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segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Efeitos de um temporal .... uma semana depois.

As fortes rajadas de vento deixaram marcas bem visíveis, por todo o lado, nomeadamente na praia do Furadouro...

















A areia da praia depois de arrastada para as estradas próximas..... 








regressou ao seu local de origem.....






As vagas galgaram facilmente a muralha de pedra ....








Uma frente marginal devastada....










Vidros atingidos pelas vagas e outros protegidos........

Montes de areia ainda por distribuir e compactar.....












Com esta inércia proteccionista, a areia perder-se-à muito facilmente.....




Retirar populações do litoral....uma questão fácil de resolver para o oceano ..... 

......um "mar" de preocupações para os planeadores do território..... 

..... acrescidas com a falta de colaboração por parte dos autarcas com défice de visão estratégica!


sábado, 10 de março de 2012

Furadouro, num Inverno quente e sereno ....


Vá-se lá perceber isto..... 

Num dia em que o Sol tem um pico de erupções, lançando para o espaço radiações "quentíssimas" ..... as temperaturas primaveris que se fizeram sentir, convidando à praia, tendem a fazer esquecer as ameaças do oceano de Inverno.

Mas o oceano aí está, reivindicando espaço.  Mais uma maré-viva de mar de Inverno e cumprem-se os receios que deixei há precisamente duas semanas.


O mar, subindo facilmente aquando da preia-mar, pela ausência de praia, transforma a calmaria da noite em dias de labuta.....é preciso descarregar mais pedra. 


Pois isto já não vai com saquinhos de areia! (*)


 

Vá-se lá perceber isto..... será que a autarquia não se lembra que continua com "um menino nas mãos" e que é a ela e só a ela que cabe dar contributos decisivos junto da Administração Central para a melhoria do estado do litoral do concelho?


(*) A areia é para ser depositada na praia propriamente dita, como sempre defendi, e não em sacos na marginal.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Num Inverno frio e sereno...







... como é o presente ... 


.....sem temporais ..... 


.... o Furadouro continua igual a si mesmo... 


... desprotegido!




Bastaram alguns momentos de marés vivas e aí estão demonstradas, mais uma vez, as fragilidades do sistema ....





.... de novo, os muretes destruídos!


Há que remediar com sacos de areia, para que as pedras não sejam arremessadas pelas vagas para a marginal, atingindo veículos e pessoas...





E assim vai a frente marginal do Furadouro, à espera que chegue o mar revolto de Inverno .....





sábado, 31 de dezembro de 2011

Notas de campo: Naturezas de Inverno


A maré-baixa na Ria, assoreada, impede a labuta ... o frio também dá uma ajuda.






O caniço seco e as árvores sem folhas aguardam pelo sol da Primavera.....mas continuam a servir de abrigo a variadíssimas espécies animais.



O rio Cáster corre veloz e castanho, arrastando consigo muita terra, antes fértil, agora inerte e perniciosa....



A água acumulada em pleno cordão dunar, origina charcas, que atraem algumas espécies animais e permitem o crescimento de outras vegetais



Maçaricos, garças, pilritos e demais limícolas enchem as vasas e os sapais  da Ria de Aveiro. São consumidores e contribuem decisivamente para a biodiversidade das Zonas Húmidas.


O mar furioso desgasta a arriba dunar. Menos arriba, menos floresta, menos diversidade biológica.


Os patos levantam voo sobre o sapal húmido, num alvorecer nebuloso, em plena Ria de Aveiro.




O anoitecer chega bem cedo, pois é Inverno! Mas não há mal nenhum nisso, pois os seres vivos estão bem ajustados ao fotoperíodo.





A natureza....as naturezas do Inverno, embora "silenciosas", também naturalmente promovem a Diversidade Biológica. Desde que não sofram agressões por parte do homem.

Por tal facto, o dia 29 de Dezembro de 2011, Dia Internacional da Diversidade Biológica, não poderia estar melhor colocado no nosso calendário! 


quinta-feira, 14 de abril de 2011

Furadourohotel.com


Há cerca de trinta anos que o Hotel Mar e Sol, no Furadouro, a única unidade da hotelaria concelhia de então, cessou as suas funções. Inaugurado em 1946, a sumptuosidade deste edifício, de estilo sóbrio, era reforçada pela qualidade ambiental da própria praia.


Durante as décadas de 60 e 70 os problemas de erosão na praia do Furadouro já se faziam sentir, nomeadamente na zona frontal ao Hotel. Contudo, o areal ainda se apresentava suficientemente extenso, com um cordão dunar relativamente robusto, de tal forma que, durante o período de Verão era possível observar de norte a sul da praia, um colorido misto de barracas, guarda-sóis e veraneantes vindos de várias zonas do país e até do estrangeiro.

Finais de 70, início de 80. Numa época em que os viajantes de outros países da Europa eram frequentes na praia do Furadouro, esta tinha perdido o seu único hotel! Foi, então, preciso esperar por outro. Esperar muito. Esperar até que, o areal desaparecesse, a praia ficasse cada vez mais descaracterizada e os veraneantes “de fora” procurassem outros destinos mais apelativos. Mas valeu a espera, pois ele aí está, acabadinho de ser construído e na linha da costa. 

Para quem? Não interessa. O que importa é que já o temos. E embora o estado da praia tenha mudado para pior, há quem olhe a questão pelo lado positivo e faça deste positivismo uma bandeira de marketing. Por exemplo, enquanto no passado os utilizadores do Hotel Mar e Sol tinham que percorrer uns 75 metros de areal para irem a banhos, os novos utilizadores do Boutique Hotel Beach & Spa (é este o verdadeiro nome do actual hotel do Furadouro) só têm que atravessar a estrada pois o mar está mesmo ali.


Mas as boas surpresas deste novo hotel não ficam por aqui. Se formos à net e pesquisarmos o site furadourohotel.com deparamo-nos com o seguinte texto de apresentação, que caso não fosse acompanhado de imagens identificativas do local seríamos induzidos a pensar que se trataria de um outro Furadouro. 

Ora repare-se nesse texto: “A praia do Furadouro apresenta-se com um extenso areal e com toda uma zona envolvente de vegetação natural onde apenas sobressaem simpáticos passadiços de madeira que protegem a paisagem dunar. Os bons acessos e apoios de praia, fazem desta um dos destinos de Verão mais procurados.” 

Que dizer disto? Não há dúvida de que, quem isto escreveu, possui um acentuado espírito humorista, caso contrário teria redigido este outro lacónico texto: “ A praia do Furadouro apresenta-se com um areal diminuto e uma zona envolvente onde a vegetação natural está cada vez mais degradada e onde apenas sobressaem inestéticos pedregulhos pretensamente para protecção das antigas e das novíssimas construções, como este hotel. Por muito bons acessos e apoios de praia que lá existam, nada consegue fazer da praia do Furadouro um dos destinos de Verão mais procurados.”

Ora, é esta sistemática negação das realidades da costa ovarense, deste ordenamento que de forma alguma se entende, desta insistência em levar à prática intervenções nos locais mais inapropriados e em épocas desajustadas, que em nada têm contribuído para a correcção dos problemas ambientais da praia do Furadouro. Lamentavelmente.


(este artigo foi publicado no jornal "João Semana", de 15/06/11)

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

ORBITUR S.A., por aqui? (II parte)


Como reacção ao apontamento de ontem - ORBITUR SA, por aqui? - recebi um comentário (publicado na referida postagem) emitido pela empresa em causa, o qual pela sua celeridade e oportunidade é digno de louvor e de ser aqui divulgado. Eis, pois, o conteúdo principal da missiva recebida:



"A Orbitur é proprietária, desde o dia 8 de Março de 1962, de um lote de terreno com 40.000m2, situado na localização assinalada, não tendo actualmente qualquer projecto para a área descrita.
A colocação dos novos marcos, representados em fotografia, teve como objectivo substituir os originais, entretanto desaparecidos.
Trata-se de uma delimitação de propriedade que, por intempérie ou acção humana, tinha desaparecido do local."



Perante estas  informações cabe-me fazer alguns comentários: 


- Privatização de campos dunares foi possível no passado, jamais aceitável no presente, face à legislação existente actualmente que considera prioritária a conservação destes ecossistemas. 

- torna-se de difícil compreensão, aceitar a ideia de que nos tempos actuais (de forte transgressão marinha, de Directivas Comunitárias e de Legislação Nacional, como a REN, no sentido da protecção da orla costeira e da existência de Planos de Ordenamento da Orla Costeira e de outros instrumentos territoriais) se encontrem numa Zona de Risco, como o Furadouro, 40.000 m2 de campo dunar privados.

- Se em 1962 os problemas de erosão costeira não se colocavam na praia do Furadouro como hoje se colocam, e se eventualmente haveria à data ideias/projectos pensados para a valorização do povoado, nomeadamente através da implantação de infra-estruturas nos campos dunares, hoje esse aspecto é desprovido de sentido, não só pelo recuo da linha de costa que entretanto se verificou e que coloca a referida propriedade muito próxima da água, mas porque a função da faixa litoral é hoje completamente diferente e não permite a instalação de infra-estruturas fixas na mesma.




(este artigo foi publicado no jornal "João Semana", de 01/04/11)





terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

ORBITUR S. A., por aqui?











Uma visita à praia do Furadouro. Mais uma. Em dia de mar rijo, pois cheia vai a Lua e o vento sudoeste a ajudar também.






Na marginal, os efeitos dos galgamentos não passam despercebidos. A força 
do mar, desse “Golias invencível”, como a ele já me referi, é demolidora.





Ao longo da marginal urbanizada o rito não varia muito. A mesma gente, a mesma arte, numa azafamada “irmanação” de blocos rochosos.  Enrocar, é a palavra de ordem na zona frontal do Furadouro.



Olhando para a altura das vagas alterosas compreende-se bem a razão das marcas de maré lamberem o cordão dunar recentemente reforçado com areia. Aguentou-se!


As chuvadas recentes formaram charca na zona inter-dunar. É temporária mas proporciona um novo enquadramento ao sul do bairro piscatório.

Para quem vem de sul, por detrás das dunas, apercebe-se à distância, que uma estaca foi enterrada na areia. Habitualmente são troncos de eucalipto mas esta parece ser diferente na sua construção. 


De facto, não é madeira. Mas é um marco. E assinala dois sentidos, para nascente e para poente, tendo inscrito: ORBITUR S.A. 





ORBITUR S.A. é a designação de uma empresa líder do campismo em Portugal! E tem um lema: “Confie em nós para acampar em Portugal!”.

Agora, eu não posso acreditar que a ORBITUR esteja a pensar instalar naquele local da praia (o campo dunar) alguma infra-estrutura! Não pode ser.

Aquela estaca ou caiu ali por acidente ou é alguma brincadeira de Carnaval. Só pode ser mesmo!

domingo, 23 de janeiro de 2011

Alimentação artificial da praia do Furadouro: Finalmente!


Em meados de Dezembro de 2010 era possível ver na zona sul do Furadouro a placa que informava do início da empreitada de requalificação do cordão dunar.



No local já estavam, então, depositadas várias camionetas de areia....



denotando que finalmente (depois de há vários anos muito ter falado e escrito sobre o assunto!) se iriam trocar os blocos de granito por montes de areia.







Decorrido um mês, a movimentação de areias continua naquela zona da praia, com maquinaria pesada...



que vai alinhando primeiro a areia em "dunas" sobre o parque...



e em seguida a transporta para a praia, de modo a colmatar as brechas existentes no que restava do cordão dunar.





Finalmente, está-se a dar à praia do Furadouro aquilo que a ela tem sido tirado ao longo de décadas...a AREIA.


Mas, não se julgue que, com esta intervenção o problema da erosão do Furadouro (ou de qualquer outro sector litoral onde uma acção deste tipo fosse levada à prática) ficará resolvido. 

Este, é um primeiro passo, de um longo (estou convencido disso, infelizmente) processo que levará num futuro, à efectiva requalificação do litoral .... não só deste Furadouro mas de todos os «Furadouros» existentes por esse Portugal de areias litorais.

Este momento poderá, contudo, corresponder a um momento de mudança. Aquele em que finalmente "os generais cegos e orgulhosamente sós" (como era referido na nota de abertura do livro "A Praia dos Tubarões") conseguem ver alguma luz.

Creio também ter chegado o momento (porque não se pode esperar mais!) de, tal como escrevi no epílogo do mencionado livro "A Praia dos Tubarões", ir buscar peritos de além. É que o processo de alimentação artificial das praias não pode ficar por aqui! Simplesmente porque não é suficiente!


(este artigo foi publicado no jornal "João Semana", de 15/02/11)