Mostrar mensagens com a etiqueta Ria de Aveiro. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Ria de Aveiro. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Turismo no concelho de Ovar


O turismo no concelho de Ovar poderá constituir-se como um factor de desenvolvimento local caso o mesmo seja entendido pela autarquia como uma prioridade na sua agenda política. Com excepção dos desfiles de Carnaval, porventura suficientemente conhecidos em Portugal e além-fronteiras, todas as outras iniciativas culturais (festivais de música, literários, de teatro, exposições, etc.) necessitam de uma bem maior divulgação nacional e internacional. Se o Turismo Cultural / Urbano é um vector a optimizar no concelho de Ovar, o Turismo de Natureza / Turismo Rural é um  vector a implementar, pois ainda nada se fez de significativo neste campo.

Turismo Natureza / Turismo Rural
Nesta vertente proponho um conjunto de ideias que podem conjugar o desporto de aventura com a fruição dos espaços naturais, desde que seja garantido o respeito pela natureza, evitando-se afectar as áreas de maior sensibilidade ambiental. Considero ser imprescindível criar Trilhos de Pequena Rota (PR) que abranjam as diferentes freguesias do concelho. Nesse sentido proponho a existência de 5 percursos:

·         PR1 Ovar/Furadouro/Maceda (mata)
·         PR2 Ovar/Sr.ª de Entráguas/ Puchadouro/ Moita/Marinha/Ribeira/Tijosa
·         PR3 S. João de Ovar / S. Vicente
·         PR4 Arada/Maceda Interior
·         PR4 Cortegaça / Esmoriz Litoral
·         PR5 Válega Interior

Como complemento deverá ser criado um Trilho de Grande Rota (GR) com abrangência inter-freguesias aproveitando sectores pertencentes aos 5 PR’s.

É ainda desejável que, finalmente, se proceda ao levantamento dos moinhos de água disseminados pelo concelho e que se recuperem os mesmos (ou os mais adequados), para servirem de Unidades de Alojamento Local inseridas em meio rural (Turismo Rural).

O Turismo Ambiental/de Natureza precisa de ecossistemas equilibrados pelo que é fundamental dar uma grande atenção à Ria de Ovar, à zona costeira e aos parques e jardins do concelho.

No que respeita à Ria, é fundamental a valorização ambiental da Foz do Cáster/ Moitas (Área que já devia estar Protegida há muito!) para observação da Vida Selvagem; deveria ser instalado nesta região (no Enxemil ou no cais da Ribeira de Ovar) o ‘Centro de Interpretação da Ria’, destinado à divulgação dos recursos naturais da Ria e dos projectos a ela associados.
Um pouco à semelhança dos PR’s deveriam ser criados passeios turísticos em embarcações típicas (moliceiros, mercantéis ou bateiras) entre os cais da Ribeira, Tijosa, Puchadouro e Carregal.

No que respeita à zona costeira também é importante a criação de dois ‘Centros de Interpretação do Litoral’ a funcionarem nas praias do Furadouro e de Esmoriz, destinados a divulgar os recursos naturais do nosso litoral, as ameaças que sobre ele pesam, bem como, as estratégias usadas na conservação deste ecossistema.

Deviam ser criadas visitas guiadas pelas margens da Ria de Ovar, mata de Maceda, Parque do Buçaquinho e praias do concelho para observação da fauna, da flora, da erosão e da protecção dunar implementada.

É importante a criação do ‘Circuito dos Parques e Jardins’ de Ovar (jardim Garret, dos Campos, de S. Miguel, ….. Parque Urbano, do Buçaquinho,…). Um circuito onde o visitante terá informações sobre a origem, objectivos, espécies vegetais presentes, etc.


Turismo Cultural

No que respeita ao Turismo Cultural, devem ser criados os “Festivais de Ovar” (cada um com uma semana de duração) assentes nas três componentes geográficas: ria, terra e mar.
Cada um destes festivais deveria ter na sua organização a participação de diferentes grupos folclóricos do concelho e cada um deveria englobar actividades específicas (repetidas em diferentes dias da semana) demonstrativas e relacionadas com cada um dos temas, tais como por exemplo:
1)           Festival da Ria (início do Verão): moliçada; pesca lagunar; folclore da beira-ria; barraquinhas do peixe, restaurantes aderentes com menús especiais (enguias), etc.
2)           Festival do Campo (Outono): desfolhada; folclore campestre; feirinha das hortas, circuito Dinisiano, restaurantes aderentes com menús especiais de frutas, carnes e hortícolas, etc.
3)           Festival do Mar (integrador das Festas do Mar de Ovar, Cortegaça e Esmoriz): saídas para o mar; funcionamento da lota; manutenção dos aparelhos de pesca, folclore marítimo, restaurantes aderentes com menús especiais de pescado, etc.

Ainda no que se refere a este tipo de turismo é necessário a criação de um ‘Circuito Dinisiano’, que englobe a casa-museu e locais associados à estadia e obra do autor.

No que respeita ao Turismo Arquitectónico Urbano, continua por concretizar a recuperação das fontes espalhadas pela cidade de Ovar.

Finalmente seria interessante criar um conjunto de pacotes turísticos (‘Pacotes OvarTur’) que englobassem diferentes produtos combinados, como por exemplo: Passeio de barco + Observação de Vida Selvagem + Circuito Dinisiano (ou outros alternativos).


(Este artigo foi publicado na Revista Reis, Janeiro 2019)

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Dia Mundial das Zonas Húmidas vs espírito BioRia



Hoje comemora-se o Dia Mundial das Zonas Húmidas, como forma de assinalar a adopção, em 1971, da Convenção de Ramsar, relativamente à qual o nosso país foi um dos signatários. Este diploma visava já, há quase meio século, despertar as consciências para a necessidade de proceder à conservação e à utilização sustentável deste tipo de ecossistemas.


O interesse pela gestão sustentável das Zonas Húmidas tem a ver com o facto destas se encontrarem entre os ecossistemas mais produtivos do planeta. Mais produtivos e simultâneamente mais ameaçados. Em todo o mundo são múltiplos os atentados cometidos contra as Zonas Húmidas. Lixos sólidos e efluentes não tratados são descarregados nos cursos e bolsas de água, principalmente rios, lagos, lagunas, lagoas, etc. Também a drenagem e enxugo de zonas aquáticas constituem outros factores muito importantes de degradação deste tipo de recursos naturais. 



Contudo, além destes factores nocivos derivados da incúria do homem nas suas práticas diárias acresce a irresponsabilidade dos decisores políticos ao permitirem que estas áreas sejam alvo de uma exploração desregrada.


Em 2018 a comemoração da efeméride procura chamar a atenção para as Zonas Húmidas que se localizam na envolvência de núcleos urbanos e que estiveram na base do desenvolvimento dos mesmos. A Ria de Aveiro é um exemplo perfeito deste tipo de Zona Húmida, pois em seu redor implantou-se um elevado número de aglomerados populacionais que se foram transformando em vilas e cidades ao longo dos tempos. A Ria de Aveiro representou desde o século XII uma importante fonte de água, de recursos pesqueiros, de algas, de sal, que permitiu ao homem evoluir em termos económicos e sociais.


O Baixo-Vouga Lagunar é, dentro do espaço lagunar da Ria de Aveiro, uma Zona Húmida de características muito peculiares pela diversidade de biótopos aí existentes. Aqui proliferou, até um passado recente, uma fauna selvagem diversificada adaptada às condições naturais da região, mesmo quando sobre esta pesava o enorme fardo da poluição do ar e da água provenientes da indústria pesada instalada em seu redor e quando a caça era demasiadas vezes praticada de forma ilegal. 




Actualmente, o Baixo-Vouga depara-se com outra ameaça à sua conservação. O denominado projecto BioRia, da iniciativa da Câmara Municipal de Estarreja, teoricamente criado para valorizar aquele espaço de Vida Selvagem, como aliás seria desejável e eu próprio preconizei desde o início da década de 80, constitui na prática um instrumento de delapidação dos recursos daquela Zona Húmida.


A passagem regular pelos trilhos de serventia aos campos agrícolas de praticantes de jogging, a realização de corridas e de provas outdoor de características paramilitares, como a infeliz iniciativa denominada BioRace Challenge, além de satisfazerem os interesses económicos de variadíssimas castas promovem o desaparecimento das espécies da fauna pela pressão que exercem sobre o meio ambiente (vem a propósito referir que estes comportamentos reforçam a minha ideia de que foi um erro gravíssimo ter acabado o serviço militar obrigatório em Portugal, pois o mesmo contribuiria para a satisfação integral destas necessidades físicas, mas então realizadas nos locais adequados, como seriam as unidades militares).



fonte: ambientemagazine.com

fonte: bioria.pt

fonte: cm-estarreja.pt 

fonte: cm-estarreja.pt

fonte:diarioaveiro.pt

fonte:metronews.com.pt 


É preciso respeitar a natureza no Baixo-Vouga lagunar, acabando com projectos falaciosos, que no papel dizem uma coisa e no terreno fazem outra completamente diferente. Exemplos de gestão autárquica dos espaços selvagens como aquela que é feita no Baixo-Vouga revelam a importância deste tipo de gestão voltar a ser feita por organismos centrais do Estado ou sob apertado controlo da parte destes. 


É preciso não fazer letra morta dos acordos internacionais assumidos, como aqueles que constam da Convenção de Ramsar.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Ria de Aveiro: o homem e os bentos.

A Ria de Aveiro constitui uma das principais Zonas Húmidas portuguesas possuindo grandes extensões de vaza durante a baixa-mar. Este biótopo, de aspecto pouco atraente à vista, alberga uma multidão de espécies soterradas no lodo (os denominados bentos) que outras espécies de nível superior, procuram incessantemente como alimento.




Entre as espécies que vivem enterradas no lodo constam bactérias, protozoários, microalgas, bivalves, gastrópodes, vermes, larvas e juvenis de macrofauna. Sobre o lodo vivem outras espécies como os caranguejos e diversas larvas de insectos.

Entre as espécies que exploram este biótopo típico das zonas entre-marés constam grandes bandos de pilritos, borrelhos, maçaricos e de várias outras limícolas.




Contudo, o maior predador das espécies bentónicas na Ria de Aveiro é o homem, que diariamente e durante a baixa-mar remexe o fundo da laguna à procura dos tão apetecidos "petiscos"  numa actividade de ganha-pão.





quinta-feira, 20 de outubro de 2016

BioRia: um caso (infeliz) de estudo!


www.bioria.com
Está na moda, e ainda bem, o conceito de turismo ambiental. Praticado há bastante tempo em vários países, por todo o mundo, este conceito começa a ser pensado e explorado em Portugal na continuidade de outras formas de turismo sustentável, nomeadamente do turismo rural.

O turismo ambiental, eco-turismo, turismo de natureza ou da vida selvagem procura proporcionar o usufruto de áreas naturais ou semi-naturais, com a valorização da biodiversidade e demais recursos naturais a elas associados. Eu próprio acalentei esta forma de turismo para a Ria de Aveiro, já em meados dos anos 80 do século passado, face à riqueza natural que esta Zona Húmida disponibilizava e que à data podia ter sido potenciada caso se investisse na conservação dos seus biótopos e das suas espécies.


www.bioria.com

Numa consulta ao site do BioRia, projecto da Câmara Municipal de Estarreja (http://bioria.com/apresentacao), verifica-se que entre os objectivos do mesmo, para os campos do Baixo-Vouga Lagunar, constam “a valorização do ecossistema natural….a conservação da natureza e da biodiversidade……a requalificação de zonas ambientalmente degradadas”. Em boa verdade, toda esta oratória está conforme as características de um turismo sustentável.

No entanto, uma nova leitura do site, agora direccionada ao plano de actividades do BioRia, permite constatar a ocorrência de diversos momentos lúdicos, quer nos trilhos (os antigos caminhos de acesso aos campos), quer nos esteiros. Estas actividades que passam invariavelmente pela concentração de pessoas a caminhar, a correr, a andar de bicicleta, de carro ou de kayak, em nada contribuem para os objectivos de conservação da biodiversidade do Baixo-Vouga Lagunar.

Mas, se estas actividades representam graves factores de perturbação para a fauna selvagem local, nomeadamente para diversas espécies nidificantes e para várias outras com estatuto de vulnerabilidade, o expoente máximo da agressão ambiental acontece, incongruentemente, com a BioRace Challenge - corrida de obstáculos, a qual reúne anualmente centenas de participantes neste oásis da Ria de Aveiro!

Nesta inadmissível prova, toda esta Zona Húmida se transforma num autêntico campo de treino militar. E a prová-lo está a descrição que a própria BioRia faz do evento (http://bioria.com/biorace)….“saltar, transpor fardos de palha, paliçadas e pneus, atravessar rolos de madeira e manilhas, rastejar na lama, atravessar lombas, transportar troncos de árvores…” Todos estes exercícios são bem conhecidos de quem cumpriu no passado o serviço militar obrigatório e de quem hoje continua a fazer parte das Forças Armadas. Mas a realidade é que o Baixo Vouga Lagunar não é nem pode ser um “campo militar”, em que uns quantos citadinos a troco do custo de uma inscrição têm permissão para escaqueirar a natureza da Ria de Aveiro!

www.bioria.com

www.bioria.com

www.bioria.com

www.bioria.com

www.bioria.com
www.bioria.com

Recorde-se que a Ria de Aveiro é uma ZPE (Zona de Protecção Especial) e que possui vários SIC (Sítios de Importância Comunitária), definidos ao abrigo de Directivas Comunitárias. Recorde-se também que o valor natural da referida zona está sobejamente identificado desde há várias décadas, nomeadamente pelos vários anos de trabalho realizado no local e divulgado em colóquios, jornadas e palestras durante a década de 80 e em livro (Ria de Aveiro – Memórias da Natureza, 1993). Nesta data e considerando todo o território nacional, o núcleo com maior número de casais reprodutores de águia-sapeira (Circus aeruginosus), assim como, a maior colónia de garça-vermelha (Ardea purpurea) localizavam-se precisamente nesta região.



artededebicar.blogspot.com

herdadedegambia.com



O que se passa actualmente no Baixo-Vouga Lagunar nada tem a ver com projectos conservacionistas ou com a valorização do património ambiental local. Aquilo que por lá se desenrola será, sem dúvida, um meio de promover um certo “turismo caseiro”, mas de características agressivas, que nada tem a ver com eco-turismo. Por esta razão o BioRia constitui um vector de destruição daquilo que diz defender.

Face ao exposto será conveniente que todas estas actividades com impacto ambiental negativo sejam proibidas nesta região, devendo ser deslocadas para outras áreas do concelho mais adequadas para o efeito, em prol do bom nome da Consciência Ambiental e dos compromissos assumidos pelo governo português neste domínio a nível internacional.

Basta de iniciativas destrutivas a coberto de projectos autárquicos. O Baixo Vouga Lagunar precisa de medidas de protecção. Não precisa deste projecto BioRia!


Ps. A proveniência das fotos incorporadas neste artigo testemunha o sentir de diferentes entidades em torno da riqueza da área, assim como, das actividades que lá se praticam. Podem ainda ser visualizados os vídeos promocionais do BioRia sobre a referida actividade outdoor:



            
(este artigo foi publicado no Diário de Aveiro, 16/10/16 e no jornal digital OvarNews, 13/11/16)

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Dia Mundial do Ambiente


Proteger o ambiente implica sempre a exploração sustentável dos recursos naturais e a ausência de acções atentatórias contra o mesmo.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Dia Mundial da Terra


Ria de Ovar
O dia da Terra surgiu há 45 anos, nos EUA, aquando de uma manifestação conjunta de estudantes e da comunidade em geral, com o objectivo de despertar as consciências para os graves problemas causados pela poluição, para a importância de se adoptarem políticas de conservação da biodiversidade e para a necessidade de uma participação consciente por parte dos cidadãos nas tomadas de decisão a nível local e regional.

Este movimento alargado de cidadãos esteve na origem da Agência de Proteção Ambiental (Environmental Protection Agency), nos EUA e à posterior realização do primeiro grande encontro mundial para discussão dos referidos temas (Conferência de Estocolmo, 1972). Em 2009, pela sua importância, a data de 22 de Abril passa a ser reconhecido pela ONU, como data internacional.

O Dia da Terra serve, então, para denunciar atropelos ambientais, nomeadamente insistir no término da destruição sistemática de habitats fundamentais e na adopção de soluções que permitam eliminar os efeitos negativos das actividades humanas, nomeadamente no que diz respeito à protecção de espécies ameaçadas.



sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Denúncia para memora futura!

Há quatro anos o programa Biosfera esteve na Foz do Cáster, em Ovar, para registar as preocupações ambientais, que à data se manifestavam perante a eminência das intervenções do projecto POLIS - Ria de Aveiro, nesse mesmo local. 




No referido programa fizeram-se vários alertas sobre as consequências nefastas que poderiam resultar na biodiversidade local se o projecto não se revelasse sustentável.



Este ano, a 29 de Julho, o programa Biosfera voltou ao local para registar que o POLIS - Ria de Aveiro continuou, impunemente, a destruir os habitats da zona, promovendo a perturbação e o desequilíbrio dos mesmos.




A reportagem ficará para memória futura mostrando como "para se gastarem os fundos comunitários se leva a efeito qualquer idiotice, mesmo que para tal se destruam os recursos naturais locais". 




sexta-feira, 20 de junho de 2014

Isto são IDEIAS VERDES?

Em 27.10.2010 chamei a atenção, aqui neste espaço, para os perigos que haviam sido propostos pelo POLIS - Ria de Aveiro para a zona da Foz do Cáster, em Ovar. 


Campos na zona do Cáster
De facto, a equipa projectista vencedora do concurso propunha como medidas de valorização e requalificação ideias que eu considerei como sendo de "destruição". A destruição de um riquíssimo ecossistema natural.

Águia-de-asa-redonda (Buteo buteo) junto ao rio Cáster
Garça-real (Ardea cinerea) voando sobre o rio Cáster

Entre as medidas propostas constavam a construção de uma ciclovia paralela ao curso do rio, até à sua foz, bem como, a implantação de torres de observação. A gravidade destas medidas tinha merecido a atenção dos media, de tal modo que uns dias antes desta postagem o programa BIOSFERA, da RTP2, tinha passado uma reportagem gravada no local desmascarando as ameaças que este projecto encobria.

Em 15.06.2011 logo após algumas afirmações precipitadas saídas da presidência do POLIS-Ria de Aveiro acerca do projecto voltei a salientar, como exemplos a não repetir, alguns impactos negativos já ocorridos em alguns pontos da Ria de Aveiro derivados de outras intervenções anteriores mal sustentadas. 

Hoje volto à questão base: o POLIS - Ria de Aveiro está em marcha, intervindo em diferentes pontos da ria de Ovar, nomeadamente na FOZ do CÁSTER!

A tal ciclovia está a ser construída... 

Construção de ciclovia ao longo do rio Cáster

Construída para lá dos limites aconselháveis, passando junto a zonas ecologicamente muito sensíveis.... Para quê? 

Sapais ameaçados

E excessivamente larga para o efeito... Porquê?


Término da ciclovia
E ao que tudo indica (pelo desenho constante na placa de apresentação do projecto colocada no cais da Ribeira de Ovar) as torres de observação vão ser lá colocadas. Que vantagens traz este modelo de posto de observação? E estimaram-se as desvantagens?


Placa alusiva ao projecto situada no Cais da Ribeira de Ovar

E tal como seria de esperar (pela "qualidade" do projecto!) até velocípedes motorizados lá poderão passar de acordo com a ilustração anterior. 


Ora, é a isto que se chamam "IDEIAS VERDES"?


Placa alusiva ao projecto situada no Cais da Ribeira de Ovar
Não!

Nem isto são ideias ecológicas, nem este tipo de intervenções podem ser apadrinhadas pelas autarquias, como a de Ovar, que teve no passado e tem no momento presente a capacidade de impedir este tipo de intervenções. 


Não o fez no passado recente, é verdade, talvez por uma questão de incompreensão deste tipo de matérias; mas pode-o fazer agora, pelas credenciais ambientais que lhe são reconhecidas!!!! 


sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Ave do mês: Corvo-marinho-de-faces-brancas

O corvo-marinho-de-faces-brancas (Phalacrocorax carbo) é uma ave aquática predominantemente invernante, de coloração escura, com bico e pescoço (esticado em voo) longos. 





Estas aves apresentam no Inverno uma mancha clara  no ventre e na face. Actualmente, é observada em grande número em águas interiores, sobretudo nos rios e lagunas, onde pode encontrar alimento em abundância. 

No início e no fim do dia é frequente observar-se grandes "V" formados por dezenas de aves voando, respectivamente, dos dormitórios para os locais onde passam o dia e vice-versa. 



É típico nesta ave, após cada mergulho realizado em busca de alimento, voar para um local seco ou para algum poste existente nas proximidades, onde permanece durante algum tempo com as asas abertas de modo a poderem secar as penas.




Na Ria de Aveiro a espécie apresenta uma ampla distribuição lagunar observando-se pousada em vazas, postes, muros, ..... demonstrando grande à-vontade com a proximidade do homem.... 


..... e ocupando os locais típicos das gaivotas.



Dado o aumento significativo que estas populações invernantes têm tido nos últimos anos na Ria de Aveiro e nomeadamente nas águas do concelho de Ovar, merecem especial destaque neste mês que foi bem invernoso.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Quando o vento sul bate sobre a Ria ....




      .... esta transforma-se, oferecendo quadros paisagísticos novos. Nestas ocasiões não há lugar para a paisagem apresentar coloração "Beneton", porque a atmosfera de cor cinza carregada projecta-se na água e nas terras criando um contínuo entre os distintos meios. 
Entre os figurantes deste cenário agreste destacam-se as aves selvagens, que por aqui estão de passagem ou por aqui invernam.

O dia avança ao mesmo tempo que o vento continua a soprar forte, em rajadas sucessivas, ajudando a maré a subir no canal ainda muito seco. O cheiro a chuva paira no ar, ao contrário das aves que preferem aninhar-se em terra.



Algumas destas espécies, para se defenderem das fortes rajadas, agrupam-se, posicionando-se de frente para a borrasca; outras, vagueiam solitárias ou em pequenos grupos, nas águas baixas junto às margens. 




Em geral, nestes dias frios e ventosos, há sempre uma ou outra surpresa para um birdwatcher. É como encontrar um brinde no bolo-rei!

Hoje, a primeira das surpresas, foi observar um grupo de nove corvos-marinhos-de-faces-brancas (Phalacrocorax carbo carbo) e uma garça-real (Ardea cinerea) estratégicamente pousados numa estrutura flutuante muito próxima de terra, num local onde habitualmente as aves não se acercam devido à presença do homem. Refira-se a propósito que, a primeira destas duas espécies era essencialmente marinha, há uma meia dúzia de anos atrás, sendo muito poucos os indivíduos que penetravam então Ria adentro.

A segunda surpresa do dia, ainda maior e por isso mais saborosa, foi observar, muito perto da margem, dois colhereiros (Platalea leucorodia), imparáveis no seu peculiar modo de procura de alimento. Tal como o seu nome indica, a forma em espátula do seu bico ajuda-o a filtrar os organismos de que se alimenta. Esta espécie, embora já observada uma ou outra vez em invernos anteriores, é considerada uma espécie acidental na Ria de Aveiro, quer durante o Inverno, quer durante as passagens migratórias.







Mas nesta época do ano o estado do clima é mutável, mesmo num intervalo de vinte e quatro horas. E assim, logo que o vento amaina, a chuva passa e o Sol desponta envergonhado, a Ria volta a transformar-se. É um vulgar cliché dizer-se que depois da tempestade vem a bonança. E é com este chavão que as aves da Ria reconstroem um novo cenário. E é neste novo cenário que as surpresas continuam a surgir.

Os corvos-marinhos-de-faces-brancas e as garça-reais voam agora de forma fácil no céu, cruzando diferentes direcções .... os dois colhereiros mudaram de poiso e provavelmente não voltarão a ser vistos, quem sabe ....  mas outras espécies deixam-se então observar .... umas mais pequenas, outras maiores.... 

Poisados hirtos nos caniços, os cartaxos-comuns (Saxicola torquatus) mais parecem sentinelas.... e sobre o sapal voam próximas algumas águias-sapeiras (Circus aeruginosus), pré-anunciando as paradas nupciais.... acompanhando as garça-reais voam as garças-brancas-pequenas (Egretta garzetta) e .... eis que surge mais outra surpresa! Mais um brinde no bolo-rei que é a Ria de Aveiro. 

Voando a meia altura sobre os caniçais, logo atrás da garça-branca-pequena, surge esbelta uma garça-branca-grande (Casmerodius albus)! 


Foto retirada do google images

Nesta rara observação das duas espécies voando próximas, torna-se bem nítida a diferença de envergaduras. Esta última espécie é também acidental na Ria, ocorrendo raramente e de forma isolada no Inverno, sendo a sua primeira observação na região relativamente recente.


É assim o Inverno na Ria de Aveiro! Muito bonito e oferecendo vários brindes.