Estamos em finais de Março.
O arvoredo dos jardins, bosques e bosquetes, vestido de múltiplos tons, já consegue oferecer aconchego aos ninhos e às aves.
As mais altas infra-estruturas humanas, as mais apetecíveis para a cegonha-branca (Ciconia ciconia), vão sendo ocupadas pela espécie.
Construído o ninho ou sobretudo quando este ainda se encontra em fase de construção, é vulgar o casal nidificante ser alvo de investidas por parte de outros casais, no sentido daqueles o abandonarem.
Ultrapassadas estas lutas de demarcação territorial, o casal entrega-se ao cerimonial reprodutor. Este passa por frequentes cópulas ...
... e por rituais de acentuada extroversão.
Posicionados lado a lado, os membros do casal executam, numa primeira fase, movimentos da cabeça e do corpo, para diante e para baixo.
Passado algum tempo estes rituais atingem o seu clímax. Curvando os pescoços para trás, com as cabeças a tocar os dorsos, iniciam um inconfundível e sonante matraquear de bicos. Parecem, com este comportamento repetido amiúde ao longo do dia, estarem a fazer juras de amor.
O glotorar da cegonha-branca - que também acontece sempre que se verifica a chegada de um dos elementos do casal ao ninho - ecoando nos campos ou nos aglomerados humanos, é uma verdadeira imagem de marca da estação primaveril, que está agora a começar.
Será neste período de excitação conjugal que a fêmea começará a realizar a sua única postura, de três a cinco ovos brancos, entre finais de Março e princípios de Abril, os quais irão ser incubados por ambos os cônjuges.
Decorridos entre trinta e trinta e quatro dias após a postura do primeiro ovo começam a nascer as crias, com um intervalo de pelo menos dois dias - período igual ao que se verificou durante a postura.
Passadas poucas horas após o nascimento, as crias começam a movimentar a cabeça, parecendo imitar os progenitores quando estão a glotorar.
(continua)