terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Fora de portas - a praia da Barra


A praia da Barra, em Aveiro, tem sido notícia nos últimos dias pelos estragos que o mar tem produzido, um pouco à semelhança do que tem acontecido noutras zonas litorais nortenhas, como o concelho de Ovar.




Um café de praia foi previamente desmantelado, outro não escapou à fúria das vagas ficando semidestruído e outros, provavelmente, serão também arrastados, irremediavelmente, dado o estado em que se encontra a arriba dunar.














A praia da Barra, ao contrário da Vagueira e da Costa Nova, não era habitualmente um local privilegiado para o ataque do mar. Este ano foi. Talvez para isso tenha contribuído o aumento recente do comprimento do molhe norte do porto de Aveiro.





Tal como acontece noutros povoados litorais ameaçados, o desaparecimento do cordão dunar colocará o nível do mar ao nível das construções urbanas adjacentes à praia. O abandono da frente litoral é um cenário angustiante, mas cada vez mais se torna uma realidade próxima.



As previsões meteorológicas não melhoram. Bem pelo contrário. O estado da costa continua ameaçado.


sábado, 4 de janeiro de 2014

O mar está aí à porta de casa. E agora? (3)

As condições meteorológicas adversas ocorridas durante a madrugada não permitiram registar outras facetas que a luz do dia pôs às claras.

As vagas enormes, abatendo-se sobre a linha de costa...




Vagas que projectaram milhares de pedras sobre a frente marginal.




Vagas e pedras que obrigaram a cuidados redobrados para minimizar mais estragos...






Mas uma olhada à parte sul da praia do Furadouro permite confirmar aquilo que há muito era previsível (cap. 20 de "A praia dos Tubarões"). O mar junto à extremidade do enrocamento invade terra adentro, de forma fácil dadas as baixas cotas existentes. 







O elevado índice de susceptibilidade aos galgamentos verificado nesta zona é comprovado também pelas charcas que aqui se observam.




O caminho está aberto.... cada vez mais fácil serão os galgamentos oceânicos pela zona sul da praia do Furadouro. 



O mar está aí à porta de casa. E agora? (2)

04.01.2014, Furadouro, 1 hora após a preia-mar. Vento e chuva forte, acompanhados de alguns relâmpagos. 


Olhos ensonados escondem-se atrás das janelas semi-abertas porque a ventania é muito forte, ... outros mais afoitos encostam-se às esquinas sob a protecção de uma varanda de primeiro andar, ....outros, ainda, à luz da lanterna de mão, vão tentando selar janelas e portas o melhor que podem. 

É assim, a vida de quem vive paredes meias com o oceano e que no Inverno nunca sabe quando aquele lhe bate à porta. Lá longe, afastados desta frente de batalha e enroscados no aconchego da cama estão os outros, "generais" e doutores de leis, que permitiram de forma sistemática, este estado de coisas e que só a partir das 9h da manhã se irão preocupar em fazer os habituais telefonemas da praxe. 

Senão vejamos:









quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

O mar está aí à porta de casa. E agora?


Com este título poderia escrever mais umas quantas linhas a propósito da teimosia dos decisores políticos em não encararem de forma séria os problemas que se colocam cada vez mais na faixa costeira portuguesa. 


Contudo, hoje não o vou fazer....antes, vou deixar que outros o façam.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Quando o vento sul bate sobre a Ria ....




      .... esta transforma-se, oferecendo quadros paisagísticos novos. Nestas ocasiões não há lugar para a paisagem apresentar coloração "Beneton", porque a atmosfera de cor cinza carregada projecta-se na água e nas terras criando um contínuo entre os distintos meios. 
Entre os figurantes deste cenário agreste destacam-se as aves selvagens, que por aqui estão de passagem ou por aqui invernam.

O dia avança ao mesmo tempo que o vento continua a soprar forte, em rajadas sucessivas, ajudando a maré a subir no canal ainda muito seco. O cheiro a chuva paira no ar, ao contrário das aves que preferem aninhar-se em terra.



Algumas destas espécies, para se defenderem das fortes rajadas, agrupam-se, posicionando-se de frente para a borrasca; outras, vagueiam solitárias ou em pequenos grupos, nas águas baixas junto às margens. 




Em geral, nestes dias frios e ventosos, há sempre uma ou outra surpresa para um birdwatcher. É como encontrar um brinde no bolo-rei!

Hoje, a primeira das surpresas, foi observar um grupo de nove corvos-marinhos-de-faces-brancas (Phalacrocorax carbo carbo) e uma garça-real (Ardea cinerea) estratégicamente pousados numa estrutura flutuante muito próxima de terra, num local onde habitualmente as aves não se acercam devido à presença do homem. Refira-se a propósito que, a primeira destas duas espécies era essencialmente marinha, há uma meia dúzia de anos atrás, sendo muito poucos os indivíduos que penetravam então Ria adentro.

A segunda surpresa do dia, ainda maior e por isso mais saborosa, foi observar, muito perto da margem, dois colhereiros (Platalea leucorodia), imparáveis no seu peculiar modo de procura de alimento. Tal como o seu nome indica, a forma em espátula do seu bico ajuda-o a filtrar os organismos de que se alimenta. Esta espécie, embora já observada uma ou outra vez em invernos anteriores, é considerada uma espécie acidental na Ria de Aveiro, quer durante o Inverno, quer durante as passagens migratórias.







Mas nesta época do ano o estado do clima é mutável, mesmo num intervalo de vinte e quatro horas. E assim, logo que o vento amaina, a chuva passa e o Sol desponta envergonhado, a Ria volta a transformar-se. É um vulgar cliché dizer-se que depois da tempestade vem a bonança. E é com este chavão que as aves da Ria reconstroem um novo cenário. E é neste novo cenário que as surpresas continuam a surgir.

Os corvos-marinhos-de-faces-brancas e as garça-reais voam agora de forma fácil no céu, cruzando diferentes direcções .... os dois colhereiros mudaram de poiso e provavelmente não voltarão a ser vistos, quem sabe ....  mas outras espécies deixam-se então observar .... umas mais pequenas, outras maiores.... 

Poisados hirtos nos caniços, os cartaxos-comuns (Saxicola torquatus) mais parecem sentinelas.... e sobre o sapal voam próximas algumas águias-sapeiras (Circus aeruginosus), pré-anunciando as paradas nupciais.... acompanhando as garça-reais voam as garças-brancas-pequenas (Egretta garzetta) e .... eis que surge mais outra surpresa! Mais um brinde no bolo-rei que é a Ria de Aveiro. 

Voando a meia altura sobre os caniçais, logo atrás da garça-branca-pequena, surge esbelta uma garça-branca-grande (Casmerodius albus)! 


Foto retirada do google images

Nesta rara observação das duas espécies voando próximas, torna-se bem nítida a diferença de envergaduras. Esta última espécie é também acidental na Ria, ocorrendo raramente e de forma isolada no Inverno, sendo a sua primeira observação na região relativamente recente.


É assim o Inverno na Ria de Aveiro! Muito bonito e oferecendo vários brindes.



terça-feira, 31 de dezembro de 2013

A todos os que me seguem e a todos aqueles que fazem parte dos meus textos desejo um



Com muita força para fazer melhor pelo Ambiente no concelho de Ovar! 

domingo, 8 de dezembro de 2013

Duas prioridades, duas estratégias, um resultado comum!

Zona norte da praia do Furadouro

Localizada em zona frontal ao Hotel decorre a construção de um enrocamento como obra de protecção da frente marginal. Uma obra igual a outras já construídas mais a sul e que já deram provas da sua ineficácia.








Quando o mar bater forte neste sector da costa, que se irá passar mais a sul?




Praia de S. Pedro de Maceda

Num sector costeiro sistemáticamente erodido pela ondulação de inverno (a zona da costa portuguesa com taxas de recuo mais elevadas!), mas sem hotéis, habitações de verão e escondida pela mata, decorre a construção de um talude arenoso fixo apenas por estacaria.




E quando as tempestades chegarem? E quando o mar galgar este talude? Para onde irá esta areia?


Duas intervenções. Uma mais cara e outra menos cara. Mas um só resultado: costa sem protecção!


domingo, 24 de novembro de 2013

Dia da Filosofia

Praia de Cortegaça (de acentuada erosão)
No passado dia 21 assinalou-se o Dia da Filosofia. Esta data foi escolhida pela UNESCO em 1995 aquando da Declaração de Paris, por se entender que os problemas de que trata a filosofia são os problemas da vida e da existência dos homens considerados universalmente. Nas referidas jornadas da UNESCO foi entendido, entre outros, que a actividade filosófica:

não deve retirar nenhuma ideia à livre discussão
- deve examinar com atenção os argumentos dos outros
- deve favorecer a abertura de espírito, a responsabilidade cívica, a compreensão e a tolerância entre os indivíduos e entre os grupos;
- deve formar espíritos livres e reflexivos, capazes de resistir às diversas formas de propaganda, de fanatismo, de exclusão e de intolerância;

- deve contribuir para a formação de cidadãos, exercendo a sua capacidade de julgamento, elemento fundamental de toda a democracia.


Vem isto a propósito de que a cultura filosófica defendida pela UNESCO foi para alguns filósofos da nossa terra, em tempos recentes, "osso bem duro de roer", diria mesmo, "osso nunca suficientemente roído". 

De facto, entre a dialéctica construtivista das teses defendidas por estes filósofos (ávidos únicamente de poder) e a dialéctica da acção, anti-democrática porque intolerante, vai um enorme fosso. Este fosso traduziu-se numa fraude à res publica, numa atitude intelectualmente desonesta. 

Mas a História não perdoa e registará que: passam os filósofos, mas fica a filosofia!




sábado, 16 de novembro de 2013

Dia Nacional do Mar

Hoje assinala-se em Portugal o Dia do Mar.





Mar .... de águas nem sempre limpas.




Mar .... com areais transformados em lixeiras.




Mar .... com dunas esmagadas pelo avanço da erosão.




Mar .... com muralhas de pedra em vez de areia.




Mar .... do Torrão do Lameiro .... do Furadouro .... de Maceda .... de Cortegaça.... de Esmoriz.............Este é o mar de OVAR.





terça-feira, 5 de novembro de 2013

A praia dos tubarões

Na parte norte do Furadouro, movimentações poderosas escavam a areia da praia para soterrarem grandes quantias de dinheiro. Os blocos de rocha custam o já pouco dinheiro de todos nós.

Defende-se a praia, cada vez mais magra. Defendem-se construções implantadas junto ao mar que nunca deviam ter sido construídas ali. Mas defende-se, sobretudo, um hotel edificado numa época tão recente e já com tantos problemas de erosão, que até causa impressão!

Mais uma vez eles aí estão. São sempre os mesmos e usam sempre a mesma metodologia.... Camiões, máquinas e pedras!

E para quê? Para defender a praia? Nem pensar! Quando o mar invernoso chegar, rapidamente levará a areia e deixará a descoberto tudo aquilo que agora se enterra.





Infelizmente, continuam a soar como oportunas, as palavras de Ricardo Afonso Marques, no seu "Ensaio sobre a apologia dos néscios", e que constam da nota de abertura do livro "A praia dos Tubarões":

“Estrategicamente afastados da frente da batalha, mas orgulhosamente sós com seus camuflados vestidos, os mercenários generais ora estudam e confrontam planos, ora confrontam e estudam estratégias.
Passam-se os dias, gastam-se os anos. E a guerra, essa guerra que afinal é sempre igual, parece não ter mais fim .
Fechados nos seus aquartelamentos, não vêem a luz. Por tal facto, não a podem reflectir no seu agir, comportando-se como verdadeiros cegos ! ”