vulgaris). Estes nossos visitantes invernais não passam assim despercebidos, devido aos seus constantes movimentos e à sua frenética piadeira.



O canto típico do pisco-de-peito-ruivo (Erithacus rubecula) só agora se fez ouvir! Foi preciso a águia-d'asa-redonda, mais próxima, ter levantado voo, para esta pequena ave, escondida no arvoredo, se deixar localizar. Também uma rola-turca (Streptopelia decaoto), das muitas que hoje em dia se avistam praticamente em qualquer lugar, pousa no cabo de onda a águia antes levantou voo. 

E entre os que partem e os que chegam ao prado, partimos nós também desta curta paragem ....

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Notas de campo: colhereiros e flamingos!

Flamingos no Canal de Ovar (Ria de Aveiro)

Há dias chamei a atenção para a presença de flamingos no canal de Ovar. 


O facto não sendo novo, não deixa, contudo, de ser significativo, uma vez que esta espécie continua a aparecer de forma esporádica em diferentes locais da Ria de Aveiro.





Também a presença no mesmo local de uma outra espécie pernalta, dispersiva em território português, o colhereiro (Platalea leucorodia), não sendo um facto novo, torna-se particularmente interessante, dado que a espécie tem aparecido sempre em números inferiores à primeira. 
Colhereiros no canal de Ovar (Ria de Aveiro)




Flamingos, garças-brancas e colhereiros quando observados à distância aparecem-nos com tons predominantemente alvos. Contudo, um olhar mais perspicaz mostrar-nos-à as grandes diferenças entre eles... 


quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Notas de campo: aves da beira-mar

Gaivotas durante a baixa-mar
As manhãs calmas e solarengas de Inverno são propícias para passeios na natureza ovarense. Um desses passeios poderá acontecer junto ao mar. 

À beirinha da linha de água, poisadas no areal, podem-se observar, isoladas ou em pequenos grupos, gaivotas-d'asas-escuras (Larus fuscus graellsii). Entre elas poderão achar-se uma ou duas gaivotas-argênteas-de-patas-amarelas (Larus cachinnans michahellis) ou alguma gaivota-parda (Larus canus). Como que olhando atentamente a brisa, adultos e jovens permanecem imóveis até que a aproximação de alguém os faz levantar voo. 

Pilritos correndo ao longo da água
Apenas umas dezenas de metros à frente, sobre o areal, um enorme bando de pequenas aves, as limícolas, poderão passar despercebidas ao olhar menos atento do caminhante. De facto, este tipo de aves é habitualmente sempre muito numeroso, formando-se na nossa região grupos que vão de algumas dezenas até várias centenas de indivíduos. 

As limícolas mais abundantes nesta altura do ano no nosso litoral são o borrelho-pequeno-de-coleira (Charadrius dubius), o borrelho-de-coleira-interrompida (Charadrius alexandrinus), o pilrito-comum (Calidris alpina) e o pilrito-sanderlingo (Calidris alba). À excepção desta última espécie, presente em menor número e deslocando-se em correrias constantes de um lado para o outro, as restantes espécies passam grande parte do tempo paradas, cuidando da plumagem.

Se olharmos atentamente para o mar podemos observar, em determinadas zonas, patos-negros (Melanitta nigra), mergulhando com regularidade, em busca de alimento. Também um ou outro garajau-comum (Sterna sandvicensis) pode aparecer voando sobre a rebentação.


Ganso-patola com asa ferida
Em dias de calmaria não é frequente avistar-se aves pelágicas; contudo, elas poderão aparecer mortas na praia, como acontece regularmente com os gansos-patolas (Morus bassanus), resultado de morte, cansaço ou ferimentos em redes. 

Na parte mais alta da praia e sobre as dunas podem-se observar vários passeriformes, surgindo com mais frequência a irrequieta alvéola-branca (Motacilla alba).


E, assim, a manhã foi avançando. À medida que o ar ia aquecendo,  as aves parece que iam fugindo....a caminhada ia também terminando...

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Notas de campo: flamingos no Natal

A chegada do Inverno traz consigo, também, bonitos dias de sol, em que o vento muito fraco quase não se faz sentir e as temperaturas diurnas não muito frias convidam a uma saída pela natureza. 

Este período do ano constitui, assim, uma fase do ano propícia para a observação de aves que passam o Inverno em latitudes mais baixas para se refugiarem dos efeitos do frio e do gelo mas também de outras que nesta altura do ano se dispersam por áreas mais ou menos afastadas das suas áreas de reprodução. 

Entre estas últimas encontra-se o Flamingo-comum (Phoenicopterus ruber), que nos anos mais recentes pode invariavelmente ser observado no canal de Ovar da Ria de Aveiro, em número de algumas centenas. 

 


quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

NATAL 2011

O Natal cristão é a época que assinala o nascimento de Cristo. 

Tradicionalmente, este período da História fala do menino Jesus numa gruta, aquecido apenas pelo calor de um boi e de um burro. Na verdade, além de seus pais, foram estas duas simples criaturas que estiveram presentes em tão especial momento. 

Bovino e asinino, dois géneros de seres simples, mas importantes na vida dos homens de então. Porque, animais de carga e de trabalho nos campos. Porque sem eles toda a vida campesina seria bem mais difícil.

Tal como há mais de dois mil anos, bovinos e asininos fazem companhia ao homem, em muitos lugares da Terra, ajudando-o nos seus trabalhos e servindo também de alimento. Em Portugal, assim também foi, até ao momento em que abandonámos a agricultura aos interesses de uma Europa sem rumo.

Não é de admirar, pois, que surjam iniciativas tão belas como a que se realiza anualmente em terras transmontanas, em prol da valorização do tal burrico que também esteve presente na gruta e que invariavelmente é colocado nos presépios actuais.







Pelo contrário, é de lamentar que continuem a surgir iniciativas grotescas, que a pretexto da manutenção de tradições e de culturas locais, mais não são do que pretensões sanguinárias. Uma delas diz respeito à legalização do abate daquele outro animal também presente na gruta de Belém. 


Tornar estes actos sanguinários Património Cultural da Humanidade? 


Que dizer então dos circos Romanos dos primeiros séculos depois de Cristo? Vêem-se nos tempos de hoje tais espectáculos como assertivos? 


E que dizer da matança do bisonte-americano levada a cabo pelos Cowboys aquando da conquista da América? Fará esta lastimável conduta parte desse Património Cultural? 


Ou actualmente, que dizer da tradicional mortalidade de focas bebés feita no árctico pelos povos indígenas? Ou da mortalidade das grandes baleias pelos japoneses a pretexto de uma tradição? Serão estas práticas razoáveis para um dia se tornarem Património da Humanidade?

Não! 

Não a todo e qualquer evento de violência gratuita sobre animais indefesos! Participa deste NÃO assinando a petição

Um Bom Natal, sem agressão animal.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Nova SCUT pela Mata da Bicha?

Não há dúvida que a estrada florestal que atravessa a mata da Bicha, do Furadouro a Cortegaça, representa uma  mais valia para quem ousa apreciar as belezas que a floresta encerra. De lamentar, é o mau estado do seu piso em alguns sectores, a precisar de rápida correcção.

Mas realmente o que está a acontecer por lá? É que se pode observar ao longo da estrada, clareiras, rasgadas recentemente....aparentemente para alargamento da via.

Face a esta escondida realidade colocam-se duas questões:



- num período de crise económico-financeira nacional justifica-se que a Câmara Municipal de Ovar esbanje dinheiro a alargar a actual estrada? E para quê? Para construir uma nova SCUT? Com portagens ou sem elas? Para destruir a floresta? Para aumentar o tráfego? Ou a poluição?


- vamos continuar a destruir área florestal, como aconteceu aquando da construção do centro comercial Dolce Vita




Para quando a Câmara Municipal de Ovar assumir no terreno aquilo que gosta de divulgar no seu marketing (a sua grande atenção dada ao ambiente)?





É necessário muita sensatez no que diz respeito à exploração dos Recursos Naturais do concelho, com especial incidência na área florestal!




domingo, 13 de novembro de 2011

Debates, com quem?


Na passagem de mais uma data ligada mundialmente ao Urbanismo - 8 de Novembro de 2011 - pareceu-me uma ideia bem ajustada, a promoção, por parte da autarquia de uma conferência, onde seriam partilhadas experiências urbanísticas levados a cabo em cidades de dimensão semelhante à nossa.

Segundo o convite público lançado (em cima), esta iniciativa integrada no Programa de Valorização da Área Central da cidade de Ovar visaria constituir um " momento privilegiado de .... aquisição de conhecimento...". E para tal, a Câmara Municipal de Ovar gostaria de contar com a presença de todos para "debater, reflectir e participar activamente na construção do futuro da nossa cidade".

Mas, de que modo? A uma quarta-feira às nove e meia da manhã?

A esta hora, de um dia normal de semana, o comum trabalhador, embora interessado neste tema, já tem meia, uma ou mesmo mais horas de trabalho em cima. Este cidadão interessado, não vai por certo faltar ao seu posto de trabalho para estar presente nesta conferência... 

Numa conferência marcada para as 9h30, além das entidades promotoras, convidados e representantes de organizações, só poderão estar mesmo, quem no seu dia-a-dia não dependa de terceiros, quem está desempregado (e desde que a essa hora não esteja na fila do centro de emprego ou a enviar curriculum vitae pela net) ou na melhor das hipóteses, os reformados......

Tal como já o tenho salientado noutras ocasiões, este tipo de eventos - se realmente dirigidos a toda a comunidade - devem ser realizados a horas compatíveis. Caso contrário, transformam-se em eventos de puro marketing institucional, onde na realidade a escolha do timing desajustado pretende alcançar o efeito oposto ao propagandeado: a falta de quorum para o debate de ideias em torno de um bem comum da cidade - a sustentabilidade do burgo ovarense.




sábado, 5 de novembro de 2011

Eco-urbanismo ovarense: valeu a pena?

"Tudo vale a pena se a alma não é pequena".
               Fernando Pessoa in Mensagem - Mar Português


Há um ano denunciava neste sítio, a propósito do Dia Mundial do Urbanismo, o estado de abandono e de degradação estética em que se encontravam determinados pontos-chave da cidade de Ovar.

Hoje, assinalo com satisfação que, um desses "pontos negros" com cerca de meio século de existência, parece encontrar-se finalmente em remodelação. É certo que é apenas um dos pontos que mencionei..... mas valeu a pena escrever sobre o assunto....tal como diz o velho ditado "água mole em pedra dura tanto bate até que fura"!

Rua dos Precursores da República (Outubro de 2010)














Rua dos Precursores da República (15 Outubro de 2011)


Rua  dos Precursores da República (20 Outubro de 2011)

Esperemos que este local se torne esteticamente agradável....talvez ajardinado .... quem sabe....

Tal como já o referi, urbanismo e ambiente são indissociáveis. Daí que, ao assinalar mais uma data (8 de Novembro de 2011) dedicada ao urbanismo, chamo a atenção para o estado de degradação em que se encontram também as antigas fontes da cidade.

Sobre o estado das fontes da nossa cidade vários ovarenses, entre os quais me incluo, escreveram num passado recente em jornais locais, linhas e linhas, chamando a atenção para a necessidade de recuperação das mesmas, já que constituíam um património da história do burgo.
Fonte na Rua  Dr. João Semana 

Mas o interesse na recuperação das fontes da cidade não passa exclusivamente pela preservação do património histórico....as fontes (a funcionarem, como tal!) constituem pequenos oásis, especialmente para os anfíbios (rãs, tritões e salamandras) no contexto do ecossistema urbano.

Com a recente destruição da vegetação ribeirinha do Cáster desapareceram para sempre importantes habitats, para várias espécies animais, incluso, para os anfíbios. É urgente tomar medidas compensatórias!

Uma dessas medidas pode passar pela recuperação de pequenos nichos aquáticos, como o seriam também as fontes da cidade.

Desta forma e ultrapassando mesmo a sabedoria popular, poder-se-ia afirmar que com uma só cajadada matar-se-iam três coelhos! (a recuperação das fontes*, a recuperação da azulejaria e a recuperação de nichos ecológicos).

A sensibilidade do poeta e a dos outros! 

* todas as fontes e não apenas as do Casal e dos Combatentes incluídas no Plano de Regeneração Urbana.



(este artigo foi publicado no jornal "João Semana", de 15/11/11)

sábado, 22 de outubro de 2011

Reduzir os Desastres Naturais


Centro Comercial Dolce Vita (Ovar)

Em 2000, as Nações Unidas definiram uma Estratégia Internacional para a Redução de Desastres (ISDR), de modo a preparar comunidades de risco, com vista à redução de perdas humanas, sociais, económicas e ambientais, decorrentes dos grandes desastres naturais.

De facto, à multiplicidade de Desastres Naturais, tais como erupções vulcânicas, furacões, sismos, desabamentos, inundações, incêndios, epidemias, erosão intensa,…. estão quase sempre associados danos graves sobre bens e/ou pessoas, incluso a ocorrência de um grande número de vítimas mortais.

No passado dia 12 de Outubro comemorou-se o Dia Internacional para a Redução dos Desastres Naturais. Uma data instituída pela Assembleia Geral das Nações Unidas no sentido de alertar as consciências e promover a reflexão sobre o tema, sobre as estratégias de prevenção daqueles, assim como, das opções que o Homem é capaz de conceber para minimizar os seus efeitos nocivos.

É quase um dado consensual à escala mundial que, a manifestação regular por todo o planeta de desastres naturais está associada à acumulação na atmosfera de grandes quantidades de gases com efeito de estufa (GEE).

Minimizar os impactes dos Desastres Naturais passa, por um lado, pela produção de mais informação científica (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) com vista a um melhor conhecimento das causas responsáveis pelos desastres na actualidade, e por outro, pela aplicação por parte dos governos nacionais, regionais e locais, de políticas que contribuam para a redução da emissão de GEE.   

Sobre políticas sustentáveis destaca-se a importância das políticas florestais de cada estado, região ou concelho. A floresta, além de  constituir um "balão de oxigénio" constitui um importante sumidouro de dióxido de carbono, o principal GEE. Por conseguinte, a preservação da floresta, bem como o reforço da mesma em áreas onde se encontra degradada, é fundamental.

É pois, prioritário haver floresta. Quer sejam de grandes dimensões ou de dimensão localizada. 

Abertura de clareiras florestais (S. Pedro de Maceda - Ovar)
É pois, crime grave destruir manchas florestais, sem que haja lugar à reposição das mesmas ou a pretexto de projectos socialmente não prioritários (foto ao lado). 

É pois, opção pouco responsável sacrificar áreas florestais para construir infra-estruturas que podem ser instaladas em outros locais, sem impactos ambientais graves, como espaços já urbanizados e/ou baldios (como a que é ilustrada na foto superior).

É pois, importante perceber que os grandes Desastres Naturais da actualidade se devem a um somatório imenso de desastrosas opções e atitudes das nossas sociedades. 
        


(este artigo foi publicado no jornal "João Semana", de 01/11/11)

domingo, 2 de outubro de 2011

Dia Mundial do Animal

Grou-comum (Grus grus) ferido
No próximo dia 4 de Outubro assinala-se mundialmente o Dia do Animal. Um dia dedicado a todos os animais, selvagens ou domésticos. 

Os nossos animais de estimação, cujos antepassados viviam outrora no estado selvagem, são hoje a companhia (às vezes única) de muitos e por conseguinte presenças fundamentais nas suas vidas. 

Os animais domésticos merecem, por isso, ser lembrados e estimados, por todos e de modo especial pelos seus "donos". Pelo contrário, não merecem, quando já representam um "peso" no quotidiano dos mesmos, ser maltratados e frequentemente abandonados,  na berma da estrada para desta forma mais facilmente serem atropelados.

Gamos (Dama dama)
Também os animais selvagens devem ser lembrados neste dia, pois constituem em muitos casos relíquias de populações outrora bem mais numerosas, cuja protecção deve ser uma obrigatoriedade moral para todos.

Ao assinalar esta data constituiria uma omissão ingrata não referir o esforço de todos aqueles que, pelo mundo inteiro, sós ou associados, desenvolvem esforços para recuperarem animais feridos ou moribundos, quer sejam domésticos quer sejam selvagens. 


Nesse sentido destaco duas das muitas associações dedicadas à recuperação de animais Domésticos e Selvagens.

Grifo (Gyps fulvus) ferido
Peneireiro-cinzento (Elanus caeruleus) ferido numa asa

Gatinho em tratamento

Cão ferido em tratamento