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segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Turismo no concelho de Ovar


O turismo no concelho de Ovar poderá constituir-se como um factor de desenvolvimento local caso o mesmo seja entendido pela autarquia como uma prioridade na sua agenda política. Com excepção dos desfiles de Carnaval, porventura suficientemente conhecidos em Portugal e além-fronteiras, todas as outras iniciativas culturais (festivais de música, literários, de teatro, exposições, etc.) necessitam de uma bem maior divulgação nacional e internacional. Se o Turismo Cultural / Urbano é um vector a optimizar no concelho de Ovar, o Turismo de Natureza / Turismo Rural é um  vector a implementar, pois ainda nada se fez de significativo neste campo.

Turismo Natureza / Turismo Rural
Nesta vertente proponho um conjunto de ideias que podem conjugar o desporto de aventura com a fruição dos espaços naturais, desde que seja garantido o respeito pela natureza, evitando-se afectar as áreas de maior sensibilidade ambiental. Considero ser imprescindível criar Trilhos de Pequena Rota (PR) que abranjam as diferentes freguesias do concelho. Nesse sentido proponho a existência de 5 percursos:

·         PR1 Ovar/Furadouro/Maceda (mata)
·         PR2 Ovar/Sr.ª de Entráguas/ Puchadouro/ Moita/Marinha/Ribeira/Tijosa
·         PR3 S. João de Ovar / S. Vicente
·         PR4 Arada/Maceda Interior
·         PR4 Cortegaça / Esmoriz Litoral
·         PR5 Válega Interior

Como complemento deverá ser criado um Trilho de Grande Rota (GR) com abrangência inter-freguesias aproveitando sectores pertencentes aos 5 PR’s.

É ainda desejável que, finalmente, se proceda ao levantamento dos moinhos de água disseminados pelo concelho e que se recuperem os mesmos (ou os mais adequados), para servirem de Unidades de Alojamento Local inseridas em meio rural (Turismo Rural).

O Turismo Ambiental/de Natureza precisa de ecossistemas equilibrados pelo que é fundamental dar uma grande atenção à Ria de Ovar, à zona costeira e aos parques e jardins do concelho.

No que respeita à Ria, é fundamental a valorização ambiental da Foz do Cáster/ Moitas (Área que já devia estar Protegida há muito!) para observação da Vida Selvagem; deveria ser instalado nesta região (no Enxemil ou no cais da Ribeira de Ovar) o ‘Centro de Interpretação da Ria’, destinado à divulgação dos recursos naturais da Ria e dos projectos a ela associados.
Um pouco à semelhança dos PR’s deveriam ser criados passeios turísticos em embarcações típicas (moliceiros, mercantéis ou bateiras) entre os cais da Ribeira, Tijosa, Puchadouro e Carregal.

No que respeita à zona costeira também é importante a criação de dois ‘Centros de Interpretação do Litoral’ a funcionarem nas praias do Furadouro e de Esmoriz, destinados a divulgar os recursos naturais do nosso litoral, as ameaças que sobre ele pesam, bem como, as estratégias usadas na conservação deste ecossistema.

Deviam ser criadas visitas guiadas pelas margens da Ria de Ovar, mata de Maceda, Parque do Buçaquinho e praias do concelho para observação da fauna, da flora, da erosão e da protecção dunar implementada.

É importante a criação do ‘Circuito dos Parques e Jardins’ de Ovar (jardim Garret, dos Campos, de S. Miguel, ….. Parque Urbano, do Buçaquinho,…). Um circuito onde o visitante terá informações sobre a origem, objectivos, espécies vegetais presentes, etc.


Turismo Cultural

No que respeita ao Turismo Cultural, devem ser criados os “Festivais de Ovar” (cada um com uma semana de duração) assentes nas três componentes geográficas: ria, terra e mar.
Cada um destes festivais deveria ter na sua organização a participação de diferentes grupos folclóricos do concelho e cada um deveria englobar actividades específicas (repetidas em diferentes dias da semana) demonstrativas e relacionadas com cada um dos temas, tais como por exemplo:
1)           Festival da Ria (início do Verão): moliçada; pesca lagunar; folclore da beira-ria; barraquinhas do peixe, restaurantes aderentes com menús especiais (enguias), etc.
2)           Festival do Campo (Outono): desfolhada; folclore campestre; feirinha das hortas, circuito Dinisiano, restaurantes aderentes com menús especiais de frutas, carnes e hortícolas, etc.
3)           Festival do Mar (integrador das Festas do Mar de Ovar, Cortegaça e Esmoriz): saídas para o mar; funcionamento da lota; manutenção dos aparelhos de pesca, folclore marítimo, restaurantes aderentes com menús especiais de pescado, etc.

Ainda no que se refere a este tipo de turismo é necessário a criação de um ‘Circuito Dinisiano’, que englobe a casa-museu e locais associados à estadia e obra do autor.

No que respeita ao Turismo Arquitectónico Urbano, continua por concretizar a recuperação das fontes espalhadas pela cidade de Ovar.

Finalmente seria interessante criar um conjunto de pacotes turísticos (‘Pacotes OvarTur’) que englobassem diferentes produtos combinados, como por exemplo: Passeio de barco + Observação de Vida Selvagem + Circuito Dinisiano (ou outros alternativos).


(Este artigo foi publicado na Revista Reis, Janeiro 2019)

sábado, 21 de março de 2015

Dia Mundial da Floresta e Dia Mundial da Água


Hoje comemora-se o Dia Mundial da Floresta e amanhã o Dia Mundial da Água.

Uma Floresta, não corresponde a uma monocultura. Um pinhal ou um eucaliptal, só por confusão ou ignorância cabem naquela categoria. Na verdade, a floresta é formada por uma diversidade de espécies e nichos ecológicos tão diversificados, que conferem ao território onde está inserida uma enorme riqueza natural. 






Promover a plantação de outras espécies autóctones na "aridez" das monoculturas deveria ser uma opção estratégica dos responsáveis ambientais autárquicos, nomeadamente dos ovarenses. 




Mas essa gente não está nesses cargos para realizar esse esforço e por esse facto, as matas em Ovar, além de irem perdendo progressivamente superfície, pela ocupação contínua do espaço dito florestal, são extremamente pobres em recursos naturais!


Não há floresta, nem bosques sem água ..... mas também os cursos de água necessitam da presença de vegetação adequada nas suas margens. Os ditos bosques ripícolas. É precisamente esta relação de interdependência que invariavelmente é descuidada ou esquecida na minha terra, Ovar!

Veja-se o que acontece no "riquíssimo" (em pedra) Parque Urbano de Ovar! A paixão pelo "romantismo jardineiro" tem sido sinónimo da eliminação da vegetação ripícola das margens do Cáster.





Estes dias mundiais, se não servirem para outra coisa em Ovar, servirão, pelo menos, para colocar a seguinte questão. Para quando a reciclagem dos "técnicos e responsáveis" ambientais da autarquia? Umas formações em Ecologia Urbana acentava-lhes como uma luva.....

sexta-feira, 21 de março de 2014

21 de Março - Dia da Árvore




O Dia da Árvore é sempre uma ocasião especial para recordar que, as árvores são surpreendentes fontes de vida. 


Ao longo dos seus troncos e por entre a maior ou menor profusão de folhas, inúmeros insectos repousam, alimentam-se, reproduzem-se e vivem. 

À sua sombra e no solo húmido crescem diversos fungos, nem todos bons para o consumo humano, mas todos com funções ecológicas bem definidas, nomeadamente, no ciclo da matéria orgânica. 

Quando suficientemente desenvolvidas, as árvores fornecem alimento e abrigo a uma variedade de espécies animais. 

Borboletas, diurnas e nocturnas, conseguem camuflar-se e passar muitas vezes despercebidas quando pousadas nos troncos e ramagens das árvores. Contudo, a especialização adquirida pelos pássaros insectívoros permite-lhes que aquelas criaturas também integrem as suas dietas, complementadas, com outras espécies de insectos. 

Os pássaros granívoros e alguns mamíferos alimentam-se das bagas arbóreas e é entre as árvores que encontram esconderijos essenciais para a procriação. 

Quando as árvores se encontram próximo dos cursos de água, as suas funções de suporte de vida amplificam-se. Desde a retenção do excesso de água no solo, à estabilização das margens, as árvores são elementos essenciais da paisagem ribeirinha. E é também aqui que as árvores redobram de importância para os animais silvestres. Aves de rapina e garças tendem a usá-las como locais estratégicos para mais facilmente obterem alimento e estabelecerem os seus ninhos. 

Vegetação ribeirinha antes do aparecimento do
Parque Urbano de Ovar (Março 2011)

Mas, árvores sem vegetação arbustiva em redor formam sem dúvida um ecossistema adulterado. 

Os arbustos, de portes variáveis, nas margens dos cursos de água são a primeira e fundamental barreira para a estabilização das margens aquando das cheias. E não só. Permitem a ocupação dos cursos de água por espécies aquáticas, como, lontras, galinhas-d'água, galeirões, garças e diversos passeriformes.

É por isso que, parques românticos, ricamente plantados de árvores e corações relvados, mas pobres de vegetação ribeirinha, regalam a vista e satisfazem o lazer mas não valorizam o património natural local.


Parque Urbano de Ovar (actualidade)
Vale a pena ponderar!



sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Parque do Buçaquinho: prós e contras.

Não há dúvida de que a ideia de reconverter uma antiga ETAR num habitat privilegiado para as aves e simultâneamente num espaço de lazer para a comunidade é uma opção de louvar! Isto mesmo aconteceu no concelho de Ovar, tendo conduzido ao Parque Ambiental do Buçaquinho, localizado em pleno espaço florestal entre Cortegaça e Esmoriz.

Lagoas, antes de lamas e águas residuais, hoje ocupadas por patos-colhereiros (Anas clypeata), marrequinhas (Anas crecca), mergulhões-pequenos (Tachybaptus ruficollis), galeirões (Fulica atra) e galinhas-d'água (Gallinula chloropus), entre outros, conferem ao local um certo ambiente de ecossistema natural.


Hortas de aromáticas, várias, servem para inebriar o passeante que circula pelos trilhos em volta das lagoas.


Também as crianças podem aqui extravazar as suas brincadeiras num amplo espaço que é conferido pelo parque infantil (infra-estrutura lamentavelmente ausente de outros parques da cidade de Ovar).....



Mas....há motivos que levam a questionar algumas opções neste parque ambiental.

Por exemplo, observem-se as estruturas encarnadas semeadas pelo espaço.




Que função cumprem estas estruturas, previsivelmente observatórios de aves, com ausência total de discrição (não só pela cor inapropriada como também pelas enormes aberturas) e posicionamento inadequado no contexto do parque? 

Atente-se também na escultural (?) torre. 


Que função se espera desta torre (com uma camuflagem muito interessante, aliás) se do alto da mesma, a visão das lagoas é limitada e distante, dado o arvoredo envolvente existente? 





E as jangadas flutuantes existentes nas lagoas? Existem apenas como elemento estético? Porque não se lhes é dada uma utilidade efectiva? 




Ou seja, na hora de concretizar este tipo de projectos porque não ser mais ambicioso em termos ambientais? 

Em vez de tentar integrar elementos artísticos (ao bom maneirismo de Serralves) sem utilidade na valorização dos recursos naturais desejáveis para este espaço, porque não recorrer à colaboração de entidades realmente experientes, porque possuidoras de know-how, neste tipo de parques? 

Ficam as questões e a sugestão, com desejos de um Bom Ano de 2014 com muitas e melhores iniciativas ambientais por parte da actual Câmara Municipal de Ovar.



segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

2013 - Ano Internacional para a Cooperação pela Água


                                   Fonte:engenhariacivil.com
 O Ano Internacional para a Cooperação pela Água, a decorrer em 2013, foi anunciado, em finais de 2010, pela Assembleia das Nações Unidas, por proposta de um grupo de países liderados pelo Tadjiquistão.
A ONU, que decretou o evento e a UNESCO, que o preparou, entendem que um esforço conjunto de cooperação pela água, passa pela abordagem de áreas muito diferenciadas, tais como, os aspectos culturais, sociais, religiosos, científicos, políticos, jurídicos, institucionais e económicos. Só com decisões consensuais sobre estes mesmos itens é que todo o esforço internacional de cooperação será alcançado e mantido com sucesso ao longo do tempo. Este será, portanto, o grande desafio deste Ano Internacional em 2013.


Água, ex-libris do planeta Terra

Evaporando-se dos mares e deslocando-se através das masses de ar, a água volta a precipitar-se sobre a superfície terrestre, correndo em seguida para os mares, sob a forma de rios, num ciclo contínuo ao longo do tempo.
A água constitui, deste modo, o grande padrão individualizante do nosso planeta. É graças a ela que é possível a existência da vida na Terra, pois todos os seres vivos, animais e plantas, dependem dela para subsistir. A água é, assim, um recurso natural associado a todas as facetas da vida económica e social do homem, desde tempos imemoriais até à época actual. Religiões, culturas, agricultura e indústria encontraram na água um denominador comum.
Contudo, e apesar da sua importância, o homem continua a poluir rios, nascentes, lagos e oceanos, esquecendo-se de que a boa qualidade da água é essencial para a continuidade da vida no Planeta.


A cooperação pela água: um imperativo sócio-económico e um instrumento de paz.

Na actualidade, a água doce constitui o bem mais precioso a que o homem pode aspirar. A redução das quantidades disponíveis para este recurso a nível planetário traduz-se, inequivocamente, na sua enorme escassez em várias regiões e Estados. Mesmo nas regiões húmidas de África e da Ásia, a água é escassa, devido aos elevados níveis de poluição e de densidade populacional.
A competição pela água tem sido, sobretudo nas últimas décadas, um fenómeno crescente em todo o mundo, com especial atenção para o Médio Oriente e África. A tendência é para essa competição se acentuar no futuro, acompanhando a evolução crescente da população mundial, com todos os problemas a ela associados, como sejam, por exemplo, os problemas de poluição e as consequências do aquecimento global.
Falta de água
Fonte:meioambiente.culturamix.com
Assim, a partilha dos recursos hídricos, sobretudo no que respeita às bacias hidrográficas e aos aquíferos transfronteiriços, deverá ser encarada por todos os Estados como um acto pacífico, implicando simultaneamente uma partilha de responsabilidades na sua utilização. A prevenção e a resolução de potenciais conflitos derivados desta gestão partilhada exigirá, por isso, muita pesquisa, muita reflexão e uma necessária troca de experiências.
A cooperação pela água potável é, então, fundamental para assegurar, no mínimo, uma qualidade de vida básica para todos os povos.
  
Os números da água
·         Cerca de 70% da superfície do nosso planeta está coberta por água (cerca de 1.4  milhões  de  quilómetros  cúbicos  de  água);
·         De toda a água existente no planeta, cerca de 2.5% está disponível para utilização directa pelo homem (pese embora este baixo valor, seria o mesmo suficiente para suprir as necessidades de toda a população mundial, caso não ocorressem desperdícios e/ou processos de poluição da água);
·         Da água disponível cerca de 98% encontra-se sob a forma de água subterrânea;
·         Um sexto da população mundial (mais de um bilião de pessoas) ainda não possui acesso à água potável;
·         Da água potável disponível somente 0.6% é utilizada;
·         40% da população mundial (2.600 milhões de pessoas)  continua a viver sem redes de saneamento básico;
·         Cerca de 25.000 pessoas, das quais 8.000 crianças, morrem diariamente por doenças diarreicas, provocadas pela falta de água potável, de saneamento e higiene adequados;
·         A água é a substância básica constitutiva dos seres vivos, podendo representar cerca de 90% da constituição das  plantas;
·         O homem necessita de 0.05 m3 de água por dia, para beber, cozinhar e usos sanitários;
·         Cerca de 70% da água disponível é usada na agricultura. Cerca de 17% dos solos com cereais (que correspondem a 40% de toda a alimentação) necessitam anualmente de 2.500 quilómetros cúbicos de água. Por outro lado, os fertilizantes, os herbicidas, os pesticidas e os excrementos dos animais concorrem para a poluição das águas;
·         Cerca de 20% da água disponível é usada na indústria. Devido aos progressos tecnológicos, os consumos industriais de água têm vindo a reduzir-se significativamente, nomeadamente com a possibilidade de reciclar as águas de refrigeração. É das actividades industriais em geral, que os cursos de água recebem contaminações por metais pesados e outros compostos químicos e é da actividade das centrais termoeléctricas que se intensificam as chuvas ácidas;
·         Cerca de 10% da água disponível é utilizada para usos domésticos. Sobretudo nos países mais desenvolvidos tem sido possível, nas últimas duas décadas, reduzir os volumes de descargas sanitárias até 30%. É da actividade urbana que resultam também enormes cargas poluentes, destinadas aos rios e ribeiros. A salinização dos aquíferos litorais é uma realidade cada vez mais significativa devida à erosão costeira;
·         Diariamente, mulheres e crianças africanas percorrem 109 milhões de quilómetros, para obterem água, transportando sobre os ombros bidões com 40 quilos de peso;
·         Um norte-americano gasta diariamente, em média, 159 litros de água. Este valor é superior a 15 vezes a média gasta por um habitante dos países em desenvolvimento.

 Mulheres transportando água (Índia)  
Fonte:noticias.uol.com.br
Um recurso que não “corre” para todos

Segundo a ONU, até 2025, e caso se mantenham os actuais padrões de  consumo,  duas  em  cada  três  pessoas  no  mundo  vão  sofrer escassez moderada ou grave de água.

Alguns Estados apresentam condições de extrema secura, devido às próprias condições climáticas, o que implica que a água tenha que ser captada longe do local onde será consumida, tornando necessários elevados custos de captação, distribuição e tratamento. Estas realidades inviabilizam o acesso à água por parte das populações mais carenciadas. A falta de água pode inviabilizar as produções agrícolas dos Estados e até afectar desastrosamente ecossistemas em equilíbrio. Na actividade industrial, as quantidades de água  necessárias  são  frequentemente superiores ao volume disponibilizado  pelas ETA’s (Estações de Tratamento de  Água).

Mesmo nos países com abundantes recursos de água, como é o caso do Brasil, nem sempre esta se encontra disponível para todos. De facto, o Brasil é um país privilegiado no que diz respeito à quantidade de água doce disponível, pois tem somente a maior reserva de água do planeta, ou seja, 12% do total  mundial. 
Contudo, a  distribuição de água neste enorme país  não  é  uniforme.  A  região amazónica,  por  exemplo,  possui o maior  rio  do  mundo; no entanto é uma das regiões menos habitadas do Brasil. Por outro lado, as grandes metrópoles, como S. Paulo e o Rio de Janeiro, revelam dificuldades no abastecimento de água, por se encontrarem longe das grandes bacias hidrográficas.

Em muitas cidades dos continentes sul-americano, africano e asiático a qualidade da água fica comprometida pelos despejos criminosos nos cursos de água, de esgotos domésticos e industriais. Também nas bacias dos grandes rios sul-americanos existem problemas sérios na qualidade da água; a contaminação por mercúrio, utilizado na exploração mineira e o uso de químicos na agricultura, constituem dificuldades acrescidas aos sistemas de captação, tratamento e abastecimento de água.

Pagar para ter acesso à água potável passou a ser uma consequência directa deste conjunto de problemas que se colocam à qualidade da água na actualidade. Contudo, esta realidade gera grandes assimetrias sociais, quando as populações das favelas sul-americanas gastam em média 10% do seu rendimento em água e os britânicos, por exemplo, não ultrapassam os 3%. A ONU confirma esta tendência generalizada ao nível mundial de que, quem menos recursos financeiros tem, mais paga para ter acesso à água potável.
  
Albufeira de Vilarinho das Furnas (Gerês)
Fonte:Álvaro Reis
A água em Portugal
Uma grande parte do território português (toda a região acima do Douro e o interior centro e sul) apresenta uma produtividade aquífera inferior a 50 m3/Km2/dia. As zonas de maior produtividade (superior a 400 m3/Km2/dia), localizam-se nas bacias do Tejo e Sado. A faixa costeira entre Ovar e Torres Vedras apresenta uma produtividade intermédia (entre 250 e 400 m3/Km2/dia).
Por outro lado, a precipitação em Portugal, além de se distribuir irregularmente ao longo do território (grande no norte e muito baixa no sul), apresenta uma grande variabilidade ao longo dos anos e ao longo do ano (concentrando-se no período que vai de Outubro a Março).
Enquanto as necessidades de água para os usos doméstico e industrial têm uma distribuição regular ao longo do tempo, as necessidades de água para rega concentram-se, de modo geral, no semestre seco do ano (Abril a Setembro). Para compensar a deficiência de escoamento neste período do ano, torna-se indispensável dispor de reservas naturais (lagos e lagoas) ou artificiais (albufeiras), que armazenem a água em excesso nos períodos húmidos e a forneçam nos períodos secos. Em Portugal, desde há cerca de meio século, e com especial incidência nas últimas duas décadas, que tem sido seguida uma política massiva de construção de albufeiras, que além de contribuírem para a satisfação da componente energética, contribuem para o abastecimento de água às populações.
  
Expectativas para o futuro
Melhorando, nos países mais pobres, sobretudo de África e da Ásia, os sistemas de fornecimento de água potável e de saneamento, diminuir-se-á drasticamente a taxa de mortalidade por doenças relacionadas com o consumo de água inquinada.
Uma cultura de reutilização da água é fundamental, sobretudo nos países menos carenciados, habituados ao desperdício e à falsa ideia de que “a água nunca lhes faltará”. É que, a redução generalizada, dos stocks dos aquíferos em algumas regiões indicia já os graves problemas que se colocarão no futuro. Muitos países são obrigados a políticas de racionamento da água e a encontrar meios de reutilizar a água de maneira mais racional.
É fundamental também uma nova política para o “preço da água”, que inverta a tendência de os países mais pobres serem aqueles com maiores encargos na aquisição deste bem.
Por último, convém salientar que, sendo a água um recurso universal e transversal, a sua utilização deverá ser perspectivada numa óptica de Desenvolvimento Sustentável, substituindo a “competição” (pela água) entre os Estados, pela “partilha” , entre eles, de um bem comum.


 (artigo publicado na revista REIS 2013)

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Estampas de Outono

O Outono vai já avançado e o frio muito intenso, altera drasticamente a paisagem da cidade. 



Os tons verdes do Verão, conferidos pela folhagem das frondosas árvores existentes nos parques e avenidas, foram sendo progressivamente substituídos por uma paleta de cores que variam entre o amarelo e o vermelho arroxeado.




Esta mesma folhagem, que nos meses mais quentes do ano abriga o ovarense dos golpes de calor e proporciona abrigo, alimento e local de criação para várias aves, deixa agora a descoberto ninhos vazios, atapeta o solo e maravilha o olhar.




As folhas caducas e acobreadas dos raríssimos carvalhos - relíquias da floresta autóctone portuguesa - e dos abundantes liquidambares e plátanos - importados de outros continentes - são sem dúvida os elementos decorativos desta estação, ao destacarem-se sobre o fundo sempre verde das sebes arbóreas, dos eucaliptos ou dos pinheiros.


quarta-feira, 21 de março de 2012

Dia da Água em Ovar



Hoje comemora-se o Dia da Água








Em Ovar também .....sempre!!!!!



O Furadouro mete continuamente água.... com as "intervenções" do costume!

Furadouro - galgamento de maré-viva (Fevereiro 2012)




O mercado municipal meteu água....com as "podas" necessárias (?) a um estilo mais "modernaço"!!


Mercado Municipal - 05/07/2011
Mercado Municipal - 06/07/2011


O rio Cáster, mesmo com fraco caudal, mete água todos os dias ..... com os projectos românticos !!!!!
Margens do rio Cáster - Junho 2011


Margens do rio Cáster - Março 2012



A floresta também mete água ..... com as desafectações irreflectidas......


                                  Mata da Bicha (Maceda) - Outubro 2011



                                          Centro Comercial Dolce Vita



Água, ....tanta água..... suja.


Dia da Árvore em Ovar





Hoje comemora-se em todos (muitos, pelo menos) os cantos do planeta o Dia Mundial da Floresta ou Dia da Árvore! 




Em Ovar também......não só hoje.....mas sempre!!!!!!


"Tratar" das árvores é uma prioridade da política local de ambiente.


Margens do rio Cáster  -  Junho 2010

Margens do rio Cáster - Junho 2011
Margens do rio Cáster - Fevereiro 2012

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

2012: Energia Sustentável para todos?

2012 - Ano Internacional da Energia Sustentável para Todos

A Assembleia Geral das Nações Unidas decidiu proclamar 2012 como sendo o Ano Internacional da Energia Sustentável para Todos. Tal decisão está relacionada com o facto de, em todo o mundo, se estimar uma população de mais de 1.4 biliões de pessoas que ainda não tem acesso ao consumo de energia eléctrica.


Na sociedade actual, dos denominados países desenvolvidos, é quase impensável, chegar-se a casa depois de um dia de trabalho e não se poder acender as lâmpadas dos diferentes compartimentos, não se poder ligar a televisão, o fogão eléctrico, ou o computador. Para o nosso modo de viver o quotidiano, já não conseguimos dispensar o frigorífico, o micro-ondas, o telemóvel, a máquina de lavar roupa, e tantos outros aparelhos eléctricos. Não ter acesso à energia eléctrica significa nos dias de hoje, não ter acesso a razoáveis condições de vida, uma vez que a electricidade está na base do funcionamento da maior parte dos equipamentos domésticos e é o suporte do nosso modus vivendi.

Pelo contrário, em todo o mundo, mais de 3 biliões de pessoas (quase metade da população mundial) não podendo usufruir de electricidade, dependem da biomassa florestal e do carvão para as necessidades básicas do seu quotidiano (cozinhar e aquecimento), tal como acontecia na longínqua Pré-História. Dado que estas formas de energia fóssil constituem recursos finitos (não renováveis) e em vias de esgotamento, devem as mesmas ser poupadas e substituídas por formas de energia alternativas. Será que este cenário se concretizará no futuro?


Objectivos
O Ano Internacional da Energia Sustentável para Todos procura ser um meio de consciencialização para todos os Estados-membros da ONU, no sentido da sustentabilidade energética poder ser um objectivo atingível a curto/médio prazo.

O Ano Internacional da Energia Sustentável para Todos integra-se numa iniciativa mais abrangente da ONU denominada Energia Sustentável para Todos (Sustainable Energy for All). Esta iniciativa pretende realizar, até 2030, eventos que permitam alcançar três grandes objectivos:

- garantir que toda a população mundial tenha acesso à energia;
- reduzir em 40% o consumo global de energia;
- aumentar em 30% a utilização de energias renováveis.

Para que estes objectivos sejam alcançados, a ONU conta com a mobilização de todos, nomeadamente, governos, empresas, ONG’s e sociedade civil. O acesso a uma tecnologia energética a preços acessíveis é fundamental, sobretudo nos países em vias de desenvolvimento, para que se verifique crescimento económico, a redução da pobreza e a melhoria geral da qualidade de vida dos mesmos. Numa palavra, para que se caminhe definitivamente para o Desenvolvimento Sustentável.

O Desenvolvimento Sustentável passará, sem sombra de dúvida, pelo abandono da energia fóssil em detrimento de uma disponibilidade crescente de energias renováveis. Entre estas destacar-se-ão a biomassa, a energia eólica, a energia das marés, a energia geotérmica, etc.


Energia da Biomassa: uma realidade do presente, uma energia com futuro?

Entre as várias formas de energia renovável, como sejam a energia solar, a energia eólica, a energia geotérmica, entre outras, conta-se a energia da biomassa. Esta forma de energia baseia-se na transformação de produtos e resíduos provenientes da agricultura, da floresta e da fracção biodegradável dos resíduos industriais e urbanos.

Os recursos renováveis representam actualmente cerca de 20% do fornecimento total de energia no mundo, com cerca de 14% proveniente da biomassa.
A queima de biomassa (predominantemente sólida) pode ser aproveitada para produzir calor para o aquecimento de habitações e águas e/ou produzir electricidade.

A matéria-prima.
As fontes de biomassa sólida são muito diversas. A principal corresponde aos resíduos florestais. Outras fontes igualmente importantes são os resíduos das vinhas e da indústria do vinho, as podas das árvores, o bagaço da azeitona, as gramíneas, como o feno e a palha, etc …. Um hectare de palha, por exemplo, possui um teor de energia de 73 gigajoules, o equivalente aproximadamente a 2.000 litros de gasóleo de aquecimento.

Os resíduos da indústria da madeira, sempre que apresentam impurezas incorporadas não servem para a transformação em sub-produtos daquela mesma indústria, razão pela qual podem ser encaminhados para a reciclagem energética.

Os materiais em fim de vida, como mobiliário deteriorado e madeira velha também podem ser valorizados energeticamente, desde que a sua reciclagem cumpra com a legislação relativa a contaminações por substâncias tóxicas, tais como tintas e/ou outros componentes químicos.

Existem ainda outras fontes de resíduos de madeira como aqueles que são recolhidos durante as actividades de limpeza e manutenção, nomeadamente em estradas, parques e jardins. Estes resíduos são geralmente uma mistura de madeira, folhas, troncos e solo, nos quais poderão estar incorporadas algumas embalagens de cartão e plástico. Devido a estas características, a valorização energética deste tipo de material deve ser bem controlada de modo a evitar a libertação, em níveis elevados, de substâncias tóxicas para a atmosfera.

Biomassa e política energética em Portugal
A floresta portuguesa cobre cerca de 38% do território nacional originando 2.2 milhões de toneladas de resíduos florestais. Estes, constituem o potencial de biomassa florestal existente em Portugal, com capacidade para gerarem 6.6 milhões de MWh de energia.

Contudo, o estado de abandono da floresta portuguesa nos últimos anos, a não existência de uma política florestal eficiente, a falta de incentivos fiscais, a grande agressividade de sectores concorrentes, como o do gás, entre outros, não permitem a eficiente valorização da biomassa florestal no nosso país.

A política energética nacional tem-se baseado na Resolução do Conselho de Ministros nº 169/2005 de 24 de Outubro, que estabelece a Estratégia Nacional para a Energia. No que respeita à valorização da biomassa, o documento apontava à data da sua publicação, para a necessidade de aumentar a potência instalada, mediante a construção de novas centrais termoeléctricas a funcionarem com biomassa florestal, de modo a atingir-se uma potência global de 100MW.

É pois fundamental, no sentido de se atingirem as metas traçadas a nível mundial, e no que respeita ao acesso de todos os povos à energia, que Portugal dê o seu contributo, tomando parte neste esforço global, nomeadamente reforçando o seu investimento nas formas de energia renováveis. A biomassa é uma das opções possíveis! 



(este artigo foi publicado na revista "Reis", de 01/12)



terça-feira, 22 de novembro de 2011

Nova SCUT pela Mata da Bicha?

Não há dúvida que a estrada florestal que atravessa a mata da Bicha, do Furadouro a Cortegaça, representa uma  mais valia para quem ousa apreciar as belezas que a floresta encerra. De lamentar, é o mau estado do seu piso em alguns sectores, a precisar de rápida correcção.

Mas realmente o que está a acontecer por lá? É que se pode observar ao longo da estrada, clareiras, rasgadas recentemente....aparentemente para alargamento da via.

Face a esta escondida realidade colocam-se duas questões:



- num período de crise económico-financeira nacional justifica-se que a Câmara Municipal de Ovar esbanje dinheiro a alargar a actual estrada? E para quê? Para construir uma nova SCUT? Com portagens ou sem elas? Para destruir a floresta? Para aumentar o tráfego? Ou a poluição?


- vamos continuar a destruir área florestal, como aconteceu aquando da construção do centro comercial Dolce Vita




Para quando a Câmara Municipal de Ovar assumir no terreno aquilo que gosta de divulgar no seu marketing (a sua grande atenção dada ao ambiente)?





É necessário muita sensatez no que diz respeito à exploração dos Recursos Naturais do concelho, com especial incidência na área florestal!