sábado, 7 de fevereiro de 2026

Do ameno outono ao gélido inverno! (II)

 





(continuação)


Logo bem cedo pela manhãzinha, pegas-rabudas (Pica pica), deslizam rápido das ramagens mais altas até ao solo, onde, saltitando, basculham cada porção de relvado, ao mesmo tempo que lançam roucos chamamentos. 



É uma espécie bastante comum, como o atestam os seus diversos ninhos, em forma de bola escura, construídos em algumas das maiores árvores do parque.




Estas grandes e elaboradas estruturas, feitas de galhos e forradas de lama e ervas, são construídas no centro da copa de uma caducifólia. Apresentando uma forma abobada e com uma abertura lateral no topo servem as aves apenas no ano em que são construídas.



Embora a espécie seja omnipresente, a sua observação constitui um registo sempre agradável. Elegante de porte, apresenta uma vestimenta corporal alvi-negra, asas azuis e uma longa cauda azul esverdeada.



O seu gregarismo, a imponência da sua cauda, que é tão comprida quanto o corpo, bem como o seu rápido voo realizado à custa de batimentos fortes das asas intercalados por deslizamentos, fazem desta ave a rainha dos parques. 




O sol irrompeu já a fria manhã.

De longe, chegam os arrulhos das rolas-turcas (Streptopelia decaoto) que se banham destes suaves raios matinais...



anunciando, também, que o parque iniciou mais um dia de intensa actividade por parte destes seus moradores.


Da cor da areia, as rolas-turcas, voando solitárias por cima de nós, vão deixando escapar vocalizações de eternas enamoradas.



Enquanto descansam, sobre as ramagens despidas dos salgueiros (Salix sp.) ... 




ou sobre os varandins sobranceiros ao parque, ...




deixam bem visível o fino e interrompido  colar preto sobre os lados do pescoço, que as distinguem da sua parenta, a estival rola-brava (Streptopelia turtur).


O frio, não só não as separa, como pelo contrário, parece aproximá-las ainda mais. O que está bem, pois ao interagirem deste modo conseguem um ganho mútuo de energia corporal.




Ainda vem longe o tempo em que as finas plataformas dos seus ninhos, feitos com pequenos galhos e caules de plantas, ... 



ficarão escondidas da atenção dos predadores, pela densa folhagem que se há-de formar, de modo a acolherem em segurança as novas gerações. 

Contudo, durante todo este período de inverno, as aves não perdem o hábito de permanecerem nas proximidades dos ninhos do ano anterior.



Poder-se-á assim dizer que, estas aves, além de não esconderem as suas demonstrações amorosas, revelam um enorme apego ao lar. 


(continua)