sábado, 21 de março de 2015

Dia Mundial da Floresta e Dia Mundial da Água


Hoje comemora-se o Dia Mundial da Floresta e amanhã o Dia Mundial da Água.

Uma Floresta, não corresponde a uma monocultura. Um pinhal ou um eucaliptal, só por confusão ou ignorância cabem naquela categoria. Na verdade, a floresta é formada por uma diversidade de espécies e nichos ecológicos tão diversificados, que conferem ao território onde está inserida uma enorme riqueza natural. 






Promover a plantação de outras espécies autóctones na "aridez" das monoculturas deveria ser uma opção estratégica dos responsáveis ambientais autárquicos, nomeadamente dos ovarenses. 




Mas essa gente não está nesses cargos para realizar esse esforço e por esse facto, as matas em Ovar, além de irem perdendo progressivamente superfície, pela ocupação contínua do espaço dito florestal, são extremamente pobres em recursos naturais!


Não há floresta, nem bosques sem água ..... mas também os cursos de água necessitam da presença de vegetação adequada nas suas margens. Os ditos bosques ripícolas. É precisamente esta relação de interdependência que invariavelmente é descuidada ou esquecida na minha terra, Ovar!

Veja-se o que acontece no "riquíssimo" (em pedra) Parque Urbano de Ovar! A paixão pelo "romantismo jardineiro" tem sido sinónimo da eliminação da vegetação ripícola das margens do Cáster.





Estes dias mundiais, se não servirem para outra coisa em Ovar, servirão, pelo menos, para colocar a seguinte questão. Para quando a reciclagem dos "técnicos e responsáveis" ambientais da autarquia? Umas formações em Ecologia Urbana acentava-lhes como uma luva.....

terça-feira, 3 de março de 2015

Dia Internacional da Vida Selvagem

Nem só de cães e gatos atropelados se enchem as nossas estradas. 

São muitos os animais selvagens (mamíferos, aves, répteis,....) que frequentemente são vítimas do excesso de velocidade em vias florestais ou campestres.

Geneta (Genetta genetta)  atropelada


É importante a minimização deste impacte humano sobre as populações animais selvagens, pois estas, desempenham funções reguladoras dentro dos ecossistemas.


terça-feira, 6 de janeiro de 2015

2015 - Ano Internacional da Luz e do Solo


A luz
“Então disse Deus: «Haja luz». E houve luz.
Viu Deus que a luz era boa; e separou as trevas da luz.
E à luz chamou dia; às trevas noite”.

                                                              (Gn 1,3-5)





«Haja luz». E houve luz.

A luz, dizem os físicos tem uma natureza dual. É uma realidade simultaneamente material e não material. Algo que a ciência procura caracterizar com fórmulas e cálculos extremamente elaborados, com construções e desconstruções de pensamentos. Assunto que conduziu a trabalhos científicos de peso e a brilhantes prémios Nobéis. A luz terá sido a primeira manifestação de algo nunca visto por quem quer que seja, mas teoricamente construído pela mente ficcionaria de alguns sábios, ao tentarem conceber a formação do universo a partir da explosão de uma enorme quantidade de energia acumulada. O famoso Big Bang, previsivelmente ocorrido há 13.8 biliões de anos!

Para o vulgo, contudo, a luz serve para iluminar, permitindo ao homem ver e viver o seu dia-a-dia sem permanentes trambolhões; na sua ausência, a vida humana seria complicada de gerir.
Quer chegue à Terra directamente do nosso astro rei, quer chegue reflectida por uma lua bem cheia, a luz visível vinda do espaço exterior é um bem que pode ser usufruído livremente por todos.

Mas foram os ditos nobéis que facilitaram o aparecimento de outras fontes de luz não natural. Lâmpadas, lanternas, faróis, lasers, fibra óptica e demais tecnologia fotónica surgiram em ritmo acelerado durante o século passado. Muitas luzes foram surgindo, deste modo, na Terra. A luz passou a ser um bem produzido pelo homem. Um bem que hoje em dia se paga. Isso mesmo. A energia luminosa, de fenómeno natural, gratuito no passado, transformou-se num bem transacionável, que deu origem a múltiplas empresas por todo o planeta dedicadas à sua comercialização com movimentação de economias poderosas.

  

Viu Deus que a luz era boa

Sem luz não haveria vida. A produção básica das cadeias alimentares faz-se porque todos os dias o Sol descarrega sobre a Terra uma enorme quantidade de luz. Os cientistas chamam a este processo “fotossíntese”. Graças a ele podemos obter, batatas, cereais, legumes, frutos, pastos, árvores diversas e muitos outros produtos do solo.

É, assim, devido à luz natural do Sol que o homem e os outros animais obtêm alimento, isto é, conseguem sobreviver. Pensando que o Sol está na sua meia-idade teremos, à priori, condições de vida para muitas e muitas gerações mais.



E (Deus) separou as trevas da luz.

Mas de bem essencial que é, a luz também chega a ser encarada, cada vez com maior assiduidade, como um fenómeno incomodativo. Incómodo, porque excessiva em certos momentos e em certos espaços. De noite, a quantidade de luz emanada artificialmente das grandes metrópoles mundiais é enviada para o espaço, produzindo, imagine-se, poluição luminosa. Esta luz assim produzida de forma excessiva, bem paga por todos nós, é desperdiçada para o espaço, sem qualquer ganho para a humanidade e dificultando ou impedindo a natural manifestação das trevas. A poluição luminosa contribui, assim e entre outros, para o aquecimento da atmosfera mesmo durante a noite!



O solo

Disse Deus: «Reúnam-se num só lugar as águas que estão debaixo do céu e apareça o seco». E assim foi. Então Deus chamou ao seco terra e à reunião das águas chamou mares; e viu que estava bem feito.

Disse depois Deus: «Germine a terra vegetação, ervas que dêem sementes e árvores frutíferas que produzam fruto da sua espécie com a própria semente dentro de si, sobre a terra». E assim foi.

                                                                                                                                ( Gén.  1, 9-11)




«….e apareça o seco». …. Então Deus chamou ao seco terra.

O solo é uma estreitíssima faixa da crosta terrestre, de dimensões que oscilam entre alguns centímetros e uns quantos metros, cuja composição e qualidade dependem da actividade dos seres vivos que o utilizam. São estes seres vivos que, juntamente com as águas das chuvas, o granizo, as oscilações de temperatura, o vento e vários outros factores naturais, promovem o desgaste das rochas (rochas-mãe) originando o aparecimento das partículas de solo.

As aptidões do solo dependem da sua porosidade, que permite a adequada circulação da água e do ar e da sua composição química, fundamental para uma boa qualidade agrícola.





«Germine a terra vegetação, ervas que dêem sementes e árvores frutíferas que produzam fruto da sua espécie …».

Sendo um elemento decisivo para a realização dos grandes ciclos que suportam a vida na Terra, tais como os ciclos do carbono, do azoto, do ozono e da água, o solo funciona como uma interface entre a crosta terrestre e a atmosfera, permitindo as trocas permanentes de água e gases entre estes dois sistemas.

Por outro lado, os ciclos de vida dos seres vivos também dependem daquilo que os solos podem oferecer, nomeadamente habitats e alimento. Cerca de 99% da biomassa produzida em todo o mundo depende dos solos. Na verdade, o solo constitui um ciclo fechado de interdependências!




A luz e o solo

A luz, essa manifestação de energia diariamente emanada do Sol, que viaja pelo espaço à prodigiosa velocidade de 300 000 Km/seg, ao chegar à terra penetra nos solos assegurando os processos vitais necessários à produção da biomassa. É então que as plantas irão produzir o seu próprio alimento e bem desenvolvidas servirão de alimento aos seres que se encontram num patamar acima na cadeia alimentar. Eis, pois, a vitalidade da luz!

O arrastamento excessivo das partículas do solo, pela água e pelo vento (erosão) foi uma constante ao longo dos tempos geológicos, sendo essa perda de partículas compensada pelo aparecimento de outras partículas mais novas, resultantes do desgaste das rochas. Contudo, hoje em dia isto já não é assim, pois verifica-se um saldo negativo em termos de “stocks de solo”. Com a acentuada influência de certas actividades humanas (agricultura intensiva, monoculturas, uso de alfaias mecânicas, uso de adubos e de pesticidas químicos, urbanização e betonização crescentes, etc) promoveu-se uma maior desagregação dos solos (erosão), uma deficiente porosidade e uma maior salinização do mesmo, factores que contribuem para a perda acentuada de biodiversidade. Eis, pois, a fragilidade do solo!

Nesta relação entre luz e solo, pode-se considerar ainda, existir uma espécie de contrato obrigatório entre os dois. A luz dará ao solo a energia que ele precisa, se o mesmo conseguir controlar (equilibrar) a quantidade de gases, como o dióxido de carbono, existentes na atmosfera, de modo a permitir a passagem nas quantidades certas dessa mesma luz (energia). Os cientistas julgam saber que o solo tem armazenado mais carbono do que a atmosfera e todas as plantas juntas, o que só por si indica ser o solo um extraordinário sumidouro deste excesso de dióxido de carbono atmosférico que tantas dores de cabeça nos dá! Eis, pois, a importância desta união.

É por este conjunto de interdependências entre os solos e a luz que faz todo o sentido a Assembleia Geral das Nações Unidas ter proclamado 2015, simultaneamente Ano Internacional da Luz e Ano Internacional do Solo.


  (artigo publicado no n.º 49 da Revista Reis - Ovar 2015)


domingo, 16 de novembro de 2014

Dia Nacional do Mar


Que destino têm elas? 

       Que futuro pode ter o litoral sem elas? 

              Que responsabilidade existe na exploração dos recursos do mar?

                       Para que servem os estudos científicos em torno do mar?

                             Para que servem os organismos (muitos) responsáveis pelo mar e pela gestão dos recursos marinhos?


sábado, 8 de novembro de 2014

Muda a cor mas ficam algumas atitudes comuns...

Sábado à tarde, Parque Urbano de Ovar....uma máquina escavadora estende o seu comprido braço articulado iniciando  a derrocada de uma casa em ruínas....



perante o olhar de um grupo de curiosos, supunha eu.....



Não eram, de facto, curiosos de passagem pelo local, mas antes entidades públicas da cidade que se haviam deslocado até lá para, oficialmente assistirem ao evento....



E a máquina lá continuava, sem pressas, o seu trabalho de demolição...




Eis que passados uns 10 a 15 minutos, em pequenos grupos, os assistentes começam a debandar ..... 





A tarde estava chuvosa e fria .... e afinal era dia de sábado..... havia que informar o operador da máquina que por agora se daria por terminada esta operação teatral.....




E tal como manda o código naval, o mestre ou o capitão é sempre o último a abandonar o barco (neste caso o local) .....


Homens e máquina partiram  .... tal como antes, ficaram os escombros..... e agora?




Ficará, contudo, para a história local mais uma intervenção séria. Para que não se diga que em Ovar não há eventos de verdade. Aliás, estes registos confirmam-no....

Ansioso por momentos tão dignificantes, pergunto-me para quando um novo momento solene na minha terra?

sábado, 18 de outubro de 2014

O 4.º eixo da "nova energia" !

Há cerca de um ano surgiu em Ovar uma "Nova Energia". 




Tratava-se de um "programa de acção" que dizia pretender revitalizar o concelho em diferentes vertentes.... e gastar os dinheiros recebidos da Europa.



Uma das vertentes contemplada seria o Ambiente! E para isso existia o 4.º Eixo!




Como se verifica da leitura, além da intervenção tonta no curso do rio Cáster há outras prioridades. Entre estas encontra-se a defesa da costa.



Pôr-do-Sol sobre o calmo mar do Furadouro.

4.º eixo do Plano de Acção para o município de Ovar em marcha!
Sem legenda
O inverno está a chegar....como irá, então, o oceano lidar com a força desta "Nova Energia" ? 

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Denúncia para memora futura!

Há quatro anos o programa Biosfera esteve na Foz do Cáster, em Ovar, para registar as preocupações ambientais, que à data se manifestavam perante a eminência das intervenções do projecto POLIS - Ria de Aveiro, nesse mesmo local. 




No referido programa fizeram-se vários alertas sobre as consequências nefastas que poderiam resultar na biodiversidade local se o projecto não se revelasse sustentável.



Este ano, a 29 de Julho, o programa Biosfera voltou ao local para registar que o POLIS - Ria de Aveiro continuou, impunemente, a destruir os habitats da zona, promovendo a perturbação e o desequilíbrio dos mesmos.




A reportagem ficará para memória futura mostrando como "para se gastarem os fundos comunitários se leva a efeito qualquer idiotice, mesmo que para tal se destruam os recursos naturais locais". 




sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Continua a saga de atentados ambientais!

Não bastava o plano drástico do POLIS LITORAL - Ria de Aveiro (levado ao terreno com a conivência da Câmara Municipal de Ovar, apesar de atempadamente alertada para as consequências do mesmo!) de levar uma ciclovia até zonas ambientalmente sensíveis do ponto de vista ecológico!



Era necessário destruir ainda mais a natureza da zona envolvente. 





Tudo isto acontece apesar de no passado recente a natureza em Ovar ter demonstrado que destruir a vegetação ribeirinha significa perda da capacidade das bacias fluviais para reterem as águas em períodos de cheia. 
Estou a referir-me ao Parque Urbano de Ovar, uma zona lúdica plenamente justificada para a cidade mas infelizmente muito mal intervencionada.  


O Cáster, é agora uma vítima da ciclovia.....


Quem é afinal responsável por estes desbastes? O POLIS, a Câmara, particulares,...? Quem justifica que, a pretexto de limpar terrenos marginais ou podar árvores, seja possível destruir amieiros, choupos e demais vegetação ripícola?




         
     


Será que para construir uma ciclovia (que na verdade sempre lá existiu!!) é preciso tanta destruição?

É fundamental que a Câmara Municipal de Ovar, até pelos "pergaminhos ambientais" que lhe estão associados, justifique convenientemente porque não foi escolhida para a foz do Cáster uma intervenção ambientalmente sustentável. 



segunda-feira, 28 de julho de 2014

Dia Nacional da Conservação da Natureza

Rios....


A oxigenação de um rio é fundamental para a vida do mesmo
Floresta ...

A disponibilidade de recursos favorece as teias alimentares
Zona Húmidas ....


O microclima do caniçal transforma-o num habitat de eleição

Fauna ....


Peneireiro-cinzento (Elanus caeruleus): habitante das Zonas Húmidas

Flora ...



O estorno (Ammophila arenaria) ajuda na construção das dunas



Infestantes ....

É fundamental o controlo das infestantes, como a erva-das-pampas (Cortaderia selloana)




terça-feira, 1 de julho de 2014

Dia Mundial da Arquitectura


Podia ser uma imagem dum pós-guerra qualquer.....II Grande Guerra, Kosovo, Iraque, ........



Mas não! 

Tratam-se de escombros, em Ovar. 

O que resta das antigas e importantes oficinas ferroviárias localizadas na estação de caminhos-de-ferro desta localidade.








Uma estação ferroviária sem beleza! 

E como se não bastasse, uma estação ferroviária perigosa! 

A sua localização e arquitectura, adequada no tempo dos comboios a vapor mostra-se totalmente ineficiente nos tempos dos comboios de alta ou média velocidade.

A segunda plataforma, demasiada estreita, não oferece segurança aos seus utilizadores, sobretudo quando passam na segunda linha comboios sem paragem, a grande velocidade, criando efeito de sucção.






Por outro lado, a estação ao localizar-se a meio de uma perigosa curvatura, impede uma perfeita visualização da aproximação dos comboios, a grande velocidade, tanto de norte como especialmente de sul. 




A perigosa, desolada e esquecida estação de Ovar (comparada com outras estações e apeadeiros intervencionados!) sofre de um grave problema de arquitectura paisagista!

Parece deste modo razoável defender com urgência:

- a linearização da linha do norte na estação de Ovar (desde S. Miguel à Ponte Reada);

- a construção de plataforma(s) suficientemente larga(s), com bancos e pára-ventos;

- passagens aéreas ou subterrâneas para acesso à(s) plataforma(s).


Irá haver estaleca para levar a cabo tal ambição? A ver vamos.