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sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Dia Mundial das Zonas Húmidas vs espírito BioRia



Hoje comemora-se o Dia Mundial das Zonas Húmidas, como forma de assinalar a adopção, em 1971, da Convenção de Ramsar, relativamente à qual o nosso país foi um dos signatários. Este diploma visava já, há quase meio século, despertar as consciências para a necessidade de proceder à conservação e à utilização sustentável deste tipo de ecossistemas.


O interesse pela gestão sustentável das Zonas Húmidas tem a ver com o facto destas se encontrarem entre os ecossistemas mais produtivos do planeta. Mais produtivos e simultâneamente mais ameaçados. Em todo o mundo são múltiplos os atentados cometidos contra as Zonas Húmidas. Lixos sólidos e efluentes não tratados são descarregados nos cursos e bolsas de água, principalmente rios, lagos, lagunas, lagoas, etc. Também a drenagem e enxugo de zonas aquáticas constituem outros factores muito importantes de degradação deste tipo de recursos naturais. 



Contudo, além destes factores nocivos derivados da incúria do homem nas suas práticas diárias acresce a irresponsabilidade dos decisores políticos ao permitirem que estas áreas sejam alvo de uma exploração desregrada.


Em 2018 a comemoração da efeméride procura chamar a atenção para as Zonas Húmidas que se localizam na envolvência de núcleos urbanos e que estiveram na base do desenvolvimento dos mesmos. A Ria de Aveiro é um exemplo perfeito deste tipo de Zona Húmida, pois em seu redor implantou-se um elevado número de aglomerados populacionais que se foram transformando em vilas e cidades ao longo dos tempos. A Ria de Aveiro representou desde o século XII uma importante fonte de água, de recursos pesqueiros, de algas, de sal, que permitiu ao homem evoluir em termos económicos e sociais.


O Baixo-Vouga Lagunar é, dentro do espaço lagunar da Ria de Aveiro, uma Zona Húmida de características muito peculiares pela diversidade de biótopos aí existentes. Aqui proliferou, até um passado recente, uma fauna selvagem diversificada adaptada às condições naturais da região, mesmo quando sobre esta pesava o enorme fardo da poluição do ar e da água provenientes da indústria pesada instalada em seu redor e quando a caça era demasiadas vezes praticada de forma ilegal. 




Actualmente, o Baixo-Vouga depara-se com outra ameaça à sua conservação. O denominado projecto BioRia, da iniciativa da Câmara Municipal de Estarreja, teoricamente criado para valorizar aquele espaço de Vida Selvagem, como aliás seria desejável e eu próprio preconizei desde o início da década de 80, constitui na prática um instrumento de delapidação dos recursos daquela Zona Húmida.


A passagem regular pelos trilhos de serventia aos campos agrícolas de praticantes de jogging, a realização de corridas e de provas outdoor de características paramilitares, como a infeliz iniciativa denominada BioRace Challenge, além de satisfazerem os interesses económicos de variadíssimas castas promovem o desaparecimento das espécies da fauna pela pressão que exercem sobre o meio ambiente (vem a propósito referir que estes comportamentos reforçam a minha ideia de que foi um erro gravíssimo ter acabado o serviço militar obrigatório em Portugal, pois o mesmo contribuiria para a satisfação integral destas necessidades físicas, mas então realizadas nos locais adequados, como seriam as unidades militares).



fonte: ambientemagazine.com

fonte: bioria.pt

fonte: cm-estarreja.pt 

fonte: cm-estarreja.pt

fonte:diarioaveiro.pt

fonte:metronews.com.pt 


É preciso respeitar a natureza no Baixo-Vouga lagunar, acabando com projectos falaciosos, que no papel dizem uma coisa e no terreno fazem outra completamente diferente. Exemplos de gestão autárquica dos espaços selvagens como aquela que é feita no Baixo-Vouga revelam a importância deste tipo de gestão voltar a ser feita por organismos centrais do Estado ou sob apertado controlo da parte destes. 


É preciso não fazer letra morta dos acordos internacionais assumidos, como aqueles que constam da Convenção de Ramsar.

segunda-feira, 5 de junho de 2017

5 de Junho - Dia Mundial do Ambiente

Aproveitemos o dia para celebrar o fim (pelo menos para já!) dos últimos atentados ambientais cometidos na nossa terra. A aproximação do início da época balnear veio pôr termo a uma "operação negra" de pretensa despoluição da Barrinha de Esmoriz.


Durante várias semanas a água sobrecarregada de resíduos tóxicos, químicos e orgânicos, foi bombeada através de tubagens desde a lagoa até ao esporão frontal à praia e  despejada directamente no oceano! 

É vulgar ouvir dizer que o oceano, de tão imenso que é, tem capacidade para "diluir" tudo ou quase tudo .... Mas será mesmo verdade? Claro que não! Mas por cá, para os nossos especialistas em intervenções litorais, o assunto não se revela problemático .... e assim há que poluir à vontade de consciência limpinha. 

E é assim que mais uma vez assuntos como poluição deliberada e intervenções sensacionalistas pré-eleitorais, são colocadas todas no mesmo saco. Um saco obscuro.....em que ninguém é "chamado à pedra" por estes crimes ambientais cometidos .....

E daqui a uns quatro meses como continuará este folhetim? Prosseguirá este crime ambiental de livre poluição do oceano? Continuará viva a ideia de enterrar dinheiro no areal de Esmoriz com a construção da segunda via do emblemático dique fusível? 

Na passagem de mais um 5 de Junho ficam dois alertas. Não se esqueçam (entidades responsáveis) que:

- mesmo no Inverno o oceano e as nossas praias têm o direito a estarem limpas! Com os diabos ... o lixo da Barrinha pode não ser lixo nuclear mas o que é nuclear é que um estado comprometido com tantas directivas europeias saiba ter intervenções ambientais sustentáveis!

- especialmente durante o Inverno o oceano não tem contemplações com projectos que não têm em conta a dinâmica litoral própria deste sector litoral.


Bom trabalho!

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Dia Mundial do Ambiente


Proteger o ambiente implica sempre a exploração sustentável dos recursos naturais e a ausência de acções atentatórias contra o mesmo.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

2015 - Ano Internacional da Luz e do Solo


A luz
“Então disse Deus: «Haja luz». E houve luz.
Viu Deus que a luz era boa; e separou as trevas da luz.
E à luz chamou dia; às trevas noite”.

                                                              (Gn 1,3-5)





«Haja luz». E houve luz.

A luz, dizem os físicos tem uma natureza dual. É uma realidade simultaneamente material e não material. Algo que a ciência procura caracterizar com fórmulas e cálculos extremamente elaborados, com construções e desconstruções de pensamentos. Assunto que conduziu a trabalhos científicos de peso e a brilhantes prémios Nobéis. A luz terá sido a primeira manifestação de algo nunca visto por quem quer que seja, mas teoricamente construído pela mente ficcionaria de alguns sábios, ao tentarem conceber a formação do universo a partir da explosão de uma enorme quantidade de energia acumulada. O famoso Big Bang, previsivelmente ocorrido há 13.8 biliões de anos!

Para o vulgo, contudo, a luz serve para iluminar, permitindo ao homem ver e viver o seu dia-a-dia sem permanentes trambolhões; na sua ausência, a vida humana seria complicada de gerir.
Quer chegue à Terra directamente do nosso astro rei, quer chegue reflectida por uma lua bem cheia, a luz visível vinda do espaço exterior é um bem que pode ser usufruído livremente por todos.

Mas foram os ditos nobéis que facilitaram o aparecimento de outras fontes de luz não natural. Lâmpadas, lanternas, faróis, lasers, fibra óptica e demais tecnologia fotónica surgiram em ritmo acelerado durante o século passado. Muitas luzes foram surgindo, deste modo, na Terra. A luz passou a ser um bem produzido pelo homem. Um bem que hoje em dia se paga. Isso mesmo. A energia luminosa, de fenómeno natural, gratuito no passado, transformou-se num bem transacionável, que deu origem a múltiplas empresas por todo o planeta dedicadas à sua comercialização com movimentação de economias poderosas.

  

Viu Deus que a luz era boa

Sem luz não haveria vida. A produção básica das cadeias alimentares faz-se porque todos os dias o Sol descarrega sobre a Terra uma enorme quantidade de luz. Os cientistas chamam a este processo “fotossíntese”. Graças a ele podemos obter, batatas, cereais, legumes, frutos, pastos, árvores diversas e muitos outros produtos do solo.

É, assim, devido à luz natural do Sol que o homem e os outros animais obtêm alimento, isto é, conseguem sobreviver. Pensando que o Sol está na sua meia-idade teremos, à priori, condições de vida para muitas e muitas gerações mais.



E (Deus) separou as trevas da luz.

Mas de bem essencial que é, a luz também chega a ser encarada, cada vez com maior assiduidade, como um fenómeno incomodativo. Incómodo, porque excessiva em certos momentos e em certos espaços. De noite, a quantidade de luz emanada artificialmente das grandes metrópoles mundiais é enviada para o espaço, produzindo, imagine-se, poluição luminosa. Esta luz assim produzida de forma excessiva, bem paga por todos nós, é desperdiçada para o espaço, sem qualquer ganho para a humanidade e dificultando ou impedindo a natural manifestação das trevas. A poluição luminosa contribui, assim e entre outros, para o aquecimento da atmosfera mesmo durante a noite!



O solo

Disse Deus: «Reúnam-se num só lugar as águas que estão debaixo do céu e apareça o seco». E assim foi. Então Deus chamou ao seco terra e à reunião das águas chamou mares; e viu que estava bem feito.

Disse depois Deus: «Germine a terra vegetação, ervas que dêem sementes e árvores frutíferas que produzam fruto da sua espécie com a própria semente dentro de si, sobre a terra». E assim foi.

                                                                                                                                ( Gén.  1, 9-11)




«….e apareça o seco». …. Então Deus chamou ao seco terra.

O solo é uma estreitíssima faixa da crosta terrestre, de dimensões que oscilam entre alguns centímetros e uns quantos metros, cuja composição e qualidade dependem da actividade dos seres vivos que o utilizam. São estes seres vivos que, juntamente com as águas das chuvas, o granizo, as oscilações de temperatura, o vento e vários outros factores naturais, promovem o desgaste das rochas (rochas-mãe) originando o aparecimento das partículas de solo.

As aptidões do solo dependem da sua porosidade, que permite a adequada circulação da água e do ar e da sua composição química, fundamental para uma boa qualidade agrícola.





«Germine a terra vegetação, ervas que dêem sementes e árvores frutíferas que produzam fruto da sua espécie …».

Sendo um elemento decisivo para a realização dos grandes ciclos que suportam a vida na Terra, tais como os ciclos do carbono, do azoto, do ozono e da água, o solo funciona como uma interface entre a crosta terrestre e a atmosfera, permitindo as trocas permanentes de água e gases entre estes dois sistemas.

Por outro lado, os ciclos de vida dos seres vivos também dependem daquilo que os solos podem oferecer, nomeadamente habitats e alimento. Cerca de 99% da biomassa produzida em todo o mundo depende dos solos. Na verdade, o solo constitui um ciclo fechado de interdependências!




A luz e o solo

A luz, essa manifestação de energia diariamente emanada do Sol, que viaja pelo espaço à prodigiosa velocidade de 300 000 Km/seg, ao chegar à terra penetra nos solos assegurando os processos vitais necessários à produção da biomassa. É então que as plantas irão produzir o seu próprio alimento e bem desenvolvidas servirão de alimento aos seres que se encontram num patamar acima na cadeia alimentar. Eis, pois, a vitalidade da luz!

O arrastamento excessivo das partículas do solo, pela água e pelo vento (erosão) foi uma constante ao longo dos tempos geológicos, sendo essa perda de partículas compensada pelo aparecimento de outras partículas mais novas, resultantes do desgaste das rochas. Contudo, hoje em dia isto já não é assim, pois verifica-se um saldo negativo em termos de “stocks de solo”. Com a acentuada influência de certas actividades humanas (agricultura intensiva, monoculturas, uso de alfaias mecânicas, uso de adubos e de pesticidas químicos, urbanização e betonização crescentes, etc) promoveu-se uma maior desagregação dos solos (erosão), uma deficiente porosidade e uma maior salinização do mesmo, factores que contribuem para a perda acentuada de biodiversidade. Eis, pois, a fragilidade do solo!

Nesta relação entre luz e solo, pode-se considerar ainda, existir uma espécie de contrato obrigatório entre os dois. A luz dará ao solo a energia que ele precisa, se o mesmo conseguir controlar (equilibrar) a quantidade de gases, como o dióxido de carbono, existentes na atmosfera, de modo a permitir a passagem nas quantidades certas dessa mesma luz (energia). Os cientistas julgam saber que o solo tem armazenado mais carbono do que a atmosfera e todas as plantas juntas, o que só por si indica ser o solo um extraordinário sumidouro deste excesso de dióxido de carbono atmosférico que tantas dores de cabeça nos dá! Eis, pois, a importância desta união.

É por este conjunto de interdependências entre os solos e a luz que faz todo o sentido a Assembleia Geral das Nações Unidas ter proclamado 2015, simultaneamente Ano Internacional da Luz e Ano Internacional do Solo.


  (artigo publicado no n.º 49 da Revista Reis - Ovar 2015)


domingo, 8 de junho de 2014

Dia Mundial dos Oceanos

Os oceanos ocupam mais de 70% da superfície da crosta terrestre. Segundo as actuais concepções da ciência terá sido a partir dos oceanos que a vida evoluiu, originando-se posteriormente a conquista dos ecossistemas terrestres.

Os oceanos são ecossistemas plenos de vida......






.... frequentemente observável à superfície.....





....outras vezes submersa.....





Mas o oceano belo e pleno de vida transforma-se frequentemente em ambiente de morte e desolação, sempre que o homem o despreza, com....


....artes de pesca não selectivas.....














.....derrames petrolíferos......





..... redes abandonadas......





..... lixos não degradáveis......



É preciso não esquecer, nunca, de cuidar dos oceanos. Os oceanos continuam a precisar não de um dia mas de todos os dias do ano para que a sua sobrevivência e consequentemente a nossa, possa continuar a ser garantida.


Imagens: 
www. blogdoselback.com.br 
ultradownloads.com.br
avesdeportugal.com.sapo.pt
meioambiente.culturamix.com
www.fcnoticias.com.br
www.agroportal.pt
hopepet.blogspot.com
www.brasil247.com
www.greenpeace.org
loisy1.wordpress.com
tartarugasmarinhas.pt
www.mercadoetico.com.br

sábado, 16 de novembro de 2013

Dia Nacional do Mar

Hoje assinala-se em Portugal o Dia do Mar.





Mar .... de águas nem sempre limpas.




Mar .... com areais transformados em lixeiras.




Mar .... com dunas esmagadas pelo avanço da erosão.




Mar .... com muralhas de pedra em vez de areia.




Mar .... do Torrão do Lameiro .... do Furadouro .... de Maceda .... de Cortegaça.... de Esmoriz.............Este é o mar de OVAR.





segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

2013 - Ano Internacional para a Cooperação pela Água


                                   Fonte:engenhariacivil.com
 O Ano Internacional para a Cooperação pela Água, a decorrer em 2013, foi anunciado, em finais de 2010, pela Assembleia das Nações Unidas, por proposta de um grupo de países liderados pelo Tadjiquistão.
A ONU, que decretou o evento e a UNESCO, que o preparou, entendem que um esforço conjunto de cooperação pela água, passa pela abordagem de áreas muito diferenciadas, tais como, os aspectos culturais, sociais, religiosos, científicos, políticos, jurídicos, institucionais e económicos. Só com decisões consensuais sobre estes mesmos itens é que todo o esforço internacional de cooperação será alcançado e mantido com sucesso ao longo do tempo. Este será, portanto, o grande desafio deste Ano Internacional em 2013.


Água, ex-libris do planeta Terra

Evaporando-se dos mares e deslocando-se através das masses de ar, a água volta a precipitar-se sobre a superfície terrestre, correndo em seguida para os mares, sob a forma de rios, num ciclo contínuo ao longo do tempo.
A água constitui, deste modo, o grande padrão individualizante do nosso planeta. É graças a ela que é possível a existência da vida na Terra, pois todos os seres vivos, animais e plantas, dependem dela para subsistir. A água é, assim, um recurso natural associado a todas as facetas da vida económica e social do homem, desde tempos imemoriais até à época actual. Religiões, culturas, agricultura e indústria encontraram na água um denominador comum.
Contudo, e apesar da sua importância, o homem continua a poluir rios, nascentes, lagos e oceanos, esquecendo-se de que a boa qualidade da água é essencial para a continuidade da vida no Planeta.


A cooperação pela água: um imperativo sócio-económico e um instrumento de paz.

Na actualidade, a água doce constitui o bem mais precioso a que o homem pode aspirar. A redução das quantidades disponíveis para este recurso a nível planetário traduz-se, inequivocamente, na sua enorme escassez em várias regiões e Estados. Mesmo nas regiões húmidas de África e da Ásia, a água é escassa, devido aos elevados níveis de poluição e de densidade populacional.
A competição pela água tem sido, sobretudo nas últimas décadas, um fenómeno crescente em todo o mundo, com especial atenção para o Médio Oriente e África. A tendência é para essa competição se acentuar no futuro, acompanhando a evolução crescente da população mundial, com todos os problemas a ela associados, como sejam, por exemplo, os problemas de poluição e as consequências do aquecimento global.
Falta de água
Fonte:meioambiente.culturamix.com
Assim, a partilha dos recursos hídricos, sobretudo no que respeita às bacias hidrográficas e aos aquíferos transfronteiriços, deverá ser encarada por todos os Estados como um acto pacífico, implicando simultaneamente uma partilha de responsabilidades na sua utilização. A prevenção e a resolução de potenciais conflitos derivados desta gestão partilhada exigirá, por isso, muita pesquisa, muita reflexão e uma necessária troca de experiências.
A cooperação pela água potável é, então, fundamental para assegurar, no mínimo, uma qualidade de vida básica para todos os povos.
  
Os números da água
·         Cerca de 70% da superfície do nosso planeta está coberta por água (cerca de 1.4  milhões  de  quilómetros  cúbicos  de  água);
·         De toda a água existente no planeta, cerca de 2.5% está disponível para utilização directa pelo homem (pese embora este baixo valor, seria o mesmo suficiente para suprir as necessidades de toda a população mundial, caso não ocorressem desperdícios e/ou processos de poluição da água);
·         Da água disponível cerca de 98% encontra-se sob a forma de água subterrânea;
·         Um sexto da população mundial (mais de um bilião de pessoas) ainda não possui acesso à água potável;
·         Da água potável disponível somente 0.6% é utilizada;
·         40% da população mundial (2.600 milhões de pessoas)  continua a viver sem redes de saneamento básico;
·         Cerca de 25.000 pessoas, das quais 8.000 crianças, morrem diariamente por doenças diarreicas, provocadas pela falta de água potável, de saneamento e higiene adequados;
·         A água é a substância básica constitutiva dos seres vivos, podendo representar cerca de 90% da constituição das  plantas;
·         O homem necessita de 0.05 m3 de água por dia, para beber, cozinhar e usos sanitários;
·         Cerca de 70% da água disponível é usada na agricultura. Cerca de 17% dos solos com cereais (que correspondem a 40% de toda a alimentação) necessitam anualmente de 2.500 quilómetros cúbicos de água. Por outro lado, os fertilizantes, os herbicidas, os pesticidas e os excrementos dos animais concorrem para a poluição das águas;
·         Cerca de 20% da água disponível é usada na indústria. Devido aos progressos tecnológicos, os consumos industriais de água têm vindo a reduzir-se significativamente, nomeadamente com a possibilidade de reciclar as águas de refrigeração. É das actividades industriais em geral, que os cursos de água recebem contaminações por metais pesados e outros compostos químicos e é da actividade das centrais termoeléctricas que se intensificam as chuvas ácidas;
·         Cerca de 10% da água disponível é utilizada para usos domésticos. Sobretudo nos países mais desenvolvidos tem sido possível, nas últimas duas décadas, reduzir os volumes de descargas sanitárias até 30%. É da actividade urbana que resultam também enormes cargas poluentes, destinadas aos rios e ribeiros. A salinização dos aquíferos litorais é uma realidade cada vez mais significativa devida à erosão costeira;
·         Diariamente, mulheres e crianças africanas percorrem 109 milhões de quilómetros, para obterem água, transportando sobre os ombros bidões com 40 quilos de peso;
·         Um norte-americano gasta diariamente, em média, 159 litros de água. Este valor é superior a 15 vezes a média gasta por um habitante dos países em desenvolvimento.

 Mulheres transportando água (Índia)  
Fonte:noticias.uol.com.br
Um recurso que não “corre” para todos

Segundo a ONU, até 2025, e caso se mantenham os actuais padrões de  consumo,  duas  em  cada  três  pessoas  no  mundo  vão  sofrer escassez moderada ou grave de água.

Alguns Estados apresentam condições de extrema secura, devido às próprias condições climáticas, o que implica que a água tenha que ser captada longe do local onde será consumida, tornando necessários elevados custos de captação, distribuição e tratamento. Estas realidades inviabilizam o acesso à água por parte das populações mais carenciadas. A falta de água pode inviabilizar as produções agrícolas dos Estados e até afectar desastrosamente ecossistemas em equilíbrio. Na actividade industrial, as quantidades de água  necessárias  são  frequentemente superiores ao volume disponibilizado  pelas ETA’s (Estações de Tratamento de  Água).

Mesmo nos países com abundantes recursos de água, como é o caso do Brasil, nem sempre esta se encontra disponível para todos. De facto, o Brasil é um país privilegiado no que diz respeito à quantidade de água doce disponível, pois tem somente a maior reserva de água do planeta, ou seja, 12% do total  mundial. 
Contudo, a  distribuição de água neste enorme país  não  é  uniforme.  A  região amazónica,  por  exemplo,  possui o maior  rio  do  mundo; no entanto é uma das regiões menos habitadas do Brasil. Por outro lado, as grandes metrópoles, como S. Paulo e o Rio de Janeiro, revelam dificuldades no abastecimento de água, por se encontrarem longe das grandes bacias hidrográficas.

Em muitas cidades dos continentes sul-americano, africano e asiático a qualidade da água fica comprometida pelos despejos criminosos nos cursos de água, de esgotos domésticos e industriais. Também nas bacias dos grandes rios sul-americanos existem problemas sérios na qualidade da água; a contaminação por mercúrio, utilizado na exploração mineira e o uso de químicos na agricultura, constituem dificuldades acrescidas aos sistemas de captação, tratamento e abastecimento de água.

Pagar para ter acesso à água potável passou a ser uma consequência directa deste conjunto de problemas que se colocam à qualidade da água na actualidade. Contudo, esta realidade gera grandes assimetrias sociais, quando as populações das favelas sul-americanas gastam em média 10% do seu rendimento em água e os britânicos, por exemplo, não ultrapassam os 3%. A ONU confirma esta tendência generalizada ao nível mundial de que, quem menos recursos financeiros tem, mais paga para ter acesso à água potável.
  
Albufeira de Vilarinho das Furnas (Gerês)
Fonte:Álvaro Reis
A água em Portugal
Uma grande parte do território português (toda a região acima do Douro e o interior centro e sul) apresenta uma produtividade aquífera inferior a 50 m3/Km2/dia. As zonas de maior produtividade (superior a 400 m3/Km2/dia), localizam-se nas bacias do Tejo e Sado. A faixa costeira entre Ovar e Torres Vedras apresenta uma produtividade intermédia (entre 250 e 400 m3/Km2/dia).
Por outro lado, a precipitação em Portugal, além de se distribuir irregularmente ao longo do território (grande no norte e muito baixa no sul), apresenta uma grande variabilidade ao longo dos anos e ao longo do ano (concentrando-se no período que vai de Outubro a Março).
Enquanto as necessidades de água para os usos doméstico e industrial têm uma distribuição regular ao longo do tempo, as necessidades de água para rega concentram-se, de modo geral, no semestre seco do ano (Abril a Setembro). Para compensar a deficiência de escoamento neste período do ano, torna-se indispensável dispor de reservas naturais (lagos e lagoas) ou artificiais (albufeiras), que armazenem a água em excesso nos períodos húmidos e a forneçam nos períodos secos. Em Portugal, desde há cerca de meio século, e com especial incidência nas últimas duas décadas, que tem sido seguida uma política massiva de construção de albufeiras, que além de contribuírem para a satisfação da componente energética, contribuem para o abastecimento de água às populações.
  
Expectativas para o futuro
Melhorando, nos países mais pobres, sobretudo de África e da Ásia, os sistemas de fornecimento de água potável e de saneamento, diminuir-se-á drasticamente a taxa de mortalidade por doenças relacionadas com o consumo de água inquinada.
Uma cultura de reutilização da água é fundamental, sobretudo nos países menos carenciados, habituados ao desperdício e à falsa ideia de que “a água nunca lhes faltará”. É que, a redução generalizada, dos stocks dos aquíferos em algumas regiões indicia já os graves problemas que se colocarão no futuro. Muitos países são obrigados a políticas de racionamento da água e a encontrar meios de reutilizar a água de maneira mais racional.
É fundamental também uma nova política para o “preço da água”, que inverta a tendência de os países mais pobres serem aqueles com maiores encargos na aquisição deste bem.
Por último, convém salientar que, sendo a água um recurso universal e transversal, a sua utilização deverá ser perspectivada numa óptica de Desenvolvimento Sustentável, substituindo a “competição” (pela água) entre os Estados, pela “partilha” , entre eles, de um bem comum.


 (artigo publicado na revista REIS 2013)

terça-feira, 16 de novembro de 2010

A propósito do Dia Nacional do Mar.

Comemora-se hoje em Portugal o Dia Nacional do Mar. Não sei de que forma nem com que abrangência.

Mas uma coisa é certa: há episódios da nossa história recente que, pela proximidade ao nosso território e à felicidade associada às condições climáticas e oceanográficas do momento nos fizeram escapar daquilo que seria um verdadeiro flagelo ambiental na costa portuguesa. A poluição da costa norte de Portugal.

É por esta razão que, neste dia comemorativo, convém recordar a necessidade de estar sempre alerta e dizer "Nunca mais" à poluição do mar!

sábado, 18 de setembro de 2010

Fora de portas (1 ) cont. - Arte suína no Muranzel?

Escrevi há dez semanas sobre o lixo que abunda nas margens da Ria de Aveiro, abandonado por quem as frequenta, a pretexto do nobre ofício de ser "pescador de fim-de-semana". 


Sinceramente, não esperava que este tipo de atitudes fossem ultrapassadas de um dia para o outro, pois a quem faltam hábitos de higiene mental não podem ser pedidos, num espaço de tempo tão curto, hábitos de higiene social.


Por outro lado, creio que quem suja a Ria não cresceu nem vive junto dela; creio antes, serem «estrangeiros» que por aqui caem.....


Ora, tendo lá passado recentemente, fiquei verdadeiramente incrédulo com o que vi. Alguém, que não tendo consciência do que é sujeira e por conseguinte não conhecendo o caminho para o eco-ponto mais próximo, gastou uma boa porção do seu tempo de ócio a recolher lixo para «alindar» a vegetação e os sinais de trânsito das redondezas. 


Incrível, esta postura. Verdadeiramente incrível este estilo de arte suína!










Gostam deste estilo de arte? 


Muito bem, pratiquem-no ..... mas nas vossas pocilgas de onde nunca deveriam sair para ir à pesca na Ria. É que a Ria de Aveiro já possui a sua fauna própria!





terça-feira, 13 de julho de 2010

Fora de portas (2) - Vamos Limpar Portugal?

Há uns dias referi-me à grande quantidade de lixo que é abandonado na margem da Ria de Aveiro, ao longo da estrada nacional 327, sobretudo entre o Muranzel e S. Jacinto. Contudo, se caminharmos na outra berma da estrada o cenário repete-se.....pois os picniqueiros de fim-de-semana esquecem-se quase sempre de recolher a lixeirada que produzem.




Às vezes questiono-me se estas pessoas apresentam o mesmo comportamento dentro de suas casas, abandonando os papéis, os plásticos e tudo o mais pelos compartimentos da casa....


É claro que, nestas coisas da falta de formação ao lidar com os lixos, há sempre excepções. E mais uma vez, se pode constatar que há gente "preocupadissíma" com o acondicionamento do mesmo!







Trata-se daqueles que acreditam (ou querem dar ideia disso) que o lixo ficará eternamente acondicionado dentro dos sacos .... e que um dia há-de passar por ali um ou mais daqueles "amigos do ambiente", que muito preocupados com a natureza levarão o lixo dali para fora. Portanto, para quê estar com mais incómodos, agora que estamos em plena fase de digestão das febras ou das sardinhas bem regadas e só nos apetece é ir embora e chegar a casa rapidinho?

"Vamos Limpar Portugal"? Nem pensar!!!!!! Não alinho em marketing ambiental, que apenas serve para preencher os Planos de Actividades e as agendas de determinadas instituições e grupos!

Para mudar comportamentos nesta matéria como em várias outras entendo ser bem mais apropriado, em primeiro lugar educar e formar consciências ("Vamos Sensibilizar Portugal"), em segundo lugar, regulamentar e fiscalizar comportamentos ("Vamos Fiscalizar Portugal" ) e em terceiro lugar, proceder à aplicação de fortes coimas a todos os infractores ("Vamos punir Portugal").

Só assim, como em outros países da Europa, onde o livre depósito de lixo é impensável em parques, florestas, zonas de lazer.....se pode ordenar a paisagem, valorizando a beleza das zonas verdes em detrimento da vulgarização da imundície.

sábado, 10 de julho de 2010

Fora de portas (1) - dar banho à minhoca, pescar algas e sujar a Ria



Entre o Muranzel e S. Jacinto, as margens da Ria estão invariavelmente repletas de pescadores desportivos, sobretudo durante o fim-de-semana. São estes pacientes homens (e também umas poucas mulheres) que de forma estóica lançam vezes sem conta ao longo de uma manhã ou de uma tarde o isco à água na esperança de uma pescaria no final da jorna. Grande desafio este!
Pena é que se esqueçam no fim da "festa" de levar para casa o isco sobrante e sobretudo o vasilhame onde o mesmo esteve.

Mas, como diz aquele provérbio tailandês ou "o peixe é esquisito ou os pescadores não percebem mesmo nada do ofício". É que, frequentemente, se assiste àquela luta feroz entre pescador e anzol.......a cana a vergar, a vergar cada vez mais, ......a linha totalmente tensa, a ser puxada cuidadosamente para o carreto, ......e os olhos postos na linha, à espera de ver aparecer a todo o momento um robalo a sair da água preso no anzol. Mas, infelizmente (ou não) em vez de peixe vêm quase sempre....as verdinhas algas..... que logo, por entre palavrões, são depositadas nas rochas.....a secar.
Pescadores ajudam a limpar as águas da Ria! (podia bem ser uma manchete de jornal de sábado ou domingo). Mas a sim ser, seria seguramente um título bem enganoso!
Senão vejamos o que estes pescadores (poluidores) deixam de consciência tranquila em qualquer lugar onde se instalam:





Que farão estes saquinhos tão cuidadosamente encostados? Estão seguramente à espera de alguém.....de quem será?
Não teriam tido melhor destino se tivessem sido colocados no contentor apropriado ou levado no carro do próprio pescador desportivo até ao eco-ponto mais próximo?

E foram 3! Mas quem as bebeu ainda teve o equilibrio suficiente para não as deixar tombadas.......de qualquer maneira pelo chão. Cuidadoso!
Pena é que seja daquela estirpe de "gente fina", que simplesmente não as pôde levar ao eco-ponto próximo.
E aí vai ele!
Um saco plástico voou da margem até à Ria. Se juntarmos aos sacos, que a voar vão parar à água, as latas, os garrafões de água, e muitos outros objectos deixados irresponsavelmente nas margens por estes poluidores «desportivos» teremos uma Ria atrofiada de lixo e de gente badalhoca, a pedir que se aplique sobre eles o princípio do poluidor-pagador.
Bom seria que a GNR que frequentemente passa por esta estrada estivesse atenta a esta faina,.... e se se pudesse apear do jipe e exercer uma actividade fiscalizadora sobre esta gente..... gente, a necessitar urgentemente de educação, tal qual, como de peixe pró anzol.
É por estas razões que é bom viver na minha terra. Cá, não há disto!