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sexta-feira, 6 de março de 2020

Orla Costeira 2020. Que Planos para o Litoral?

A faixa costeira portuguesa continua "à sombra" dos Planos de Ordenamento Costeiro, que contudo pouco têm feito por ela. Estudos, projecções e análises não auguram para o litoral português um futuro risonho.... 

quinta-feira, 23 de maio de 2019

Plano de Ordenamento da Orla Costeira


Os Planos da Orla Costeira poderiam constituir uma mais valia para o equilíbrio da linha de costa e para o reforço das estruturas dunares e das praias caso não representassem presentes envenenados.....


https://www.rtp.pt/play/p5373/e405787/biosfera



segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Turismo no concelho de Ovar


O turismo no concelho de Ovar poderá constituir-se como um factor de desenvolvimento local caso o mesmo seja entendido pela autarquia como uma prioridade na sua agenda política. Com excepção dos desfiles de Carnaval, porventura suficientemente conhecidos em Portugal e além-fronteiras, todas as outras iniciativas culturais (festivais de música, literários, de teatro, exposições, etc.) necessitam de uma bem maior divulgação nacional e internacional. Se o Turismo Cultural / Urbano é um vector a optimizar no concelho de Ovar, o Turismo de Natureza / Turismo Rural é um  vector a implementar, pois ainda nada se fez de significativo neste campo.

Turismo Natureza / Turismo Rural
Nesta vertente proponho um conjunto de ideias que podem conjugar o desporto de aventura com a fruição dos espaços naturais, desde que seja garantido o respeito pela natureza, evitando-se afectar as áreas de maior sensibilidade ambiental. Considero ser imprescindível criar Trilhos de Pequena Rota (PR) que abranjam as diferentes freguesias do concelho. Nesse sentido proponho a existência de 5 percursos:

·         PR1 Ovar/Furadouro/Maceda (mata)
·         PR2 Ovar/Sr.ª de Entráguas/ Puchadouro/ Moita/Marinha/Ribeira/Tijosa
·         PR3 S. João de Ovar / S. Vicente
·         PR4 Arada/Maceda Interior
·         PR4 Cortegaça / Esmoriz Litoral
·         PR5 Válega Interior

Como complemento deverá ser criado um Trilho de Grande Rota (GR) com abrangência inter-freguesias aproveitando sectores pertencentes aos 5 PR’s.

É ainda desejável que, finalmente, se proceda ao levantamento dos moinhos de água disseminados pelo concelho e que se recuperem os mesmos (ou os mais adequados), para servirem de Unidades de Alojamento Local inseridas em meio rural (Turismo Rural).

O Turismo Ambiental/de Natureza precisa de ecossistemas equilibrados pelo que é fundamental dar uma grande atenção à Ria de Ovar, à zona costeira e aos parques e jardins do concelho.

No que respeita à Ria, é fundamental a valorização ambiental da Foz do Cáster/ Moitas (Área que já devia estar Protegida há muito!) para observação da Vida Selvagem; deveria ser instalado nesta região (no Enxemil ou no cais da Ribeira de Ovar) o ‘Centro de Interpretação da Ria’, destinado à divulgação dos recursos naturais da Ria e dos projectos a ela associados.
Um pouco à semelhança dos PR’s deveriam ser criados passeios turísticos em embarcações típicas (moliceiros, mercantéis ou bateiras) entre os cais da Ribeira, Tijosa, Puchadouro e Carregal.

No que respeita à zona costeira também é importante a criação de dois ‘Centros de Interpretação do Litoral’ a funcionarem nas praias do Furadouro e de Esmoriz, destinados a divulgar os recursos naturais do nosso litoral, as ameaças que sobre ele pesam, bem como, as estratégias usadas na conservação deste ecossistema.

Deviam ser criadas visitas guiadas pelas margens da Ria de Ovar, mata de Maceda, Parque do Buçaquinho e praias do concelho para observação da fauna, da flora, da erosão e da protecção dunar implementada.

É importante a criação do ‘Circuito dos Parques e Jardins’ de Ovar (jardim Garret, dos Campos, de S. Miguel, ….. Parque Urbano, do Buçaquinho,…). Um circuito onde o visitante terá informações sobre a origem, objectivos, espécies vegetais presentes, etc.


Turismo Cultural

No que respeita ao Turismo Cultural, devem ser criados os “Festivais de Ovar” (cada um com uma semana de duração) assentes nas três componentes geográficas: ria, terra e mar.
Cada um destes festivais deveria ter na sua organização a participação de diferentes grupos folclóricos do concelho e cada um deveria englobar actividades específicas (repetidas em diferentes dias da semana) demonstrativas e relacionadas com cada um dos temas, tais como por exemplo:
1)           Festival da Ria (início do Verão): moliçada; pesca lagunar; folclore da beira-ria; barraquinhas do peixe, restaurantes aderentes com menús especiais (enguias), etc.
2)           Festival do Campo (Outono): desfolhada; folclore campestre; feirinha das hortas, circuito Dinisiano, restaurantes aderentes com menús especiais de frutas, carnes e hortícolas, etc.
3)           Festival do Mar (integrador das Festas do Mar de Ovar, Cortegaça e Esmoriz): saídas para o mar; funcionamento da lota; manutenção dos aparelhos de pesca, folclore marítimo, restaurantes aderentes com menús especiais de pescado, etc.

Ainda no que se refere a este tipo de turismo é necessário a criação de um ‘Circuito Dinisiano’, que englobe a casa-museu e locais associados à estadia e obra do autor.

No que respeita ao Turismo Arquitectónico Urbano, continua por concretizar a recuperação das fontes espalhadas pela cidade de Ovar.

Finalmente seria interessante criar um conjunto de pacotes turísticos (‘Pacotes OvarTur’) que englobassem diferentes produtos combinados, como por exemplo: Passeio de barco + Observação de Vida Selvagem + Circuito Dinisiano (ou outros alternativos).


(Este artigo foi publicado na Revista Reis, Janeiro 2019)

segunda-feira, 5 de junho de 2017

5 de Junho - Dia Mundial do Ambiente

Aproveitemos o dia para celebrar o fim (pelo menos para já!) dos últimos atentados ambientais cometidos na nossa terra. A aproximação do início da época balnear veio pôr termo a uma "operação negra" de pretensa despoluição da Barrinha de Esmoriz.


Durante várias semanas a água sobrecarregada de resíduos tóxicos, químicos e orgânicos, foi bombeada através de tubagens desde a lagoa até ao esporão frontal à praia e  despejada directamente no oceano! 

É vulgar ouvir dizer que o oceano, de tão imenso que é, tem capacidade para "diluir" tudo ou quase tudo .... Mas será mesmo verdade? Claro que não! Mas por cá, para os nossos especialistas em intervenções litorais, o assunto não se revela problemático .... e assim há que poluir à vontade de consciência limpinha. 

E é assim que mais uma vez assuntos como poluição deliberada e intervenções sensacionalistas pré-eleitorais, são colocadas todas no mesmo saco. Um saco obscuro.....em que ninguém é "chamado à pedra" por estes crimes ambientais cometidos .....

E daqui a uns quatro meses como continuará este folhetim? Prosseguirá este crime ambiental de livre poluição do oceano? Continuará viva a ideia de enterrar dinheiro no areal de Esmoriz com a construção da segunda via do emblemático dique fusível? 

Na passagem de mais um 5 de Junho ficam dois alertas. Não se esqueçam (entidades responsáveis) que:

- mesmo no Inverno o oceano e as nossas praias têm o direito a estarem limpas! Com os diabos ... o lixo da Barrinha pode não ser lixo nuclear mas o que é nuclear é que um estado comprometido com tantas directivas europeias saiba ter intervenções ambientais sustentáveis!

- especialmente durante o Inverno o oceano não tem contemplações com projectos que não têm em conta a dinâmica litoral própria deste sector litoral.


Bom trabalho!

sábado, 22 de abril de 2017

Dia Mundial da Terra


Anualmente celebra-se nesta data o Dia Mundial da Terra, como forma de promover a preservação do planeta e a sustentabilidade ambiental, sendo o tema escolhido para este ano a "Instrução Ambiental e Climática", com o objectivo de debater temas como:

- aumento da temperatura global da Terra
- extinção de espécies animais
- aumento do nível dos oceanos
- escassez de água potável
- maior número de catástrofes naturais (tempestades, ondas de calor, secas,...)

Pois ao nosso nível local continua a ser necessária muita literacia ambiental para que os dirigentes ovarenses ponham em prática as recomendações dos organismos internacionais, que obviamente desconhecem. 

Acções nada consistentes com a preservação ambiental, como aquela que está a decorrer na Barrinha de Esmoriz, uma dúzia de anos após uma vergonhosa e similar intervenção, denotam mais uma vez total desprezo e irresponsabilidade pelos mais elementares princípios da conservação dos frágeis ecossistemas costeiros.








Recordemos as lições do passado de modo a evitar a repetição de erros no presente e deste modo salvaguardarmos, no futuro, não mais um postal ilustrado da vaidade política caseira mas antes o ecossistema costeiro conhecido por uns como Barrinha de Esmoriz e por outros como Lagoa de Paramos, mas indiscutivelmente uma importante Zona Húmida de Portugal.

sexta-feira, 3 de março de 2017

A propósito do Dia Mundial da Vida Selvagem


A 3 de Março comemora-se o Dia Mundial da Vida Selvagem, proclamado pela Organização das Nações Unidas, em 2013. Este foi o dia em que foi assinada a Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Fauna e da Flora Selvagem Ameaçadas de Extinção (CITES).

Vida Selvagem pressupõe, antes de mais, assegurar a continuidade de ecossistemas naturais ou semi-naturais, como sejam as lagoas costeiras, importantíssimas na fixação de populações de mamíferos, répteis, anfíbios e sobretudo, pelos elevados números, aves. Este último grupo animal encontra nas lagoas costeiras, nomeadamente naquelas que se localizam sobre a faixa litoral, importantes locais de passagem, descanso, abrigo, nidificação e alimentação.


Foi assim durante muitos anos na Barrinha de Esmoriz .... mas, a curto prazo, a situação poderá mudar drasticamente caso a autarquia não consiga promover juntamente com a POLIS o equilíbrio entre a componente lúdico-turística e a componente da vida selvagem.


A este propósito e como curiosidade, a Câmara de Ovar eleita nas eleições desse 2013 em que foi assinada a convenção atrás referida, na pessoa do seu presidente, teve uma reunião técnica específica para a abordagem do tema da valorização dos espaços naturais do concelho e nomeadamente da Barrinha de Esmoriz. Tendo ficado de avaliar as propostas então apresentadas ...... até hoje ....  aguardemos pelos resultados!


sexta-feira, 22 de julho de 2016

Autarquia de Ovar em contra-corrente ....



Quando no início do último milénio os projectos de intervenção ministeriais para defesa costeira apontavam, inacreditavelmente, para a construção de novas obras em pedra no litoral e reforço das já existentes, eu apontava como alternativa eficaz na protecção do litoral a alimentação artificial e contínua de areias (bypassing), estratégia aplicada com sucesso noutros pontos do globo.

Depois de alguns anos, em que o oceano se encarregou de demonstrar que a "engenharia da pedra" teria que ser posta de lado, recebe-se com agrado as recentes intenções do ministério do Ambiente, reforçando a continuidade da injecção de areias em alguns sectores da costa aveirense, à custa dos dragados do porto de Aveiro. Acções, aliás propostas por mim há mais de uma década.

Diga-se em boa verdade que valeu esse confronto. Água mole em pedra dura tanto dá ..... até que fura!










Aquilo que não se percebe, de todo, é a insistência em levar a cabo um projecto de construção de um quebra-mar destacado na frente do Furadouro. 

Senhor presidente da Câmara Municipal de Ovar, entendo perfeitamente que uma das suas bandeiras de campanha tenha sido a concretização dessa obra, mas tive ocasião de nesses momentos iniciais do seu mandato lhe transmitir pessoalmente a minha discordância relativamente a essa ideia. Por esse facto relembro aqui alguns pontos essenciais em torno desta matéria:


1.º- não existem experiências na costa portuguesa que atestem a eficiência dos quebra-mares destacados na recuperação das praias arenosas......sabe-se apenas que teoricamente a ideia será promover a acumulação de areia entre o quebra-mar e a praia, aumentando assim a largura de praia; assim, a execução desta obra além de dispendiosa seria um "tiro no escuro" em termos da resolução do problema que existe no Furadouro.

Tanto quanto sei não existe nenhum estudo técnico que garanta a eficiência desta obra pesada de engenharia; se existe, esse estudo deveria ter sido suficientemente divulgado junto da comunidade.

2.º - saliento que para se concretizar o objectivo do ponto anterior é preciso que haja areia em quantidade suficiente na corrente de deriva litoral,  de modo a promover a dita acumulação.....e o facto real é que essa areia não existe! A corrente de deriva litoral está muito deficitária de carga sólida.

3.º- não havendo areia em quantidade suficiente na deriva litoral, essa pouca areia tenderá a acumular-se frente ao quebra-mar destacado.....mas, tal como já acontece com os esporões (acumulação a barlamar e erosão a sotamar) também iria acontecer o mesmo com o quebra-mar destacado (acumulação na frente do quebra-mar, erosão a sotamar). 

4.º- a presença do quebra-mar não resolveria o défice de areia da corrente de deriva, mas seguramente promoveria a erosão de sectores adjacentes já muito erodidos. Ou seja, o quebra-mar constituiria mais um factor de erosão!

5.º- face ao que foi referido no ponto 3 será muito provável que na melhor das hipóteses, a acumulação de areia junto ao quebra-mar desse origem no curto/médio prazo ao aparecimento de barras submersas e não propriamente a praias mais extensas. Ou seja, a largura de praia emersa não seria alterada!

6.º- se o sistema de alimentação contínua de areias (bypassing) passar a ser uma aposta global para todo o litoral (como aliás o venho a apontar, pois não vejo outra alternativa num futuro próximo!) tudo o resto (esporões, enrocamentos, paredões, e quebra-mares destacados,....) deixariam de ter justificação, pois a areia iria apresentar um circuito natural entre a água e a praia!

7.º- logo que esta dinâmica costeira fosse estabelecida, o aparecimento de barras arenosas de longshore e de inshore seriam restabelecidas de forma natural fazendo esquecer aquele argumento patético da importância do quebra-mar destacado para melhorar as condições do surf !



Senhor presidente da Câmara Municipal de Ovar, se tem argumentos técnicos que mostrem que este raciocínio está errado explique-os, esclareça, ensine ...... mas não deixe ninguém com aquela sensação desagradável de que o senhor, seja por que motivo for, não faz parte da solução, mas sim do problema!




domingo, 16 de novembro de 2014

Dia Nacional do Mar


Que destino têm elas? 

       Que futuro pode ter o litoral sem elas? 

              Que responsabilidade existe na exploração dos recursos do mar?

                       Para que servem os estudos científicos em torno do mar?

                             Para que servem os organismos (muitos) responsáveis pelo mar e pela gestão dos recursos marinhos?


sábado, 18 de outubro de 2014

O 4.º eixo da "nova energia" !

Há cerca de um ano surgiu em Ovar uma "Nova Energia". 




Tratava-se de um "programa de acção" que dizia pretender revitalizar o concelho em diferentes vertentes.... e gastar os dinheiros recebidos da Europa.



Uma das vertentes contemplada seria o Ambiente! E para isso existia o 4.º Eixo!




Como se verifica da leitura, além da intervenção tonta no curso do rio Cáster há outras prioridades. Entre estas encontra-se a defesa da costa.



Pôr-do-Sol sobre o calmo mar do Furadouro.

4.º eixo do Plano de Acção para o município de Ovar em marcha!
Sem legenda
O inverno está a chegar....como irá, então, o oceano lidar com a força desta "Nova Energia" ? 

terça-feira, 20 de maio de 2014

Furadouro - estância do passado, escolhos no presente.




Dunas saqueadas pelo mar....


máquinas sempre à espera......


porque os prejuízos podem vir a ser muitos ......





E agora?


sexta-feira, 7 de março de 2014

Vamos salvar a Duna dos Caldeirões!

No primeiro dia do corrente mês tive a oportunidade de estar presente, mais uma vez a convite da COREMA, no concelho de Caminha, para presenciar in loco os estragos causados pelo mar neste sector do litoral minhoto e avaliar formas de intervenção. 





Desta vez o motivo principal foi a destruição da Duna dos Caldeirões, em Vila Praia de Âncora, como resultado das fortes investidas do mar nas últimas semanas. 





A importância desta temática fez com que o vice-presidente da Câmara Municipal de Caminha estivesse presente durante a parte da manhã aquando da visita à praia afectada.

Durante a tarde decorreu um plenário, no salão dos Bombeiros Voluntários locais, onde marcaram presença, além de membros da associação COREMA e do vice-presidente da Câmara, representantes da Associação de Pescadores de Âncora, membros de outras associações culturais, bem como diversos munícipes. 


A sessão foi iniciada com a projecção de fotos de anos anteriores e presentes onde se constatava o grande recuo no perfil da linha costeira no litoral do concelho de Caminha. Posteriormente tive a oportunidade de mostrar perante os presentes quais os sectores do litoral norte do país com maiores probabilidades de erosão, particularizando o caso do litoral de Caminha.





A terceira parte deste encontro consistiu no intenso e prolongado debate entre convidado e presentes em torno das melhores opções a tomar no futuro próximo para reabilitação deste sector costeiro.


Foi desta forma que, juntamente com uma associação ambientalista e uma sala cheia de cidadãos preocupados com a sua terra, dei o meu contributo na salvaguarda da Duna dos Caldeirões.



domingo, 2 de fevereiro de 2014

Dia Mundial das Zonas Húmidas



A praia do Furadouro continua a destacar-se no contexto dos fenómenos erosivos nacionais. 


Hoje, Dia Mundial das Zonas Húmidas, este povoado viu mais uma vez as altas ondas oceânicas galgarem a linha de costa.....



destruindo tudo....





E os esporões lá estão....sem nada valerem .....




 e a marginal cada vez menos poupada....






Tanto tempo que não se soube aproveitar no passado e tantos alertas feitos e menosprezados .... no sentido de se evitarem estas complicações....




 E entretanto mais uma preia-mar se aproxima.....