O casal de cegonhas-brancas (Ciconia ciconia), a que me referi aqui em apontamento anterior, e que durante o mês de Março foi transportando para a antena de
telecomunicações galhos que eram depositados e aconchegados naquilo que parecia vir a ser um ninho, começou a ausentar-se daquela alta
estrutura, vezes demasiadas e por períodos de largas horas, interrompendo o vai-vém
de transporte de material.
Esta atitude, que se foi repetindo diariamente nos primeiros
dias de Abril, começou a indiciar o abandono da nidificação por parte deste
casal, tanto mais que as aves começaram também a diversificar o seu poiso
escolhendo em alternativa o cimo do depósito de abastecimento de água da
cidade.
Quando na antena, as aves limitavam-se a cuidar da plumagem, sem demonstrarem qualquer apetência para dar continuidade ao trabalho da nidificação.
Quando na antena, as aves limitavam-se a cuidar da plumagem, sem demonstrarem qualquer apetência para dar continuidade ao trabalho da nidificação.
Se nas semanas anteriores era habitual ver as cegonhas a
chegarem à antena ao entardecer, preparadas para aí passarem a noite, recentemente
isso deixou de ser assim. De facto, as cegonhas deixaram de regressar ao seu
poiso, como seria de esperar, sendo este ocupado ao entardecer por pequenos bandos de estorninhos-pretos
(Sturnus unicolor).
Por razões desconhecidas, talvez pelo facto das cegonhas serem
novas e não terem tido a maturidade para acasalar, a antena em causa acabou por ficar devoluta!
Esta antena sim, mas outras duas localizadas em sentido oposto já
tinham ninho construído e com aves a incubar, no início de Abril ….
Estas são boas notícias para a avifauna selvagem da região. A
população de cegonha-branca na cidade de Ovar irá por certo aumentar,
proporcionando aos ovarenses maiores probabilidades de observarem estas
esbeltas aves planando com seu voo majestoso pelo céu vareiro.
* o texto e as fotos foram
produzidos cumprindo na íntegra o período de quarentena imposto pela pandemia do Covid-19.