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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Do ameno outono ao gélido inverno ! (V)


 




(continuação)


O inverno tem decorrido ao sabor de sucessivas depressões, frentes e tempestades, as quais têm arrastado consigo muita, mas mesmo muita chuva.



Os rios e ribeiros que atravessam as zonas verdes da cidade correm, por isso, com grandes caudais, que acabam por transbordar para as margens, alagando superfícies até então inatingíveis.



São estes caudais de cheia que arrastam, invariavelmente, materiais das mais diversas características e proveniências.



Sempre atenta ao que a forte corrente do rio lhe pode oferecer, a garça-branca-pequena (Egretta garzetta), qual estátua viva, espera pacientemente junto ao açude pela oportunidade de capturar alguma presa aturdida.



O corvo-marinho-de-faces-brancas (Phalacrocorax carbojá foi mais assíduo por estes cursos de água, podendo este facto revelar uma escassez de peixe nos mesmos. Tal escassez poderá estar relacionada com a frequente má qualidade das águas.

Esta ave negra, com a ponta do bico em gancho e que voa com o pescoço esticado alinhado com o corpo...



ao contrário da garça-branca-pequena, escolhe para pescar sectores onde a água corre com menor turbulência.



Após a pescaria, o corvo-marinho-de-faces-brancas sai da água e já na margem abre as suas grandes asas durante um bom intervalo de tempo, de modo a proceder à secagem das mesmas. 

Este comportamento tem a ver com o facto desta ave não possuir a capacidade que outras aves aquáticas têm de impermeabilizar as suas penas.



Algumas famílias de patos-reais (Anas platyrhynchos) descansam nas margens, recuperando do dispêndio energético a que a natação nestas águas agitadas obriga.



Quem prefere fugir à intempérie invernal protegendo-se dos fortes ventos e da chuva em catadupa, são as andorinhas-das-rochas (Ptyonoprogne rupestris) que, durante estes períodos mais agrestes, se deixam aninhar nos abrigados parapeitos dos prédios implantados na periferia das áreas verdes.



Sobre as ramagens nuas dos salgueiros (Salix sp.), outros acrobatas - não menos belos mas muito menos melódicos do que os fringilídeos abordados no apontamento anterior - desenham trajectórias semelhantes a estes. 

Tratam-se dos belíssimos chapins-rabilongos (Aegithalos caudatus) ...


que, com as suas imponentes caudas a funcionarem como balancé, conseguem posicionar-se igualmente de cabeça para baixo para mais facilmente apanharem os pequenos insectos.



Os seus parentes afastados, porque pertencentes a uma outra família, os chapins-reais (Parus major), por seu lado, preferem antes as coníferas e as árvores perenes onde é mais fácil encontrar insectos e pulgões entre os ramos e as folhas.



(continua)

domingo, 31 de agosto de 2025

Em boas mãos!

 




Não há dúvida nenhuma! 

O compromisso da Câmara Municipal de Ovar tem sido total. Compromisso com a cidade e com o ambiente.

Basta ver o estado actual do rio Cáster ao atravessar o Parque Urbano, bem no centro da cidade. 

Um luxo, um verdadeiro colírio para os olhos! 







A continuidade do percurso ao longo do Cáster no seu troço mais erudito, se assim se poderá designar, uma vez que vai do pólo Biblioteca/Centro de Artes até à Escola de Artes e Ofícios, mostra-nos mais do mesmo. 

Será que na biblioteca há falta de literatura técnica sobre manutenção de rios ou será antes necessário criar na escola de artes o ofício de guarda-rios?
















Seja lá qual for a razão, não se pense que todo este cenário, que obriga qualquer transeunte a parar e a questionar-se, foi arquitectado somente durante este ano. De forma alguma! 

Isto é o resultado de um trabalho aturado de vários anos de compromisso.


De compromisso com o desleixo e a falta de brio por esta cidade, afinal e apenas  sede do concelho! Será caso para se dizer que Ovar está em boas mãos?


p.s: melhor sorte teve Júlio Dinis quando por aqui passou há um século e meio atrás e conseguiu (hoje seria muito difícil...) inspirar-se no bucolismo destes lugares, para nos deixar as encantadoras Pupilas do Senhor Reitor...restam-nos, assim, essas belas recordações registadas por esse grande romancista! 


quinta-feira, 5 de junho de 2025

Dia Mundial do Ambiente em Ovar - Agir pelo desenvolvimento da nossa terra!

 





O concelho de Ovar precisa urgentemente de políticas de conservação e valorização do seu património ambiental.

Há que Agir de forma decidida no sentido de inverter a contínua falta de políticas ambientais assertivas.




quinta-feira, 22 de maio de 2025

Dia Internacional da Biodiversidade: que sentido tem em Ovar?

 



 

A biodiversidade de uma região traduz-se na variedade e interdependência existentes entre as espécies, os habitats e os ecossistemas que nela existem. A degradação dos habitats naturais e semi-naturais, a poluição e a exploração excessiva dos recursos enfraquece os ecossistemas e leva inevitavelmente à perda da biodiversidade. Deste modo, a biodiversidade é fundamental para o equilíbrio natural de uma dada região pois, em última instância, garante o bem-estar das suas comunidades humanas.



Estas premissas devem, assim, servir de pontos de partida para toda a acção autárquica - ainda por iniciar - de garantia da biodiversidade no concelho de Ovar.



Ovar é mar. Por isso, o ecossistema costeiro, areal, dunas, vegetação dunar e respectiva fauna devem ser acautelados através de medidas concretas, como a regular deposição de areias nas praias e no cordão dunar.




Ovar é mata. Predominantemente de pinheiro-marítimo, mas não só. Além da vegetação a mata alberga uma fauna variada e importantes comunidades de fungos e líquenes. Ademais constitui um verdadeiro pulmão para toda a região envolvente. Por isso, é imperioso que se trave esse desastroso plano, em curso, de destruição da mata concelhia. Não há argumentos decentes que justifiquem semelhante perda de biodiversidade.



Ovar é Ria. Canais, esteiros, valas, praias de vasa, caniçais, juncais abundam e asseguram uma enorme biodiversidade aquática. Dezenas de espécies aqui ocorrem, entre residentes, estivais, invernantes e migradores de passagem. Algumas com estatuto de vulnerabilidade e outras com estatuto de ameaçadas. Algumas raras, outras acidentais. É, pois, importante que se tomem medidas apertadas com vista à protecção deste ecossistema. 



Uma dessas medidas há muito proposta, mas sem nunca ter sido implementada diz respeito à delimitação de uma área protegida na ria de Ovar. A “Área de Paisagem Protegida da Foz do Cáster” visa a conservação das espécies e habitats que existem no espaço lagunar do concelho, numa óptica de desenvolvimento sustentável.



Ovar é urbe. Tem rios, parques, jardins, fontes de água. À priori, todos ao serviço da qualidade de vida e bem-estar dos ovarenses. Mas para isso ser possível os rios não podem correr poluídos, os parques e jardins têm de estar limpos de papéis, copos de plástico, latas de refrigerantes e dejectos de cães espalhados pelos relvados.



Assinalar a Biodiversidade ovarense passará sempre, hoje e amanhã, por uma educação ambiental que terá por base a adopção de uma cidadania comprometida. Só com cidadãos respeitadores do ambiente e participativos poderemos conservar os recursos que são nossos e não de outros, sejam estes negociantes oportunistas ou governantes incompetentes.

 


sábado, 22 de março de 2025

Dia Mundial da Água e Dia Mundial da Meteorologia

 






Assinalar estes dias evocativos de temas ambientais – como os da floresta, da árvore, do solo, do ar ou outros afins – deveria servir não para palestras de circunstância vazias de boas intenções ou para inaugurações de alguma obra recentemente concluída, mas sobretudo para repensar aquilo que ainda não está feito e aquilo que estando feito justifica correcção ou melhoria de acordo com as necessidades ambientais da actualidade.

Sendo a água a base da vida deveria ser dos primeiros recursos naturais, a ser mimado em todo o planeta e das mais variadas formas.

Sendo o mundo tão vasto e em cada um dos seus cantos existirem problemáticas específicas relacionadas com os recursos hídricos será mais razoável concentrarmo-nos no nosso cantinho e nos contributos que se poderão dar para a protecção e valorização das nossas águas.

A poupança no consumo de água, que é um apelo mundial feito a todos nós, será talvez o problema de mais rápida solução, uma vez que esse consumo está directamente relacionado com o esvaziar de cada carteira.

Mas há outras abordagens à água que não parecendo afectar cada indivíduo isoladamente, afectam, de facto, toda a comunidade vareira.

O rio Cáster e a ribeira da Sr.ª da Graça ao passarem pelo centro de Ovar, nomeadamente pelo parque urbano, têm todas as características para embelezarem a cidade e proporcionarem momentos prazerosos a quem circula junto deles … desde que as suas águas não corram oleosas, com espumas, lixos sólidos e maus odores, como às vezes acontece.



Por outro lado, estes dois cursos de água não deveriam ter os leitos entupidos de vegetação, cuja presença na época das chuvas só serve para dificultar o fluxo das águas facilitando o alagamento das margens. Essa vegetação que cresce espontaneamente no meio do leito deve ser limpa anualmente a partir do mês de Setembro, de modo a não afectar a reprodução das espécies que nela se abrigam.



Estes dois cursos de água também não precisam que se lhes cortem as árvores das margens, bem pelo contrário. O arvoredo das margens é o coração e os pulmões de qualquer galeria ripícola, contribuindo para o controlo das cheias durante o inverno.




Mas Ovar, cidade rodeada de mar salgado e ria salobra é também rica em água doce. Pelo menos deveria ter sido no passado, dada a quantidade de fontes que se construíram, algumas artisticamente decoradas e que hoje, moribundas de tanto desleixo, aguardam que a autarquia lhes preste o socorro merecido.




A Barrinha de Esmoriz, designada pelos ovarenses deste modo, é Lagoa de Paramos para os espinhenses, devido ao facto de ser pertença dos dois concelhos. Mas designações à parte, ela tem características e problemas comuns.

A sua característica principal é ser uma lagoa costeira, rodeada por uma extensa mancha de caniçal, onde várias espécies animais se reproduzem, outras invernam e outras tantas a usam como local de descanso e alimentação durante as passagens migratórias. Dito de outro modo, um importante ecossistema natural onde até ocorrem espécies acidentais provenientes do continente norte-americano.

Tal condição levou à sua integração na rede europeia Natura 2000. E o que é que daqui resultou? Que se criaram passadiços e uma ponte atravessando o coração desta área promovendo a perturbação em áreas que antes eram inacessíveis à pressão humana, desvirtuando o conceito do estatuto adquirido. É que para efeitos turísticos e de passeio/caminhada bastaria a existência do passadiço ao longo da periferia da lagoa.



Além desta concepção “ecológica” que as duas autarquias arquitectaram, as mesmas continuam a nada fazer (apesar de ao longo de décadas terem sido apresentados projectos elaborados por associações ecologistas) para que este espaço seja efectivamente uma Reserva Natural, onde as espécies que de lá se ausentaram possam encontrar condições para regressarem e por lá se fixarem.

 

O dia de hoje, Dia Mundial da Meteorologia, pretende chamar a atenção para a importância do clima nas nossas vidas e no planeta em geral. Objectivos, à priori, consensuais pese embora em certas situações haja sempre alguém que parece querer negar essa mesma certeza.

É o clima que faz tombar em poucas horas a chuva que deveria cair em meses. Chuva, que apesar de ser esperada e anunciada pelos meteorologistas e pela protecção civil, não deixa de inundar estradas e habitações, criar torrentes mortais, fazer transbordar rios e obrigar à descarga de enormes massas de água das barragens. Não há sacos de areia nem taipais que valham. O excesso de água não infiltrada no solo tem de passar, mesmo que para isso tenha que levar tudo à sua frente. No final é sempre o homem que tem de correr atrás do prejuízo.

É o clima que faz tombar impiedosamente sobre a linha de costa a água que cada vez existe em maior quantidade nos oceanos devido ao degelo e que inunda e destrói as ruas e habitações marginais. Não há muralha de pedra que valha. As vagas têm de se despenhar sobre a frente costeira, pois a sua força e energia não se dissipam milagrosamente. Para já apenas molhando, um dia com a possibilidade de a água arrastar consigo blocos rochosos. Será sempre o homem a colher aquilo que semear.




Água, clima, ……., ambiente, homem, decisões. Uma engrenagem, que cada vez mais, tem de estar bem oleada.

 

sábado, 21 de janeiro de 2023

Poluição no Cáster!

 




A manhã acordou radiosa. O Sol rompeu desde cedo por entre as nuvens ainda carregadas. A temperatura sentia-se bem mais amena face à dos dias anteriores.

O rio Cáster, cheio da água que durante algumas semanas caiu diariamente, corre sombrio, devido ao grande volume de sedimentos em suspensão. 

Agora mais calmo, desliza sonoro e alegre, por entre as cores suaves que o abraçam.




Quem o espreita desde as primeiras horas da alvorada é a garça-branca-pequena (Egretta garzetta) que parece ter poiso reservado, mesmo pertinho dele. 



A passarada faz-se ver e ouvir em todo o Parque Urbano. A raínha do parque, a pega-rabuda (Pica pica) esvoaça em grupos por todos os cantos do mesmo. Esvoaça e grita, pousando de ramo em ramo nos cocurutos dos troncos despidos.




Num andar inferior do arvoredo vêem-se tentilhões (Fringilla coelebs) ...



... chapins-reais (Parus major) ... 



... chapins-rabilongos (Aegithalos caudatus) ...





... rabirruivos-pretos (Phoenicurus ochruros) ...


.... enfim, uma variedade de pequenos pássaros que se deliciam cantando, em louvores infinitos à mãe natureza.


A manhã passa à mesma velocidade com que, em dia de sábado, se movimentam os transeuntes pelos caminhos que o parque oferece.

Nada fazia supor que, para o final da manhã, este ambiente tão belo se transformasse. Sim, o parque seria alvo de uma transformação estética tremenda. 

O rio Cáster acabava de se transformar num esgoto a céu aberto. 

Castelos de espuma branca correm desalmados à superfície do rio afugentando a garça e calando os demais seres, que tão generosamente haviam animado a manhã.







Infelizmente, este não foi um episódio raro. Foi apenas mais um. 

Como podem ainda acontecer situações destas? Será que a autarquia abre processos de inquérito? E informa os munícipes das conclusões dos mesmos?

Aguarde-se para ver.