O Outono na montanha é especial.
Aqui, a altitudes que rondam os 1200 a 1500 metros, os bosques caducifólios, dominados por extensos carvalhais, a que se juntam faias, abetos e pinheiros silvestres, como que trepam pelas encostas da montanha...
Em Ovar, a "ondulação forte e os ventos mareiros" deixam a descoberto os atentados ambientais cometidos na Ria de Aveiro, nas praias e povoados do concelho, na Barrinha de Esmoriz e na mata litoral. Felizmente, a natureza, teimosamente sobrevive, aqui e fora daqui, revelando continuamente as suas belezas.
O Outono na montanha é especial.
Aqui, a altitudes que rondam os 1200 a 1500 metros, os bosques caducifólios, dominados por extensos carvalhais, a que se juntam faias, abetos e pinheiros silvestres, como que trepam pelas encostas da montanha...
O Outono nas terras altas é especial.
Aqui, a altitudes que rondam os 1200 a 1500 metros, os bosques caducifólios, dominados por extensos carvalhais, característicos do patamar inferior da montanha (colina), emergem como barreiras periféricas às terras planas e irrigadas (prados), onde o gado bovino pastoreia livremente.
Tratam-se dos Lameiros, terrenos assim configurados perante a abundância de água que escorre da alta montanha.
O Outono avança rápido e a natureza segue-lhe as pisadas. As copas das árvores são as primeiras a demonstrá-lo.
Despem-se umas, mudam de indumentária outras.
As despidas, são-no cada vez mais, até ficarem completamente nuas. As vaidosas, transformaram o verde clorofilino em coloridos acobreados, amarelados e avermelhados, conforme o seu estatuto específico.
É assim, o Outono, nos parques citadinos ...
Outono, sempre deslumbrante!
A Protecção Civil emitiu já um alerta de aviso amarelo para vários distritos de Portugal Continental face à previsão de vento forte e chuva intensa para os próximos dias.
No oceano, contudo, a mudança já chegou. Os ventos fortes, embora distantes, já produziram alterações nas correntes marinhas de superfície com implicações directas nas camadas mais profundas.
Apesar do estado do mar à superfície ser de pequena vaga, na coluna de água, as correntes desencadearam um fenómeno oceanográfico muito importante para a vida costeira em geral, conhecido como "upwelling".
O ressurgimento costeiro ("upwelling"), responsável pela ascensão de águas mais profundas, mais frias e repletas de nutrientes, enriqueceu já a camada superficial do oceano junto à costa.
As consequências são por demais evidentes a quem, atentamente, observa o mar. As comuns gaivotas-d'asas-escuras (Larus fuscus) passam, insistentemente, à nossa frente, sobrevoando a zona de rebentação em busca de algum desperdício orgânico que flutue na babugem da superfície.
Talvez a presença destas aves familiares, bem como, o tom azul escuro das águas possam induzir em erro quem observa as restantes aves pousadas ou em voo.
A manhã, hoje, acordou mais fria e a falta de vento fez com que a neblina matinal demorasse a dissipar sobre o manto verde do parque.
...estão agora praticamente despidos, faltando-lhes cair apenas algumas folhas encarquilhadas pelo frio das últimas noites.
Sobre o prado e sobre a folhagem desassombrada do arvoredo vêem-se algumas borboletas, comuns, mas sempre de voo gracioso. Entre elas destaca-se a Borboleta-dos-muros (Pararge aegeria).
Mas é longe daqui, nas zonas húmidas da região aveirense, onde a extensa mancha de Caniçal (Phragmites communis) constitui um microclima privilegiado nesta época do ano, que o burburinho produzido pelas aves durante a Primavera e o Verão cedeu lugar ao rodopio de uma miríade de insectos, extraordinariamente irrequietos, como que apressados em atingir algo de importante para as suas vidas.
Esse frenesim chama a atenção de qualquer passageiro menos alheado, bem como, de algumas aves insectívoras abundantes neste ecossistema, como o Cartaxo-comum (Saxicola torquata).
Voando em todas as direcções, sobre o canavial, andam libélulas "flecha", umas, solitárias, mas a maioria encavaladas, macho sobre fêmea, numa cópula iniciada momentos antes nalguma planta ribeirinha mas agora continuada no ar.
O peculiar emparelhamento deste grupo de insectos prossegue até que a fêmea, frequentemente em voo, deposita os ovos directamente nas águas calmas do esteiro próximo, mediante a extremidade tubular saída do seu abdómen.
Dentro desta família, Libellulidae, destaca-se a Sympetrum meridionale. Esta libélula, de cabeça, tórax e abdómen avermelhados pousa frequentemente num ramo ou numa das suas folhas, para dali atirar-se em voo rápido sobre as presas que avista, voltando posteriormente ao reconfortante poiso.
A sua parente Sympetrum striolatum, de patas e marcas no abdómen bem escuras, é ainda mais comum nas proximidades de águas pouco movimentadas.
Um olhar atento sobre a resteva do caniço, permite vislumbrar uma multidão de Saltões, da família Acrididae, perfeitamente mimetizados com o meio, como é timbre deste grupo de insectos. Tratam-se de indivíduos de Locusta migratoria.
Não param quietos, dando pequenos saltos para ali e para acolá, interagindo fortemente uns com os outros. Os machos, de cor acastanhada, perseguem-se e embatem-se, com os vizinhos ...
... e rodopiam constantemente em volta das esverdeadas fêmeas.
As cópulas sucedem-se, neste habitat húmido mas aquecido pelo forte calor que se faz sentir, com os machos, de cor pardacenta e de menor envergadura, sobre as fêmeas.
Miméticos, graças à variabilidade das suas cores, encontram-se também, sobretudo as fêmeas, sobre as folhas verdes da vegetação próxima.
Parece que todos eles procuram recolher o máximo de energia, disputando constantemente ao vizinho cada porção de espaço. É como se pressentissem o fim dos dias soalheiros e a chegada do frio e das chuvas!
É, pois, urgente para todos eles acasalarem e depositarem os ovos em local apropriado, pois brevemente, recolher-se-ão a um inactivismo que durará até à próxima Primavera.
As borboletas que se avistavam no Parque Urbano também por aqui andam. Essas e outras, como a Borboleta-da-couve (Pieris brassicae), esvoaçam sobre a vegetação ruderal, já com a sua última postura do ano realizada.
As simpáticas Joaninhas, família Coccinellidae, são na sua grande maioria carnívoras, fazendo um controlo das populações de diferentes famílias de Pulgões.
Andam também elas a prepararem-se para a hibernação que vai chegar, como a Joaninha-de-duas-pintas (Adalia bipunctata), numa variação cromática que a identifica como de "idade avançada".
Também a pequena Cigarrinha-verde (Cicadella viridis), de asas azuis nos machos, está prestes a abandonar, por este ano, a vida da sua fase adulta. Para já, e enquanto as condições ambientais o permitirem, ainda se vai avistando pousada sobre as folhas, sugando avidamente a seiva que lhes irá fornecer as tão importantes reservas nutricionais.
Os Abelhões (Bombus sp.), são insectos sociais que no Outono terminam a sua função de recolectores de pólen. Em breve, só as fêmeas fecundadas irão sobreviver aos rigores do Inverno.
Enquanto esse crucial momento não chega deliciemo-nos em apreciar estes últimos voos, pesados, de flor em flor, sempre acompanhados de uma sonoridade melodiosa tão característica...o seu zumbido.
Também os machos jovens de Vespa-comum (Vespula vulgaris) que fecundaram as fêmeas, futuras rainhas das colmeias, preparam-se para morrer, após um curtíssimo ciclo de vida que teve início em finais de Verão.
A terminar este apontamento sobre estes delicados seres, cuja vida decorre ao ritmo das metamorfoses, ficaria em falta lembrar que os últimos sopros de vida dos insectos neste Outono, nomeadamente a sua já próxima hibernação, andam a par da vida, também ela de letargia próxima, de alguns dos seus predadores ... como a Rã-verde (Rana perezi) e a lagartixa-de-Bocage (Podarcis bocagei).