O inverno tem decorrido ao sabor de sucessivas depressões, frentes e tempestades, as quais têm arrastado consigo muita, mas mesmo muita chuva.
Os rios e ribeiros que atravessam as zonas verdes da cidade correm, por isso, com grandes caudais, que acabam por transbordar para as margens, alagando superfícies até então inatingíveis.
São estes caudais de cheia que arrastam, invariavelmente, materiais das mais diversas características e proveniências.
Sempre atenta ao que a forte corrente do rio lhe pode oferecer, a garça-branca-pequena (Egretta garzetta), qual estátua viva, espera pacientemente junto ao açude pela oportunidade de capturar alguma presa aturdida.
O corvo-marinho-de-faces-brancas (Phalacrocorax carbo) já foi mais assíduo por estes cursos de água, podendo este facto revelar uma escassez de peixe nos mesmos. Tal escassez poderá estar relacionada com a frequente má qualidade das águas.
Esta ave negra, com a ponta do bico em gancho e que voa com o pescoço esticado alinhado com o corpo...
ao contrário da garça-branca-pequena, escolhe para pescar sectores onde a água corre com menor turbulência.
Após a pescaria, o corvo-marinho-de-faces-brancas sai da água e já na margem abre as suas grandes asas durante um bom intervalo de tempo, de modo a proceder à secagem das mesmas.
Este comportamento tem a ver com o facto desta ave não possuir a capacidade que outras aves aquáticas têm de impermeabilizar as suas penas.
Algumas famílias de patos-reais (Anas platyrhynchos) descansam nas margens, recuperando do dispêndio energético a que a natação nestas águas agitadas obriga.
Quem prefere fugir à intempérie invernal protegendo-se dos fortes ventos e da chuva em catadupa, são as andorinhas-das-rochas (Ptyonoprogne rupestris) que, durante estes períodos mais agrestes, se deixam aninhar nos abrigados parapeitos dos prédios implantados na periferia das áreas verdes.
Sobre as ramagens nuas dos salgueiros (Salix sp.), outros acrobatas - não menos belos mas muito menos melódicos do que os fringilídeos abordados no apontamento anterior - desenham trajectórias semelhantes a estes.
Tratam-se dos belíssimos chapins-rabilongos (Aegithalos caudatus) ...
que, com as suas imponentes caudas a funcionarem como balancé, conseguem posicionar-se igualmente de cabeça para baixo para mais facilmente apanharem os pequenos insectos.
Os seus parentes afastados, porque pertencentes a uma outra família, os chapins-reais (Parus major), por seu lado, preferem antes as coníferas e as árvores perenes onde é mais fácil encontrar insectos e pulgões entre os ramos e as folhas.
(continua)












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