Falar de biodiversidade, da sua importância e da sua
concretização efectiva, num planeta doente e a necessitar de mudanças globais, passa por abordar, em primeira mão, questões ambientais de âmbito local e regional.
A pobreza que actualmente as matas litorais oferecem, em
contraste com os tempos em que, devidamente cuidadas e geridas, ofereciam
condições para a fixação de comunidades animais, é demasiado evidente.
A zona florestal de Ovar, que se estende em toda
a faixa litoral do concelho, continuando para sul até S. Jacinto, dominada na sua
globalidade por povoamentos de pinheiro-bravo (Pinus pinaster) – pinhais - constitui uma versão redutora da
primitiva floresta portuguesa. Valorizar estes pinhais, mediante uma adequada
gestão, será um passo de gigante para a recuperação dessa floresta ancestral.
Para que tal objectivo seja concretizado deverá proceder-se a uma abordagem
integrada, que reconheça a importância ecológica, económica e social da floresta,
garantindo a sua sustentabilidade e biodiversidade a longo prazo. Deste modo, é
fundamental desenvolver estratégias de conservação, exploração sustentável, vigilância, valorização turística, educação ambiental, envolvimento político e mecanismos de cooperação.
No que respeita à conservação, manutenção e exploração, deverá ser dada uma atenção à:
- protecção da actual área florestada com pinheiro-bravo, com especial relevo para a protecção dos núcleos remanescentes
de outras espécies autóctones, que não o pinheiro-bravo;
- implementação de um plano de plantio
destas mesmas outras espécies autóctones (carvalhos, aroeira, medronheiros,
pinheiro-manso, ….);
- recuperação dos pinhais degradados/desmatados.
- fomento da regeneração natural.
- promoção de práticas de exploração
florestal sustentável, que incluam a colheita seletiva de madeira;
Quanto à monitorização e vigilância das matas, deverão ser implementados sistemas capazes de, rapidamente, detectarem e responderem perante atividades ilegais, como
desmatamentos e incêndios criminosos.
Relativamente à valorização da economia florestal, a mesma deverá passar pela criação de mercados/feiras para
produtos florestais sustentáveis, como alimentos silvestres (bagas, cogumelos,
plantas medicinais), artesanato e turismo de natureza.
No que concerne à educação ambiental, deverá esta passar:
- por acções de consciencialização junto das comunidades locais sobre a importância da floresta e sobre
as vantagens da sua conservação.
- pelo incentivo a uma participação activa
das comunidades locais na gestão da floresta, nomeadamente no uso adequado dos
seus recursos e na sua limpeza.
No que se refere ao turismo, deverá o mesmo ser sustentável, valorizando a beleza natural e a biodiversidade do ecossistema florestal e simultaneamente
garantindo a minimização dos impactos negativos sobre o meio ambiente.
Quanto às políticas públicas, estas devem priorizar:
- diligências junto do governo
central para a implementação de incentivos à conservação
e ao uso sustentável da floresta, incluindo incentivos financeiros a
proprietários, para valorização dos pinhais particulares com distintas espécies autóctones.
- mecanismos de envolvimento das populações na
co-gestão da floresta.
- a recuperação da figura e estatuto do
guarda-florestal, como elemento residente na mata, assegurando a gestão permanente da mesma.
Por último, deve mencionar-se a cooperação com instituições/municípios implicados na gestão florestal, nomeadamente de outros países, no sentido da troca de experiências sobre a matéria. A título de proposta sugere-se, por exemplo, Moraleja, cidade geminada com Ovar, e que se encontra inserida numa das províncias mais
florestadas de Espanha.