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terça-feira, 12 de março de 2013

Odores primaveris...










O céu está carregado de núvens escuras, umas mais altas do que outras. E o vento sul, soprando intensamente, traz habitual e incómodo "cheiro a Cacia". De facto, os gases químicos expelidos pelas altas chaminés da fábrica de pasta de papel, espalham-se durante algumas dezenas de quilómetros, constituindo também um sinal de que a natureza em breve se irá transformar. O solo irá receber muita água. 

Mas estes ventos que no período de Inverno dão origem a dias cinzentos, de chuva contínua, permitem à medida que o tempo se torna mais primaveril, que o sol espreite por períodos curtos, antes da queda do aguaceiro seguinte. 

Na verdade, as fortes ventanias vindas de sul, que se fizeram sentir na última semana, não trouxeram só cheiros, chuva grossa, trovoada e granizo. Essas ventanias ajudaram também as aves migratórias, provenientes de mais baixas latitudes, a concretizarem as suas deslocações primaveris. 

As andorinhas-das-chaminés (Hirundo rustica), que já andavam pela região aveirense, passaram a observar-se em áreas mais abrangentes, embora ainda de forma tímida, com a plumagem pouco vistosa, como que se a chuva  tivesse lavado e desbotado o preto e o vermelho vivos. O seu número será agora cada vez maior, uma vez que, as chuvas recentes ao encharcarem os campos favoreceram a multiplicação dos insectos. 



Mas estes ventos fortíssimos, soprando de sul, favoreceram outras espécies migradoras, como os milhafres-pretos (Milvus migrans), a chegarem à região aveirense, provenientes do continente africano. De facto, estas aves ao conseguirem aproveitar muito bem as correntes de ar, conseguiram cruzar mais rápidamente as longas distâncias que as separavam das suas áreas de invernada.



Actualmente e quase sem distinguirem entre áreas de Inverno e áreas de Verão encontram-se as cegonhas-brancas (Ciconia ciconia), as quais, graças ao esforço do homem em lhes proporcionar lugares para nidificação e à disponibilidade de alimento verificada por toda a região lagunar, aumentam todos os anos o número de ninhos, quer em postes, chaminés, telhados ou árvores. 


 

E, assim, a Primavera vai-se aproximando.....a passos largos......com seus odores próprios....também reforçados pelas fortes borrascas.


segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

2013 - Ano Internacional para a Cooperação pela Água


                                   Fonte:engenhariacivil.com
 O Ano Internacional para a Cooperação pela Água, a decorrer em 2013, foi anunciado, em finais de 2010, pela Assembleia das Nações Unidas, por proposta de um grupo de países liderados pelo Tadjiquistão.
A ONU, que decretou o evento e a UNESCO, que o preparou, entendem que um esforço conjunto de cooperação pela água, passa pela abordagem de áreas muito diferenciadas, tais como, os aspectos culturais, sociais, religiosos, científicos, políticos, jurídicos, institucionais e económicos. Só com decisões consensuais sobre estes mesmos itens é que todo o esforço internacional de cooperação será alcançado e mantido com sucesso ao longo do tempo. Este será, portanto, o grande desafio deste Ano Internacional em 2013.


Água, ex-libris do planeta Terra

Evaporando-se dos mares e deslocando-se através das masses de ar, a água volta a precipitar-se sobre a superfície terrestre, correndo em seguida para os mares, sob a forma de rios, num ciclo contínuo ao longo do tempo.
A água constitui, deste modo, o grande padrão individualizante do nosso planeta. É graças a ela que é possível a existência da vida na Terra, pois todos os seres vivos, animais e plantas, dependem dela para subsistir. A água é, assim, um recurso natural associado a todas as facetas da vida económica e social do homem, desde tempos imemoriais até à época actual. Religiões, culturas, agricultura e indústria encontraram na água um denominador comum.
Contudo, e apesar da sua importância, o homem continua a poluir rios, nascentes, lagos e oceanos, esquecendo-se de que a boa qualidade da água é essencial para a continuidade da vida no Planeta.


A cooperação pela água: um imperativo sócio-económico e um instrumento de paz.

Na actualidade, a água doce constitui o bem mais precioso a que o homem pode aspirar. A redução das quantidades disponíveis para este recurso a nível planetário traduz-se, inequivocamente, na sua enorme escassez em várias regiões e Estados. Mesmo nas regiões húmidas de África e da Ásia, a água é escassa, devido aos elevados níveis de poluição e de densidade populacional.
A competição pela água tem sido, sobretudo nas últimas décadas, um fenómeno crescente em todo o mundo, com especial atenção para o Médio Oriente e África. A tendência é para essa competição se acentuar no futuro, acompanhando a evolução crescente da população mundial, com todos os problemas a ela associados, como sejam, por exemplo, os problemas de poluição e as consequências do aquecimento global.
Falta de água
Fonte:meioambiente.culturamix.com
Assim, a partilha dos recursos hídricos, sobretudo no que respeita às bacias hidrográficas e aos aquíferos transfronteiriços, deverá ser encarada por todos os Estados como um acto pacífico, implicando simultaneamente uma partilha de responsabilidades na sua utilização. A prevenção e a resolução de potenciais conflitos derivados desta gestão partilhada exigirá, por isso, muita pesquisa, muita reflexão e uma necessária troca de experiências.
A cooperação pela água potável é, então, fundamental para assegurar, no mínimo, uma qualidade de vida básica para todos os povos.
  
Os números da água
·         Cerca de 70% da superfície do nosso planeta está coberta por água (cerca de 1.4  milhões  de  quilómetros  cúbicos  de  água);
·         De toda a água existente no planeta, cerca de 2.5% está disponível para utilização directa pelo homem (pese embora este baixo valor, seria o mesmo suficiente para suprir as necessidades de toda a população mundial, caso não ocorressem desperdícios e/ou processos de poluição da água);
·         Da água disponível cerca de 98% encontra-se sob a forma de água subterrânea;
·         Um sexto da população mundial (mais de um bilião de pessoas) ainda não possui acesso à água potável;
·         Da água potável disponível somente 0.6% é utilizada;
·         40% da população mundial (2.600 milhões de pessoas)  continua a viver sem redes de saneamento básico;
·         Cerca de 25.000 pessoas, das quais 8.000 crianças, morrem diariamente por doenças diarreicas, provocadas pela falta de água potável, de saneamento e higiene adequados;
·         A água é a substância básica constitutiva dos seres vivos, podendo representar cerca de 90% da constituição das  plantas;
·         O homem necessita de 0.05 m3 de água por dia, para beber, cozinhar e usos sanitários;
·         Cerca de 70% da água disponível é usada na agricultura. Cerca de 17% dos solos com cereais (que correspondem a 40% de toda a alimentação) necessitam anualmente de 2.500 quilómetros cúbicos de água. Por outro lado, os fertilizantes, os herbicidas, os pesticidas e os excrementos dos animais concorrem para a poluição das águas;
·         Cerca de 20% da água disponível é usada na indústria. Devido aos progressos tecnológicos, os consumos industriais de água têm vindo a reduzir-se significativamente, nomeadamente com a possibilidade de reciclar as águas de refrigeração. É das actividades industriais em geral, que os cursos de água recebem contaminações por metais pesados e outros compostos químicos e é da actividade das centrais termoeléctricas que se intensificam as chuvas ácidas;
·         Cerca de 10% da água disponível é utilizada para usos domésticos. Sobretudo nos países mais desenvolvidos tem sido possível, nas últimas duas décadas, reduzir os volumes de descargas sanitárias até 30%. É da actividade urbana que resultam também enormes cargas poluentes, destinadas aos rios e ribeiros. A salinização dos aquíferos litorais é uma realidade cada vez mais significativa devida à erosão costeira;
·         Diariamente, mulheres e crianças africanas percorrem 109 milhões de quilómetros, para obterem água, transportando sobre os ombros bidões com 40 quilos de peso;
·         Um norte-americano gasta diariamente, em média, 159 litros de água. Este valor é superior a 15 vezes a média gasta por um habitante dos países em desenvolvimento.

 Mulheres transportando água (Índia)  
Fonte:noticias.uol.com.br
Um recurso que não “corre” para todos

Segundo a ONU, até 2025, e caso se mantenham os actuais padrões de  consumo,  duas  em  cada  três  pessoas  no  mundo  vão  sofrer escassez moderada ou grave de água.

Alguns Estados apresentam condições de extrema secura, devido às próprias condições climáticas, o que implica que a água tenha que ser captada longe do local onde será consumida, tornando necessários elevados custos de captação, distribuição e tratamento. Estas realidades inviabilizam o acesso à água por parte das populações mais carenciadas. A falta de água pode inviabilizar as produções agrícolas dos Estados e até afectar desastrosamente ecossistemas em equilíbrio. Na actividade industrial, as quantidades de água  necessárias  são  frequentemente superiores ao volume disponibilizado  pelas ETA’s (Estações de Tratamento de  Água).

Mesmo nos países com abundantes recursos de água, como é o caso do Brasil, nem sempre esta se encontra disponível para todos. De facto, o Brasil é um país privilegiado no que diz respeito à quantidade de água doce disponível, pois tem somente a maior reserva de água do planeta, ou seja, 12% do total  mundial. 
Contudo, a  distribuição de água neste enorme país  não  é  uniforme.  A  região amazónica,  por  exemplo,  possui o maior  rio  do  mundo; no entanto é uma das regiões menos habitadas do Brasil. Por outro lado, as grandes metrópoles, como S. Paulo e o Rio de Janeiro, revelam dificuldades no abastecimento de água, por se encontrarem longe das grandes bacias hidrográficas.

Em muitas cidades dos continentes sul-americano, africano e asiático a qualidade da água fica comprometida pelos despejos criminosos nos cursos de água, de esgotos domésticos e industriais. Também nas bacias dos grandes rios sul-americanos existem problemas sérios na qualidade da água; a contaminação por mercúrio, utilizado na exploração mineira e o uso de químicos na agricultura, constituem dificuldades acrescidas aos sistemas de captação, tratamento e abastecimento de água.

Pagar para ter acesso à água potável passou a ser uma consequência directa deste conjunto de problemas que se colocam à qualidade da água na actualidade. Contudo, esta realidade gera grandes assimetrias sociais, quando as populações das favelas sul-americanas gastam em média 10% do seu rendimento em água e os britânicos, por exemplo, não ultrapassam os 3%. A ONU confirma esta tendência generalizada ao nível mundial de que, quem menos recursos financeiros tem, mais paga para ter acesso à água potável.
  
Albufeira de Vilarinho das Furnas (Gerês)
Fonte:Álvaro Reis
A água em Portugal
Uma grande parte do território português (toda a região acima do Douro e o interior centro e sul) apresenta uma produtividade aquífera inferior a 50 m3/Km2/dia. As zonas de maior produtividade (superior a 400 m3/Km2/dia), localizam-se nas bacias do Tejo e Sado. A faixa costeira entre Ovar e Torres Vedras apresenta uma produtividade intermédia (entre 250 e 400 m3/Km2/dia).
Por outro lado, a precipitação em Portugal, além de se distribuir irregularmente ao longo do território (grande no norte e muito baixa no sul), apresenta uma grande variabilidade ao longo dos anos e ao longo do ano (concentrando-se no período que vai de Outubro a Março).
Enquanto as necessidades de água para os usos doméstico e industrial têm uma distribuição regular ao longo do tempo, as necessidades de água para rega concentram-se, de modo geral, no semestre seco do ano (Abril a Setembro). Para compensar a deficiência de escoamento neste período do ano, torna-se indispensável dispor de reservas naturais (lagos e lagoas) ou artificiais (albufeiras), que armazenem a água em excesso nos períodos húmidos e a forneçam nos períodos secos. Em Portugal, desde há cerca de meio século, e com especial incidência nas últimas duas décadas, que tem sido seguida uma política massiva de construção de albufeiras, que além de contribuírem para a satisfação da componente energética, contribuem para o abastecimento de água às populações.
  
Expectativas para o futuro
Melhorando, nos países mais pobres, sobretudo de África e da Ásia, os sistemas de fornecimento de água potável e de saneamento, diminuir-se-á drasticamente a taxa de mortalidade por doenças relacionadas com o consumo de água inquinada.
Uma cultura de reutilização da água é fundamental, sobretudo nos países menos carenciados, habituados ao desperdício e à falsa ideia de que “a água nunca lhes faltará”. É que, a redução generalizada, dos stocks dos aquíferos em algumas regiões indicia já os graves problemas que se colocarão no futuro. Muitos países são obrigados a políticas de racionamento da água e a encontrar meios de reutilizar a água de maneira mais racional.
É fundamental também uma nova política para o “preço da água”, que inverta a tendência de os países mais pobres serem aqueles com maiores encargos na aquisição deste bem.
Por último, convém salientar que, sendo a água um recurso universal e transversal, a sua utilização deverá ser perspectivada numa óptica de Desenvolvimento Sustentável, substituindo a “competição” (pela água) entre os Estados, pela “partilha” , entre eles, de um bem comum.


 (artigo publicado na revista REIS 2013)

sábado, 5 de janeiro de 2013

O Parque das Vaidades!

Deveria ser, de facto, um Parque Urbano moderno, compatibilizando a Natureza e a cidade. Tinha condições naturais para isso. Faltou apenas a capacidade humana para saber concretizar tal projecto.

Para a história da cidade fica uma obra caríssima (nomeadamente, pela quantidade desmesurada de pedra utilizada), um trajecto para passeios de Domingo à tarde, ..... um atalho  entre os Pelames e o centro da cidade,.....uma toalha de água para os patinhos continuarem a fazer aquilo que sempre fizeram no rio... 

E a fauna selvagem que lá existia? Porque não se criaram condições para que lá permanecessem? Seria muito mais interessante os cidadãos poderem passear e poderem ver várias outras espécies....sentirem em pleno centro da cidade, a Vida Selvagem. Ouvirem os cantos dos rouxinóis....ou a visão de uma garça......ou o voo do guarda-rios.....

Por isso é que questiono: será que em vez da animação vivida em torno do pagode não se deveria ter antes celebrado o Requiem por um magnífico projecto perdido? 

Isso agora já não importa, dirão alguns. Tratar-se-à de uma mera questão filosófica! (e de filosofia nada percebo).

O que verdadeiramente conta é o folclore político. São 18h30, a noite já caíu, o povinho dispersou há muito e junto ao pagode uma meia dúzia de senhores olham para o céu: está a acontecer uma valente descarga de fogo-de-artifício! 

Terminou a cerimónia. Vivam as vaidades políticas!




quarta-feira, 21 de março de 2012

Dia da Água em Ovar



Hoje comemora-se o Dia da Água








Em Ovar também .....sempre!!!!!



O Furadouro mete continuamente água.... com as "intervenções" do costume!

Furadouro - galgamento de maré-viva (Fevereiro 2012)




O mercado municipal meteu água....com as "podas" necessárias (?) a um estilo mais "modernaço"!!


Mercado Municipal - 05/07/2011
Mercado Municipal - 06/07/2011


O rio Cáster, mesmo com fraco caudal, mete água todos os dias ..... com os projectos românticos !!!!!
Margens do rio Cáster - Junho 2011


Margens do rio Cáster - Março 2012



A floresta também mete água ..... com as desafectações irreflectidas......


                                  Mata da Bicha (Maceda) - Outubro 2011



                                          Centro Comercial Dolce Vita



Água, ....tanta água..... suja.


Dia da Árvore em Ovar





Hoje comemora-se em todos (muitos, pelo menos) os cantos do planeta o Dia Mundial da Floresta ou Dia da Árvore! 




Em Ovar também......não só hoje.....mas sempre!!!!!!


"Tratar" das árvores é uma prioridade da política local de ambiente.


Margens do rio Cáster  -  Junho 2010

Margens do rio Cáster - Junho 2011
Margens do rio Cáster - Fevereiro 2012

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Dia Mundial das Zonas Húmidas

No passado dia 2 de Fevereiro assinalou-se, de forma institucional, a importância das Zonas Húmidas em todo o mundo. 

De norte a sul, Portugal apresenta várias destas áreas. Umas, são de reduzidas dimensões, como sejam, algumas lagoas florestais (por exemplo, a pateira  da Reserva Natural das Dunas de S. Jacinto ou a lagoa da Salgueira); outras são de maiores dimensões, como os grandes estuários (por exemplo, o do rio Minho ou do rio Sado).

Destas áreas protegidas, umas apresentam uma importância local, como seja o caso da Reserva Natural da Foz do Rio Douro, outras apresentam uma importância nacional, como seja o caso da Reserva Natural de Castro Marim, e outras ainda apresentam uma importância internacional, como seja o caso da Reserva Natural do Paul do Boquilobo, a primeira Reserva da Biosfera em Portugal


Mas para além destas Zonas Húmidas portuguesas, que usufruem já de um estatuto legal de protecção, algumas outras mereciam igual tratamento. Uma delas é sem dúvida a Ria de Aveiro. 

Pese embora, a ausência de uma figura legal de Área Protegida para a Ria de Aveiro (embora considerada ZPE e IBA), a verdade é que esta região sempre se impôs a nível nacional pela sua biodiversidade. De facto, constitui uma das mais importantes Zonas Húmidas do país, albergando em anos recentes populações significativas de espécies nunca antes aí registadas, como sejam o Flamingo - comum (Phoenicopterus ruber), ou de espécies ausentes durante várias décadas, como a cegonha-branca (Ciconia ciconia).


Apesar da situação difícil em que o país se encontra vale a pena não perder de vista a efectiva protecção do património natural da Ria de Aveiro, conferindo rapidamente a esta zona um estatuto de zona protegida!





domingo, 22 de janeiro de 2012

A crise não é para todos!


Tal como já tenho referido, a construção de novos espaços verdes citadinos não tem que passar pela destruição dos espaços verdes já existentes, sobretudo quando estes constituem habitats de protecção prioritária, nomeadamente ao abrigo de Directivas Comunitárias.


É verdade, que em Portugal estamos já habituados a assistir à ocupação de território de Reserva Ecológica Nacional (REN), de Reserva Agrícola Nacional (RAN) ou de Domínio Público Hídrico, por infraestruturas de interesse ou oportunidade questionáveis. 

A actual intervenção para construção do Parque Urbano de Ovar enquadra-se exactamente nas referidas premissas. Senão vejamos:


Primeiro, porque corresponde a uma intervenção desajustada do ponto de vista ambiental, uma vez que não conseguiu adequar as características dos habitats ribeirinhos existentes, de protecção recomendada, com os objectivos do Parque Urbano a construir. 

Em segundo lugar, porque obteve pareceres favoráveis de diversas entidades, apesar de não ter sido efectuado um Estudo de Impacte Ambiental.

Além destes dois factos de cariz negativo, surge um terceiro que se avoluma de dia para dia: o gasto em pedra. 

É uma verdadeira fortuna aquela que se vai investindo neste recanto da cidade. Todos os terrenos particulares estão a ser murados com lajes de granito, além claro, daquelas edificações estranhas semeadas aqui e além. 





Construções, não sei bem se ao estilo "romano", "castrense", "romântico", ou ..... "ovarense", mais provavelmente. 




Numa altura em que a todos é pedido contenção de gastos .... as obras do Parque Urbano de Ovar teimam em contrariar a crise!



sábado, 31 de dezembro de 2011

Notas de campo: Naturezas de Inverno


A maré-baixa na Ria, assoreada, impede a labuta ... o frio também dá uma ajuda.






O caniço seco e as árvores sem folhas aguardam pelo sol da Primavera.....mas continuam a servir de abrigo a variadíssimas espécies animais.



O rio Cáster corre veloz e castanho, arrastando consigo muita terra, antes fértil, agora inerte e perniciosa....



A água acumulada em pleno cordão dunar, origina charcas, que atraem algumas espécies animais e permitem o crescimento de outras vegetais



Maçaricos, garças, pilritos e demais limícolas enchem as vasas e os sapais  da Ria de Aveiro. São consumidores e contribuem decisivamente para a biodiversidade das Zonas Húmidas.


O mar furioso desgasta a arriba dunar. Menos arriba, menos floresta, menos diversidade biológica.


Os patos levantam voo sobre o sapal húmido, num alvorecer nebuloso, em plena Ria de Aveiro.




O anoitecer chega bem cedo, pois é Inverno! Mas não há mal nenhum nisso, pois os seres vivos estão bem ajustados ao fotoperíodo.





A natureza....as naturezas do Inverno, embora "silenciosas", também naturalmente promovem a Diversidade Biológica. Desde que não sofram agressões por parte do homem.

Por tal facto, o dia 29 de Dezembro de 2011, Dia Internacional da Diversidade Biológica, não poderia estar melhor colocado no nosso calendário! 


sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Notas de campo: verdes prados da Ria de Aveiro

Campos da Ria no Inverno
Se na Primavera e no Verão os campos se vestem de verde, com as culturas que o homem lá quer ver crescer, no Inverno, o verde húmido do pasto, resultado da chuva que já encharcou ou da geada da última noite, fornecem o cenário de fundo para alguns intervenientes pintarem a seu bel-prazer, mais uma agradável paisagem da beira-ria.

Empoleirada no cimo de um poste, a águia-d'asa-redonda (Buteo buteo), que neste período do ano se deixa ver por todo o lado e em número interessante, espera o tempo que for necessário para capturar o pequeno rato-do-campo (Pitymys duodecimcostatus) que atrevidamente sai da sua galeria subterrânea. Não muito afastada daquela rapace encontra-se outro indivíduo da mesma espécie, pousado sobre uma cancela, bastante mais próximo do solo. 

Garça-boieira



Indiferentes à presença das rapaces acham-se as garças-boeiras (Bubulcus ibis). São duas dezenas espalhadas pelo prado... catando os pequenos invertebrados que por ali abundam.

Bando de estorninhos na árvore e nos cabos
Ao fundo do prado, ora esvoaçando para o solo, ora para os cabos sobrelevados, ora para um arbusto próximo, ora novamente para outro sector dos cabos, está um bando de estorninhos-malhados (Sturnus vulgaris). Estes nossos visitantes invernais não passam assim despercebidos, devido aos seus constantes movimentos e à sua frenética piadeira.



O canto típico do pisco-de-peito-ruivo (Erithacus rubecula) só agora se fez ouvir! Foi preciso a águia-d'asa-redonda, mais próxima, ter levantado voo, para esta pequena ave, escondida no arvoredo, se deixar localizar. Também uma rola-turca (Streptopelia decaoto), das muitas que hoje em dia se avistam praticamente em qualquer lugar, pousa no cabo de onda a águia antes levantou voo. 

E entre os que partem e os que chegam ao prado, partimos nós também desta curta paragem ....

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Notas de campo: colhereiros e flamingos!

Flamingos no Canal de Ovar (Ria de Aveiro)

Há dias chamei a atenção para a presença de flamingos no canal de Ovar. 


O facto não sendo novo, não deixa, contudo, de ser significativo, uma vez que esta espécie continua a aparecer de forma esporádica em diferentes locais da Ria de Aveiro.





Também a presença no mesmo local de uma outra espécie pernalta, dispersiva em território português, o colhereiro (Platalea leucorodia), não sendo um facto novo, torna-se particularmente interessante, dado que a espécie tem aparecido sempre em números inferiores à primeira. 
Colhereiros no canal de Ovar (Ria de Aveiro)




Flamingos, garças-brancas e colhereiros quando observados à distância aparecem-nos com tons predominantemente alvos. Contudo, um olhar mais perspicaz mostrar-nos-à as grandes diferenças entre eles... 


sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Notas de campo: flamingos no Natal

A chegada do Inverno traz consigo, também, bonitos dias de sol, em que o vento muito fraco quase não se faz sentir e as temperaturas diurnas não muito frias convidam a uma saída pela natureza. 

Este período do ano constitui, assim, uma fase do ano propícia para a observação de aves que passam o Inverno em latitudes mais baixas para se refugiarem dos efeitos do frio e do gelo mas também de outras que nesta altura do ano se dispersam por áreas mais ou menos afastadas das suas áreas de reprodução. 

Entre estas últimas encontra-se o Flamingo-comum (Phoenicopterus ruber), que nos anos mais recentes pode invariavelmente ser observado no canal de Ovar da Ria de Aveiro, em número de algumas centenas. 

 


quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Dia Nacional da Água

Leito do rio Cáster assoreado com terras 
do futuro Parque Urbano de Ovar.
Dia 1 de Outubro comemora-se o Dia Nacional da Água.

Água, que cobre cerca de 70% do planeta Terra. Água, que no nosso planeta se encontra sob a forma de gelo, de água doce (de superfície ou subterrânea), de vapor na atmosfera,  e maioritariamente, sob a forma de água salgada nos oceanos.

Água, que actualmente e durante as chuvadas sente dificuldade em abastecer os aquíferos profundos porque cada vez mais o solo se encontra impermeabilizado com asfalto ou construções várias, desaparecendo por esta razão nas redes de drenagem.

Água, limpa ou poluída ... pelos nossos esgotos, pelas escorrências de fertilizantes e pesticidas, pelas chuvas ácidas resultantes dos fumos e gases industriais, pelas infiltrações nos aquíferos, etc.

Água, tratada convenientemente ou nem por isso ... sempre que ocorrem descargas directas de poluentes para o meio hídrico ou quando as ETAR's se encontram subdimensionadas.

Água, para uns mais bem paga do que para outros.

Mas sempre, um recurso imprescindível para as sociedades desenvolvidas, de tal forma que, quando por algum motivo deixa de correr temporariamente nas nossas canalizações constitui desde logo uma enorme dor de cabeça ao desenrolar do nosso quotidiano. 


Também e sempre, uma bênção para as sociedades pobres, especialmente pertencentes a países de "secas".


Enfim, a Água ... essa mesmo que cada um de nós tem de suportar em cerca de 65% da sua constituição corporal para que possamos subsistir...

Porque assim é, a Água, merece que pelo menos uma vez no ano se lhe dediquem todas as atenções.


sexta-feira, 1 de julho de 2011

Diário da Nossa Paixão

Prólogo

"Valorizar o ambiente exige paixão. Enquanto para uns, paixão é sinónimo de conservação, para outros é sinónimo de delapidação". 


"Quando se fala do Cáster, entre a conservação e a delapidação, a haver uma terceira via, Amigos, será a do sonoro caladão" .




Diário


15.06


Nas margens do rio Cáster, a norte da rua Ferreira de Castro, é já possível observar algumas máquinas a iniciarem aquela que será uma das mais rudes destruições do património natural de Ovar. O derrube indiscriminado de toda a vegetação ribeirinha, com a finalidade de se dar início ao projecto de construção do Parque Urbano de Ovar. 




©Álvaro Reis


Perante o grave atentado ecológico que estava para acontecer tentei contactar de imediato o Presidente da Câmara Municipal de Ovar, no sentido de o alertar para as consequências da intervenção. Sem sucesso, pois segundo informações que me foram dadas do serviço da presidência, aquele estaria em reunião. Ficou, contudo, prometido que logo que o autarca acabasse a reunião contactar-me-ia. Não o fez.



16.06

No final da manhã, o atentado ambiental já estava consumado! Uma extensa área, antes verde, agora de cor terrosa, não permitia quaisquer dúvidas: estava em curso uma iniciativa de impactes ambientais desmesurados em pleno centro da cidade.


©Álvaro Reis
©Álvaro Reis
©Álvaro Reis


17.06

Durante este dia continuaram as "limpezas" dos terrenos, entre a ponte da rua Ferreira de Castro e a ponte dos Pelames. 

©Álvaro Reis
©Álvaro Reis
©Álvaro Reis
©Álvaro Reis


20.06

Após o repouso do fim-de-semana, a maquinaria voltou ao serviço, desbastando a vegetação nas proximidades dos Pelames.

©Álvaro Reis

São 12h30m. Finalmente, 4 dias após a minha tentativa de contacto, sou contactado telefonicamente por um técnico da Câmara Municipal de Ovar. Após a minha exposição dos factos, o referido técnico declarou três ideias dignas de serem retidas:

Primeira ideia: nunca tinha passado pela cabeça de ninguém, na Câmara, o impacte ambiental  que este tipo de iniciativa iria causar, até porque todo o processo estava a ser controlado por um eminente professor universitário.


Comentário: com professor ou sem ele, a verdade é uma só. Naquele corredor de árvores e arbustos que foram derrubados, muitas espécies foram afectadas em pleno período de reprodução. Talvez, se, em vez de uma cabeça a pensar (mesmo sendo a de um eminente professor) tivessem estado duas ou três, as decisões fossem bem mais acertadas!


Segunda ideia: uma vez que o mal estava feito já não valia a pena parar com o trabalho das máquinas, até porque a hipótese de esperar mais um mês (segundo a minha sugestão) implicaria ter que pagar ao empreiteiro todo esse tempo de paragem (!!??). 


Comentário: Será que aquela autarquia não conhece o significado do conceito "renegociação"? Fala-se hoje tanto dele!

Terceira ideia: o arranque da obra do Parque Urbano teria que ser mesmo agora, caso contrário perder-se-ia uma parte do financiamento do projecto.


Comentário: depois de tantos anos à espera tiveram tempo mais do que suficiente para se prepararem para o arranque da obra. Se havia assim tanta urgência deviam ter começado mais cedo com a obra, numa época anterior ao período de cria. 


Diz ele (o técnico camarário): não estávamos sensibilizados para essa questão. Mas o senhor eng.º (referia-se a mim) é que nos podia ter avisado! 


Disse-lhe eu: Como assim? Eu bem tento alertar a Câmara (e olhe que não foi só desta vez!!!!), mas o problema é que os senhores não me querem ouvir!!

Após longos minutos de conversa o responsável camarário prometeu fazer chegar ao Presidente da autarquia as minhas preocupações e os meus argumentos.



Mas, neste mesmo dia, ao fim da tarde, podia-se observar que as obras não só não tinham parado como continuavam a bom ritmo, agora para lá da Rua dos Pelames!

©Álvaro Reis
©Álvaro Reis
©Álvaro Reis

Grande atenção deu na verdade o sr. Presidente da Câmara às preocupações que lhe foram dirigidas horas antes!


21.06

Os abates indiscriminados, não só de arbustos mas também de árvores, continuam a norte da ponte dos Pelames, numa outra área riquíssima em vida animal.

©Álvaro Reis

Uma verdadeira barbaridade ....


©Álvaro Reis
©Álvaro Reis
©Álvaro Reis


24.06

Somente desolação ....

©Álvaro Reis

Até os patos que criam no rio só têm sossego quando as máquinas estão paradas ....

©Álvaro Reis

2011 é o Ano Internacional das Florestas, mas não seguramente para esta classe dirigente de Ovar .....



©Álvaro Reis


26.06

Continuando esta cruzada de destruição da vegetação ribeirinha, a mesma chegou já à ponte sobre o rio Cáster no início da Rua Dr. José Falcão.

©Álvaro Reis





28.06

Após a muita destruição iniciam-se agora as acções de terraplanagem das margens .... 

©Álvaro Reis
©Álvaro Reis
©Álvaro Reis
©Álvaro Reis
©Álvaro Reis

 A quantidade de madeira morta é tanta .....

©Álvaro Reis

que as operações de destroçamento e limpeza não se fazem esperar .....

©Álvaro Reis



Uma rede é colocada no curso do rio .... 

©Álvaro Reis


29.06

Continuando a apagar as marcas da destruição .... dando um jeito nas margens...

©Álvaro Reis




enquanto toneladas de madeira derrubada são levadas em camiões .....





©Álvaro Reis

 ©Álvaro Reis

 Lá mais ao longe anda fogo....aqui não andou mas parece mesmo....


 ©Álvaro Reis


E assim se cumpriram as duas primeiras semanas do resto deste projecto ... para já vergonhoso. 


Nota final

Este não é o único. Há mais atentados pensados para o Cáster. Que se encontram "quietos e calados". Mas existem. 


Fora deste projecto do Parque Urbano mas ao abrigo do POLIS Ria de Aveiro, preparam-se para destruir a natureza na foz do rio Cáster (zona da Ribeira de Ovar) para mais um projecto ambientalmente INSUSTENTAVEL! 


Em Ovar a natureza está em perigo!