terça-feira, 25 de agosto de 2026

Poluidores não pagadores

 





Mais uma manhã de terror no Parque Urbano de Ovar! 

Pela calada da noite e aproveitando as chuvas que se fazem cair, alguém com estatuto de imbecilidade decide poluir mais uma vez o rio Cáster numa postura de total despreocupação por aquela penalização que nunca lhe é aplicada.





Este prevaricador, bem como os outros que fecham os olhos perante estas situações inacreditáveis, em que se destaca o executivo da Câmara Municipal de Ovar, deveriam ser alvo de castigos exemplares, o primeiro por atentado às águas, à fauna e à flora fluvial e os segundos pela costumeira inação na defesa deste património ambiental que é PÚBLICO. 


C.M.O. eis o triste clamor das águas, postal ilustrado daquela que deveria ser a vossa cidade, sede de concelho!




sábado, 15 de agosto de 2026

Primavera no Parque

 






O verão já cumpre a sua segunda meia vida. 

A temperatura própria para este período do ano e a ausência de nortadas têm proporcionado um clima extraordinariamente agradável aos sentidos, o qual se tem manifestado durante dias e noites a fio. 

O parque da cidade reflecte, também ele, esta realidade. O acordar das suas manhãs tem sido de uma têmpera bastante mais adocicada face ao que acontecia há uns três meses atrás, quando a fragância clorofilina se difundia livremente pela atmosfera enquanto a vegetação, verde intensa, irrompia galopante por tudo o que era substracto disponível. 



No presente, experiencia-se uma quietude e silêncio dominantes, sobressaídos de um arvoredo visivelmente mais ralo e de verdes desbotados, ... 



... apenas interrompidos pelos arrulhos e bater de asas das rolas-turcas (Streptopelia decaocto), que não param de se cortejar até que sejam cumpridas as duas ou três posturas da época.



Ademais, só mesmo os tímidos chamamentos da passarada juvenil nascida ainda há poucas semanas e que diariamente deambulam, desde as primeiras horas de luz, junto das habitações no intuito de conseguirem algum alimento, como é o caso dos juvenis de alvéola-branca (Motacilla alba)...



e os quase infra-sons produzidos pelos insectos voadores ao polinizarem flor a flor, como a mosca-das-flores (Eristalis arbustorum), mimetizada de abelha para melhor se defender dos seus predadores.



Infelizmente é também nesta altura do ano que a vespa-asiática (Vespa velutina), chegada a Portugal há 15 anos, exerce uma maior pressão sobre os insectos melíferos autóctones dado se encontrar no auge do crescimento dos seus vespeiros.



Se as manhãs se revelam calmas, o meio do dia é de um silêncio ensurdecedor. A temperatura escaldante obriga os seres alados a refugiarem-se por entre a folhagem. Que o diga o sempre agitado melro-preto (Turdus merula).



Pelo contrário, esta acalmia que se abate sobre a natureza e a maioria dos seus seres favorece os répteis, como a lagartixa-ibérica (Podarcis hispanica), permitindo que estes animais de sangue frio abandonem de forma mais despreocupada as sombrias fendas das rochas, para se exporem aos raios solares tão importantes no processo da sua termorregulação corporal.



O fim de tarde chega também ele sereno, decorrendo sob o signo de uma luminosidade quente que só as sombras conseguem atenuar.



Esta acalmia de movimentos e sons que o verão impõe, traz inevitavelmente, a nostalgia dos agitados dias primaveris, em que as copas cresciam de verde puro, as flores despontavam coloridas e os passeriformes nos seus frenesins reprodutivos enchiam o ar de infindáveis trinados. 

Voltemos a um desses primeiros dias de primavera no parque da cidade e recordemos o evoluir desta maravilhosa estação do ano e da sua transição para o verão que se lhe segue.  


(continua)