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segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Turismo no concelho de Ovar


O turismo no concelho de Ovar poderá constituir-se como um factor de desenvolvimento local caso o mesmo seja entendido pela autarquia como uma prioridade na sua agenda política. Com excepção dos desfiles de Carnaval, porventura suficientemente conhecidos em Portugal e além-fronteiras, todas as outras iniciativas culturais (festivais de música, literários, de teatro, exposições, etc.) necessitam de uma bem maior divulgação nacional e internacional. Se o Turismo Cultural / Urbano é um vector a optimizar no concelho de Ovar, o Turismo de Natureza / Turismo Rural é um  vector a implementar, pois ainda nada se fez de significativo neste campo.

Turismo Natureza / Turismo Rural
Nesta vertente proponho um conjunto de ideias que podem conjugar o desporto de aventura com a fruição dos espaços naturais, desde que seja garantido o respeito pela natureza, evitando-se afectar as áreas de maior sensibilidade ambiental. Considero ser imprescindível criar Trilhos de Pequena Rota (PR) que abranjam as diferentes freguesias do concelho. Nesse sentido proponho a existência de 5 percursos:

·         PR1 Ovar/Furadouro/Maceda (mata)
·         PR2 Ovar/Sr.ª de Entráguas/ Puchadouro/ Moita/Marinha/Ribeira/Tijosa
·         PR3 S. João de Ovar / S. Vicente
·         PR4 Arada/Maceda Interior
·         PR4 Cortegaça / Esmoriz Litoral
·         PR5 Válega Interior

Como complemento deverá ser criado um Trilho de Grande Rota (GR) com abrangência inter-freguesias aproveitando sectores pertencentes aos 5 PR’s.

É ainda desejável que, finalmente, se proceda ao levantamento dos moinhos de água disseminados pelo concelho e que se recuperem os mesmos (ou os mais adequados), para servirem de Unidades de Alojamento Local inseridas em meio rural (Turismo Rural).

O Turismo Ambiental/de Natureza precisa de ecossistemas equilibrados pelo que é fundamental dar uma grande atenção à Ria de Ovar, à zona costeira e aos parques e jardins do concelho.

No que respeita à Ria, é fundamental a valorização ambiental da Foz do Cáster/ Moitas (Área que já devia estar Protegida há muito!) para observação da Vida Selvagem; deveria ser instalado nesta região (no Enxemil ou no cais da Ribeira de Ovar) o ‘Centro de Interpretação da Ria’, destinado à divulgação dos recursos naturais da Ria e dos projectos a ela associados.
Um pouco à semelhança dos PR’s deveriam ser criados passeios turísticos em embarcações típicas (moliceiros, mercantéis ou bateiras) entre os cais da Ribeira, Tijosa, Puchadouro e Carregal.

No que respeita à zona costeira também é importante a criação de dois ‘Centros de Interpretação do Litoral’ a funcionarem nas praias do Furadouro e de Esmoriz, destinados a divulgar os recursos naturais do nosso litoral, as ameaças que sobre ele pesam, bem como, as estratégias usadas na conservação deste ecossistema.

Deviam ser criadas visitas guiadas pelas margens da Ria de Ovar, mata de Maceda, Parque do Buçaquinho e praias do concelho para observação da fauna, da flora, da erosão e da protecção dunar implementada.

É importante a criação do ‘Circuito dos Parques e Jardins’ de Ovar (jardim Garret, dos Campos, de S. Miguel, ….. Parque Urbano, do Buçaquinho,…). Um circuito onde o visitante terá informações sobre a origem, objectivos, espécies vegetais presentes, etc.


Turismo Cultural

No que respeita ao Turismo Cultural, devem ser criados os “Festivais de Ovar” (cada um com uma semana de duração) assentes nas três componentes geográficas: ria, terra e mar.
Cada um destes festivais deveria ter na sua organização a participação de diferentes grupos folclóricos do concelho e cada um deveria englobar actividades específicas (repetidas em diferentes dias da semana) demonstrativas e relacionadas com cada um dos temas, tais como por exemplo:
1)           Festival da Ria (início do Verão): moliçada; pesca lagunar; folclore da beira-ria; barraquinhas do peixe, restaurantes aderentes com menús especiais (enguias), etc.
2)           Festival do Campo (Outono): desfolhada; folclore campestre; feirinha das hortas, circuito Dinisiano, restaurantes aderentes com menús especiais de frutas, carnes e hortícolas, etc.
3)           Festival do Mar (integrador das Festas do Mar de Ovar, Cortegaça e Esmoriz): saídas para o mar; funcionamento da lota; manutenção dos aparelhos de pesca, folclore marítimo, restaurantes aderentes com menús especiais de pescado, etc.

Ainda no que se refere a este tipo de turismo é necessário a criação de um ‘Circuito Dinisiano’, que englobe a casa-museu e locais associados à estadia e obra do autor.

No que respeita ao Turismo Arquitectónico Urbano, continua por concretizar a recuperação das fontes espalhadas pela cidade de Ovar.

Finalmente seria interessante criar um conjunto de pacotes turísticos (‘Pacotes OvarTur’) que englobassem diferentes produtos combinados, como por exemplo: Passeio de barco + Observação de Vida Selvagem + Circuito Dinisiano (ou outros alternativos).


(Este artigo foi publicado na Revista Reis, Janeiro 2019)

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Dia Mundial das Zonas Húmidas vs espírito BioRia



Hoje comemora-se o Dia Mundial das Zonas Húmidas, como forma de assinalar a adopção, em 1971, da Convenção de Ramsar, relativamente à qual o nosso país foi um dos signatários. Este diploma visava já, há quase meio século, despertar as consciências para a necessidade de proceder à conservação e à utilização sustentável deste tipo de ecossistemas.


O interesse pela gestão sustentável das Zonas Húmidas tem a ver com o facto destas se encontrarem entre os ecossistemas mais produtivos do planeta. Mais produtivos e simultâneamente mais ameaçados. Em todo o mundo são múltiplos os atentados cometidos contra as Zonas Húmidas. Lixos sólidos e efluentes não tratados são descarregados nos cursos e bolsas de água, principalmente rios, lagos, lagunas, lagoas, etc. Também a drenagem e enxugo de zonas aquáticas constituem outros factores muito importantes de degradação deste tipo de recursos naturais. 



Contudo, além destes factores nocivos derivados da incúria do homem nas suas práticas diárias acresce a irresponsabilidade dos decisores políticos ao permitirem que estas áreas sejam alvo de uma exploração desregrada.


Em 2018 a comemoração da efeméride procura chamar a atenção para as Zonas Húmidas que se localizam na envolvência de núcleos urbanos e que estiveram na base do desenvolvimento dos mesmos. A Ria de Aveiro é um exemplo perfeito deste tipo de Zona Húmida, pois em seu redor implantou-se um elevado número de aglomerados populacionais que se foram transformando em vilas e cidades ao longo dos tempos. A Ria de Aveiro representou desde o século XII uma importante fonte de água, de recursos pesqueiros, de algas, de sal, que permitiu ao homem evoluir em termos económicos e sociais.


O Baixo-Vouga Lagunar é, dentro do espaço lagunar da Ria de Aveiro, uma Zona Húmida de características muito peculiares pela diversidade de biótopos aí existentes. Aqui proliferou, até um passado recente, uma fauna selvagem diversificada adaptada às condições naturais da região, mesmo quando sobre esta pesava o enorme fardo da poluição do ar e da água provenientes da indústria pesada instalada em seu redor e quando a caça era demasiadas vezes praticada de forma ilegal. 




Actualmente, o Baixo-Vouga depara-se com outra ameaça à sua conservação. O denominado projecto BioRia, da iniciativa da Câmara Municipal de Estarreja, teoricamente criado para valorizar aquele espaço de Vida Selvagem, como aliás seria desejável e eu próprio preconizei desde o início da década de 80, constitui na prática um instrumento de delapidação dos recursos daquela Zona Húmida.


A passagem regular pelos trilhos de serventia aos campos agrícolas de praticantes de jogging, a realização de corridas e de provas outdoor de características paramilitares, como a infeliz iniciativa denominada BioRace Challenge, além de satisfazerem os interesses económicos de variadíssimas castas promovem o desaparecimento das espécies da fauna pela pressão que exercem sobre o meio ambiente (vem a propósito referir que estes comportamentos reforçam a minha ideia de que foi um erro gravíssimo ter acabado o serviço militar obrigatório em Portugal, pois o mesmo contribuiria para a satisfação integral destas necessidades físicas, mas então realizadas nos locais adequados, como seriam as unidades militares).



fonte: ambientemagazine.com

fonte: bioria.pt

fonte: cm-estarreja.pt 

fonte: cm-estarreja.pt

fonte:diarioaveiro.pt

fonte:metronews.com.pt 


É preciso respeitar a natureza no Baixo-Vouga lagunar, acabando com projectos falaciosos, que no papel dizem uma coisa e no terreno fazem outra completamente diferente. Exemplos de gestão autárquica dos espaços selvagens como aquela que é feita no Baixo-Vouga revelam a importância deste tipo de gestão voltar a ser feita por organismos centrais do Estado ou sob apertado controlo da parte destes. 


É preciso não fazer letra morta dos acordos internacionais assumidos, como aqueles que constam da Convenção de Ramsar.

segunda-feira, 5 de junho de 2017

5 de Junho - Dia Mundial do Ambiente

Aproveitemos o dia para celebrar o fim (pelo menos para já!) dos últimos atentados ambientais cometidos na nossa terra. A aproximação do início da época balnear veio pôr termo a uma "operação negra" de pretensa despoluição da Barrinha de Esmoriz.


Durante várias semanas a água sobrecarregada de resíduos tóxicos, químicos e orgânicos, foi bombeada através de tubagens desde a lagoa até ao esporão frontal à praia e  despejada directamente no oceano! 

É vulgar ouvir dizer que o oceano, de tão imenso que é, tem capacidade para "diluir" tudo ou quase tudo .... Mas será mesmo verdade? Claro que não! Mas por cá, para os nossos especialistas em intervenções litorais, o assunto não se revela problemático .... e assim há que poluir à vontade de consciência limpinha. 

E é assim que mais uma vez assuntos como poluição deliberada e intervenções sensacionalistas pré-eleitorais, são colocadas todas no mesmo saco. Um saco obscuro.....em que ninguém é "chamado à pedra" por estes crimes ambientais cometidos .....

E daqui a uns quatro meses como continuará este folhetim? Prosseguirá este crime ambiental de livre poluição do oceano? Continuará viva a ideia de enterrar dinheiro no areal de Esmoriz com a construção da segunda via do emblemático dique fusível? 

Na passagem de mais um 5 de Junho ficam dois alertas. Não se esqueçam (entidades responsáveis) que:

- mesmo no Inverno o oceano e as nossas praias têm o direito a estarem limpas! Com os diabos ... o lixo da Barrinha pode não ser lixo nuclear mas o que é nuclear é que um estado comprometido com tantas directivas europeias saiba ter intervenções ambientais sustentáveis!

- especialmente durante o Inverno o oceano não tem contemplações com projectos que não têm em conta a dinâmica litoral própria deste sector litoral.


Bom trabalho!

sábado, 22 de abril de 2017

Dia Mundial da Terra


Anualmente celebra-se nesta data o Dia Mundial da Terra, como forma de promover a preservação do planeta e a sustentabilidade ambiental, sendo o tema escolhido para este ano a "Instrução Ambiental e Climática", com o objectivo de debater temas como:

- aumento da temperatura global da Terra
- extinção de espécies animais
- aumento do nível dos oceanos
- escassez de água potável
- maior número de catástrofes naturais (tempestades, ondas de calor, secas,...)

Pois ao nosso nível local continua a ser necessária muita literacia ambiental para que os dirigentes ovarenses ponham em prática as recomendações dos organismos internacionais, que obviamente desconhecem. 

Acções nada consistentes com a preservação ambiental, como aquela que está a decorrer na Barrinha de Esmoriz, uma dúzia de anos após uma vergonhosa e similar intervenção, denotam mais uma vez total desprezo e irresponsabilidade pelos mais elementares princípios da conservação dos frágeis ecossistemas costeiros.








Recordemos as lições do passado de modo a evitar a repetição de erros no presente e deste modo salvaguardarmos, no futuro, não mais um postal ilustrado da vaidade política caseira mas antes o ecossistema costeiro conhecido por uns como Barrinha de Esmoriz e por outros como Lagoa de Paramos, mas indiscutivelmente uma importante Zona Húmida de Portugal.

sexta-feira, 3 de março de 2017

A propósito do Dia Mundial da Vida Selvagem


A 3 de Março comemora-se o Dia Mundial da Vida Selvagem, proclamado pela Organização das Nações Unidas, em 2013. Este foi o dia em que foi assinada a Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Fauna e da Flora Selvagem Ameaçadas de Extinção (CITES).

Vida Selvagem pressupõe, antes de mais, assegurar a continuidade de ecossistemas naturais ou semi-naturais, como sejam as lagoas costeiras, importantíssimas na fixação de populações de mamíferos, répteis, anfíbios e sobretudo, pelos elevados números, aves. Este último grupo animal encontra nas lagoas costeiras, nomeadamente naquelas que se localizam sobre a faixa litoral, importantes locais de passagem, descanso, abrigo, nidificação e alimentação.


Foi assim durante muitos anos na Barrinha de Esmoriz .... mas, a curto prazo, a situação poderá mudar drasticamente caso a autarquia não consiga promover juntamente com a POLIS o equilíbrio entre a componente lúdico-turística e a componente da vida selvagem.


A este propósito e como curiosidade, a Câmara de Ovar eleita nas eleições desse 2013 em que foi assinada a convenção atrás referida, na pessoa do seu presidente, teve uma reunião técnica específica para a abordagem do tema da valorização dos espaços naturais do concelho e nomeadamente da Barrinha de Esmoriz. Tendo ficado de avaliar as propostas então apresentadas ...... até hoje ....  aguardemos pelos resultados!


sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Ria de Aveiro: o homem e os bentos.

A Ria de Aveiro constitui uma das principais Zonas Húmidas portuguesas possuindo grandes extensões de vaza durante a baixa-mar. Este biótopo, de aspecto pouco atraente à vista, alberga uma multidão de espécies soterradas no lodo (os denominados bentos) que outras espécies de nível superior, procuram incessantemente como alimento.




Entre as espécies que vivem enterradas no lodo constam bactérias, protozoários, microalgas, bivalves, gastrópodes, vermes, larvas e juvenis de macrofauna. Sobre o lodo vivem outras espécies como os caranguejos e diversas larvas de insectos.

Entre as espécies que exploram este biótopo típico das zonas entre-marés constam grandes bandos de pilritos, borrelhos, maçaricos e de várias outras limícolas.




Contudo, o maior predador das espécies bentónicas na Ria de Aveiro é o homem, que diariamente e durante a baixa-mar remexe o fundo da laguna à procura dos tão apetecidos "petiscos"  numa actividade de ganha-pão.





quinta-feira, 20 de outubro de 2016

BioRia: um caso (infeliz) de estudo!


www.bioria.com
Está na moda, e ainda bem, o conceito de turismo ambiental. Praticado há bastante tempo em vários países, por todo o mundo, este conceito começa a ser pensado e explorado em Portugal na continuidade de outras formas de turismo sustentável, nomeadamente do turismo rural.

O turismo ambiental, eco-turismo, turismo de natureza ou da vida selvagem procura proporcionar o usufruto de áreas naturais ou semi-naturais, com a valorização da biodiversidade e demais recursos naturais a elas associados. Eu próprio acalentei esta forma de turismo para a Ria de Aveiro, já em meados dos anos 80 do século passado, face à riqueza natural que esta Zona Húmida disponibilizava e que à data podia ter sido potenciada caso se investisse na conservação dos seus biótopos e das suas espécies.


www.bioria.com

Numa consulta ao site do BioRia, projecto da Câmara Municipal de Estarreja (http://bioria.com/apresentacao), verifica-se que entre os objectivos do mesmo, para os campos do Baixo-Vouga Lagunar, constam “a valorização do ecossistema natural….a conservação da natureza e da biodiversidade……a requalificação de zonas ambientalmente degradadas”. Em boa verdade, toda esta oratória está conforme as características de um turismo sustentável.

No entanto, uma nova leitura do site, agora direccionada ao plano de actividades do BioRia, permite constatar a ocorrência de diversos momentos lúdicos, quer nos trilhos (os antigos caminhos de acesso aos campos), quer nos esteiros. Estas actividades que passam invariavelmente pela concentração de pessoas a caminhar, a correr, a andar de bicicleta, de carro ou de kayak, em nada contribuem para os objectivos de conservação da biodiversidade do Baixo-Vouga Lagunar.

Mas, se estas actividades representam graves factores de perturbação para a fauna selvagem local, nomeadamente para diversas espécies nidificantes e para várias outras com estatuto de vulnerabilidade, o expoente máximo da agressão ambiental acontece, incongruentemente, com a BioRace Challenge - corrida de obstáculos, a qual reúne anualmente centenas de participantes neste oásis da Ria de Aveiro!

Nesta inadmissível prova, toda esta Zona Húmida se transforma num autêntico campo de treino militar. E a prová-lo está a descrição que a própria BioRia faz do evento (http://bioria.com/biorace)….“saltar, transpor fardos de palha, paliçadas e pneus, atravessar rolos de madeira e manilhas, rastejar na lama, atravessar lombas, transportar troncos de árvores…” Todos estes exercícios são bem conhecidos de quem cumpriu no passado o serviço militar obrigatório e de quem hoje continua a fazer parte das Forças Armadas. Mas a realidade é que o Baixo Vouga Lagunar não é nem pode ser um “campo militar”, em que uns quantos citadinos a troco do custo de uma inscrição têm permissão para escaqueirar a natureza da Ria de Aveiro!

www.bioria.com

www.bioria.com

www.bioria.com

www.bioria.com

www.bioria.com
www.bioria.com

Recorde-se que a Ria de Aveiro é uma ZPE (Zona de Protecção Especial) e que possui vários SIC (Sítios de Importância Comunitária), definidos ao abrigo de Directivas Comunitárias. Recorde-se também que o valor natural da referida zona está sobejamente identificado desde há várias décadas, nomeadamente pelos vários anos de trabalho realizado no local e divulgado em colóquios, jornadas e palestras durante a década de 80 e em livro (Ria de Aveiro – Memórias da Natureza, 1993). Nesta data e considerando todo o território nacional, o núcleo com maior número de casais reprodutores de águia-sapeira (Circus aeruginosus), assim como, a maior colónia de garça-vermelha (Ardea purpurea) localizavam-se precisamente nesta região.



artededebicar.blogspot.com

herdadedegambia.com



O que se passa actualmente no Baixo-Vouga Lagunar nada tem a ver com projectos conservacionistas ou com a valorização do património ambiental local. Aquilo que por lá se desenrola será, sem dúvida, um meio de promover um certo “turismo caseiro”, mas de características agressivas, que nada tem a ver com eco-turismo. Por esta razão o BioRia constitui um vector de destruição daquilo que diz defender.

Face ao exposto será conveniente que todas estas actividades com impacto ambiental negativo sejam proibidas nesta região, devendo ser deslocadas para outras áreas do concelho mais adequadas para o efeito, em prol do bom nome da Consciência Ambiental e dos compromissos assumidos pelo governo português neste domínio a nível internacional.

Basta de iniciativas destrutivas a coberto de projectos autárquicos. O Baixo Vouga Lagunar precisa de medidas de protecção. Não precisa deste projecto BioRia!


Ps. A proveniência das fotos incorporadas neste artigo testemunha o sentir de diferentes entidades em torno da riqueza da área, assim como, das actividades que lá se praticam. Podem ainda ser visualizados os vídeos promocionais do BioRia sobre a referida actividade outdoor:



            
(este artigo foi publicado no Diário de Aveiro, 16/10/16 e no jornal digital OvarNews, 13/11/16)

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

O Parque Urbano e as cheias.

Já muito escrevi acerca do modelo de Parque Urbano escolhido para a cidade de Ovar. Esse modelo surgiu com enormes erros no que respeita à garantia da biodiversidade local e à própria segurança do espaço em si e dos cidadãos. 

A ausência de vegetação ripícola, que foi uma das características de marca deste parque, foi sendo corrigida graças à pressão constante que dediquei a este assunto. Surgiram, então, algumas árvores plantadas ao longo do rio.....mas ainda assim, em número, cobertura espacial e densidade insuficientes !




O resultado desta trilogia (ou da ausência dela) tornou-se bem visível aquando das intempéries invernais, como as que ocorreram muito recentemente. 




É urgente corrigir este défice de vegetação. Sem maior densidade de árvores junto ao rio, as águas transbordarão em períodos de cheia, alagando as margens e as garagens dos prédios próximos. 

Responsáveis autárquicos, as árvores e os arbustos ribeirinhos são fundamentais para a retenção e regularização dos caudais durante os períodos de cheia. Deixem de agir como gestores ambientais empertigados e cegos.

E a propósito, já pensaram no perigo, para os ovarenses, que tem existido nos dias em que o Cáster aumenta de tal maneira o seu caudal e corre de forma turbulenta e a grande velocidade pelo parque?

Já pensaram na possibilidade de qualquer pessoa, nomeadamente uma criança, poder cair ao rio e ser arrastada pela forte corrente, sem possibilidade de resgate?

Porque nunca vi o corte dos acessos ao rio, nomeadamente às zonas de açudes e pontes (estas frequentemente submersas) durante as cheias invernais, como medida de evitar acidentes pessoais?





Responsáveis autárquicos de Ovar, as cheias do Cáster constituem um fenómeno de alto risco pelo que devem ser olhadas com muito mais seriedade e responsabilidade!

domingo, 24 de maio de 2015

Dia Europeu dos Parques Naturais

Ria de Ovar
Hoje celebra-se um dia dedicado a todos aqueles espaços naturais, que pela sua importância mereceram a atenção das entidades responsáveis e foram catalogados de Parques Naturais. 

Nestes espaços fomenta-se a aproximação das populações à natureza (sempre de uma forma sustentável!) aumentando nelas a consciencialização para o valor dos recursos naturais aí existentes e para a correcta forma da sua exploração.


No concelho de Ovar, vai para algumas décadas, que algumas zonas poderiam estar classificadas como áreas protegidas.....a zona lagunar da foz do Cáster.....a Barrinha de Esmoriz..... 
Barrinha de Esmoriz


Infelizmente, nunca houve estatuto autárquico capaz de tais feitos....

.....houve apenas iniciativas ambientais folclóricas....  

.....e a natureza no concelho muito tem perdido!


quarta-feira, 22 de abril de 2015

Dia Mundial da Terra


Ria de Ovar
O dia da Terra surgiu há 45 anos, nos EUA, aquando de uma manifestação conjunta de estudantes e da comunidade em geral, com o objectivo de despertar as consciências para os graves problemas causados pela poluição, para a importância de se adoptarem políticas de conservação da biodiversidade e para a necessidade de uma participação consciente por parte dos cidadãos nas tomadas de decisão a nível local e regional.

Este movimento alargado de cidadãos esteve na origem da Agência de Proteção Ambiental (Environmental Protection Agency), nos EUA e à posterior realização do primeiro grande encontro mundial para discussão dos referidos temas (Conferência de Estocolmo, 1972). Em 2009, pela sua importância, a data de 22 de Abril passa a ser reconhecido pela ONU, como data internacional.

O Dia da Terra serve, então, para denunciar atropelos ambientais, nomeadamente insistir no término da destruição sistemática de habitats fundamentais e na adopção de soluções que permitam eliminar os efeitos negativos das actividades humanas, nomeadamente no que diz respeito à protecção de espécies ameaçadas.



sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Denúncia para memora futura!

Há quatro anos o programa Biosfera esteve na Foz do Cáster, em Ovar, para registar as preocupações ambientais, que à data se manifestavam perante a eminência das intervenções do projecto POLIS - Ria de Aveiro, nesse mesmo local. 




No referido programa fizeram-se vários alertas sobre as consequências nefastas que poderiam resultar na biodiversidade local se o projecto não se revelasse sustentável.



Este ano, a 29 de Julho, o programa Biosfera voltou ao local para registar que o POLIS - Ria de Aveiro continuou, impunemente, a destruir os habitats da zona, promovendo a perturbação e o desequilíbrio dos mesmos.




A reportagem ficará para memória futura mostrando como "para se gastarem os fundos comunitários se leva a efeito qualquer idiotice, mesmo que para tal se destruam os recursos naturais locais". 




sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Continua a saga de atentados ambientais!

Não bastava o plano drástico do POLIS LITORAL - Ria de Aveiro (levado ao terreno com a conivência da Câmara Municipal de Ovar, apesar de atempadamente alertada para as consequências do mesmo!) de levar uma ciclovia até zonas ambientalmente sensíveis do ponto de vista ecológico!



Era necessário destruir ainda mais a natureza da zona envolvente. 





Tudo isto acontece apesar de no passado recente a natureza em Ovar ter demonstrado que destruir a vegetação ribeirinha significa perda da capacidade das bacias fluviais para reterem as águas em períodos de cheia. 
Estou a referir-me ao Parque Urbano de Ovar, uma zona lúdica plenamente justificada para a cidade mas infelizmente muito mal intervencionada.  


O Cáster, é agora uma vítima da ciclovia.....


Quem é afinal responsável por estes desbastes? O POLIS, a Câmara, particulares,...? Quem justifica que, a pretexto de limpar terrenos marginais ou podar árvores, seja possível destruir amieiros, choupos e demais vegetação ripícola?




         
     


Será que para construir uma ciclovia (que na verdade sempre lá existiu!!) é preciso tanta destruição?

É fundamental que a Câmara Municipal de Ovar, até pelos "pergaminhos ambientais" que lhe estão associados, justifique convenientemente porque não foi escolhida para a foz do Cáster uma intervenção ambientalmente sustentável.