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segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Turismo no concelho de Ovar


O turismo no concelho de Ovar poderá constituir-se como um factor de desenvolvimento local caso o mesmo seja entendido pela autarquia como uma prioridade na sua agenda política. Com excepção dos desfiles de Carnaval, porventura suficientemente conhecidos em Portugal e além-fronteiras, todas as outras iniciativas culturais (festivais de música, literários, de teatro, exposições, etc.) necessitam de uma bem maior divulgação nacional e internacional. Se o Turismo Cultural / Urbano é um vector a optimizar no concelho de Ovar, o Turismo de Natureza / Turismo Rural é um  vector a implementar, pois ainda nada se fez de significativo neste campo.

Turismo Natureza / Turismo Rural
Nesta vertente proponho um conjunto de ideias que podem conjugar o desporto de aventura com a fruição dos espaços naturais, desde que seja garantido o respeito pela natureza, evitando-se afectar as áreas de maior sensibilidade ambiental. Considero ser imprescindível criar Trilhos de Pequena Rota (PR) que abranjam as diferentes freguesias do concelho. Nesse sentido proponho a existência de 5 percursos:

·         PR1 Ovar/Furadouro/Maceda (mata)
·         PR2 Ovar/Sr.ª de Entráguas/ Puchadouro/ Moita/Marinha/Ribeira/Tijosa
·         PR3 S. João de Ovar / S. Vicente
·         PR4 Arada/Maceda Interior
·         PR4 Cortegaça / Esmoriz Litoral
·         PR5 Válega Interior

Como complemento deverá ser criado um Trilho de Grande Rota (GR) com abrangência inter-freguesias aproveitando sectores pertencentes aos 5 PR’s.

É ainda desejável que, finalmente, se proceda ao levantamento dos moinhos de água disseminados pelo concelho e que se recuperem os mesmos (ou os mais adequados), para servirem de Unidades de Alojamento Local inseridas em meio rural (Turismo Rural).

O Turismo Ambiental/de Natureza precisa de ecossistemas equilibrados pelo que é fundamental dar uma grande atenção à Ria de Ovar, à zona costeira e aos parques e jardins do concelho.

No que respeita à Ria, é fundamental a valorização ambiental da Foz do Cáster/ Moitas (Área que já devia estar Protegida há muito!) para observação da Vida Selvagem; deveria ser instalado nesta região (no Enxemil ou no cais da Ribeira de Ovar) o ‘Centro de Interpretação da Ria’, destinado à divulgação dos recursos naturais da Ria e dos projectos a ela associados.
Um pouco à semelhança dos PR’s deveriam ser criados passeios turísticos em embarcações típicas (moliceiros, mercantéis ou bateiras) entre os cais da Ribeira, Tijosa, Puchadouro e Carregal.

No que respeita à zona costeira também é importante a criação de dois ‘Centros de Interpretação do Litoral’ a funcionarem nas praias do Furadouro e de Esmoriz, destinados a divulgar os recursos naturais do nosso litoral, as ameaças que sobre ele pesam, bem como, as estratégias usadas na conservação deste ecossistema.

Deviam ser criadas visitas guiadas pelas margens da Ria de Ovar, mata de Maceda, Parque do Buçaquinho e praias do concelho para observação da fauna, da flora, da erosão e da protecção dunar implementada.

É importante a criação do ‘Circuito dos Parques e Jardins’ de Ovar (jardim Garret, dos Campos, de S. Miguel, ….. Parque Urbano, do Buçaquinho,…). Um circuito onde o visitante terá informações sobre a origem, objectivos, espécies vegetais presentes, etc.


Turismo Cultural

No que respeita ao Turismo Cultural, devem ser criados os “Festivais de Ovar” (cada um com uma semana de duração) assentes nas três componentes geográficas: ria, terra e mar.
Cada um destes festivais deveria ter na sua organização a participação de diferentes grupos folclóricos do concelho e cada um deveria englobar actividades específicas (repetidas em diferentes dias da semana) demonstrativas e relacionadas com cada um dos temas, tais como por exemplo:
1)           Festival da Ria (início do Verão): moliçada; pesca lagunar; folclore da beira-ria; barraquinhas do peixe, restaurantes aderentes com menús especiais (enguias), etc.
2)           Festival do Campo (Outono): desfolhada; folclore campestre; feirinha das hortas, circuito Dinisiano, restaurantes aderentes com menús especiais de frutas, carnes e hortícolas, etc.
3)           Festival do Mar (integrador das Festas do Mar de Ovar, Cortegaça e Esmoriz): saídas para o mar; funcionamento da lota; manutenção dos aparelhos de pesca, folclore marítimo, restaurantes aderentes com menús especiais de pescado, etc.

Ainda no que se refere a este tipo de turismo é necessário a criação de um ‘Circuito Dinisiano’, que englobe a casa-museu e locais associados à estadia e obra do autor.

No que respeita ao Turismo Arquitectónico Urbano, continua por concretizar a recuperação das fontes espalhadas pela cidade de Ovar.

Finalmente seria interessante criar um conjunto de pacotes turísticos (‘Pacotes OvarTur’) que englobassem diferentes produtos combinados, como por exemplo: Passeio de barco + Observação de Vida Selvagem + Circuito Dinisiano (ou outros alternativos).


(Este artigo foi publicado na Revista Reis, Janeiro 2019)

segunda-feira, 5 de junho de 2017

5 de Junho - Dia Mundial do Ambiente

Aproveitemos o dia para celebrar o fim (pelo menos para já!) dos últimos atentados ambientais cometidos na nossa terra. A aproximação do início da época balnear veio pôr termo a uma "operação negra" de pretensa despoluição da Barrinha de Esmoriz.


Durante várias semanas a água sobrecarregada de resíduos tóxicos, químicos e orgânicos, foi bombeada através de tubagens desde a lagoa até ao esporão frontal à praia e  despejada directamente no oceano! 

É vulgar ouvir dizer que o oceano, de tão imenso que é, tem capacidade para "diluir" tudo ou quase tudo .... Mas será mesmo verdade? Claro que não! Mas por cá, para os nossos especialistas em intervenções litorais, o assunto não se revela problemático .... e assim há que poluir à vontade de consciência limpinha. 

E é assim que mais uma vez assuntos como poluição deliberada e intervenções sensacionalistas pré-eleitorais, são colocadas todas no mesmo saco. Um saco obscuro.....em que ninguém é "chamado à pedra" por estes crimes ambientais cometidos .....

E daqui a uns quatro meses como continuará este folhetim? Prosseguirá este crime ambiental de livre poluição do oceano? Continuará viva a ideia de enterrar dinheiro no areal de Esmoriz com a construção da segunda via do emblemático dique fusível? 

Na passagem de mais um 5 de Junho ficam dois alertas. Não se esqueçam (entidades responsáveis) que:

- mesmo no Inverno o oceano e as nossas praias têm o direito a estarem limpas! Com os diabos ... o lixo da Barrinha pode não ser lixo nuclear mas o que é nuclear é que um estado comprometido com tantas directivas europeias saiba ter intervenções ambientais sustentáveis!

- especialmente durante o Inverno o oceano não tem contemplações com projectos que não têm em conta a dinâmica litoral própria deste sector litoral.


Bom trabalho!

sábado, 22 de abril de 2017

Dia Mundial da Terra


Anualmente celebra-se nesta data o Dia Mundial da Terra, como forma de promover a preservação do planeta e a sustentabilidade ambiental, sendo o tema escolhido para este ano a "Instrução Ambiental e Climática", com o objectivo de debater temas como:

- aumento da temperatura global da Terra
- extinção de espécies animais
- aumento do nível dos oceanos
- escassez de água potável
- maior número de catástrofes naturais (tempestades, ondas de calor, secas,...)

Pois ao nosso nível local continua a ser necessária muita literacia ambiental para que os dirigentes ovarenses ponham em prática as recomendações dos organismos internacionais, que obviamente desconhecem. 

Acções nada consistentes com a preservação ambiental, como aquela que está a decorrer na Barrinha de Esmoriz, uma dúzia de anos após uma vergonhosa e similar intervenção, denotam mais uma vez total desprezo e irresponsabilidade pelos mais elementares princípios da conservação dos frágeis ecossistemas costeiros.








Recordemos as lições do passado de modo a evitar a repetição de erros no presente e deste modo salvaguardarmos, no futuro, não mais um postal ilustrado da vaidade política caseira mas antes o ecossistema costeiro conhecido por uns como Barrinha de Esmoriz e por outros como Lagoa de Paramos, mas indiscutivelmente uma importante Zona Húmida de Portugal.

sexta-feira, 3 de março de 2017

A propósito do Dia Mundial da Vida Selvagem


A 3 de Março comemora-se o Dia Mundial da Vida Selvagem, proclamado pela Organização das Nações Unidas, em 2013. Este foi o dia em que foi assinada a Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Fauna e da Flora Selvagem Ameaçadas de Extinção (CITES).

Vida Selvagem pressupõe, antes de mais, assegurar a continuidade de ecossistemas naturais ou semi-naturais, como sejam as lagoas costeiras, importantíssimas na fixação de populações de mamíferos, répteis, anfíbios e sobretudo, pelos elevados números, aves. Este último grupo animal encontra nas lagoas costeiras, nomeadamente naquelas que se localizam sobre a faixa litoral, importantes locais de passagem, descanso, abrigo, nidificação e alimentação.


Foi assim durante muitos anos na Barrinha de Esmoriz .... mas, a curto prazo, a situação poderá mudar drasticamente caso a autarquia não consiga promover juntamente com a POLIS o equilíbrio entre a componente lúdico-turística e a componente da vida selvagem.


A este propósito e como curiosidade, a Câmara de Ovar eleita nas eleições desse 2013 em que foi assinada a convenção atrás referida, na pessoa do seu presidente, teve uma reunião técnica específica para a abordagem do tema da valorização dos espaços naturais do concelho e nomeadamente da Barrinha de Esmoriz. Tendo ficado de avaliar as propostas então apresentadas ...... até hoje ....  aguardemos pelos resultados!


domingo, 24 de maio de 2015

Dia Europeu dos Parques Naturais

Ria de Ovar
Hoje celebra-se um dia dedicado a todos aqueles espaços naturais, que pela sua importância mereceram a atenção das entidades responsáveis e foram catalogados de Parques Naturais. 

Nestes espaços fomenta-se a aproximação das populações à natureza (sempre de uma forma sustentável!) aumentando nelas a consciencialização para o valor dos recursos naturais aí existentes e para a correcta forma da sua exploração.


No concelho de Ovar, vai para algumas décadas, que algumas zonas poderiam estar classificadas como áreas protegidas.....a zona lagunar da foz do Cáster.....a Barrinha de Esmoriz..... 
Barrinha de Esmoriz


Infelizmente, nunca houve estatuto autárquico capaz de tais feitos....

.....houve apenas iniciativas ambientais folclóricas....  

.....e a natureza no concelho muito tem perdido!


sábado, 16 de novembro de 2013

Dia Nacional do Mar

Hoje assinala-se em Portugal o Dia do Mar.





Mar .... de águas nem sempre limpas.




Mar .... com areais transformados em lixeiras.




Mar .... com dunas esmagadas pelo avanço da erosão.




Mar .... com muralhas de pedra em vez de areia.




Mar .... do Torrão do Lameiro .... do Furadouro .... de Maceda .... de Cortegaça.... de Esmoriz.............Este é o mar de OVAR.





sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Sem um rumo, apenas com uma política de remendos.

Sem dúvida que nas últimas duas décadas, a cidade de Ovar, enquanto sede de concelho, estagnou no tempo. Direi mesmo, que retrocedeu (se a compararmos com a evolução experimentada por outras cidades vizinhas de semelhante grandeza). Esta estagnação/retrocesso aconteceu em termos sociais, patrimoniais, culturais e ambientais. 

Uma Câmara frouxa, sem vocação para a "causa pública" e apenas vocacionada para o "folclore político" não soube ter um plano estratégico para o desenvolvimento real do território, com especial incidência para a cidade de Ovar. Essa falta de garra, essa falta de amor à terra e essa grande incompetência autárquica reflectiu-se também no plano ambiental.

Neste plano destacam-se como campos de total insucesso, apesar de prioritários no ordenamento do território ovarense, a defesa da costa, a recuperação e valorização da Ria e a recuperação da Barrinha de Esmoriz.

Relativamente à defesa da costa, a Câmara de Ovar escolheu sempre como divisa, minimizar a gravidade da situação, imputando aos outros (governo central) a resolução dos problemas. Não percebeu, a autarquia, que lhe competia, como primeira entidade interessada,  impedir todas as novas intervenções nas frentes urbanas litorais, assim como, delinear e bater-se por uma estratégia de intervenção séria nas praias do concelho. A política de defesa da costa não foi fraca; simplesmente não existiu.

Quanto às intervenções na região lagunar ovarense, a autarquia estava disposta, à sombra de um projecto denominado POLIS Ria de Aveiro, do qual fazia parte integrante, contribuir para a destruição da biodiversidade, ao aceitar propostas delapidantes, produzidas certamente por quem desconhecia o ecossistema da Ria de Ovar e a região a intervencionar. Ao invés de garantir a protecção das moitas de Ovar e da região da foz do Cáster (projecto com parecer positivo da parte do Instituto de Conservação da Natureza, há cerca de duas décadas) a Câmara de Ovar acha mais importante construir pistas cicláveis e torres de observação em locais sensíveis e por conseguinte inapropriados!

Este manifesto desinteresse pela valorização dos recursos naturais ocorreu de igual modo com a Barrinha de Esmoriz. Esta lagoa, sempre esquecida pela Câmara de Ovar, recebeu em tempos recentes, graças aos esforços continuados de alguns ambientalistas (Associação Palheiro Amarelo e Parque Biológico de Gaia), um grande contributo para a minimização dos caudais poluentes que até ela chegavam, ao ser abrangida pelo sistema da SIMRIA.

Por último, merece igualmente destaque, não pela urgência da intervenção mas pela vaidade de que a mesma se revestiu, o projecto despesista denominado Parque Urbano da Cidade. Despesista, porque outros municipios das redondezas souberam fazer os seus parques urbanos com custos incomparavelmente mais baixos, melhorando e valorizando os espaços arborizados já existentes sem sentirem necessidade de proceder a destruições arbóreas. 
O Parque Urbano de Ovar nasceu de uma enorme agressão ambiental, associada à data do início do derrube arbustivo. O parque continuou a evoluir com a insensata destruição da galeria ripícola (hoje e depois de muitas linhas ter escrito sobre esse atentado,  apercebo-me de que valeu a pena, pois observa-se o crescimento dos arbustos junto do leito do rio...). Era escusada esta grande asneira ambiental se o projecto estivesse bem feito de raíz! 

Por fim e para quem vier a seguir fica a lembrança: as preocupações ambientais do concelho não se podem esgotar nas medidas valorizantes da qualidade de vida dos cidadãos, como sejam as vias cicláveis, os merendeiros florestais e os parques "românticos"; as preocupações ambientais têm que incidir também na recuperação dos habitats naturais e seus recursos selvagens. 

terça-feira, 5 de junho de 2012

Dia Mundial do Ambiente


Ao assinalarmos hoje o Dia Mundial do Ambiente é importante realçar que, falar de "Ambiente" é falar, fundamentalmente, de "ecossistemas" vulneráveis ou ameaçados. 

A conservação da vida animal, incluindo a do homem, e da vida vegetal, deve ser afinal o objectivo primeiro da Humanidade.

Preservar o Ambiente passa por não esquecer as incorrectas intervenções do passado e do presente ..... 


Destruição de ninhos 


Acumulação de lixo na praia

Destruição de galerias ripícolas


Preservar o ambiente é, fundamentalmente, assumir posições sustentáveis no futuro! 


Libertação de ave de rapina recuperada em cativeiro

Só assim se justifica comemorar anualmente o 5 de Junho, como o Dia do Ambiente.

domingo, 28 de dezembro de 2008

Seja bem-vindo o Decreto-Lei n.º 142/2008! (II parte)


Tal como referido na primeira parte deste artigo, um dos dois documentos entregues na Câmara Municipal de Ovar no passado dia dezanove de Novembro, consistia numa versão provisória da constituição da Reserva Natural da Barrinha de Esmoriz, proposta pelo Núcleo Português de Estudo e Protecção da Vida Selvagem (NPEPVS) e subscrita pela associação ambientalista de Esmoriz Palheiro Amarelo.
A Barrinha de Esmoriz (ou Lagoa de Paramos, para os espinhenses) constitui uma lagoa costeira cuja superfície, com 396 ha, está dividida entre os concelhos de Ovar e Espinho. Este acidente geográfico, incluído na Reserva Ecológica Nacional, integra a Lista de Sítios da Rede Natura 2000 e é considerado uma Área Importante para as Aves (IBA). Tais estatutos advêm do facto de na Barrinha existir uma grande diversidade de espécies florísticas (80 espécies identificadas) e uma não menos importante ocorrência de aves selvagens (mais de 270 espécies), algumas com estatutos de grande vulnerabilidade e por conseguinte de conservação prioritária, nos termos da Directiva comunitária 79/409/CEE (conhecida como Directiva das Aves).
Rodeada a norte pelo aeródromo de Paramos, a nascente e a sul por uma ténue cortina arbórea e arbustiva que a separam das habitações muito próximas e a poente pelo cordão dunar muito degradado, a Barrinha é envolvida por uma significativa mancha de caniçal, imprescindível como local de abrigo e de reprodução para as aves selvagens.
Dada a sua localização, esta Zona Húmida do norte de Portugal, representa uma etapa fundamental na migração dos passeriformes e das aves aquáticas. Entre as espécies de aves aqui observadas e dignas de registo especial destacam-se a águia-sapeira (Circus aeruginosus), com um status de grande vulnerabilidade e o flamingo-rosado (Phoenicopterus roseus), espécie observada uma única vez no local. Contudo, são os anatídeos e os ardeídeos que predominam neste espaço litoral, com a zona dunar a ser aproveitada para a nidificação do Borrelho-de-coleira-interrompida (Charadrius alexandrinus). Entre as espécies da flora da Barrinha destaca-se o endemismo Jasione lusitanica.
Têm sido diversos os factores que têm ameaçado esta lagoa costeira. A implantação de urbanizações e de um campo de golfe muito próximos da lagoa, a perturbação produzida pela passagem de aeronaves sobre a Barrinha (com o recente aumento da extensão da pista), o excessivo pisoteio das dunas e a poluição das suas águas, provocada pelos efluentes industriais e domésticos que chegam pela Ribeira de Rio Maior e pela Vala de Maceda que nela desaguam (esta poluição chega também de fontes distantes, como as que estão localizadas no concelho de Santa Maria da Feira) têm sido as principais ameaças à conservação deste espaço natural.
A Barrinha de Esmoriz constitui, assim, um pequeno mas importante ecossistema natural, cujo potencial só poderá ser maximizado se for respeitada a sua dinâmica natural, evitando-se intervenções desajustadas no meio ambiente, sobretudo durante a época de nidificação. Este ecossistema é considerado, também, de conservação prioritária pela Directiva Comunitária 92/43/CEE (conhecida como Directiva Habitats, a qual foi transposta para o Direito português pelo D.L. nº 140/99, de 24 de Abril).
Para salvaguardar a fauna, a flora e a paisagem desta Zona Húmida o Núcleo Português de Estudo e Protecção da Vida Selvagem, na década de 70 e a Quercus, na década de 90, avançaram com ante-projectos de criação de uma Reserva Natural, os quais nunca tiveram concretização legal. Acontece que, em 24 de Julho do corrente ano foi publicado o Decreto-lei nº 142/2008, que estabelece o regime jurídico da conservação da natureza e da biodiversidade, abrindo a possibilidade dos Executivos Municipais proporem a criação das suas áreas protegidas.
Pois é isso que agora o Núcleo Português de Estudo e Protecção da Vida Selvagem (NPEPVS) em conjunto com a associação esmorizense Palheiro Amarelo pretendem, ou seja, dotar esta Zona Húmida com um estatuto de protecção da natureza, no quadro do referido regime jurídico da conservação da natureza e da biodiversidade (Decreto-lei n.º 142/2008, de 24 de Julho) e integrá-la na Rede Nacional de Áreas Protegidas.


(Artigo publicado no Jornal de Ovar de 24/12/08)

domingo, 23 de novembro de 2008

Paisagem Protegida da Foz do Cáster e Reserva Natural da Barrinha de Esmoriz

No passado dia 19 de Novembro foram entregues na Câmara Municipal de Ovar duas versões provisórias elaboradas pelo autor para constituição de áreas protegidas no concelho, a serem geridas pela autarquia no âmbito do Decreto-Lei n.º 142/2008.




Um dos documentos referia-se a um velho projecto de classificar na foz do Cáster uma Paisagem Protegida, que permitiria a salvarguarda, entre outros valores, das espécies selvagens aí ocorrentes.





O outro documento consiste numa proposta de classificação de Reserva Natural da Barrinha de Esmoriz, com o objectivo de recuperação, valorização e conservação daquela lagoa costeira, única no contexto da região norte do país.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Palheiro Amarelo e Parque Biológico de Gaia juntos na valorização ambiental da Barrinha de Esmoriz.

Numa acção inédita no concelho de Ovar a associação ambientalista da praia de Esmoriz Palheiro Amarelo em parceria com o Parque Biológico de Gaia (uma referência mundial na gestão de espaços verdes inseridos em grandes zonas urbanas e desde há décadas perfeito conhecedor deste ecossistema abandonado que é a Barrinha de Esmoriz) levou a cabo no pasado dia 30 de Julho uma acção de libertação de três aves selvagens (dois milhafres-pretos e uma coruja-das-torres), que após terem sido capturadas feridas e recuperadas nas instalações daquele organismo municipal de Vila Nova de Gaia foram libertadas em plena Barrinha.

Com uma assistência diversificada tanto no que respeita à idade como à experiência dos presentes nestas lides, valeu esta acção não só pela valorização dos recursos faunísticos de um ecossistema ameaçado como é a Barrinha de Esmoriz, mas também pela mensagem pedagógica que o Palheiro Amarelo tem sempre como prioridade privilegiada para com os seus eco-alunos.


Finalmente deve ser louvado todo o esforço de um conjunto variado de pessoas (algumas de fora do concelho) em ultrapassarem todos os obstáculos e desinteresse demonstrados pelas Câmaras de Ovar e Espinho ao longo das últimas três décadas na recuperação ambiental da Barrinha, continuando as primeiras a acreditarem na revitalização daquele ecossistema lagunar, reconhecido com o estatuto de 'Área Importante para as Aves'.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Reportagem sobre a Barrinha de Esmoriz

A reportagem televisiva realizada sobre a Barrinha de Esmoriz - uma das zonas naturais propostas para serem protegidas no âmbito da Área Metropolitana do Porto - também já pode ser vista, bastando clicar aqui.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Barrinha de Esmoriz na RTP

Mais uma vez a Barrinha de Esmoriz foi motivo de reportagem televisiva!

Esta lagoa costeira é considerada por todos os que a visitam como uma Zona Húmida de elevado potencial biológico, mas que infelizmente ao longo dos anos foi sendo irracionalmente desprezada pelas administrações local e regional.

Apesar dos esforços que há mais de trinta anos foram iniciados pelo Núcleo Português de Estudo e Protecção da Vida Selvagem (NPEPVS) para a transformação da lagoa em Reserva Natural, a verdade é que tal projecto nunca chegou a ser concretizado dado as duas autarquias (de Ovar e de Espinho) a que pertence a Barrinha terem andado de costas viradas e nunca terem conseguido assumir uma gestão eficiente da mesma.

Na actualidade, a Barrinha de Esmoriz é considerada uma das zonas a incluir numa lista de sítios a proteger dentro da Área Metropolitana do Porto e simultâneamente acarinhada e valorizada por ambientalistas de todo o país e de modo especial por aqueles que pertencem à associação ambientalista local "Palheiro Amarelo".

Não te esqueças! No próximo dia 9 de Julho (Quarta-feira) pelas 19h05 liga-te à RTP2 ou em alternativa dia 10 de Julho (Quinta-feira) na RTPN pelas 13h00*. O programa BIOSFERA irá para o ar com a Barrinha em lugar de destaque.


* O programa também é transmitido na RTP Internacional no dia 11 de Julho à 1h30m e na RTP África no dia 13 de Julho às 4h15m





domingo, 15 de junho de 2008

Avivando a memória para que...NUNCA MAIS! (2)

NUNCA MAIS ! Foi um grito de revolta, um desejo ardente de mudança, uma certeza de propósitos, um estado de alma doloroso, uma forma de expurgar o inconformismo perante tanta insensatez.Foi lançado na Galiza aquando do naufrágio do superpetroleiro Prestige mas chegou rápido a Portugal.No nosso cantinho, em que as muitas palavras de promessas são levadas rapidamente pelo vento e a qualidade ambiental do concelho tem cada vez menos Prestige, convém NUNCA MAIS esquecer as lições do passado recente.




(artigo publicado no Jornal de Ovar, a 07/04/05)
Gestão Controlada da Barrinha de Esmoriz –projecto falhado ou adiado?

Há três meses atrás e neste mesmo espaço escrevi algumas linhas sobre a Barrinha de Esmoriz porque a mesma me parecia desprotegida face ao que por lá se fez, ao que não se fez e ao desconhecimento do que se perspectiva fazer. Decorrido este período de tempo, sem tormentas e sem chuvas de significado, a Barrinha parece continuar serenamente abandonada.
Na verdade e caso o Inverno tivesse sido diferente como muitos outros, com temporais e frequentes ataques do mar sobre a costa, a Barrinha provavelmente teria continuado abandonada mas nunca de uma forma tão serena. As águas oceânicas teriam galgado com facilidade a estreita praia, penetrado pelo canal que liga a lagoa ao mar e destruído tudo aquilo que lá foi instalado.
Também na verdade e caso o estado do tempo durante este último Inverno tivesse sido diferente, com fortes chuvas como é típico nesta época do ano, à Barrinha teriam chegado sem qualquer controlo as torrentes dos cursos de água que nela desaguam, provocando um aumento dos níveis da lagoa e obrigando ao escoamento directo, também ele sem qualquer controlo, para o mar.
Mas tais cenários não aconteceram e a Barrinha tem gozado deste estado de graça. O cheiro nauseabundo que emana das águas da Barrinha revela claramente a grande quantidade de detritos ali acumulados e que esperam, assim, a primeira oportunidade de virem parar ao mar sem qualquer tipo de tratamento aumentando a carga bacteriológica das águas e areais ovarenses.
Olhando hoje a obra feita no local não se consegue perceber como a mesma poderá dar resposta aos objectivos outrora anunciados. Dado não ter havido alguém com sentido de dever que informasse e esclarecesse dúvidas entretanto surgidas, resta assim, com a vontade de quem quer ser esclarecido tentar descortinar, qual puzzle a montar, o que significam cada uma das “peças” do jogo.
O dique fusível fundiu jazendo na areia o que dele resta. Então, poder-se-á desde logo perguntar, como se podem controlar neste momento as águas da Barrinha? É que, de facto, parece ter havido a preocupação de definir um nível de água dentro da laguna, provavelmente um “nível crítico” para as operações de controlo. Mas não havendo dique será difícil para não dizer impossível garantir esse nível crítico. As próprias tampas das condutas de descarga, umas abertas outras fechadas, parecem à primeira vista não servirem para coisa alguma.
Enfim, não se entendem que mudanças positivas por lá ocorreram desde que foram investidos 150 000 dos 340 000 euros destinados a esta obra de “Gestão (des)Controlada”. Apenas se constata que a Barrinha está transformada naquilo que sempre foi, desde que as autarquias de Ovar, Espinho e Feira decidiram esquecer o valor patrimonial da zona: um charco receptor de águas poluídas.
Um outro aspecto já denunciado em anterior escrito prende-se com o empobrecimento da Barrinha sob o ponto de vista dos seus recursos naturais, nomeadamente como ecossistema importante para as aves. Num curto trajecto efectuado ao longo de uma das suas margens apenas se registaram alguns patos-reais a descansar ao abrigo da vegetação, dois milhafres-negros voando sobre a zona e alguns rouxinóis-dos-caniços e pequenas limícolas que não se vendo deixavam-se, contudo, ouvir. Pese embora ter-se tratado de uma fugaz visita, muito pouco foi registado para aquilo que este espaço poderia oferecer.
Assim sendo termina-se esta abordagem ao status da Barrinha de Esmoriz salientando a dupla consternação, de que além da inexistência de uma gestão controlada das águas da Barrinha também não se vislumbram medidas para a recuperação do património natural da mesma. É por todas estas razões que se coloca com pertinência a questão: será que o projecto em causa, a quem alguém chamou de “primeira geração”, terá sucumbido ou estará apenas adiado? Muito sinceramente e a bem da Barrinha gostava que ambas as questões tivessem resposta negativa e que a resolução dos problemas da Barrinha não transitassem para as próximas gerações.

domingo, 1 de junho de 2008

Avivando a memória para que...NUNCA MAIS! (1)

NUNCA MAIS !
Foi um grito de revolta, um desejo ardente de mudança, uma certeza de propósitos, um estado de alma doloroso, uma forma de expurgar o inconformismo perante tanta insensatez.
Foi lançado na Galiza aquando do naufrágio do superpetroleiro Prestige mas chegou rápido a Portugal.
No nosso cantinho, em que as muitas palavras de promessas são levadas rapidamente pelo vento e a qualidade ambiental do concelho tem cada vez menos Prestige, convém NUNCA MAIS esquecer as lições do passado recente.



(artigo publicado no Jornal de Ovar, em 06/01/05)
Barrinha de Esmoriz: Brincando aos castelinhos de areia

As notícias que vieram a lume com regularidade durante o Verão do ano findo sobre a poluição manifestada na Barrinha de Esmoriz e praias a sul da mesma colocavam desde logo uma pertinente questão: quem seria o responsável ou responsáveis por esta falta de civismo para com toda uma região e utentes balneares da mesma? Quem seria o criminoso ou criminosos a quem não incomodava de todo o tão apregoado princípio do ‘poluidor-pagador’? Estou convencido, contudo, que todos nós mais do que conhecer a identidade de tais prevaricadores gostaríamos era que os mesmos fossem sancionados de forma convincente para que se pusesse um fim a todo este estado de terrorismo ambiental que graça na nossa região. É claro que tal não parece ter acontecido a olhar pelas acusações e desculpas que foram sendo emitidas e que não permitiram ajuizar de forma séria e imparcial sobre os verdadeiros responsáveis destas sucessivas tragédias. Uma certeza pelo menos ficou. A de que os responsáveis pela poluição da Barrinha de Esmoriz continuam a monte pois nada nem ninguém os deteve nem tão pouco se encontram impedidos de voltar a prevaricar!
Uma segunda questão, não menos importante, que se colocava passados alguns meses após o início das obras na Barrinha de Esmoriz prendia-se com as expectativas gerais da população do concelho sobre o que iria acontecer de tão importante nesta lagoa capaz de devolver à mesma uma melhor qualidade ambiental e terminar decisivamente com atentados como os que têm brindado pela negativa o concelho de Ovar vai para uma imensidão de tempo. Na verdade, nunca foi perceptível para a generalidade do público leigo (como eu) em tais matérias descortinar que princípios, métodos e objectivos de engenharia costeira e de planeamento teriam sido traçados para fazer a gestão das águas da barrinha, bem como, para a recuperação da sua fauna e do ecossistema em geral (porque me parece ser disso que se irá também tratar no futuro, ou será que não?). E também é verdade que se manteve sempre a expectativa de que alguém responsável viesse demonstrar perante a curiosidade geral não terem sido estas obras delineadas em cima do joelho entre as pressas dos calendários políticos. Dito de um outro modo, teria sido oportuno que para além daqueles poucos momentos em que soou a verborreia política de circunstância, generalista e por conseguinte sempre vaga, teria sido importante desde o início do processo uma comunicação séria (minimamente técnica) e objectiva à população, nomeadamente através dos media locais para que esta ficasse de uma vez por todas convencida de que o futuro da Barrinha não passaria nunca mais pelas vontades de ‘marginais a monte’ mas antes pela capacidade e engenho de quem poderia gerir um projecto desta envergadura. Tal não aconteceu e a incerteza permaneceu no espírito de toda a gente!
Um terceiro aspecto, decorrente do anterior, teve a ver com o términus das obras (ditas de primeira fase) na Barrinha. Todo aquele reboliço de areias tiradas dali e postas acolá, para formarem o emblemático ‘dique fusível’ não inspiravam qualquer segurança nem perspectivas de futuro a quem por lá passasse conhecendo minimamente as condições de agitação marítima da nossa costa. Era pois esperado que o mar pudesse fazer ruir a qualquer momento tais estruturas, o que infelizmente não demorou a tornar-se uma realidade.
Em face destes acontecimentos e da necessidade urgente de defender a Barrinha e zona litoral adjacente é importante uma reflexão sobre o assunto. Primeiro ponto. Ao contrário dos meninos que brincam na beira do mar gozando sempre que a água chega e leva seus castelinhos de areia permitindo-lhes acorrerem a levantar outros no lugar dos anteriores, sem outros custos que não umas quantas pazadas de areia, a gestão de uma intervenção como a que se pretendia para a Barrinha não deveria ter passado pela construção de ‘castelos de areia’, porque os custos destas brincadeiras são grandes e somos todos nós a pagá-los, de uma maneira ou de outra! Segundo ponto. Todos nós que nos preocupamos com esta “nau” chamada Barrinha de Esmoriz acabamos por demonstrar determinadas posturas para com a mesma. Seria importante, a bem da Barrinha, que cada um com honestidade reflectisse sobre o seu papel para com esta “nau”. Estaremos nós, como meros espectadores na margem a vê-la passar, seremos timoneiros capazes ou simplesmente nela apanhamos uma boleia para irmos à outra banda? É que independentemente dos que permanecem especados na margem (e que por lá poderão continuar) ou dos inveterados das boleias (que hoje andam de barco porque ainda não podem andar de avião), esta “nau” para não meter mais água (poluída) precisa é mesmo de quem a saiba levar a bom porto!

quarta-feira, 18 de julho de 2007

Casos do Magreb: a verdadeira história de uma Bandeira Azul !


Na madrugada do passado dia 14 de Julho, sábado, mais uma vez e como que a cumprir uma fatal tradição por esta altura do ano, as águas da Barrinha de Esmoriz romperam com o frágil dique de areia que as sustém arrastando consigo um turbilhão de poluentes químicos e biológicos que conspurcaram a água do mar, a areia da praia e o ar que por aquelas bandas se respira.
Após este incidente procedeu-se de imediato ao hastear da bandeira vermelha na praia de Esmoriz, como forma de impedir os incautos banhistas de mergulharem na fossa em que entretanto se havia transformado o mar. No entanto e por incrível que pareça, a Câmara Municipal de Ovar não teve a sensatez (que seria de esperar) de ordenar a retirada imediata da Bandeira Azul, enganando deste modo todos os utilizadores daquela praia.

Nesse mesmo dia de sábado e face ao dramatismo da situação que se estava a viver em Esmoriz, foram efectuadas pela associação ambientalista “Palheiro Amarelo” várias chamadas telefónicas para os números disponibilizados pelas entidades governamentais envolvidas na gestão da Bandeira Azul (Câmara Municipal de Ovar e Associação da Bandeira Azul), tendo as mesmas mostrado-se infrutíferas, já que do outro lado da linha nunca ouve ninguém para atender o telefone.
Provavelmente, será natural ser assim em Portugal: não haver ninguém disponível durante o fim-de-semana para tratar de questões urgentes como estas; restou, então, aguardar por segunda-feira, apesar da Barrinha não ter parado de lançar os efluentes para o oceano durante todo o fim-de-semana! Por este facto, no Domingo, o Jornal de Notícias abordava já este desastre ambiental no concelho de Ovar.
Segunda-feira, dia 16. A RTP fazia também notícia do acontecimento. Apesar do grave atentado ambiental que decorria em Esmoriz, parecia que para a Câmara Municipal de Ovar a grande preocupação era que a Bandeira Azul, sinónimo de praia com qualidade, continuasse hasteada. Pois não é que a mesma lá continuava desfraldada ao vento no cimo do mastro! É caso para questionar: será que estes autarcas seriam capazes de se banharem no mar de Esmoriz no meio de tanta imundície? Ou de deixar os seus filhos brincarem no areal contaminado da beira-mar? Sinceramente, acho que não! E pergunto-me, porquê então, um “não” para os senhores da Câmara e um “sim” para os demais veraneantes?
Entretanto e novamente por diligências da associação ambientalista “Palheiro Amarelo” ocorrem uma série de contactos telefónicos entre a referida associação e a Associação da Bandeira Azul, quer a dinamarquesa, quer a portuguesa e entre esta última e a Câmara Municipal de Ovar, no sentido da autarquia proceder ao arriar da dita bandeira, pondo fim a uma reincidência de más práticas que têm servido apenas para descredibilizar o significado daquele galardão. A Bandeira Azul acabaria por ser retirada somente na tarde de terça-feira, dia 17, tendo sido necessário deslocar-se ao local uma autoridade marítima proveniente da Capitania do Porto do Douro.
Terça, dia 24. Durante a tarde, a Barrinha, que entretanto havia sido fechada, volta de novo a abrir continuando a poluir as praias do concelho.
Quarta, dia 25. Numa tentativa camuflada, a capitania (solicitada, sabe-se lá por quem!) volta a Esmoriz para proceder à entrega da Bandeira Azul, num momento em que a Barrinha ainda se encontrava a deitar para o mar. Imagine-se!!! A entidade marítima disposta a hastear a Bandeira Azul, quando na praia se encontrava afixado o seguinte edital: última colheita de água do mar realizada a 18/07 e respectivos resultados das análises com data de 20/07!!! Verdadeiramente inacreditável !!!
Quinta, dia 26. É o veredicto final. A presidente nacional da Associação da Bandeira Azul, finalmente cônscia da anarquia que em Ovar se vive, ordena que a Bandeira Azul não seja mais hasteada em Esmoriz até que se encontre uma solução para a Barrinha.

Aquela postura irreflectida demonstrada por parte da Câmara Municipal de Ovar acontece porque estamos em Portugal, onde o ambiente só é tido em consideração para efeitos de marketing eleitoralista. Porque estamos num país que, cada vez mais, reúne características terceiro-mundistas. Num país onde é possível a certos autarcas secundarizarem a saúde pública face à ambição cega por um galardão indevido, como seja a Bandeira Azul, mesmo que  hasteada numa praia poluída. Num país onde pululam autarcas, sem dúvida, habilitadíssimos para promoverem qualidade ambiental em favelas da América do Sul ou nalgum território do Magreb, mas sem capacidade para produzirem ganhos ambientais num concelho da Europa.

A terminar e perante atitudes como as que se viveram em Esmoriz saliento dois pontos relevantes.
Por um lado, o importante papel dos cidadãos (isolados ou em associações) na denúncia e correcção de situações ambientalmente insustentáveis, de que a celebração da festa da Bandeira Negra levada a cabo pelo Palheiro Amarelo pelo terceiro ano consecutivo é disso testemunho.
Por outro lado, a obrigação dos autarcas envolvidos nesta palhaçada assumirem as suas responsabilidades políticas por este atentado à saúde pública do concelho!

(Artigo publicado a 02.08.07 no Jornal de Ovar)

sexta-feira, 1 de setembro de 2006

A propósito do Dia Internacional da Limpeza das Praias


Por certo que, na mente ou nas mentes de quem idealizou um dia especialmente dedicado a esta temática, não estaria, como objectivo principal do mesmo, fazerem-se ouvir meras declarações públicas institucionais, o anúncio de um conjunto mais ou menos elaborado de boas intenções inconsequentes ou até mesmo a demonstração pública de uma qualquer coreografia realizada à beira-mar. Creio não errar ao afirmar que, em vez disso, se pretenderá com esta comemoração definir um conjunto, mesmo que simples, de intervenções a serem efectivamente levadas à prática, no sentido de se melhorar a qualidade das areias e da água das praias em todo o mundo.
Mundo esse onde estamos nós. Nós, habitantes de Portugal e concretamente do concelho de Ovar. Nós, juntamente com os nossos representantes do Poder Local, escolhidos como os melhores para servirem o Bem Público da nossa terra. Contudo, a realidade deixa de ser o que deveria ser, para ser aquilo que infelizmente é. E então, o que constatamos nós, ovarenses?
Todos os anos ao abrir oficialmente a época balnear e em plena praia soam de forma desconcertante discursos, com pompa e circunstância, proferidos por responsáveis – os senhores das praias - enquanto Bandeiras Azuis são hasteadas ao som das palmas inocentes batidas pelos meninos e meninas que para lá são conduzidos, com o intuito de dar cor e moldura ao cenário. Fotografias, reportagens na imprensa, muitos registos para a posteridade. Tudo muito bonito, obra feita têm a descaradez de dizer alguns, mas... o lixo ou as descargas de águas sujas provenientes da Barrinha de Esmoriz, parecem ser a partir dessa mesma data condição sine qua non para se manter a tradição, que o mesmo é dizer, o cartaz turístico vareiro oferecido em pleno período de veraneio.
E este cartaz turístico é uma chatice. Uma chatice, pois os efluentes acabam por ficar muitos dias nas praias do concelho, mais ou menos diluídos, com mais ou menos coliformes fecais, mas sempre, sempre, a colocarem em risco a saúde das pessoas e a contaminarem as praias.
        Mas a seguir vem o pior. Pois, se entretanto e perante tal cenário há alguma alma deste rincão português que clama com motivos mais do que justos que a água do mar cheira mal ou que a areia da praia está suja, ouve-se invariavelmente da parte dos responsáveis, que são acusações injustas, que não é da responsabilidade deles, que não têm competências, que a culpa é de desconhecidos, blá, blá, blá, ... blá, blá, blá. Isto acontece porque simplesmente estes “senhores das praias” se “esqueceram” de que poluição das praias constitui um problema de saúde pública e não um obstáculo político-partidário a contornar. “Esqueceram-se” estes senhores que, saúde pública e qualidade do ambiente constituem assuntos com os quais, certamente, se comprometeram quando assumiram os respectivos cargos.
Ninguém pede que os problemas das praias se resolvam todos, do dia para a noite. Mas nada justifica que, alertados para os diferentes problemas ambientais associados à qualidade das praias, os responsáveis queiram arrastar eternamente, ano após ano, o adiar de soluções, culpabilizando terceiros sempre que um acidente ambiental acontece, como seja a abertura extemporânea da Barrinha de Esmoriz.

Seria bom, de facto, que os responsáveis pelas praias do concelho de Ovar fizessem o favor (leia-se antes, o dever) de no próximo ano falarem de qualidade das praias, associando a este conceito a exposição da dita Bandeira Azul, somente quando diariamente houver a certeza de que os parâmetros mais sumários (cor, aspecto e cheiro) das águas do mar estiverem em conformidade. É necessário ter a honestidade de arriar a Bandeira Azul e manter hasteada a Bandeira Vermelha sempre que se constatar que a água do mar se encontra suja ou de aspecto duvidoso.
A terminar este artigo dedicado ao Dia Internacional da Limpeza das Praias, assinalado no próximo dia 22 do corrente mês, lembro, que já decorreu tempo mais do que suficiente e acidentes ambientais mais do que numerosos na costa ovarense para que se tivesse tido a iniciativa de reduzir o intervalo de tempo que medeia a recolha de amostras nas praias do concelho, aumentando, assim, a confiança nos resultados oferecidos aos utentes destas praias tão permeáveis a factores ambientais negativos.

 (Artigo publicado 07.09.06 no Jornal de Ovar)

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2006

A propósito do Dia Mundial das Zonas Húmidas: Brincando aos castelinhos de areia (2.º Acto)


          No passado dia 2 de Fevereiro celebrou-se em todo o mundo mais um dia especialmente dedicado à protecção das Zonas Húmidas. Entendem-se por Zonas Húmidas todos os biótopos onde a água e a terra se ligam de forma muito particular proporcionando zonas de altíssima produtividade orgânica e por conseguinte zonas de enorme valor para o homem. Rios, ribeiros, sapais, rias, estuários, lagoas,....., enfim, toda e qualquer mancha de água rodeada de vegetação ripícola, a transbordar de vida animal constituem, então, a figura principal deste dia mundialmente consagrado.
            Três décadas passadas sobre a entrada em vigor da Convenção sobre Zonas Húmidas de Importância Internacional para as Aves Aquáticas, mais conhecida por Convenção de Ramsar, Portugal, que ratificou cinco anos depois esta mesma convenção, ainda só conseguiu identificar (e classificar) 12 sítios, dos quais apenas um possui elaborado o respectivo Plano de Ordenamento.
            Três décadas passadas, as Zonas Húmidas portuguesas continuam, contudo, a ser tragicamente maltratadas por diferentes factores, entre os quais, sobressaem a poluição industrial e urbana, a construção imobiliária desregrada, a agricultura abusiva dos solos, o abandono do salgado, o turismo insustentável e os excessos de uma actividade monstruosa (o abate indiscriminado e ilegal de espécies protegidas) a que alguns chamam estupidamente actividade cinegética.
            Três décadas passaram e as Zonas Húmidas portuguesas têm contado, anualmente aquando da comemoração desta data (e acredito que continuarão a contar no futuro), com os tradicionais comunicados das grandes associações ecologistas portuguesas! Eu, por mim, prefiro comemorar este dia com o relato dos acontecimentos que desde o passado dia sete têm deixado mais uma vez perplexos todos aqueles que passam pela praia de Esmoriz junto à Barrinha, um local abandonado desde há muitos anos.

            Há cerca de um ano nesta mesma coluna escrevia com o título em epígrafe, acerca de uma brincadeira que estava a ser levada a cabo na Barrinha de Esmoriz. Pretendia-se naquela altura transformar em ‘projecto de engenharia do século’ uma obra da qual restam actualmente apenas vestígios, espalhados pelo areal da praia e pelo leito e margens da lagoa, tal foi a resposta dada pelo oceano.          O tal dique fusível sucumbia, assim, perante a fragilidade da sua própria concepção, não sem antes ao erário público terem sido subtraídos 150 000 euros!
             Acontece, agora, que no mesmo areal onde outrora se ‘enterrou’ tanto dinheiro para a construção do dito dique, se assiste hoje, por um lado, ao desmantelamento do que resta dessa obra (que mais parecia afinal uma bandeira do partido que então governava) e por outro lado, ao despertar do que parece ser uma nova bandeira partidária: o enterramento de centenas de sacos (feitos de uma tela, à partida não biodegradável!), cheios com a areia escavada da própria praia em redor.
             A praia apresenta junto à Barrinha um aspecto desolador, com o areal completamente remexido, nalguns locais com enormes crateras, noutros pelo contrário com enormes castelos de areia, uma pilha esteticamente incómoda de enormes sacos brancos que irão formar uma barreira ainda maior, rectro-escavadoras que em vez de circularem pelo areal da praia arrastam-se sobre as dunas (!) tendo já destruído algumas por completo, trilhos destas máquinas por todo o lado, operários de uma subempreitada que dizem não saber quem realmente “manda naquilo”, falta de uma placa informativa sobre o alvará, custo e entidade responsável da obra, e.... pasmemo-nos mesmo, pois isto é de pasmar..... uma Câmara que, quando alertada para o que estava a acontecer na praia de Esmoriz fica perplexa pois desconhecia o que lá estava a ser feito! 
            Como acabei de referir, não são Ovnis, são escavadoras! Não são ETs, são funcionários de uma empresa devidamente identificada! Não estamos na Lua, estamos na Barrinha de Esmoriz! Por isso, eu como cidadão quero saber o que lá vai ser feito com o dinheiro público, que também é meu. Quero saber para que serve aquele novo projecto (se é que se pode falar de projecto!), quero saber se aquela movimentação de areias (sempre nociva para o equilíbrio das praias) tem alguma razão de ser, quero ficar a conhecer quem é o responsável ou responsáveis por mais esta iniciativa, quero que os meus autarcas “não andem a leste” do que se passa nas nossas praias, e gostava (se não for já pedir demais) que......por favor, não inventem!
            Vão aprender com quem sabe. Há de certeza quem consiga lidar com a gestão das Zonas Húmidas de uma forma ambientalmente mais agradável, mais racional, ou usando uma expressão dos miúdos do meu tempo, ... uma forma ‘mais melhor boa’!

(Artigo publicado a 16.02.06 no Jornal de Ovar)

sábado, 25 de junho de 2005

Barrinha de Esmoriz: um caso de bungee jumping e de teatro de praia


          Um novo, previsível, decisivo e temeroso episódio ocorreu sobre a Barrinha de Esmoriz. A demissão do Director (gestor, presidente ou coordenador, como também é frequentemente referido na comunicação social) do Grupo de Estudos e Planeamento da Barrinha.

           Novo, porque há muito que a Barrinha não exalava outra coisa que não o nauseabundo cheiro das suas águas, cada vez mais altas e próximas do mar. Sim, porque quanto às obras para recuperação do dique, essas haviam parado no tempo e nunca mais tiveram “gás” para andar e quanto ao resto (despoluição e valorização ambiental da Zona Húmida) haverão de passar muitas luas, por certo, até que as mesmas sejam factos consumados.
           Previsível, porque nestes últimos tempos estava em causa um cargo de desconfiança política. Mas previsível desde muito cedo, também, porque quando se insiste em desmentir uma triste realidade, visível aos olhos de todos os que por lá passavam, sem a humildade de perceber as limitações de um projecto e a necessidade constante de atenção, dedicação e eventual reformulação das estratégias inicialmente desenhadas no papel, incorre-se no risco de entrar num beco cuja única saída dá para o precipício. Então, a queda é inevitável (embora os muitos casos conhecidos demonstrem haver uma baixa probabilidade de fatalismo sempre que se trata da prática de bungee jumping)!

            Decisivo, porque quem vem a seguir tem à partida que «fechar a porta». Revela-se, assim, uma óptima ocasião para uma reflexão profunda sobre esta «nau», como lhe chamei há alguns meses atrás nesta mesma coluna, de forma a não se voltarem a repetir, distraidamente, os mesmos erros. Decisivo, porque embora o controlo das águas da Barrinha seja apenas uma parte do processo, é uma parte importante para toda uma região, para todo um concelho.
             Temeroso, porque foi alegado em justificação desta demissão «a existência de conflitos de interesses entre as funções então desempenhadas e uma candidatura à Câmara Municipal de Ovar». Perante os factos e os argumentos conhecidos, nomeadamente pela promessa de mudar a sério, é inevitável a sensação de grande apreensão ao pensar em alguém que não tendo sido capaz de gerir de forma convincente menos de 200 hectares de território (área aproximada da Barrinha de Esmoriz) se propõe vir a ficar num futuro muito próximo responsável pela gestão dos 15 000 hectares correspondentes a todo o concelho de Ovar*.

             Mas, se a estrutura de Gestão da Barrinha não conseguiu cumprir eficazmente os objectivos a que se propôs, continuando a afirmar “de que tudo vai bem”, quando tudo afinal continua muito mal, a Câmara Municipal de Ovar que recentemente veio a terreiro lançar também (e bem) o seu grito de Ipiranga perante o estado caótico daquela lagoa, acabou por demonstrar no passado dia 23, em Esmoriz, uma total contradição entre as posições então proferidas contra a existência de uma Bandeira Azul naquela praia e o próprio acto a que aderiu de seguida relativo ao hastear da referida bandeira.
             Custa a crer que se tenha tratado de mera distracção ou de uma opção feita em nome do comércio local. Custa a crer que não tenha havido um bocadinho mais de coragem para não se pactuar, afinal, com aquilo que se acabava de criticar. Efectivamente, a Câmara Municipal de Ovar não devia ter acenado entusiasticamente, como no passado recente foi sempre seu timbre, ao teatro do hastear da Bandeira Azul em praias sem qualidade ambiental. Sobretudo porque está em causa o hastear de bandeiras justificadas apenas com resultados de análises de água do mar colhida antes da abertura da Barrinha ao mar.

             A Bandeira Azul deve ser suficientemente séria para não mentir a todos aqueles que chegam até estas praias desconhecendo a realidade aqui existente. Porque as águas e as areias destas praias estão hoje seguramente contaminadas com químicos e microrganismos patogénicos, constituindo um grande perigo para a saúde pública, teria sido necessário, antes das palmas e das fotografias, haver a garantia de que as ditas praias apresentavam a qualidade mínima desejável.
            Perante tais factos, que incluem também a falta de um aviso no local sobre a perigosidade do meio ambiente balnear, fica a sugestão para que, a Câmara Municipal de Ovar rapidamente realize a cerimónia do arrear das ditas bandeiras, até que os resultados de novas análises à água e à areia dissipem todas as dúvidas. Este acto constituiria uma forma não só de proteger a saúde pública local, mas também, seria uma iniciativa coerente e de chamada de atenção para os organismos competentes, para uma maior seriedade na atribuição deste tipo de galardão. Caso contrário, a autarquia será co-responsável, porque conivente, com este acto de superficialismo perigoso defendido por aqueles que vivem para esta forma de fazer “teatro de praia”. Acresce ainda que uma tal postura de mudança seria um bom augúrio para, efectivamente, se começar a fazer melhor.



* É bom recordar que o concelho, só do ponto de vista ambiental, tem além da Barrinha de Esmoriz, uma costa bastante erodida, matas e zonas de lazer florestadas a precisarem de atenção constante e de serem preservadas, rios descuidados e poluídos que deveriam ter peixe como outrora, um braço de Ria transformada num pântano, onde as embarcações têm dificuldade em navegar e sem qualquer aproveitamento turístico-ambiental, um comércio sinistro feito por exploradores ilegais de areias sobre um património que não é deles, etc, etc, etc.

(Artigo publicado a 07.07.05 no Jornal de Ovar)