sábado, 4 de janeiro de 2014

O mar está aí à porta de casa. E agora? (2)

04.01.2014, Furadouro, 1 hora após a preia-mar. Vento e chuva forte, acompanhados de alguns relâmpagos. 


Olhos ensonados escondem-se atrás das janelas semi-abertas porque a ventania é muito forte, ... outros mais afoitos encostam-se às esquinas sob a protecção de uma varanda de primeiro andar, ....outros, ainda, à luz da lanterna de mão, vão tentando selar janelas e portas o melhor que podem. 

É assim, a vida de quem vive paredes meias com o oceano e que no Inverno nunca sabe quando aquele lhe bate à porta. Lá longe, afastados desta frente de batalha e enroscados no aconchego da cama estão os outros, "generais" e doutores de leis, que permitiram de forma sistemática, este estado de coisas e que só a partir das 9h da manhã se irão preocupar em fazer os habituais telefonemas da praxe. 

Senão vejamos:









quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

O mar está aí à porta de casa. E agora?


Com este título poderia escrever mais umas quantas linhas a propósito da teimosia dos decisores políticos em não encararem de forma séria os problemas que se colocam cada vez mais na faixa costeira portuguesa. 


Contudo, hoje não o vou fazer....antes, vou deixar que outros o façam.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Quando o vento sul bate sobre a Ria ....




      .... esta transforma-se, oferecendo quadros paisagísticos novos. Nestas ocasiões não há lugar para a paisagem apresentar coloração "Beneton", porque a atmosfera de cor cinza carregada projecta-se na água e nas terras criando um contínuo entre os distintos meios. 
Entre os figurantes deste cenário agreste destacam-se as aves selvagens, que por aqui estão de passagem ou por aqui invernam.

O dia avança ao mesmo tempo que o vento continua a soprar forte, em rajadas sucessivas, ajudando a maré a subir no canal ainda muito seco. O cheiro a chuva paira no ar, ao contrário das aves que preferem aninhar-se em terra.



Algumas destas espécies, para se defenderem das fortes rajadas, agrupam-se, posicionando-se de frente para a borrasca; outras, vagueiam solitárias ou em pequenos grupos, nas águas baixas junto às margens. 




Em geral, nestes dias frios e ventosos, há sempre uma ou outra surpresa para um birdwatcher. É como encontrar um brinde no bolo-rei!

Hoje, a primeira das surpresas, foi observar um grupo de nove corvos-marinhos-de-faces-brancas (Phalacrocorax carbo carbo) e uma garça-real (Ardea cinerea) estratégicamente pousados numa estrutura flutuante muito próxima de terra, num local onde habitualmente as aves não se acercam devido à presença do homem. Refira-se a propósito que, a primeira destas duas espécies era essencialmente marinha, há uma meia dúzia de anos atrás, sendo muito poucos os indivíduos que penetravam então Ria adentro.

A segunda surpresa do dia, ainda maior e por isso mais saborosa, foi observar, muito perto da margem, dois colhereiros (Platalea leucorodia), imparáveis no seu peculiar modo de procura de alimento. Tal como o seu nome indica, a forma em espátula do seu bico ajuda-o a filtrar os organismos de que se alimenta. Esta espécie, embora já observada uma ou outra vez em invernos anteriores, é considerada uma espécie acidental na Ria de Aveiro, quer durante o Inverno, quer durante as passagens migratórias.







Mas nesta época do ano o estado do clima é mutável, mesmo num intervalo de vinte e quatro horas. E assim, logo que o vento amaina, a chuva passa e o Sol desponta envergonhado, a Ria volta a transformar-se. É um vulgar cliché dizer-se que depois da tempestade vem a bonança. E é com este chavão que as aves da Ria reconstroem um novo cenário. E é neste novo cenário que as surpresas continuam a surgir.

Os corvos-marinhos-de-faces-brancas e as garça-reais voam agora de forma fácil no céu, cruzando diferentes direcções .... os dois colhereiros mudaram de poiso e provavelmente não voltarão a ser vistos, quem sabe ....  mas outras espécies deixam-se então observar .... umas mais pequenas, outras maiores.... 

Poisados hirtos nos caniços, os cartaxos-comuns (Saxicola torquatus) mais parecem sentinelas.... e sobre o sapal voam próximas algumas águias-sapeiras (Circus aeruginosus), pré-anunciando as paradas nupciais.... acompanhando as garça-reais voam as garças-brancas-pequenas (Egretta garzetta) e .... eis que surge mais outra surpresa! Mais um brinde no bolo-rei que é a Ria de Aveiro. 

Voando a meia altura sobre os caniçais, logo atrás da garça-branca-pequena, surge esbelta uma garça-branca-grande (Casmerodius albus)! 


Foto retirada do google images

Nesta rara observação das duas espécies voando próximas, torna-se bem nítida a diferença de envergaduras. Esta última espécie é também acidental na Ria, ocorrendo raramente e de forma isolada no Inverno, sendo a sua primeira observação na região relativamente recente.


É assim o Inverno na Ria de Aveiro! Muito bonito e oferecendo vários brindes.



terça-feira, 31 de dezembro de 2013

A todos os que me seguem e a todos aqueles que fazem parte dos meus textos desejo um



Com muita força para fazer melhor pelo Ambiente no concelho de Ovar! 

domingo, 8 de dezembro de 2013

Duas prioridades, duas estratégias, um resultado comum!

Zona norte da praia do Furadouro

Localizada em zona frontal ao Hotel decorre a construção de um enrocamento como obra de protecção da frente marginal. Uma obra igual a outras já construídas mais a sul e que já deram provas da sua ineficácia.








Quando o mar bater forte neste sector da costa, que se irá passar mais a sul?




Praia de S. Pedro de Maceda

Num sector costeiro sistemáticamente erodido pela ondulação de inverno (a zona da costa portuguesa com taxas de recuo mais elevadas!), mas sem hotéis, habitações de verão e escondida pela mata, decorre a construção de um talude arenoso fixo apenas por estacaria.




E quando as tempestades chegarem? E quando o mar galgar este talude? Para onde irá esta areia?


Duas intervenções. Uma mais cara e outra menos cara. Mas um só resultado: costa sem protecção!


domingo, 24 de novembro de 2013

Dia da Filosofia

Praia de Cortegaça (de acentuada erosão)
No passado dia 21 assinalou-se o Dia da Filosofia. Esta data foi escolhida pela UNESCO em 1995 aquando da Declaração de Paris, por se entender que os problemas de que trata a filosofia são os problemas da vida e da existência dos homens considerados universalmente. Nas referidas jornadas da UNESCO foi entendido, entre outros, que a actividade filosófica:

não deve retirar nenhuma ideia à livre discussão
- deve examinar com atenção os argumentos dos outros
- deve favorecer a abertura de espírito, a responsabilidade cívica, a compreensão e a tolerância entre os indivíduos e entre os grupos;
- deve formar espíritos livres e reflexivos, capazes de resistir às diversas formas de propaganda, de fanatismo, de exclusão e de intolerância;

- deve contribuir para a formação de cidadãos, exercendo a sua capacidade de julgamento, elemento fundamental de toda a democracia.


Vem isto a propósito de que a cultura filosófica defendida pela UNESCO foi para alguns filósofos da nossa terra, em tempos recentes, "osso bem duro de roer", diria mesmo, "osso nunca suficientemente roído". 

De facto, entre a dialéctica construtivista das teses defendidas por estes filósofos (ávidos únicamente de poder) e a dialéctica da acção, anti-democrática porque intolerante, vai um enorme fosso. Este fosso traduziu-se numa fraude à res publica, numa atitude intelectualmente desonesta. 

Mas a História não perdoa e registará que: passam os filósofos, mas fica a filosofia!




sábado, 16 de novembro de 2013

Dia Nacional do Mar

Hoje assinala-se em Portugal o Dia do Mar.





Mar .... de águas nem sempre limpas.




Mar .... com areais transformados em lixeiras.




Mar .... com dunas esmagadas pelo avanço da erosão.




Mar .... com muralhas de pedra em vez de areia.




Mar .... do Torrão do Lameiro .... do Furadouro .... de Maceda .... de Cortegaça.... de Esmoriz.............Este é o mar de OVAR.





terça-feira, 5 de novembro de 2013

A praia dos tubarões

Na parte norte do Furadouro, movimentações poderosas escavam a areia da praia para soterrarem grandes quantias de dinheiro. Os blocos de rocha custam o já pouco dinheiro de todos nós.

Defende-se a praia, cada vez mais magra. Defendem-se construções implantadas junto ao mar que nunca deviam ter sido construídas ali. Mas defende-se, sobretudo, um hotel edificado numa época tão recente e já com tantos problemas de erosão, que até causa impressão!

Mais uma vez eles aí estão. São sempre os mesmos e usam sempre a mesma metodologia.... Camiões, máquinas e pedras!

E para quê? Para defender a praia? Nem pensar! Quando o mar invernoso chegar, rapidamente levará a areia e deixará a descoberto tudo aquilo que agora se enterra.





Infelizmente, continuam a soar como oportunas, as palavras de Ricardo Afonso Marques, no seu "Ensaio sobre a apologia dos néscios", e que constam da nota de abertura do livro "A praia dos Tubarões":

“Estrategicamente afastados da frente da batalha, mas orgulhosamente sós com seus camuflados vestidos, os mercenários generais ora estudam e confrontam planos, ora confrontam e estudam estratégias.
Passam-se os dias, gastam-se os anos. E a guerra, essa guerra que afinal é sempre igual, parece não ter mais fim .
Fechados nos seus aquartelamentos, não vêem a luz. Por tal facto, não a podem reflectir no seu agir, comportando-se como verdadeiros cegos ! ”






sexta-feira, 4 de outubro de 2013

4 de Outubro - Dia Mundial do Animal



Em jeito de comemoração do dia Mundial do Animal faço referência a duas espécies, bem diferentes, em termos de morfologia, habitat e comportamento, mas com um ponto em comum: o estatuto de espécies vulneráveis e/ou em vias de extinção. 


"O burro e a águia"

Era uma vez um burro, .... que junto com mais alguns da sua espécie, percorriam regularmente as calçadas da então vila de Ovar, já lá vão algumas décadas. Talvez fosse o ar  simpático e calmo destes animais que atraía a atenção da pequenada, quando passavam puxando as carroças ou transportando pesados sacos de farinha, dos moínhos de água semeados um pouco por todas as freguesias do concelho. 

Actualmente, nem moínhos nem burros. Os primeiros caem de velhos, os segundos (Equus asinusdeixaram de ser vistos. 

A este propósito e conhecendo-se a vontade já anunciada da autarquia em proceder à recuperação de um dos núcleos de moínhos existentes em pleno Parque Urbano de Ovar, porque não pensar numa estratégia de "três em um"? 

Ao mesmo tempo que se promoveria a recuperação do património construído, minimizava-se um dos erros conceptuais do projecto do Parque Urbano, a saber, a ausência de infra-estruturas destinadas ao lazer e brincadeiras das crianças da cidade. Passeios de burro no parque seriam, acredito eu, uma actividade simpática e ambientalmente sustentável. 

À memória molinológica juntava-se assim a preservação da memória asinina, contribuindo Ovar também, deste modo, para a sobrevivência de uma espécie que em Portugal está à beira da extinção.


Um pouco mais a sul do parque onde os burros poderiam um dia voltar à vida, voa uma águia... 

Não uma águia no sentido que o termo cientifico (Aquilaimpõe, mas um tartaranhão (também chamado dos pauís ou águia-sapeira). 

Esta águia-sapeira (Circus aeruginosus), que habita a região lagunar já viu melhores dias em Ovar, uma vez que o número de indivíduos existentes já foi mais elevado. 

Sendo uma espécie muito sensível à presença humana exige da nossa parte todo o cuidado nas intervenções a realizar nas áreas próximas da mesma. É por este facto que convém não esquecer que o POLIS Ria de Aveiro terá que ser revisto, as vezes que forem necessárias, até que se transforme, de facto, num instrumento de ordenamento SUSTENTÁVEL do território lagunar e não numa arma de arremesso contra os recursos naturais ainda existentes. O lema, meus senhores, será sempre conservar e não destruir o património.

E é assim que esta história, por hoje, chega ao fim, ... com burros e águias a poderem viver felizes para sempre em Ovar, ... se a autarquia assim o entender.


terça-feira, 1 de outubro de 2013

Dia da Água

Dia 1 de Outubro.... Dia Nacional da Água

Água, Rios

Cuidar da água, cuidar dos rios

Destruir um rio, não cuidar da Água!

                            








                                       
                                                 Parque Urbano de Ovar (Março de 2013)



A destruição da vegetação ripícola (atentado ambiental) e o enrocamento do rio Cáster, com a construção do Parque Urbano de Ovar, impedem o escoamento superficial e a drenagem natural em leito de cheia.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Sem um rumo, apenas com uma política de remendos.

Sem dúvida que nas últimas duas décadas, a cidade de Ovar, enquanto sede de concelho, estagnou no tempo. Direi mesmo, que retrocedeu (se a compararmos com a evolução experimentada por outras cidades vizinhas de semelhante grandeza). Esta estagnação/retrocesso aconteceu em termos sociais, patrimoniais, culturais e ambientais. 

Uma Câmara frouxa, sem vocação para a "causa pública" e apenas vocacionada para o "folclore político" não soube ter um plano estratégico para o desenvolvimento real do território, com especial incidência para a cidade de Ovar. Essa falta de garra, essa falta de amor à terra e essa grande incompetência autárquica reflectiu-se também no plano ambiental.

Neste plano destacam-se como campos de total insucesso, apesar de prioritários no ordenamento do território ovarense, a defesa da costa, a recuperação e valorização da Ria e a recuperação da Barrinha de Esmoriz.

Relativamente à defesa da costa, a Câmara de Ovar escolheu sempre como divisa, minimizar a gravidade da situação, imputando aos outros (governo central) a resolução dos problemas. Não percebeu, a autarquia, que lhe competia, como primeira entidade interessada,  impedir todas as novas intervenções nas frentes urbanas litorais, assim como, delinear e bater-se por uma estratégia de intervenção séria nas praias do concelho. A política de defesa da costa não foi fraca; simplesmente não existiu.

Quanto às intervenções na região lagunar ovarense, a autarquia estava disposta, à sombra de um projecto denominado POLIS Ria de Aveiro, do qual fazia parte integrante, contribuir para a destruição da biodiversidade, ao aceitar propostas delapidantes, produzidas certamente por quem desconhecia o ecossistema da Ria de Ovar e a região a intervencionar. Ao invés de garantir a protecção das moitas de Ovar e da região da foz do Cáster (projecto com parecer positivo da parte do Instituto de Conservação da Natureza, há cerca de duas décadas) a Câmara de Ovar acha mais importante construir pistas cicláveis e torres de observação em locais sensíveis e por conseguinte inapropriados!

Este manifesto desinteresse pela valorização dos recursos naturais ocorreu de igual modo com a Barrinha de Esmoriz. Esta lagoa, sempre esquecida pela Câmara de Ovar, recebeu em tempos recentes, graças aos esforços continuados de alguns ambientalistas (Associação Palheiro Amarelo e Parque Biológico de Gaia), um grande contributo para a minimização dos caudais poluentes que até ela chegavam, ao ser abrangida pelo sistema da SIMRIA.

Por último, merece igualmente destaque, não pela urgência da intervenção mas pela vaidade de que a mesma se revestiu, o projecto despesista denominado Parque Urbano da Cidade. Despesista, porque outros municipios das redondezas souberam fazer os seus parques urbanos com custos incomparavelmente mais baixos, melhorando e valorizando os espaços arborizados já existentes sem sentirem necessidade de proceder a destruições arbóreas. 
O Parque Urbano de Ovar nasceu de uma enorme agressão ambiental, associada à data do início do derrube arbustivo. O parque continuou a evoluir com a insensata destruição da galeria ripícola (hoje e depois de muitas linhas ter escrito sobre esse atentado,  apercebo-me de que valeu a pena, pois observa-se o crescimento dos arbustos junto do leito do rio...). Era escusada esta grande asneira ambiental se o projecto estivesse bem feito de raíz! 

Por fim e para quem vier a seguir fica a lembrança: as preocupações ambientais do concelho não se podem esgotar nas medidas valorizantes da qualidade de vida dos cidadãos, como sejam as vias cicláveis, os merendeiros florestais e os parques "românticos"; as preocupações ambientais têm que incidir também na recuperação dos habitats naturais e seus recursos selvagens. 

domingo, 28 de julho de 2013

BIOSFERA - Ciclo urbano da água

No passado dia 21 de Julho a RTP 2 apresentou mais um programa BIOSFERA, desta vez dedicado ao Ciclo Urbano da Água.

Neste ciclo da água entram também os sedimentos arenosos, os quais, no entanto, são muito cedo subtraídos àquele mesmo ciclo...... Clique para ver.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Erosão do litoral em debate





No passado dia 20 decorreu em Caminha, e a convite da associação COREMA, uma palestra sobre a Erosão e o Ordenamento da faixa litoral. 


No final da palestra decorreu um período muito intenso de perguntas e respostas entre os presentes, sempre muito interessados por uma temática que tem tanto de preocupante quanto de irresponsabilidade por parte das entidades teoricamente responsáveis.


Após o evento seguiu-se uma visita à praia de Moledo. Nesta praia, os participantes no encontro puderam avaliar in loco o estado evolutivo da zona costeira, bem como, foram alertados para algumas acções possíveis de se concretizarem para reforço da praia.