sábado, 14 de fevereiro de 2026

Do ameno outono ao gélido inverno ! (III)





(continuação)


Há mais de uma semana que os dias, bastante frios, decorrem sob a capa cinza de um céu que vai desabando água de forma intermitente. 



O solo dos parques está, por esta razão, saturado de água, formando-se charcas em zonas rebaixadas.




Ademais, os cursos de água que neles transitam, correndo já bem encorpados  ...



vão engrossando, dia após dia, esses caudais, começando a transbordar para as margens.

 


Vive-se a passagem de duas depressões sucessivas, responsáveis por estas características climatéricas.


É durante os intervalos de tempo que medeiam as bátegas que os habitantes dos parques aproveitam para fazer aquilo que lhes é essencial. Alimentarem-se. 


Como pequenos fantasmas que parecem surgir do nada, os rabirruivos-pretos (Phoenicurus ochruros) esvoaçam bem perto, acabando por poisar nalgum ramo, muro ou num dos muitos blocos de pedra que servem de ornamento paisagístico aos parques. 



De postura erecta e painel branco nas asas, é a sua cauda, de tonalidade avermelhada e agitada insistentemente, que mais nos prende a atenção.



Num voo rápido descem ao solo onde não se demoram mais do que um segundo, tempo suficiente para capturarem um insecto ou um verme.



Os melros-pretos (Turdus merula) são uma presença constante, ao longo de todo o dia, nos parques. 

Esgravatando o solo em busca de minhocas e de outros pequenos invertebrados aí escondidos ... 

 


ou pousados nos ramos despidos do arvoredo, os machos de plumagem negra e bico amareloconferem a esta espécie o estatuto de verdadeiros reis dos nossos parques.



É durante este período de inverno, especialmente quando o mesmo é muito friorento, que o número de piscos-de-peito-ruivo (Erithacus rubecula), essa encantadora ave de peito alaranjado, aumenta nos parques, pois as aves do norte da Europa tendem a descer para latitudes mais amenas. 

Este facto explica a razão pela qual, de todas as direcções se ouvem os cantos e chamamentos deste pequeno pássaro. É precisamente esta vontade de cantar que denuncia a sua presença, mesmo quando encobertos nas árvores de folhagem duradoura. 



Se o pequeno e rechonchudo pisco atrai a nossa atenção pelas suas cantorias, a felosa-comum (Phylloscopus collybita), ainda mais pequena e com um abafado e melancólico chamamento, atrai antes pela sua irrequietude e acrobacia, que a leva a não demorar mais do que alguns poucos segundos em cada ponto onde assenta as patas.



Tal como acontece com o pisco, esta espécie abunda durante o inverno nos parques, dado que à população residente juntam-se os indivíduos invernantes que migram do norte da Europa.

A sua chegada em força numa altura do ano em que as árvores caducifólias ainda possuem as suas últimas folhas e já se desenrola o despontar das novas gemas, permite que a espécie se banqueteie de pequenos pulgões nas copas dos choupos. 




A agitação destes pequenos pássaros cessa de repente quando nova bátega de água cai sobre tudo e sobre todos. É então chegada a hora destes irrequietos protagonistas recolherem ao abrigo da vegetação mais densa que encontrarem e de nós regressarmos a casa.




(continua)


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