As amenas temperaturas que habitualmente marcam o fim do verão e o início do outono permitem assistir todos os anos, em habitats arbustivos como os parques de uma cidade, à estadia massiva dos papa-moscas (família Muscicapidae). Esta família de passeriformes representa, de facto, um dos ícones da migração outonal das aves quando a caminho do sul.
Sem pudor algum, estas vivas e pequenas aves, de que o papa-moscas-preto (Ficedula hypoleuca) é o exemplo de maior visibilidade, esvoaçam sem coacção entre as ramagens do arvoredo em redor,...
depois de em voo já se terem banqueteado com os tão desejados insectos que lhes servem de alimento.
A espécie apresenta um claro dimorfismo sexual que passa essencialmente pela tonalidade da cobertura superior do corpo, sendo esta castanha na fêmea e em alguns machos e negra na maioria destes últimos. Como elemento de diferenciação decisiva entre os dois sexos está o facto dos machos apresentarem, ao contrário das fêmeas, uma mancha branca em cada lado da fronte.
Quando pousados têm o costume de elevar uma das asas enquanto agitam nervosamente a cauda. A sua presença é frequentemente acompanhada pelas suas vocalizações, entre as quais um característico e curto estalido.
Neste período do calendário, outros migradores, até então presentes nos parques durante a primavera e o verão, como a encantadora poupa (Upupa epops), vão já a caminho do continente africano, pese embora, muito raramente no centro do país, um ou outro indivíduo possa não cumprir este desígnio migratório deixando-se ficar durante toda a estação fria.
Não se enganem, contudo, com esta aparência! Porque, na verdade, trata-se apenas e só de aparência!
Na realidade, caminhar num destes dias de frio intenso permite-nos ter uma percepção bem diferente destes espaços verdes, quer seja durante a fria manhã ...
quer seja durante o prematuro e sombrio fim de tarde.
(continua)









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